WAIMIRI ATROARI        a histOria que ainda        não foi contada.        Jos6 Porfirio F. de Carvalho.        C331w Carv...
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Iniciou-se ent5o, uma guerra sem treguas, entre os exploradores de pro-      uma forca do 39 Regimento de Artilharia e out...
No dia 12 do mesmo mes s, por volta das 10 horas, a expedic5o, ainda           0 Comandante Horta era sempre auxiliado em ...
Corn o insucesso do primeiro contato, o Padre Jose Maria desistiu desua miss5o.                                           ...
Os indios cercaram Barbosa Rodrigues e depois de muito insistir, aceita-        Na foz do igarape Chichinau, a expedic5o e...
Barbosa Rodrigues, cita que, aquele grupo de indios era chefiado pelo         Desse trabalho de pesquisa foi elaborado um ...
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local, todos os pertences do Sr. Luis. Jose da Silva. Queria Edgar Penha, que     ca anormal, embora praticados por quern,...
Sob a orientacgo dos irm g os, Humberto e Luiz Briglia, foi tundado noalto do rio Camanau, o Posto Indigene de Atrac5o den...
encontro que fatalmente teriam corn os indios Waimiri Atroari, o que pode-        toria do Service de Protecao aos Indies,...
de Moura, levando a bordo a Chef ia da 1? Inspetoria do Servico de Pro-         guem para tomar conta, subindo os pedrais ...
Eonio Lemos e Isaias Ovidio, ocultaram-se seguros no motor embaixo da                Pouca coisa conseguiram recolher. Foi...
Pouco se sabe sobre os rituais dos Waimiri Atroari, apenas algumas ocor-                           OS VVAIMI RI ATROARI   ...
do teto, deixando uma abertura para entrada do are para a saida de fumacade suas fogueiras.                               ...
Waimiri atroari-josé-porfírio a história que não foi contada
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Waimiri atroari-josé-porfírio a história que não foi contada

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A história escrita por quem participou dos fatos.

  • Particularmente tenho o autor deste livro ( considero-o meu amigo), como um dos meus grandes modelos de convivência com os indígenas. Inacreditavelmente, passados tantos anos, esteja sendo alvo de injúrias, desconfianças e acusações levianas. Isso, não diminue em nada, a sua contribuição para as melhorias das condições de vida, o respeito e o reconhecimento da questão indígena pelos brasileiros.
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Waimiri atroari-josé-porfírio a história que não foi contada

  1. 1. WAIMIRI ATROARI a histOria que ainda não foi contada. Jos6 Porfirio F. de Carvalho. C331w Carvalho, Jose Porfirio Fontenele de Waimiri Atroari a histOria que ainda n go foi contada. Brasilia, 1982. 180p. ilust. 1. Waimiri Atroari — HistOria. I. Titulo. CDU: 39(-081:811) (091) 0 Copyright Jose Porfirio Fontenele de Carvalho 1414/14/RI ATROM1 Todos os direitos de publicagOes deste Livro a histOria que ainda s5o de Jose Porfirio Fontenele de Carvalho ndo foi contada.78162
  2. 2. 1--tp dAQA-L cot,,c,) WAIMIRI ATROARI A histOria que ainda n5o foi contada. Josè Porfirio Fontenele de Carvalho. INDI CEOS WAIMIRI ATROARI 4BARBOSA RODRIGUES E OS CR ICHANAS 11 Dedico este trabalho, aos que, mesmo sem saber porque estavam fazen-A DEFESA DOS INDIOS WAIMIRI ATROARI PELO do, sacrificaram suas vidas, em defesa dos indios.SERVICO DE PROTECAO AOS INDIOS — SPI 17OS WAIMIRI ATROARI "VERSUS" Presto aqui minha homenagem pessoal a Gilberto Pinto Figueiredo e a Jo5o Dionisio do Norte, o "Jo5o Maracajr, que sacrificaram suas vidas na4TH PHOTO CHARTING SQUADRON 23 defesa dos indios Waimiri-Atroari.OS WAIMIRI ATROARI 30POSTO INDIGENA I RAOS BRIGLIA 33A MISSAO GALLERI 38 Quando iniciei este trabalho, nos idos de 1974, n5o imaginei que levariaATAQUE NO RIO ALALAU 49 tanto tempo para conclu (do.A ESTRADA BR-174 MAN US-CARACARAI-BOA VISTA 61GILBERTO PINTO FIGUEIREDO COSTA 85 Mc) se trata de nenhum trabalho com pretens5o cientifica ou acaderni-OS WAIMIRI ATROARI Depois da morte de GILBERTO ca, trata-se de depoimentos pessoais sobre fatos que testemunhei e de resumo sobre o resultado de exaustiva pesquisa bibliogrâfica e documental.PINTO FIGUEIREDO 106A RESERVA INDIGENA WAIMIRI ATROARI 110 Por isto, ao escrever este trabalho, ri g o sigo nenhum chav5o estótico co-DIMINUICAO DA RESERVA WAIMIRI ATROARI 115 mumente usado, escrevo e narro os epis6dios de forma como o pesquiseiNOVA ESTRA DENTRO DA TERRA DOS INDIOS e da maneira que costumo contar est6rias.WAIMIRI ATROARI 118FOTOS 121MAPAS 131 "Eu nunca quis saber porque os indios mataram ou deixaram de matar Tenho-os como meus filhos, considero-os o prolongamento de minha familia. Ando armado na floresta, mas näo atiro nos indios em caso de ataque. Se me matarem um dia, paciència ..." "Gilberto Pinto Figueiredo", Indigenista morto em servico, na floresta,no Posto Indigene de Atrac5o Abonari em 29 de dezembro de 1974. 3
  3. 3. ApOs a ida para a regi5o (area de influência dos rios Jauaperi e Rio OS WAIMIRI ATROARI Branco) do Major Manoel Ribeiro de Vasconcelos, nomeado pelo Presidente da Provincia do Amazonas, Dr. Jo5o Pedro Dias Vieira, ern 1856, iniciou-se Todas as noticias que encontrei nos documentos pesquisados sobre os uma verdadeira guerra, aberta e desigual, contra os indios Waimiri Atroari.indios denominados Waimiri Atroari e os contatos mantidos corn aquele gru-po tribal, n5o garantem que eles se auto-denominem como sac) conhecidos. Para "pacificar" os indios Waimiri Atroari, o Major Vasconcelos, seguiu no dia 29 de abril de 1856, levando consigo, ao Rio Jauaperi, 50 guardas Sabe-se que os indios que habitam a area de influencia do rio Camanau, bem armados prontos para entrarem ern acào contra os indios. A pacificackJauaperi o Santo Antonio do Abonari,quando se referem aos indios que habi- entendida pelo Major Vasconcelos, era de forcar a bala o rendimento dos in-tarn a area de influéncia dos rios Alalau e Uaturn5, chamam-lhes de "Atroari". dios, para que os comerciantes exploradores de Castanha pudessem realizarE aqueles quando fazem referencia aos indios do Camanau e Jauaperi, Santo suas coletas sem que fossem molestados.Antonio do Abonari, denominam-lhes de Waimiri. Entretanto são poucos oshistoriadores que fazem referencias aos indios habitantes na regi5o corn- Major Vasconcelos, subindo o rio Jauaperi, entrou corn seus guardaspreendida pelos rios Jauaperi, Camanau, Uatum5, Santo Antonio do Abona- no Igarapa Uatupura, onde foi encontrado uma grande aldeia de indiosri, Alalau e seus afluentes, corn a denominac5o Waimiri Atroari. Waimiri e all foi travado urn combate entre os pracas e os indios, que colhi- dos de surpresa e pela desigualdade de armas fugiram apavorados, deixando As primeiras noticias que se tern dos indios habitantes na margem es- nas proximidades da maloca urn grande nOmero de mortos.querda do Rio Negro, compreendendo a area que se estende do rio Jatapu aoRio Branco (vide mapa n901), datam do seculo XVII. Os comandados do Major Vasconcelos, saquearary as casas dos indios, lancaram fogo ern toda a maloca, chegando a morrerem dentro, ferias crian- Barbosa Rodrigues, famoso etnálogo brasileiro, foi um dos primeiros cas e velhos que n5o conseguiram fugir.que manteve contatos amistosos corn os indios Waimiri Atroari, que ele na Segundo relatórios da expedic5o, devem ter morrido mais de 300 indiosocasi5o, denominou-os de Crichanas. entre adultos, criancas e velhos. Sobre os contatos corn, indios, Barbosa Rodrigues, publicou urn traba- Depois do ataque, o Major Vasconcelos retornou a Manaus para relatarlho em forma de livro intitulado "Jauaperi, Pacificac5o dos Crichanas"(1885). o fato, e a seu pedido foi instalado na foz do pequeno Igarapa chamado Macucuaua, urn destacamento militar para garantir aos coletores de castanha, seguranca nécessaria aos seus trabalhos. Sabe-se tambarn que o missionario Frei Teodoro das Mercés, urn dosprimeiros exploradores do Rio Negro, manteve contato corn os Waimiri Muitos dos castanheiros atmtrios pela presenca do destacamento militar,Atroari, denominando-os entretanto de "Aroaquis". foram estabelecendo-se nas margens dos rios Jauaperi e Alalau, dando conti- nuidade a explorac5o das matas, dentro do territhrio dos indios Waimiri Os Waimiri Atroari, eram tambern conhecidos corn a denominac go deTarumas, Caripunas, Cericunas, Crichanas, Alalaus, Jauaperi e Wautemiri. Atroari. O relacionamento entre os indios Waimiri Atroari corn os segmentos da N5o custou muito, os indios passaram a tentar afastar os invasores desociedade colonizadora manteve-se sem maiores problemas ate o inicio do seus dominios. Fu g o Jord5o, urn dos moradores que se estabelecera na mar-saculo XIX, quando o comércio e a exploracao dos castanhais atingiram eco- gem esquerda do rio Jauaperi, no local mais tarde conhecido como Mahaua,nomicamente grande importancia. As terras ocupadas pelos Waimiri Atroari foi atacado pelos indios a flechadas, juntamente corn as pessoas que residiams5o ricas ern produtos vegetais, destacando-se a Castanha do Brasil, Balata, corn ele e estavam participando da coleta de castanha.Pau Rosa (3) e outros artigos de grande procura comercial naquela apoca. Na foz do igarapé Tunuau, afluente do rio Jauaperi, os indios saquea- Foram criadas nas margens do Rio Negro, pequenas vilas como Moura, ram a casa de D. Catarina que se encontrava ausente, fazendo corn que de-Carvoeiro e Airdo sem que fosse registrado nenhuma resistencia por parte dos pois disto todos os que se aventuraram a subir o rio Jauaperi abandonassemindios a fixac5o daqueles povoados dentro do territ6rio ocupados por eles. de vez suas residéncias.4 5
  4. 4. Iniciou-se ent5o, uma guerra sem treguas, entre os exploradores de pro- uma forca do 39 Regimento de Artilharia e outra do Corpo ProvisOrio, sob odutos naturals e os Indios Waimiri Atroari. comando do Brigadeiro Joao de Barros Falc5o, a bordo de duas lanchas de artilharia. Toda vez que urn dos invasores das terras dos Waimiri Atroari avistavaurn rndio, fazia-Ihe fogo. 0 Indio por sua vez e quando era possivel, revidava. Quando as forcas atingi ram Moura, os indios j6 tinham se afastado.0 "crime" dos indios aparecia, mas as vitimas inchgenas nunca tornavam-seconhecidas. Nessa guerra desigual o Indio, sempre levava o pior e isto fatal- 0 Brigadeiro Comandante, dividiu a forca ern duas frentes de combatemanta provocava nos indios maior ira contra os colonizadores. e sairam a procura dos Indios. Ern 1867, Frei Samuel Luciani, vigario da parequia de Moura, vila a Subindo o rio Jauaperi, uma das lanchas encontrou-se corn urn grupo demargem direita do Rio Negro, estabelecida nas proximidades da foz do Rio indios que seguiam ern 11 Ubas de retorno as suas malocas.Jauaperi, elaborou urn projeto para "Pacificar os Indios Waimiri Atroari".Foi então Presidente da Provincia do Amazonas, Epaminondas de Melo e As Ubes foram alvejadas corn tiros de artilharia e todas metidas a pique.conseguiu os meios para levar adiante o seu projeto. Os Indios que viajavam nas embarcacOes morreram quase todos e segun- do o relat6rio da expedic5o, foram mais de uma centena. Entretanto, Frei Samuel n5o saiu de Moura. Enviou ao rio Jauaperi emmissão de "Pacificacgo", guardas armados para manter contatos corn indios. A segunda lancha, tendo no seu comando o Tenente Pastana, encostou0 grupo de guardas ao encontrar-se corn os indios, por falta de conhecimen- na margem esquerda do Rio Jauaperi, acima do local onde as Lib& foramto e mains de lidar corn ales, foi hostilizado e retornaram a Moura, to postal a pique, tendo seguido corn seus comandados por terra. Ao encontrar-logo foi possivel. se corn urn grupo de indios foi feito uma intensa fuzilaria que durou "ate a noite chegar". Frei Lucianni, escreveu ao Presidente da Provincia comunicando o ocor-rico e pediu reforcos de mais guardas armados para levar adiante sua desas- Seguindo pelo rio Curiau, partindo de Tauapessassu, saiu outra expedi-trosa miss5o. c5o armada contra os indios. O Presidente da Provincia do Amazonas, Epaminondas de Melo, negou Pr6ximo a foz do Curiau, a expedick encontrou-se corn um grupo deo pedido do Frei L rescindindo ern seguida o contrato firmado corn o padre cerca de 80 indios, que apOs a fuzilaria dos expedicionarios, poucos escapa-para "Pacificar os Indios". ram, fugindo mata a dentro. Os atritos entre indios e castanheiros continuaram toda vez, que dentro Nesse revide a presenca dos indios na vila de Moura, mais de 400 indiosdo territorio dos Waimiri Atroari, encontravam-se. morreram alvo das balas dos colonizadores. No dia 12 de Janeiro de 1879, a vila de Moura, foi atacada pelos indios Depois do retorno das expedicOes, em Moura ficou sediada uma LanchaWaimiri. Os moradores ao notarem a presenca dos indios nas proximidades, de Guerra, destinada ao combate sistemetico aos indios Waimiri Atroari.tiveram tempo de refugiar-se numa ilha existente na frente da vila (a ilha eraconhecida corn a denominacao de ilha Curupiari ou Sabia). Os moradores de No més de outubro de 1874, o Tenente Antonio de Oliveira Horta, co-Moura, depois do ataque dos indios, passaram a denominar a ilha onde esca- mandante do destacamento militar da vila de Moura,flagrou nas proximida-param dos indios, de ilha da Salvack, nome pela qual ainda e conhecida. des do povoado, urn grupo de cerca de 200 (tidies Waimiri Atroari, que fo- ram mortos a bala pelos pracas sob seu comando. Apenas o prapa de nome 0 ataque dos indios a vila de Moura, I i mitou-se quase a danos materiais, Quitiliano Jose Ferreira ficou ferido entre os guardas da guarnick militarapenas dois dos moradores morreram,isto porque reagiram, a bala, a pre- de Moura.senca dos indios. No dia 9 de novembro do mesmo ano, o Tenente Horta, comandando Quando a noticia da presenca dos indios em Moura, chegou a capital da 20 pracas armados, a bordo da lancha de guerra que se achava estacionadaProvincia do Amazonas (dias depois), o Presidente fez seguir para Moura em Moura, seguiu ao rio Jauaperi a caca dos indios Waimiri Atroari.6 7
  5. 5. No dia 12 do mesmo mes s, por volta das 10 horas, a expedic5o, ainda 0 Comandante Horta era sempre auxiliado em suas missees contra osno rio Jauaperi, encontrou aparentemente abandonadas 5 Ubes, que por indios pelos "civis" de nome Manoel Gonsalves, vulgo Bicudinho, HermO-ordem do Comandante Horta foram destrufdas. Os indios,possiveis passagei- genes Rodrigues Pastana, Hermenegildo Rodrigues Pastana e alguns outrosros daquelas embarcacOes n go apareceram. corn menos freq6ancia. Em seguida, urn pouco mais acima, encontraram mais 2 Ubas,tambem Em 1875, o Presidente da Provincia do Amazonas, Dr. Domingos Jaciaparentemente abandonadas. Estas, o Comandante Horta resolveu levy-las Monteiro, em seu relatOrio anual, comentando os atos do Tenente Horta cornpara Moura, como se fossem trofaus de guerra. relacg o aos indios Waimiri Atroari frizava: "fez-se neles(nos indios) uma grande mortandade, ja quando o perigo ja estava passado e eles retiravam-se. No dia 21 de novembro, o sentinela do destacamento militar, ao avis- Deste modo dificulta-se a conciliac5o com aqueles selvagens, em que crescetar um Indio nas proximidades do povoamento, deu urn tiro matando-o, o espfrito de vinganca com repetic go das ofensas".alertando a populac go e o prOprio destacamento. Apesar de tudo, os indios continuaram aparecendo nas cercanias da Iniciou-se ent g o mais urn sangrento combate, tendo o Tenente Horta, vila de Moura, ora no Parana da Desgraca, ora no Parana do Lim go, nas ilhasusado sua forca militar ajudado pelos moradores da vila. Urupunan e na ilha do Cureru, sendo sempre recebidos a tiros de fuzil. Morreram muitos indios "Incontaveis" segundo noticias dos jornais da 0 Tenente Horta foi afastado do Comando Militar incubido de protegerépoca. Moura e em seu lugar assumiu o Comando o Tenente Malaquias Neto. Muitos indios entretanto conseguiram fugir, levando consigo alguns No dia 16 de dezembro de 1876, o Tenente Malaquias em"viagem demortos e feridos. inspecg o" dirigiu-se ao rio Jauaperi, a bordo da lancha de guerra que fazia parte de seu destacamento. ApOs o ataque, o Tenente Horta organizou uma patrulha e saw em per-seguicao aos indios que conseguiram escapar. Ja no rio Jauaperi, ao encontrar uma Uba aparentemente abandonada numa praia, prOximo ao Tanau, mandou encostar a lancha para averigua- Novo encontro deu-se entre indios e os comandados pelo Tenente Hor- cOes.ta e mais uma vez a mortandade ocorreu. Ainda assim alguns feridos conse-guiram refugiarem-se nas matas pr6x imas as margens do rio Jauaperi. Ao aproximar-se da margem onde se encontrava encostada a Lib& a lancha encalhou nos bancos de areia formados no leito do rio. De repente No dia seguinte continuou a perseguic g o aos indios feridos. surgiram vários indios atacando a lancha a flechadas. Escondidos entre a folhagem das arvores "onde estavam trepados e si- Houve fogo cerrado de artilharia "querendo os indios tomar a lancha,lenciosos" encontravam-se cerca de 23 indios feridos. cobriram-na de flechas, pelo que a tripulac go fugiu para os porOes depois de dar urn tiro de metralha com rod fzio de proa que, n5o estando preso pelo Os guardas armados ao encontrarem os indios escondidos e trepados vergueiro, saltou ao conves. Ficaram alguns marinheiros e indios feridos,nos galhos das érvores ficaram euf6ricos "como cacadores entusiasmados morrendo muitos desses" (Jornal "Amazonas" — 28 de abril de 1878).ante um grupo de guaribas". Cada um dos expedicionerios procurava desta-car-se em sua pontaria "Apontavam a arma e, ao disparar, o pobre Indioca fa Em 1878, o ent go Presidente da Provincia do Amazonas, Bar g° de Ma-de onde se encontrava abrigado, no meio de gargalhadas gerais e gritos de racaju, convidou o padre Jose Maria Vila, para assumir a miss go de catequisarsatisfacg o. "Assim cairam todos, a excess go de um que ficou preso a um os indios Waimiri Atroari, chamados na Opoca de Crichanas.galho". Ao tentar aproximar-se dos indios, o Padre Josè Maria Vila, foi hostili- No outro dia, os prapas voltaram ao local da chacina e apOs empilharem zado e seus acompanhantes reagiram a bala, entretanto ri g° se registrou os corpos, lancaram fogo. nenhuma morte. 8
  6. 6. Corn o insucesso do primeiro contato, o Padre Jose Maria desistiu desua miss5o. BARBOSA RODRIGUES E OS CRICHANAS 0 destacamento policial sediado em Moura, continuou corn regularida-de e insistencia a cacada aos indios habitantes no rio Jauaperi e seus afluen- Em 29 de marco de 1884, o Diretor do Jardim Botanic° do Amazonas,tes. etn6logo e botanic°, Barbosa Rodrigues a bordo de urns lancha da Marinha de Guerra, comandada pelo Tenente Jose de Almeida Bessa, acompanhado Em 08 de junho de 1886, o Presidente da Provincia do Amazonas, desi- ainda do alferes Manoel Ferreira da Silva e do Conde Ermano Stradeli, par-gnou o Frade Jesualdo Machetti para, corn os Padres que vieram da Europa tiu de Manaus com destino ao Rio Jauaperi pars tentar urn contato amistosoem sua companhia, organizar e dirigir o servico de catequese aos indios Cri- corn indios habitantes daquela regi5o.chanas (Waimiri Atroari). Na vila de Moura, incorporou-sea expedic5o os Srs. Manoel Gonsalves, Frade Jesualdo, achando-se sem condicees para desempenhar a cateque- Zeferino Jararaca e o Indio Macuxi, Petro Ferreira Marques Brasil,que parti-se dos indios, n5o chegou a iniciar o trabalho para o qual fora designado cipava na condicg o de interprete, pois tudo indicava que o idioma dos indiospelo Presidente da Provincia. Crichanes (Waimiri Atroari) como denominava o etnOlogo Barbosa Rodri- gues, pertencia ao mesmo grupo linguistico dos indios Macuxi, habitantes no Diante da recusa do Frei Jesualdo, o Presidente da Provincia nomeou alto Rio Branco (hoje regi5o do Territ6rio Federal de Roraima).o Frei Venancio Zelochi, que chegou a it as cabeceiras do Rio Branco (hojeTerritOrio Federal de Roraima) a procura de interpretes entre os indios A expedick partiu da vila de Moura, no dia 01 de Abril de 1884, a bor-Macuxi, que pertencem ao mesmo grupo liguistico dos Waimiri Atroari. do da lancha da Marinha, que foi cedida a Barbosa Rodrigues pelo Presidente da Provincia do Amazonas, exclusivamente pars a miss5o. Como n5o conseguiu trazer para o rio Jauaperi, os interpretes que ne-cessitava pars o seu trabalho, Frei Venancio tambern desistiu de catequisar Na boca do Parana Calango, que une o Rio Negro ao Rio Jauaperi, aos Waimiri Atroari. lancha ficou fundeada e os expedicionerios, seguiram a viagem daquele ponto em diante em urns canoa, levando a reboque mais duas que transportavam Corn mais esta desistencia de religiosos para a catequese dos indios • brindes e artigos para alimentacão.Waimiri Atroari, o Presidente da Provincia do Amazonas, Coronel Conrado,difterminou a instalac5o na foz do Rio Branco e rio acima de Postos Milita- Numa das ilhas do lago denominado Mahaua foram avistadas 4 Ubas,res, visando a protec5o dos segmentos da sociedade colonizadora que ja tripuladas por cerca de 40 indios.invadiam o territOrio indigena a procura das riquezas naturais. Foi o primeiro contato dos expedicionerios chefiados por Barbosa Ro- Em 1889, retorna o Tenente Horta ao comando do Destacamento Po- drigues corn os indios. "Um alarido bort-Niel e gritos ameacadores retumba-licial encarregado de proteger a vila de Moura. E tambêm volta a persegui- ram pela floresta. Era de fazer estremecer o ruido produzido pelos galhos dasc5o implacavel e sisternatica aos indios Waimiri Atroari. arvores que se quebravam e a vozeria dos selvagens" assim expressou-se Bar- bosa Rodrigues ao narrar em seu relatOrio o primeiro encontro corn os in- A bordo da lancha de guerra, sediada em Moura, e acompanhado do dios. sub-delegado daquela vila, o elemento conhecido pela alcunha de Rato, o Tenente Horta volta ao rio Jauaperi e no lugar conhecido como Maracace Barbosa Rodrigues, muito receioso,procurou se aproximar do grupo de encontrou-se corn os indios Waimiri Atroari, ocorrendo intensa fuzilaria, indios que gesticulava e acenava aos gritos. onde mais de uma centena de indios tombou sem vida. Atraves do interprete, o Indio Macuxi que acompanhava a expedic5o, Moura foi o local, de onde, no seculo passado, partiram a maioria das convidou-os a irem ate a canoa, pois ali tinha brindes e presentee para eles. expedicOes de caca ao indios Waimiri Atroari. Os outros expedicionarios ficaram dentro da canoa, pois temiam a qualquer momento o ataque dos indios. 10 11
  7. 7. Os indios cercaram Barbosa Rodrigues e depois de muito insistir, aceita- Na foz do igarape Chichinau, a expedic5o encontrou urn novo grupo deram a acompanha-lo ate onde encontravam-se as canoas corn os objetos des- Indios, tendo Barbosa Rodrigues, mantido contatos amistosos com eles, rea-tinados a presentes. lizando tambem troca de presentes. Mas, os companheiros de Barbosa Rodrigues, ao verem o grupo de in- Todos os contatos mantidos por Barbosa Rodrigues e os indios foram a-dios se aproximando das canoas, remaram corn pressa, se afastando da praia, mistosos e coroados de exitos. Os indios pareciam confiar no cientista. A ex-o deixando sozinho corn os indios. "De repente, escreveu Barbosa Rodrigues, pedick chefiada por Barbosa Rodrigues, contou corn a ajuda do alferes Ma-os selvagens, me envolveram, me agarraram e me levaram a forca para urn noel Ferreira da Silva, Tenente Bessa e o Conde Stradeli, destacando-se aindacOrrego que dividia a ilha na parte coberta de vegetac5o. 0 cOrrego era bem a participacao do Indio Macuxi, Pedro Ferreira Marques Brasil, que serviu de in-prof undo. N5o me atrevi a atravessa-lo porque tornava-se necessario nadar e ter-prate nos primeiros contatos corn os indios Crichanas (Waimiri Atroari).eu não podia por estar doente e vestido". Acompanhado de sua esposa e filha, Barbosa Rodrigues, em 3 de junho Procurando conter os Indios, fazendo gestos corn as mãos, demonstran- do mesmo ano, pita de Manaus em nova expedick ao Rio Jauaperi.do que não sabia nadar, conseguiu Barbosa Rodrigues, acalme-los. Depois demandar distribuir aos indios os presentes que tinha levado na expedic5o, is A populac5o de vila de Moura, criou varias dificuldades para a secla darecebendo dales, em troca, as suas prOprias flechas e arcos, deixando-os expedic5o de Barbosa Rodrigues, que passara naquele povoado, para reabas-por conseguinte desarmados. tecer-se de viveres, pois sabedores de sua miss5o pacifista, a populac5o desa- provava a ack do etnalogo, preferindo a ac5o do "Tenente Horta" e suas Procurando sempre demonstrar o use dos presentes entregues aos in- expedicOes punitivas.dios, Barbosa Rodrigues, aparentemente conquistara naquele primeiro con-tato, a confianca dos Crichanas (Waimiri Atroari). Os brindes "trocados" fo-ram principalmente — Machados, Tercados, Facas, Tesouras, Agulhas, Calcas, Enfrentando toda sone de dificuldades, Barbosa Rodrigues retornou aoCamisas e Chapeus. rio Jauaperi, chegando a 26 de julho ao lugar denominado como Tauaquera, que ao chegar rebatizou-o corn a denominacao de TeoduretOpolis, em home- Os indios, por sua vez gostaram dos Oculos e do bigode de Barbosa Ro- nagem ao ent5o Presidente da Provincia do Amazonas, patrono de suas expe-drigues. Queriam que Ihes dessem o bigode. E como logicamente não era pos- dicOes.sivel, demonstravam certa tristeza par n5o o possu Crem, porque Segundo opr6prio Barbosa Rodrigues, os indios passavam os dedos pelo lado superior Depois de dois dias de espera pelos indios, eles n5o apareceram. Barbosado labia e fazendo gestos, comparando com o seu bigode. Rodrigues, resolveu seguir viagem rio acima. No lugar denominado por Bar- bosa Rodrigues, de Triunfo, local onde na expedic5o anterior teve contato Enfim, terminaram fazendo Barbosa Rodrigeus clang& corn eles, cola- amistosos com os indios, as embarcacOes foram encostadas para pernoite. Aocando-o no meio de uma grande roda de dangarinos amanhecer, Barbosa Rodrigues, acompanhado pelo alferes Ferreira, e do Indio Pedro Ferreira Marques Brasil, e ainda de mais cinco indios da nac5o Mais de uma semana, conviveu Barbosa Rodrigues corn os indios. Quan- Tucano, seguiu por terra a procura da maloca dos indios Crichinas (Waimirido os viveres acabaram, a expedicão retornou a Moura para reabastecimento. Atroari). No dia 12 de abril do mesmo ano, a expedic5o novamente entrou no rio Encontrava a poucas horas da margem do rio, uma maloca vazia, cornJauaperi. Nas proximidades do lugar conhecido como Sapa, encontraram sinal de que ainda estava habitada. Deixaram no local os brindes que traziam2 Lib& corn varios indios a bordo. Barbosa Rodrigues, fazendo sinais,con- e retornaram ao lugar onde se encontravam acampados seus companheiros deseguiu que as embarcacOes dos indios aproximassem das que viajava,e ele expedick.passou dal em diante a viajar numa das canoas dos Indios, que seguiam corndestino ao lugar conhecido como Mahaua. Urn dia depois da visita a maloca, surgiu nas proximidades do acampa- mento da expedic5o, urn numeroso grupo de indios que fizeram um "enorme Depois de troca de presentes, a expedic5o seguiu viagem rumo as cabe- alarido" ao aproximar-se.Uns vieram por terra e outros em suas canoas,vin- ceiras do rio Jauaperi. dos de pontos diferentes. 13 12
  8. 8. Barbosa Rodrigues, cita que, aquele grupo de indios era chefiado pelo Desse trabalho de pesquisa foi elaborado um resumido vocabulario doTuxaua "Apanaraca" que manteve contatos amistosos corn eles, realizando idioma dos indios habitantes no rio Jauaperi. (Von Kock — Gurenerg Dieali, troca de presentes Jauapery, G. Huber — Einteitung). Depois da troca de presentes, a expedich retornou a Tauaquera ou Em 1905, por causa de urn incêndio num barrac g o de urn dos morado-Teoduret6polis, como rebatizara o lugar Barbosa Rodrigues. res de nome Antunes, que se estabelecera no rio Jauaperi e relacionado corn o assassinato de urn Indio, o Governo do Amazonas, enviou mais uma forca La havia ficado um grupo de expedicionerios, encarregados de construi- policial ao rio Jauaperi.rem uma pequena casa, onde mais tarde poderia servir de abrigo aos expedi-cionérios. Foi erguido naquele lugar, tambern, urn "Cruzeiro", "para simbo- A forca Policial era chefiada pelo Capita° Catingueira, que seguiu matalizar a paz, a uni5o, entre civilizados e selvagens". a dentro ate as malocas dos indios, realizando ali, a mais tregica hecatombe que se pode imaginar acontecer a urn povo. Barbosa Rodrigues, no ano seguinte, retornou ao rio Jauaperi e sempremantendo contatos amistosos corn os indios. Ele passou a levar nas expedi- 0 grupo policial destruiu todas as malocas que encontrou, incendiando-cOes, sempre a sua esposa e filha, as quais eram objetos de admirac5o para as e matando os indios a bala. Naquela horrivel carnificina pereceram cercaos indios, devido a tez Branca e a cabeleira loira. de 283 indios, alguns mortos dentro das prOprias malocas incendiadas. No period() em que Barbosa Rodrigues, esteve no rio Jauaperi, cessaram Os pracas forcavam,a bala, os indios permanecerem dentro das malocasas hostilidades entre "civilizados" e indios. e depois ateavam fogo. Os que tentavam mesmo assim fugir do fogo eram rece- bidos fora da maloca por intensa fuzilaria. Morreram na ocasião muitas crian- No dia 28 de outubro de 1884, quando Barbosa Rodrigues encontrava- cas junto corn suas m g es, no interior das malocas incendiadas.se na vila de Moura, la apareceram uns indios, que vindos das matas, aproxi-maram-se das casas dos moradores, que assustados tentaram reagir. Entretan- 0 capit5o Catingueira,para comprovar o seu feito diante de seus supe-to Barbosa Rodrigues foi de encontro aos indios e depois da troca de presen- riores, levou para Manaus, 18 indios como prisioneiros.tes realizada naquela hora, sem nenhum incidente, os indios retornaram deonde vieram rumo as suas malocas. Em Manaus os indios foram alvo da curiosidade pnblica, que via no fei- to do Capitão Catingueira urn ato de bravura e coragem. "Este acontecimento foi o mais notavel dos fatos da vila de Moura".Barbosa Rodrigues, entretanto n5o pode continuar seus trabalhos pacifistas Os 18 indios Waimiri Atroari ficaram presos no ent5o Quartel de I Man-junto aos indios. Por motivos de ordem particular foi obrigado a deixar a ta- taria da Pol icia do Amazonas. Foram obrigados a vestirem as roupas dos sol-refa a que se prop6s "de conduzir ao convivio da civilizac5o os abor(genes do dados enquanto permaneciam presos. Desses 18 indios, seis morreram de tris-Jauaperi". teza e mal tratos dentro da pris5o. Doze deles, gracas a intervench do Coro- nel Euclides Nazar& que condo(do deles, os levou consigo, ate a vila de Mou- Ja em 1900, depois da sa Ida de Barbosa Rodrigues, do rio Jauaperi, e da ra e de la mandou-os levar ao Jauaperi.desistencia da continuidade da missao, o Coronel Conrado J. Niemeir, Presi-dente da Prov(ncia do Amazonas, determinou a instalac5o nas margens do Em 23 de novembro de 1911, o Capit5o de Infantaria, Al ipio Bandeira,Rio Branco, de Postos Mil itares, visando a "protec5o dos segmentos da socie- subiu o rio Jauaperi, partindo da vila de Moura, corn uma comitiva corn-dade invasora dentro do territ6rio incligena, abrangendo toda a area do rio posta de 12 pessoas, entre as quais encontrava-se o Coronel Euclides Nazar&Jauaperi e de seus afluentes. para tentar novamente urn contato amistoso corn os indios Waimiri Atroari. Em 1901, o etn6logo Ricardo Payer conseguiu visitar por alguns dias osindios Waimiri Atroari, habitantes das proximidades do lugar denominado Em 29 de novembro, a expedick desembarcou no lugar conhecido co-Mahaua. Por ter acabado os brindes e ainda por notar qualquer atitude hostil mo Mahaua, e na ocasi5o foram avistados quatro indios Waimiri Atroari. 0a sua presenca, o etnologo n5o se demorou muito na visita, entretanto levou Capith Al ipio Bandeira fez sinais aos indios convidando-os a se aproximarem.consigo,farto material etnografico e que pelo que se sabe foi recolhido ao Os indios corn certo receio e gesticulando muito se aproximaram das em-Museu de Hist6ria Natural de Viena. barcacOes que compunham a frota da expedic5o. Depois de muitos hesita-14 15
  9. 9. rem, os indios saltaram em terra, pr6ximo onde ja se encontrava os expedi-cionarios. A DEFESA DOS 1 10105 WAIMIRI ATROARI Al ipio Bandeira, fez entrega aos indios dos presentes que trazia, man- PELO SERVICO DE PROTECÂO AOS INDIOS = SPItendo rapido contato com aquele grupo tribal. Destacou-se nesse contato oIndio identificado como Mepri, que segundo relatou Al ipio Bandeira, ele imi- A Castanha do Brasil, na primeira década do seculo, era procurada portava passards e "alguns quadrOpedes e corn isto chegou a divertir os expedi- precos fantesticos, motivando que novos segmentos da sociedade nacional,cionarios durante algum tempo". tentassem penetrar nos dominios territoriais dos Waimiri Atroari. As areas dos rios Jauaperi e Alalau, s go riquissimas em Castanha do Brasil, e segundo Depois deste contato corn os indios, a expedic go ainda tentou it mais a visgo dos civilizados, "n g o tinham donos", foram as mais visadas na regigoalem daquele local, entretanto, por Mao encontrarem indios rio acima,retor- pelos coletores de castanha, que viam naquelas terras a oportunidade paranaram. riqueza facil. Alipio Bandeira, foi nomeado o primeiro lnspetor do Servico de Prote- Os governos do Estado do Amazonas, sempre visando a "economia docgo aos Indios SPI. estado e de grupos politicos dominantes, permitiam e ate mesmo determina- y am a invasgo das terras dos indios Waimiri Atroari", provocando assim se- Em 1912, o prOprio Alipio Bandeira, fundou na ilha conhecida como rios atritos entre os coletores de castanha e indios.Mahaua, no rio Jauaperi,o Primeiro Posto de Atrac go aos Indios,hoje conhe-cidos como Waimiri e Atroari. primeiro encarregado do Posto lndigena de Atrac go do Servico de Protecg o aos Indios — SPI, foi o Sr. Greg6rio Horta, cuja unidade administra- Entretanto, n go obstante a presenca no rio Jauaperi de funcionarios do tiva, foi instalada no rio Jauaperi, no lugar denominado Mahaua.Servico de Protecgo aos indios, novos fatos, colocavam-se contra osdando continuidade a escalada de exterminio daquele povo. Sr. Greg6rio tgo logo assumiu suas funcOes, procurbu impedir por to- dos os meios possiveis, a invasdo do territOrio indigena Waimiri Atroari. En- tretanto pouco pode fazer, pois os comerciantes apoiados pelos politicos de Manaus, burlavam as ordens de n g o invadirem a terra dos indios. Por iniciativa da 1a Inspetoria do Servico de Protec go aos Indios — SPI, Governo do Estado do Amazonas, atrav6s da Lei n9941 de 16 de outubro de 1917, concedeu aos indios Wautemiris (Waimiri Atroari) as terras situadas a 50 quilOmetros a jusante das cachoeiras dos rios Jauaperi e Camanau. Mesmo corn o amparo legal, a 1a Inspetoria do SPI ndo conseguia impe- dir a invasgo do territOrio dos indios Waimiri Atroari, face a falta de pessoal meios para melhor vigilência. Com isto, a situacg o de conflito entre indios invasores continuava. Toda vez que o coletor de castanha encontrava o In- dio, este era abatido a tiros. Em Manaus, existia uma empresa sob a razgo social de Penha & Bessa, sob a direcgo de seu principal s6cio, o individuo de nome Edgar Penha, cuja atividade comercial era de financiar e promover a coleta de Castanha do Bra- sil e extracgo de borracha. Por ordem de Edgar Penha, os seus funcionarios toda vez que iam ao Jauaperi e Camanau, realizar seus trabalhos de coleta, ao encontrarem malo-16 17
  10. 10. cas e rocados dos indios, ateavam fogo e roubavam os gêneros de suas rocas. Dois molhos de cabelos de mulher apareciam pendurados em uma arvo-Tudo isto burlando a vigilancia do Posto Indigena Mahaua, que passou a ser re. Os cabelos eram de Maria Eugenia, que para ali fora em companhia dechef iado pelo indigenista Luis Jose da Silva, onde vinha prestando bons ser- Francisco Mariano, um dos funcionerios e expedicionerios coletores de cas-vicos a causa indigena. tanha da firma Penha & Bessa". (Rola-tad° da la Inspetoria do Servico de Protec5o aos Indios no Amazonas, ano de 1926). Edgar Penha, por diversas vezes tentou tirar da chefia do Posto Ind ige-na Mahaua,o Sr. Luis Jose da Silva,pois acusava-o de arbitrario e de que esta- 0 servidor do SPI de nome Sebasti5o Gomes de Lima, lotado no Postova entravando o desenvolvimento da economia do Estado, quando proibia Indigena Mahaua, chegou ao local, minutos depois do ataque dos indios aosa entrada de coletores de castanha no territOrio dos indios. invasores de suas terras, pois se encontrava exatamente a procura dos invaso- res de suas terras, para afaste-los do territOrio indigene. A V Inspetoria do SPI sempre defendia o servidor das acusacOes deEdgar Penha, dando conhecimento as autoridades de ent5o, da seriedade dotrabalho desenvolvido pelo Sr. Luis Jose da Silva. Em marco de 1926, os Edgar Penha, principal s6cio da firma Penha & Bessa, depois do ocorri-indios Waimiri Atroari, surgiram em varies partes do rio Jauaperi e numa do, aumentou sua perseguic5o aos funcionérios do Servico de Protec5o aosdessas saidas mantiveram dialogo com duas mu lheres que se encontravam em lndios, acusando-os de insufladores dos ataques dos indios. Usando de seuum acampamento de castanheiros, de nome Maria e Antonieta, que haviam prestigio politico, Edgar Penha, procurou por todos os modos, afastar dasubido ao rio Jauaperi com seus maridos para trabalharem na coleta de cas- chefia do Posto Indigena Mahaua, o Sr. Luis José da Silva.tanha. Na ocasiao os indios deixaram transparecer o descontentamento e odesejo de viganca contra os invasores de seu territOrio. As autoridades do Estado do Amazonas, acatavam as denOncias do Sr. Edgar Penha e por mais que a 1a Inspetoria do SPI em Manaus, desmentisse A maioria dos coletores de castanha que se encontrava trabalhando na as acusacOes infundadas contra os seus denodados funcionarios, a palavra fi-area do rio Jauaperi, ao tomar conhecimento do posicionamento dos indios, nal sempre era do invasor das terras dos indios.abandonaram aquele rio. Os funcionerios da firma Penha & Bessa, ao contra-rio, passaram a realizar,quando de suas penetracOes na mata a procura de cas- Na tentativa de evitar maiores problemas, a 1a Inspetoria do SPI, man-tanha, cerrados tiroteios, tentando "espantar" os indios. dou vir a Manaus, o chefe do Posto Indigena Mahaua, alvo das acusacOes do Sr. Edgar Penha, para pessoalmente explicar as autoridades o que realmente Um dia quando o pessoal da firma Penha & Bessa, encontrava-se nolo- ocorria la no rio Jauaperi.cal conhecido como Mijac5o, foram surpreendidos pelos indios, travando all Luis Jose da Silva, tudo explicou e como nada das acusaceles do Sr.uma batalha que terminou com a morte de todos os coletores de castanha Edgar Penha ficou provado, retornou ao Posto, dando continuidade ao seucornponentes da expedic5o. trabalho. Entretanto quando tudo parecia ter ficado explicado, Edgar Penha, tramava uma grande invas5o a area dos Indios Waimiri Atroari. "Os indios cairam sobre o pessoal, matando e trucidando. As canoasdos expedicionarios ficaram encharcadas de sangue e a terra ficou toda em Ao retornar ao Posto Ind igena Mahaua, a bordo de lancha de sua pro-desordem, as bagagens espalhadas, volumes de mercadorias esparsas, rifles priedade particular, o Sr. Luis Jose da Silva, acompanhado de seus familia-e espingardas encostados a um pau, sem que nenhuma dessas armas fosse uti- res, mulher e quatro indios menores Waimiri, foram assaltados por Edgar Pe-lizadas. Todo o pessoal foi vitimado pelos indios r que arrastaram alguns cadà- nha e cerca de 30 bandoleiros sob seu comando.veres para o centro da mata, entre eles um dos sOcios da firma Penha & Bes-sa, o Sr. Candido Bessa. Luis Jose da Silva, foi preso e seviciado dentro de sua prOpria lancha, as vistas de sua esposa e filhos adotivos. Os corpos estavam molhados, parecendo que tinham sido retirados dedentro dagua. 0 de Jose Candido Bessa, tinha ao lado direito um profundo edgar Penha, ap6s o assalto, levando a reboque a lancha Rio Andira,golpe, por onde se via o figado e o corack. 0 de Francisco Eliseu apresenta- onde se encontrava preso o servidor do SPI Luis Jose da Silva, sua esposa D.va ferimento de flecha em cima do peito esquerdo, os punhos cortados e um Candida Pastana e 4 indios menores, de nomes Abrah5o, Bere, Muxupi eforte cip6 amarrado no pescoco. Maria, seguiu ate o Posto Indigena Mahaua para que fosse retirado daquele18 19
  11. 11. local, todos os pertences do Sr. Luis. Jose da Silva. Queria Edgar Penha, que ca anormal, embora praticados por quern, logo em seguida ao ataque do Pos-corn a retirada dos pertences de Luis, e as sevicias que estava sendo subme- to Indigena Mahaua deveria assumir as funcáos de Prefeito Municipal (Edgartido, ele n go retornasse mais para a. chefia do Posto Indigena, como a 0 Ins- Penha), onde havia saqueado urn estabelecimento p6blico a -m5o armada,petoria do Servico de Protecgo aos Indios, insistia ern conservado. conduzindo preso ate esta capital, o encarregado do Posto Ind igena, que veio a falecer em consequência dos maus tratos recebidos". A familia de Luis Jose da Silva, assistia tudo aquilo corn pavor, desta-cando-se os indios menores,que tudo viam corn muito medo e estranheza.De- Corn a morte de Luis Jose da Silva, chefe do Posto Indigena Mahaua, epois de retirado os principais pertences do Sr. Luis de dentro da sede do a depredacg o das I nstalaceies do Posto, os trabalhos da primeira Inspetoria doPosto Ind igena, Edgar Penha, corn seus homens armados, destruiram tudo Servico de Protec g o ao Indio, foram praticamente suspensos na regi5o.no Posto. Ate a pr6pria casa que servia de sede administrativa ao 19 Postode Atracgo do Servico de Protecgo aos Indios, foi demolida naquela ocasigo. Corn a destruicg o do Posto Mahaua, os invasores tomaram conta do rioNada restou inteiro do material e das instalacOes daquele Posto. Jauaperi. Tudo sob comando do Sr. Edgar Penha, que voltou a organizar pedicaes de caca aos indios Waimiri Atroari. Depois de tudo quebrado e demolido, Edgar Penha, que conservava pre-so ern sua prOpria embarcacgo, o Chefe do Posto Ind igena Mahaua, Sr. Luis Centenas de indios eram mortos toda vez que os encontravam. Sabia-seJosè da Silva, e sua familia, retornou ao lugar denominado Nova VitOria, as apenas em Manaus, que os indios "nao mais aborreciam". E que os coletoresmargens do Rio Negro; sede de seus negOcios. E ali, desatracou a embarcack de castanha e balateiros, estavam trazendo suas producees para Manaus, vin-Rio Andirá de propriedade do Sr. Luis Jose da Silva, que estava servindo de das do rio Jauaperi e Camanau.presidio a ele prOprio, pois estava confinado no carnarote sem poder sair,sendo vigiado constantemente por dois homens armados de rifles. A Inspetoria do Servico de Protec5o ao Indio, n go mais retornou ao rio Jauaperi. Procurou mudar o local da instalac5o dos Postos de Atrac go aos Edgar Penha ao desatracar a lancha, fez ameacas a Luis Jose da Silva,dizendo que quern mandava naquelas paragens era ele e n go is admitir queLuis retornasse ao Posto Indigena. Assim, procurando evitar o relacionamento entre os invasores do rio Jauaperi corn os servidores do SPI, foi instalado no rio Camanau, urn Posto Indigena corn a denominacg o de Posto Indigena "Manoel Miranda", para Luis Josè da Silva, bastante doente em consequencia das agressOes f i- voltar a tentar atrair os indios e defendó-los da ac go predadora e criminosasicas que sofrera, continuou a sua viagem corn destino a Manaus. dos invasores. Chegando a Manaus, tudo relatou a Chefia da 1a Inspetoria do Servico Na epoca, pelo rio Jauaperi, três foragidos da Policia de Manaus, conhe-de Protecgo aos Indios, que por sua vez levou ao conhecimento das autorida- cidos como Pedro Guerreiro, Casemiro e Lauriano, penetraram na area dosdes estaduais, sem conseguir que :fosse tornado qualquer providencia para indios e tudo indica que passaram a viver corn eles e ate ajudando-os na dote-punir Edgar Penha e seu bando,ou mesmo coibir que fatos semelhantesvol- sa de seu territOrio.tassem a acontecer. Inclusive,se sabe que numa dessas expedicOes de caca aos fndios, orga- Luis Jose da Silva, poucos dias depois de sua chegada a Manaus, faleceu • nizada pelos invasores,quando os indios foram impiedosamente massacra-ern consequencia dos maus tratos e agressOes de Edgar Penha. A 1a Inspetoria dos, urn dos feridos, podia clemencia em portugues, se dizendo ser Pedrodo Servico de Protecgo aos Indios — SRI, em seu relat6rio anual de 1940, faz Guerreiro e ri g o indio.Entretanto,nunca mais teve-se noticias dos outros. Po-as seguintes referéncias sobre os fatos: de ser que tenham vivido ate os 6Itimos dias corn os indios, pacificamente, ou tenham morrido em conflito, confundidos ou corn os invasores ou corn os - "Ate a presente data n5o teve esta Inspetoria nenhuma noticia de qual- indios Waimiri Atroari.quer providencia tomada,em relac go ao assunto, pelas autoridades policiaisque, forca é confessar, em todos os denials assuntos, sempre foi solicitada em Somente, ja nos anos 40,a IP Inspetoria do Servico de Protec go ao In-prestar todo 6 apoio a acg o desta Inspetoria, dificuldades de alta monta cer- dio,voltou a tentar contato corn os indios Waimiri Atroari. Abandonando otamente impedira ate agora as prov sobre os fatos verificados em epo- rio Jauaperi, se instalou no rio Camanau.20 21
  12. 12. Sob a orientacgo dos irm g os, Humberto e Luiz Briglia, foi tundado noalto do rio Camanau, o Posto Indigene de Atrac5o denominado Manoel Mi-randa. OS WAIMIRI ATROARI "VERSUS" 4TH PHOTO CHARTING SQUADRON Entretanto, apos periodo do contatos amistosos, em dezembro de 1942, Nos primeiros dias do mes de setembro de 1944, a Primeira Inspetoriaos indios Waimiri Atroari, certamente por confudir os denodados funciona- do Servico de Protecão aos Indios em Manaus,recebeu a visita do Tenen-rios do Servico de Protec g o aos Indios, corn aqueles criminosos que os vinha te Walter Willianson, do 4 TH Photo Charting Squadron, do Exercito Norteperseguindo por dezenas de anos, atacaram o Posto Manoel Miranda, ma- Americano, que pretendia realizar uma expedicao pelos rios Jauaperi e Ala-tando todos os que ali se encontravam. lau, ate nas proximidades da cachoeira conhecida como Cachoeira Criminosa (no Rio Alalau), corn a finalidade de realizar naquela regi5o observagoesas- 0 Servico de Proteck aos Indios — SPI, atraves da 1 f? Inspetoria de Ma- tronbmicas, atendendo acordos celebrados entre o governo brasileiro e o go-naus, n5o desistiu do contato corn os indios Waimiri Atroari. Tao logo foi verno dos Estados Unidos da America.passive o Posto Manoel Miranda, foi reaberto, em outro local e com deno-minack diferente — Posto Irma"os Briglia, em homenagem aos I rm5os indige-nistas Humberto e Luiz Briblia que tombaram sem vide, na miss go de con- Os funcionarios da 1 a Inspetoria do Servico de Protec5o aos Indios, emtater pacificamente os indios Waimiri Atroari. Manaus, procuraram explicar ao Tenente Walter, que a regi5o onde pretendia fazer as observacOes astronOrnicas, nos rios Jauaperi e Alalau, eram habitadas Os irm5os, quando em servico no Posto Indigene Manoel Miranda, en- por indios ainda arredios, que face ao comportamento dos invasores de seustre outros trabalhos relevantes, escreveram urn vocabulario da lingua dos territ6rios, estes poderiam reagir corn atitudes belicosas a presence de suaindios Waimiri Atroari. equipe de trabalho. Advertiram ainda os funcionerios da 1P Inspetoria do Servico de Protecgo aos Indios, para as dificuldades que a expedic5o iria en- A morte do irm5os Briglia, provocou entre as idealistas do Servico de contrar quanta a navegac5o, atraves do rio Alalau, pois este rio na época,Protecdo aos Indios, mais amor a causa que abracaram por opc5o, servindo encontrava-se corn suas cachoeiras e corredeiras, corn pouca ague, dificultan-como exempla de trabalho a ser seguido por todos. do seriamente a navegac go de canoas. Por mais que os funciondrios do SPI procurassem cientificar das dificul- dades que a expedic5o iria encontrar, o Tenente Walter, demonstrava indite- renca aos problemas que iria fatalmente enfrentar. Decidido seguir viagem ao Rio Jauaperi e Rio Alalau, o Tenente Walter, solicitou a Inspetoria do Ser- vico de Protecdo aos Indios, em Manaus, que Ihe fosse cedido para a expedi- c5o, funcionärios experimentados e urn dos batel gies pertencente ao SPI, para transporte de seu pessoal e material. A Inspetoria do Servico de Protec5o aos indios — SPI, emprestou ao Tenente Walter o batel5o, denominado de Tenente Lira, e seguiram acompa- nhado a expedic5o alguns funcionarios experimentados e conhecedores da regi5o. Antes da partida da expedic5o, a chef ia da 1a Inspetoria do SPI reco- mendou veementemente ao Tenente Walter, que tivesse muito cuidado no relacionamento corn os indios Waimiri Atroari, poisesteseram tidos como pe- rigosos, em virtude de sua indole muito desconfiada diante da presence de es- tranhos em seu territOrio, isto em conseqiiencia do sofrimento secular que Ihes finharn infrigido os civilizados. Entre as recomendecOes estava a de que o Tenente Walter, levasse na expedicao brindes para serem trocados quando do22 23
  13. 13. encontro que fatalmente teriam corn os indios Waimiri Atroari, o que pode- toria do Service de Protecao aos Indies, ern Manaus, informando que ateria ajudar no relacionamento pacific° entre os expedicionerios e aquele povo aquela data n5o tinham retornado, comunicando a sua apreens5o pela sortehabitante na regi5o dos rios Jauaperi e Alalau. dos expedicionarios e sugerindo que fossem tomadas medidas no sentido de enviar corn major urgéncia possivel, uma equipe de socorro ao rio Alalau, de Em seguida a visita do Tenente Walter a 19 Inspetoria do Servico de Pro- preferência por via aérea. Comunicou ainda Raul Vilhena, que naquela oca-tecão aos Indios, a expedic5o partiu corn destino a area dos indios Waimiri si5o estava enviando ao rio Alalau, por via fluvial uma equipe de funciona-Atroari. rios seus, para subir o rio Alalau a procura dos expedicionerios. Em menos de uma semana apes a partida, a expedicão retornou a Ma- A Primeira Inspetoria do Servico de Proteck aos Indies ern Manaus, aonaus, face a uma pane no motor da embarcack. tomar conhecimento dos dizeres da carta enviada por Raul Vilhena, atraves de seu chefe,entrou ern contato corn o consulado norte americano, comu- Os funcionarios da 19 Inspetoria do Servico de Protecão aos Indios, que nicando o ocorrido.seguiram fazendo parte da expedip5o do Tenente Walter, depois de conserta-do o motor da embarcac5o, recusaram-se a seguir acompanhando o Tenente Na nOite do mesmo dia o interventor do Estado do Amazonas convi-Walter para dar continuidade a viagem interrompida pela pane do motor. dou a chefia da 19 Inspetoria do Servico de Protec go aos Indios, para corn- parecer em Palacio no dia seguinte as 8:00 horas, para tratar do assunto. Alegaram que o Tenente Walter, n5o teria seguido os conselhos ofereci-dos pelo pessoal do SPI que eram conhecedores n5o s6 da regi5o como da for- No outro dia, no horärio estipulado, o prOprio Interventor do Estadoma de lidar pacificamente corn os silvicolas, e que a forma de agir do oficial do Amazonas, Alvaro Maia, acertou corn a chefia da 19 Inspetoria de Ser-norte americano, fatalmente provocaria nos indios, uma atitude hosti I. vice de Protecg o aos Indios, que seria formada uma nova expedic& que seguiria corn destino ao Rio Alalau, em busca dos expedicionarios chefiados A chefia da 19 Inspetoria do Service de Proteck aos Indios, acatou pelo Tenente Walter Williamson.plenamente a opinião do seu pessoal especializado, principalmente por-que aquela chefia tomou conhecimento de que o Tenente Walter, n5o acolhe- A chef ia da 1? Inspetoria do Servico de Protec5o aos Indios,aindara as sugestOes daquela direc5o, para levar consigo brindes como machados, na reuni5o realizada no Palacio do Governo do Amazonas, quando soube quefacOes, etc. e ern seu lugar levou aperlas carteiras de cigarros, que os indios a expedic5o seria composta tambern corn tropas do Exercito Brasileiro, fir-pouco caso fariam para aquele tipo de brinde. mou posicäo,e que ficasse bem claro,que o verdadeiro carater da expedicao solicitada pales norte americanos,seria apenas de buscas e resgates e,em ne- Mesmo sem mandar os funcionerios do SPI seguir acompanhando o Te- nhuma hipetese seria de carater punitive, sob pena de n5o acompanhar a ex-nente Walter, a chefia da 19 Inspetoria do Servico de Protec5o aos Indios, su- pedick.geriu aquele oficial que procurasse na vila de Moura, pessoal que poderiaservir-Ihe de guia na espedic5o que iria empreender aos rios Jauaperi e Alalau. 0 prOprio interventor do Estado do Amazonas, interpelou o Consul norte americano, quanto as intencbes da expedicão, e na presenca do Capi- 0 comerciante da Vila de Moura, de nome Raul Vilhena,cedeu ao Te- tao Dubois, do Exercito norte americano, tendo recebido coma respostanente Walter, quatro homens conhecedores da regi g o e ate com certa prätica que a expedic3o tinha apenas o objetivo de recolher os corpos dos norteno relacionamento corn indios habitantes na regi5o dos riosJauaperi e Alalau. americanos e o material por ventura ainda existente da malograda expedi- cao, salvando, se possIvel, tambern alguma parte dos trabalhos ja realizadds A expedicao partiu da vila de Moura, em 28 de setembro de 1944, che- pelo Tenente Walter.fiada polo Tenente Walter Williamson, corn destino ao rio Alalau, tendo co-mo principal objetivo atingirem a Cachoeira conhecida pela denominack Tendo em vista as intenceies pacifistas demonstrada por todos os patro-de Criminosa. nos e membros da expedicao, a chefia da 19 Inspetoria do Servico de Prote- cäo aos Indios, aceitou em acompanhar e fazer parte da expedicdo. No dia 17 de Outubro, Raul Vilhena, que tinha cedido ao Tenente Wal-ter Williamson, 04 homens para servirem de guia a expedick, apreensivo Antecipando-se aos trabalhos da expedic5o, as 7,30 horas do dia 23 depela demora do seu retorno, enviou correspondência a chefia da 19 Inspe- outubro de 1944, um avian "Gruma", partiu de Manaus corn destino a vila24 25
  14. 14. de Moura, levando a bordo a Chef ia da 1? Inspetoria do Servico de Pro- guem para tomar conta, subindo os pedrais da cachoeira Criminosa cuja ex-tecão aos Indios, o Consul Norte Americano em Manaus, seu secretario, tensa"o é de cerca de trés quilbmetros. Chegando entretanto ao topo da ca-Capita() Dubois, chegando a Moura por volta das 8,30 horas. choeira Criminosa, por volta das 14:00 horas, foram vista 10 mulheres (ndias que fazim sinais aos expedicionarios. A conselho de Raimundo Felipe, os ex- pedicionarios nao atederam os chamados. Um pouco mais acima da cachoeira Em Moura,os expedicionarios encontraram-se corn o comerciante Raul Criminosa foi armado o acampamento para pernoite. No dia 04 pela manh5,Vilhena e que na ocasi5o ja havia chegado em Moura, o (mica sobreviventeda expedicg o do Tenente Walter, de nome Raimundo Felipe, urn dos homens seguiram viagem ate o lugar conhecido coma "Repartimento dos Indios" onde penetraram por aquele igarapé, viajando cerca de hors e meia su-conhecedores da raga:), gentilmente cedido pelo Sr. Raul Vilhena ao Tenen- bindo, contra alias a determinacao da chef ia da 1? Inspetoria do Servico dete Walter. ApOs ouvirem o relato do sobrevivente sobre os acontecimentos no Protecão aos Indios em Manaus, que recomendara ao tenente Walter William-rio Alalau, ficou decidido de que continuariam sua viagem por via aarea, pro-curando observar, baseado no relato do sobrevivente,o local onde teria ocor- son respeitar e não entrar no referido igarapó.rido o ataque dos indios aos expedicionarios. No retorno dormiram na ilha conhecida como ilha do Rio Preto onde Passaram a fazer parte da expedick adrea o comerciante Raul Vilhena o Tenente Walter fez sua terceira observack astrondmica. Dia 05 desceram ee o sobrevivente da expedick do Tenente Walter, que a bordo do avi5o, por volta das 13,00 horas aiingiram o comeco da cachoeira Criminosa. Laorientava o piloto para o local onde teria ocorrido o ataque dos Indios. encontraram alarn das indios que avistaram quando subiram o rio, mais 4 in-Quando o avi5o sobrevoou o local so foi possivel notar algumas caixas sobre dios adultos do sexo masculino e,alguns curumins. Os Indios novamente ace-os pedrais da cachoeira Criminosa, no rio Alalau. ApOs mais veos rasantes e naram chamando os expedicionarios. Os guias brasileiros, aconselharam nova-procura de avistar algum outro vest igio sem sucesso, o avik retornou a Mou-ra. mente ao Tenente Walter para que evitasse o contato corn os Indios, e seguis- sem viagem. 0 Tenente Walter, nano obstante os conselhos, ordenou que en- costasse a embarcacao no local onde encontravam-se Indios. Como Raimun- Ern Moura, foi tornado por termo o depoimento de Ralmundo Felipe, do Felipe, que pilotava a lancha (e o Unico sobrevivente da expedic5o) deso-Onico sobrevivente da expedicao chefiada pelo Tenente Walter Williamson. bedecesse, por nao querer encostar, o Tenente Walter obrigou-o a largar o "No dia 2 de setembro de 1944, as 13,00 horas ern du gs embarcacOes motor e ao mesmo tempo pilotando a embarcacao aproou para a margem di-chefiadas pelo Tenente Walter Williamson, a expedick era composta de 3 reita do rio Alalau, afirmando "brasileiro medroso, tern medo de Indio, euoficiais norte americanos e mais quatro guias,incluindo o pr6prio Raimun- y ou agora tirar fotografia para mandar para.Amarica.do Felipe". As 17,00 horas do mesmo dia encostaram as embarcacOes parapernoite ainda no rio Jauaperi, pernoitando no lugar conhecido como Barrei- Quando a canoa encostou onde encontravam-se os indios, os guias bra-ra Branca. As 6,00 horas do dia seguinte reiniciaram a viagem com destino si lei ros,permaneceram a bordo e o sargento Baitz, auxi liar do Tenente Walter,ao rio Alalau acampando as 18,00 horas, para pernoite na ilha do Binanau. A urn tanto receioso, colocou urn pa em terra e outro dentro da embarcacao. 0viagem prosseguia sem nenhuma anormalidade.Novamente as 6:00 horas do Tenente Walter Williamson, aproximando-se do grupo de indios ofereceu-lhesdia 28 seguiram pelo rio Alalau ate acima da cachoeira denominada Cachoei- cigarros, tendo aceitado e passaram a fumar. Em seguida o Tenente Walter,ra dos I ndios". Ai dormiram, passaram os dias 29 e 30, tendo o tenente Wal- preparando sua maquina, procurava tirar algumas fotos. Os guias brasileiros,ter Williamson feito a sua primeira observac5o astronOmica. Sairam dia 30 as voltaram a advertir o Tenente para desistir das fotografias, pois estavam no-3,00 horas da tarde e foram dormir no pedral das Palmeiras. Naquele local tando que os indios estavam muito desconfiados corn a mäquina fotografica.o Tenente Walter fez a segunda observac5o astronOmica. No dia 19 de no- Tenente nàb atendendo as observacOes feitas tomava melhor posic5o paravembro prosseguiram viagem, atingindo a cachoeira conhecida como cachoei- as fotografias, quando recebeu no peito du g s flechas disparadas pelos indios.ra Criminosa, por volta das 11 horas. Naquele local, urn dos batelOes, o de Tenente Walter, que se sentindo ferido, jogou a máquina no ch5o e atirou-name Tenente Lira, foi atracado onde deveria ficar ate o retorno da expedi- se dentro do rio, arrancando as flechas de seu peito.c5o, que seguiria o rio Alalau rumo as suss cabeceiras a bordo de uma peque-na canoa. No Batel5o Tenente Lira, ficaram os mantimentos previsto para oretorno da expedic5o. Ao perceberem o desastre que tinha ocorrido todos os expedicionarios atiraram-se nagua, tentando fugir a nado. 0 sargento Baitz-tendo atirado-se nagua nao mais voltou a tona, presumindo-se que se tenha afogado, por não "No dia 02 de novembro, a expedic5o continuou sua viagem a bordo de saber nadar, ou talvez as piranhas o tivessem exterminado. Os brasileiros,uma canoa, deixando para tras o batelk tenente Lira, sem que ficasse nin-26 27
  15. 15. Eonio Lemos e Isaias Ovidio, ocultaram-se seguros no motor embaixo da Pouca coisa conseguiram recolher. Foi encontrado intacto, o bate& canoa, mas ao serem percebidos pelos Indios foram flechados mortalmente. Tenente Lira, que pertencia ao Servico de Proteck aos I ndios e que fora em- 0 brasileiro Renato de Araujo foi flechado afundando para nao mais voltar. prestado para compor as embarcaciies da expedic5o. Entretanto toda a carga foi destruida. Os indios apoderaram-se da canoa e desceram em perseguicao a Rai-mundo Felipe e do Tenente Walter Williamson que nadavam ja distantes do Pelos sinais encontrados na cachoeira Criminosa,a versa.° apresentadalocal da tragedia. Disse Raimundo Felipe, o Onico sobrevivente do ataque dos por Raimundo Felipe foi confirmada, n5o deixando dOvida quanto a ocor-indios, qde o Tenente Williamson era bom nadador e que mesmo ferido, se- r8ncia.guia na frente e que a muito custo Raimundo conseguia acompanha-lo. Nolocal em plena cachoeira Criminosa, apresenta forte correnteza e isto ajuda- Ja na volta, a expedicao encontrou urn grupo de Indios Waimiri Atroari,va-os mais ainda na fuga. A certa altura, segundo afirmou Raimundo Felipe, que ao avistarem os expedicionerios fizeram grande algazarra e acenavam co-uma flecha acertou o seu pr6prio chapeu, que era de "massa" e que por pou- mo se tivesse chamando.co tambem nao tombara sem vida. Corn a flechada em seu chapeu, Raimun-do Felipe, passou a nadar por debaixo dagua, tentando salvar-se das flecha- 0 Dr. Alberto Pizarro Jacobina, acompanhado de seu auxiliar Carlosdas. Ao subir a tona, depois de varios mergulhos, teve a felicidade de surgir Pinto Corr8a, numa das canoas da expedicao, afastou-se de seu grupo, e le-por detras de uma pedra da cachoeira, ficando assim protegido das flechadas vando consigo alguns brindes, tentou urn contato amistoso com os indios.dos indios. Ao aproximar-se do grupo de indios, foi notado que eles tambern esta- Viu entdo o Tenente Walter Williamson, que seguia mais a frente nadan-do a largas bracadas ajudado pela correnteza do rio, quando foi acertado por vam receiosos da aproximacao da canoa da expedie5o.uma flecha na nuca e seu corpo inanimado desapareceu num remanso da ca-choeira Criminosa". Entretanto Jacobina, procurando expressar-se na lingua dos indios, em monossilabos, fazia gestos de amizade, conseguiu encostar sua canoa nas dos Com urn mergulho, Raimundo Felipe, conseguiu passar sem ser visto pe- indios.los indios, por um dos tombos da Cachoeira Criminosa e ganhou a outra mar-gem do rio,descendo a pa sem alimentac5o durante 13 dias pela mata ate a Quando into ocorreu, alguns indios, chegaram a passar para a canoa deboca do rio Alalau (foz do rio Alalau no rio Jauaperi). Jacobina e ele, passou a distribuir os brindes que levava consigo. Tudo cor- reu de forma amigavel e Jacobina, em retribuic5o aos presentes, recebeu tarn- No dia 18 de outubro Raimundo Felipe,ouviu, um barulho de motor no barn alguns, co,mo arcos, flechas, bananas e pedacos de carne de anta.rio e gritou por socorro. Era a canoa do Sr. Raul Vilhena que tinha saido deMoura dia 17 a procura dos expedicionerios. As trocas de presentes, demoraram cerca de meia hora, e t5o logo, aca- baram, os indios que haviam passado para a canoa de Jacobina retornaram Raimundo Felipe, magro, quase sem forcas, foi recolhido pelos tripulan- as suas prOprias embarcacOes, e afastaram-se lentamente.tes da canoa e levado a Moura, onde relatou primeiro todo o ocorrido a RaulVilhena e a Comiss5b chef iada pelo Consul americano e o Chefe da 1a Inspe- Jacobina e seu companheiro Carlos Pinto Correia, remaram sua ember-toria do Servico de Protecao aos Indios, ern Manaus. cacao para junto as outras da expedick. (Este relato foi copiado do relatOrio do Dr. Alberto Pizarro Jacobina, Depois deste contato amistoso, que foi uma vitOria do born senso e dosobre a ocorrência datado de novembro de 1944). prOprio Servico de Protecao aos lndios, pois n5o permitiu qualquer atitude hostil contra os indios, a expedicäo retornou a Manaus, ciente de que cum- Em seguida a Comiss5o, constituida pelo Dr. Alberto Pizarro Jacobina, prira a missão.Chefe da 1a Inspetoria do SPI em Manaus, Carlos Pinto Corréa, Inspetor doSPI, Capitdo Johan E. Du Bois, Tenente Conrad Lundgren, Sargento WilliamThompsom, Tenente I tamer Al lent, Cabo Palheta e mais seis soldados, segui-ram viagem ao rio Alalau, na tentativa de resgatar alguns pertences, ou o querestou da expedicao do tenente Walter Williamson.28 29
  16. 16. Pouco se sabe sobre os rituais dos Waimiri Atroari, apenas algumas ocor- OS VVAIMI RI ATROARI rancias foram anotadas como procurarei descrever. Os indios conhecidos como Waimiri Atroari, ou Crichan6s, Juaperi, Ala- Os mortos dos Waimiri Atroari sac) cremados, utilizando-se urn girau -laus, Waitemiris, habitavam a regiao compreendida desde o rio Urubu, tribu- de cerca de 1,00 metro de altura e o fogo é ateado no espaco ex istente entreOho da margem esquerda do rio Negro, ate a foz do Rio Jauaperi, subindo o girau e o solo. As cinzas dos mortos são jogados nos rios. Sobre este fato,por esse rio, ate a bacia do seu principal afluente, o rio Alalau, onde hoje lo- sabe-se que ales alegam que se deixarem os mortos enterrados, toda vez quecaliza-se a major concentracäo populacional desses indios. passarem no local, ter5o lembrancas tristes dos mortos, por into optam em crania-los e jogar as cinzas no rio. Entretanto, esta informack a muito super- 0 seu idioma e classificado como do Grupo Karib, face a semelhanca ficial, carecendo maiores estudos sobre o assunto, para poder fazer urn co-com outras I Inguas do mesmo grupo linguistico, como os Macuxi, habitantesdo TerritOrio Federal de Roraima. mentOrio seguro. Os doentes graves s5o isolados no canto da maloca pertencente ao seu Medem aproximadamente 1,80 metros de altura, s5o fortes e sua pele 6 grupo familiar, colocando-se uma pena de gaviao nos punhos da rede e em-de urn moreno claro. Cabelos pretos e lisos. baixo, uma vasilha no ch5o corn ague para o doente beber quando estO corn sede, procurando evitar de qualquer modo, o contato f (sic° corn o doente. Raspam os cabelos da cabeca ate um pouco acima da orelha, tanto oshomens como as mulheres. Sabe-se tambOm que no mês de setembro, que coincide corn o period() da baixa das âguas dos rios, costumam promover festas em suas malocas cen- Andam normalmente nus.Os homens usam uma especiedecinta confec- trais.Possivelmente dedicada em oferenda as plantacOes que ir5o realizar,cionado corn cip6 titica que ao mesmo tempo serve de suspensOrio peniano. cujo trabalho ocorre tao logo terminem as festas.As mulheres usam uma esp6cie de tanga, confeccionada com carocos de baca-ba, presos e tecidos de tucum que s5o fixados na cintura por cord5o de fibra Os Waimiri Atroari vivem principalmente da agricultura.tambern de tucum. Produzem mandioca, macaxeira, cana-de-acticar, banana, batata doce A tanga e usada apenas na parte da frente, deixando totalmente desco- e industrializam, de forma artesanal a farinha.berto a regi5o glCitea. Fazem o plantio e a colheita por etapas. Nunca armazenando o resulta- Confeccionam seus utensil ios domesticos corn palha de tucum, cip6 titi-ca, produzindo balaios, cestas, jamax is, maqueras, tipitis e peneiras. do da colheita. Plantain suas rocas em Opocas e locais diferentes.Ora,prOxima a pr6pria Utilizam-se tamb6m do barro para confeccionar panelas e uma esp6cie maloca, ora entre uma aldeia e outra,nos caminhos que ligam suas povoacOes.de frigideira para use no preparo da al imentacao. S5o tambOm hObeis cacadores e pescadores, fazendo parte de seu card6- As suas armas, como o arca, sac) confeccionadas corn o árnago do pau pio, antas, macacos, porcos, jacarOs, tartarugas, tracajOs, paca. Pescamdarco e medem cerca de 2,10 metros de comprimento, servindo tamb6mcomo Badurna. tucunarO, pirarucu, pirarara. Colhem como alimentos auxiliares, frutas do buriti, castanha do Brasil, As flechas s5o confeccionadas corn taboca e flecheira para o corpo pro-priamente dito e a ponta ou bico, pode ser de pau darco bem afiado, osso de mel de abelha.animais silvestres, ou pedacos de facOes, devidamente amolados. As suas casas constituem em uma construck de troncos fincados no chão em forma oval ou redonda, corn duas portas. Os Waimiri Atroari, ao contrerio da maioria dos indios habitantes naAmazOnia Brasileira, não s5o vistos com enfeites corporais, nem mesmo a As paredes da construc5o, s5o formadas por paus rolicos fincados nopresenca de plumagens foi notada. ch5o, trancadas corn palhas de Ubim ou Buca-, n5o chegando a atingir a altura30 31
  17. 17. do teto, deixando uma abertura para entrada do are para a saida de fumacade suas fogueiras. POSTO INDIGENA IRMAOS BRIGLIA Internamente a maloca contem divisOes, formadas por esteios fincados A 1 Inspetoria do Servico de Protegao aos indios — SPI, depois dono chao, os quais servem como divisor entre acomodacOes das farnilias e co- ocorrido no Posto Manoel Miranda, no rio Camanau em dezembro de 1942,mo apoio de suas "maqueras", que ficam atadas nesses esteios e nos esteiosde sustentacdo do teto. quando tombaram sem vida OS irmaos Humberto e Luiz Briglia e seus corn- panheiros insistindo na tentativa de contatar amistosamente corn os indios Em cada divisg o interna, vive uma familia com todos os seus pertences, Waimiri Atroari, organizou uma nova equipe de dedicados indigenistas dis- postos ao sacrif icio de sua prapria vida, para instalarem no mesmo rio Ca-como arco, flecha, cestos, jamaxis e maqueiras. manau, urn novo Posto I nd igena de Atrac5o. No meio da divis g o encontra-se sempre uma pequena fogueira, sempreacesa, na qual sdo preparados os alimentos e serve para esquentar o frio e a Este Posto, seria instalado, como foi, muito mais acima de onde haviafumaca para espantar os mosquitos. sido instalado o Posto Manoel Miranda, e muito mais prOximo das malocas dos indios Waimiri Atroari. Usam como meio de transporte, as Ulads, que sac) canoas construidas deurn tronco de madeira cavado no seu arnago e s g o muito pesadas e de dificil A direcdo do Posto lndigena I rm g os Briglia, denominacdo esta ern justanavegacgo. homenagem aos indigenistas mortos em defesa da causa, foi entregue ao Sr. Luis de Carvalho, que ja tinha bastante experiência em contato com indios Estes dados sobre os indios Waimiri Atroari, foram levantados atraves e demonstrado ser possuidor de conhecimentos necessarios a missdo que Ihede contatos que mantive corn aquele grupo tribal e com base tambêm ern in- foi confiada.formacaes prestadas a mim, pelo Gilberto Pinto Figueiredo e outros colegasde trabalho, que tiveram a oportunidade de conhecerem de perto aqueles Corn ele seguiram 12 auxiliares, pessoas tambern ja com experiência noindios. contato com indios em outras areas e dispostos a realizarem a tarefa de con- tatar corn os Waimiri Atroari corn amor e dedicacgo. Entre os expedicionerios que chegaram ao Posto Indigena I rrn5os Bri- glia, destacava-se a figura de D. Candida, viCrva do Sr. Luis Jose da Silva, pri- meiro Chefe do Posto Ind igena de Atrac g o Mahava, instalado no rio Jaua- peri, que morreu em consequência das agressOes de Edgar Penha, em defesa do territ6rio indigena. D. Cendida, mais tarde casou-se corn o indigenista Luis de Carvalho e corn ele seguiu rumo ao rio Camanau para a instalac g o do Posto lndigena Irrndos Briglia. D. Cêndida conhecia bern os indios Waimiri Atroari, chegando, quando morava no Posto lndigena Mahaua em companhia de seu finado marido Luis Jose da Silva, a ter como h6spede de sua casa no Jauaperi, quatro indios me- nores do grupo Waimiri que os tratava como fossem seus filhos. Ela falava fluentemente o idioma dos indios Waimiri Atroari, talvez uma das 6nicas pes- soas que vieram a dominar a lingua daqueles 0 Posto foi instalado como previra a 1P Inspetoria do Servico de Pro- tack aos Indios — SPI, e Luiz de Carvalho,seguindo as diretrizes fixadas,32 33

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