23/1/2011
Trançados musculares: saúde
corporal e o ensino do frevo
Oficina:
Projeto de pesquisa realizado através do FUNCULTURA
Kiran Gorki Queiroz
Recife,
janeiro de 2011
Conteúdo abordado
Teoria:
» Desaquecimento;
» Alongamento estático;
» Lesões em bailarinos:
» Quadril
» Joelho
» pé
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23/1/2011
Desaquecimento
• Pode ser definido como a realização de um
conjunto de exercícios leves imediatamente
após uma atividade para que o corpo tenha
um período para se adaptar ao exercício no
repouso (ALTER, 1996b).
• A fase de volta à calma inclui exercícios de
intensidades decrescentes, como caminhada
ou trote mais lento, exercícios de calistenia e
de alongamento (imprescindível nessa fase).
Desaquecimento
• Sem a fase de resfriamento o processo de recuperação é
mais lento e incompleto, podendo vir a prejudicar
desempenhos subseqüentes. O objetivo deste
procedimento é facilitar o relaxamento e a recuperação
muscular; reduzir progressivamente a atividade orgânica;
facilitar a eliminação dos produtos residuais resultantes
da atividade muscular.
• Contribui com o retorno da freqüência cardíaca e da
pressão arterial aos valores próximos ao de repouso.
• Acelera o retorno venoso, facilita a dissipação de calor
corporal, promove a remoção mais acelerada do ácido
lático e a reposição dos substratos energéticos utilizados
durante a prática do exercício.
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Alongamento Estático
• Levar o segmento corporal até a posição desejada;
• Forçar suavemente até uma leve sensação de
estiramento;
• Permanecer na posição mantendo uma respiração
profunda;
• Mínimo: 20 segundos
• A medida que a posição é mantida, as estruturas
mecânicas alongam gradualmente e neste período a
plasticidade (deformação de longa duração) destas
estruturas aumenta, desta forma, aumentando a
amplitude de movimento. (Wyon M, Felton L, Galloway
S.A. 2009).
Alongamento Estático
• Para desenvolver a flexibilidade, deve-se recorrer a exercícios que
permitam ao indivíduo assumir posições em que as articulações
envolvidas alcancem amplitudes maiores do que a que estão
habituados, numa situação em que os músculos se mantenham de
maneira estática por algum tempo.
• Como norma geral essa posição deve ser assumida mediante a
realização de movimentos suaves e lentos, mobilizando vagarosamente
cada articulação em sua amplitude máxima de movimento
(DOMINGUES, 1985), ou ainda procurando produzir, nos músculos
submetidos ao processo de alongamento, gradativa e moderada
sensação de desconforto ocasionada pelo seu maior estado de
estensibilidade (GUEDES JR. 1998).
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Alongamento Estático
• Quanto maior o tempo de permanência nos
exercícios de alongamento, maior será seus
efeitos. Muitas variações na quantidade de
tempo foram propostas, podendo variar em
até 60s. O mais comum entre todos os autores
é que o alongamento varie de 10 a 30
segundos (FLECK & KRAEMER, 1999).
• A realização de exercícios de alongamento,
pós-treinamento, é importante para diminuir a
dor muscular e como forma de recuperação
para qualquer outro exercício a ser realizado
naquele dia (PRENTICE, 1985; WALLACE 1985).
Alongamento Estático
• Deve-se ter cuidado com o alongamento
estático após o exercício extenuante, pois os
fusos musculares estão um pouco
desensibilizados e o bailarino pode se lesionar
sem perceber.
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Lesões
• É de crença geral que movimentos de dança
não são capazes de gerar força suficiente para
causar lesões musculares como as vistas em
atletas. (Koutedakis & Jamurtas, 2004).
• Porem, bailarinos continuam a se lesionar,
porque?
Lesões
• Sobrecarga de treinamento (fadiga), chãos
inapropriados, coreografias muito difíceis, e
aquecimentos mal feitos são os fatores que mais
contribuem para o lesionamento de bailarinos. (Bejjani FJ.
1987).
• Recentemente, níveis de aptidão física, em particular
força muscular foram adicionados a esta lista. Uma
pesquisa demonstrou uma estreita relação
inversamente proporcional entre lesões na
extremidades inferiores e força nos músculos da coxa.
(Koutedakis Y, Pacy PJ, Carson RJ, et al. 1997).
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Lesões
• Tem se apontado também para um problema que
na maioria das vezes passa desapercebido, que o
desequilíbrio de força entre músculos agonistas e
antagonistas em um mesmo membro. (Bejjani FJ.
19887)
• Alguns autores sugerem que treinamento para
fortalecimento muscular extra aula de dança
podem reduzir as lesões em bailarinos
diminuindo assim o custo que isto pode causar.
(Reid, DC. 1988; Khan K, Brown J, Way S, et al. 1995).
Lesões
• A lesão pode surgir por dois mecanismos:
macrotraumatismos (entorse, pancada, contusão) e
microtraumatismos que ocorrem a partir da repetição
exaustiva de elementos técnicos da modalidade sem os
adequados períodos de recuperação/repouso ou na
execução incorreta de certos gestos.
• Lesões relativamente pequenas que são ignoradas
podem, com cargas ou insultos repetidos, progredir para
lesões mais graves. Este tipo de mecanismo está na base
do que se chamam as lesões por sobrecarga ou lesões
por esforços repetidos. (OLIVEIRA, 2009, p. 34; WHITING e ZERNICKE
2001, p.108).
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Primeiros socorros
• Proteção
• Descanso
• Gelo
• Compressão
• Elevação
• Diagnóstico
Propriocepção
• Consciência de onde o corpo está posicionado no espaço
e da relação espacial entre suas partes.
• Sistema nervoso central ↔ sistema nervoso periférico.
• Terminais nervosos informam constantemente ao SNC
sobre as articulações (angulação, pressão, tração, dor,
velocidade de movimento) e sobre os músculos (grau de
estiramento, velocidade), tendões e ligamentos (grau de
tensão, dor).
• É importante exercitar o sistema proprioceptivo com
intuito de evitar lesões.
• Após o lesionamento é importante reabilitar estas
estruturas e suas funções.
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Lesionamento da coluna em bailarinos
• Lesões nas costas aparenta ter particularmente alta
incidência em atletas envolvendo:
1. Carregamento de peso e altas forças compressivas
2. Torções forçadas
3. Atividades envolvendo hierextensão da coluna, tais
como: natação competitiva (60%), trilha de campo
(48%) e levantamento de peso (40%) [Aggrawld, Kaur and
Kumar, 1979; Mutoh, 1978]
Lesionamento da coluna em bailarinos
• Bailarinos da Broadway 26% costas e pescoço em
periodo de ensaio e 45% em época de temporada.
(Evans, Evans, and Carvajal, 1996)
• Bailarinos profisionais suécos (ballé clássico) 69%
em 1989 e 82% em 1995 relataram dor nas costas
em algum período dos 12 meses anteriores. (Ramel, Moritz,
andJarnlo, 1999)
• Lesões nas costas pode manter o bailarino Longe do
trabalho por mais tempo Que outros tipos de lesão.
Podendo se tornar crônico ou recorrente.
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Prevenção
• Aquecimento adequado
• Foco no uso correto dos mm. abdominais para
estabilização
• Desenvolver força nos extensores das costas e
extremidades superiores
• Desenvolver e manter flexibilidade adequada
na coluna, quadril, e ombros.
Lesões lombares em bailarinos
• Algumas lesões frequentes do dorso são
descritas, contudo é importante lembrar que
o mesmo sintoma de dor lombar pode ser
proveniente de várias causas diferentes
incluindo: infecções, tumores, condições
reumatológicas, anormalidades congênitas,
doença de Scheuermann. E lesões agudas ou
crônicas.
• NÃO TRATE A SI MESMO!!!!!!
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Lesões lombares em bailarinos
Distensões e contusões lombo-sacrais
• lesões de tecidos moles podem ser causada basicamente por
sobrecarga repetitiva (uso excessivo) ou por traumatismo no
local direto. Nessas duas situações encontram-se lesões
relacionadas às atividades ocupacionais e esportivas.
• A primeira ocorre por esforço repetitivo que ocasiona
microtramautismo de repetição, que excedem a capacidade da
função do músculo, causando dor, fadiga e produção de edema;
e na segunda encontram-se as contusões, distensões, e as
entorses.
• Alongamento excessivo dos extensores das costas, ligamentos
da coluna ou ambos.
• Sobrecarga de músculos cansados.
Lesões lombares em bailarinos
• Caracterizados por dor localizada que diminui com
repouso e se agrava com atividade.
• Espasmo muscular está normalmente presente em
um ou ambos os lados da coluna.
• Sintomas tendem a cessar rapidamente.
• +/- 2 semanas de recuperação
• 90% destes tipos de lesão estarão curadas em 2
meses.
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Lesões lombares em bailarinos
Lombalgia de origem mecânica
• Envolve uma dor localizada sem causa
anatômica bem definida.
• Normalmente associada com hiper-extensão
lombar.
• Comum em bailarinos jovens devido a
desequilíbrio muscular.
Lesões lombares em bailarinos
• Espondilose e Espondilolistese
• Espondilose alterações por envelhecimentos nos discos
intervertebrais e articulações facetarias
• Na espondilose lombar, a dor é sentida de um lado da
região lombar e, às vezes, é pior de um lado que de outro.
A dor piora com exercício físico e quando o indivíduo se
curva, é amenizada com o repouso.
• Hiperextensão combinada com rotação ou pressão.
• Alta porcentagem em bailarinos quando comparados com
a população normal 5% /32% (Seitsalo et al, 1997)
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Lesões lombares em bailarinos
Espondilolistese (olisthesis=deslizamento)
• Às vezes, uma vértebra se desloca para a frente sobre a de
baixo em razão de uma franqueza nos arcos que apoiam a
coluna vertebral.
• Pode causar dor porque resulta em um alongamento
excessivo dos nervos e dos ligamentos.
• L4/L5 e L5/S1 mais freqüentes
• Sintomas são exarcebados com hiper-extensão da coluna,
principalmente quando sobre uma perna (arabesque).
Dolorido direto sobre a coluna (em contraste com os
músculos para vertebrais).
• Dor pode irradiar para as nadegas e perna (ciática)
Lesões lombares em bailarinos
Reabilitação
• Estudos sugerem que dor lombar terá melhora em
70% dos pacientes em 3 semanas
independentemente do tratamento (White III and Panjabi,
1978)
• Descanso relativo
• Atividade suave como hidroterapia, caminhada,
cinesioterapia, diminuirão a dor o espasmo muscular
ajuda a restabelecer função fisiológica.
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Lesões lombares em bailarinos
Reabilitação
• Flexão da coluna tende a alongar a fáscia
toracolombar, reduzir a lordose e diminuir forças de
atrito, o que pode reduzir a dor em problemas como
dor mecânica e espondilolisteses.
• Também aumenta a distancia dos pedículos na região
lombar e reduz a compressão das facetas articulares
(spondilose síndrome da faceta articular).
• Abdominais suaves
• Evitar dormir sobre o estômago e uso de sapatos altos.
Lesões lombares em bailarinos
Reabilitação
• Dores causada por hérnia de disco são agravadas por
flexão da coluna e diminuídas por extensão.
• Sentar com as pernas em um banco ↓ a dor.
• Alongamento do iliopsoas.
• Em dança deve-se evitar : saltos, levantamento,
flexão lombar exagerada, extrema hiper-extensão.
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Lesões do quadril em bailarinos
• Incidência baixa devido a estabilidade desta articulação;
• Denomina-se "fratura por estresse" todas as fraturas ósseas ocorridas
em conseqüência de uma sobrecarga de exercícios repetitivos, com a
mesma intensidade, no mesmo local, promovendo um desgaste ósseo.
• Fraturas por estresse: ramo púbico, colo do fêmur, corpo do fêmur
treinamento de alta intensidade, mudança para um chão duro,
nutrição deficiente, osteoporose, rotação externa acima de 65 graus,
coxa vara, fadiga muscular gerando perda de absorção de impacto.
• Sintomas: dor na virilha, coxa ou joelho que piora com carga de peso; a
dor pode aumentar no inicio da aula, melhorar um pouco no meio da
aula e intensificar no final da aula. A dor aumenta com o passê e com
pulos sobre a perna afetada;
• De dois a 6 meses para recuperação.
• Se não for tratada pode levar a uma fratura completa
Lesões do quadril em bailarinos
• Fratura do quadril colo do fêmur em bailarinas mais
velhas (>45 anos);
• Osteoartrite: sobrecarga pode danificar a cartilagem
articular. Osteoartrite consiste em afinamento progressivo
e desgaste da cartilagem articular do quadril associado
com quadro inflamatório.
• Sintomas: dor na virilha, parte lateral da coxa ou nádegas
que é pior pela manhã e melhora com movimentos suaves.
A dor aumenta significativamente com atividade vigorosa e
melhora com descanso. Perca de amplitude de movimento,
principalmente rotação interna. Encurtamento dos flexores
do quadril (contraturas) pode acontecer.
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Lesões do quadril em bailarinos
Distensão muscular
• É uma das lesões esportivas mais comuns;
• Os mm. mais comumente envolvidos são: Isquiotibiais,
adutor longo, grácil, sartório, reto do fêmur e iliopsoas;
• Mm. multiarticulares parecem ter uma predisposição à
distensão (alongamento passivo, contração excêntrica);
• A área envolvida tende a estar dolorida, e em alguns casos,
edematosa; dor é geralmente provocada por alongamento
ou contração forçada do m. envolvido.
• Descanso, anti-inflamatório,fisioterapia, modificação das
atividades, extra aquecimento, usar amplitude não
dolorosa;
• Em casos graves interromper atividades
Lesões do quadril em bailarinos
Tendinite iliopsoas
• Síndrome do estalido do quadril estalido
interno do quadril (tendão do iliopsoas sobre
a cabeça do fêmur) ou estalido externo do
quadril trato iliotibial sobre a trocanter maior
do fêmur);
• Bursite trocantérica;
• Síndrome do piriforme;
• Disfunção e inflamação sacrilíaca.
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Lesões do joelho em bailarinos
• Articulação entre dois ossos longos, larga, e
rasa vulnerabilidade ao estresse valgo e
varo possibilidade de lesão dos ligamentos
e meniscos.
• Alta incidência de lesões em bailarinos
– 16.1% - 17.3% = bailarinos de ballet clássico
– 14.5% - 18% = universitários de dança
– 21.1% - bailarinos de moderno
Prevenção de lesões do joelho em
bailarinos
• Dado que força do quadríceps em muitos bailarinos
está abaixo do necessário e que este fator está
fortemente ligado a incidência de lesões nas EEII,
muitos bailarinos se beneficiariam com a inclusão de
exercícios de força para o quadríceps e isquiotibiais nos
seus programas de exercício.
• Exercícios deveriam ser o mais funcional possível.
• Equilíbrio adequado entre força e alongamento aliados
a uma boa técnica.
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Prevenção de lesões do joelho em
bailarinos
• No âmbito da técnica: devido ao aumento do risco de
lesões, as situações abaixo devem ser evitadas
– Rotação excessiva da tíbia em relação ao fêmur (en dehor
do pé);
– Estabilização inadequada do “en dehor” (rotação externa
do quadril);
– Deixar o joelho cair para dentro em relação aos pés;
– Uso excessivo do quadríceps (hiperestensão do joelho);
– Excessiva pronação dos pés
Lesões do joelho em bailarinos
• Lesões ligamentares ligs. São importantes para a estabilidade do
joelho. Os lig. Mais lesionados em bailarinos são LCM e o LCA.
Hiperflexibilidade generalizada predispõe lesões ligamentares.
– Lesão do ligamento colateral medial
– Lesão do ligamento cruzado anterior
– Lesão do menisco
– A tríade infeliz
• Lesões do mecanismo extensor
– Síndrome da dor patelo-femoral (Condromalácia patelar)
– Joelho saltador
– Doença de Osgood Schlatter
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Lesões do joelho em bailarinos
Lesão do ligamento colateral medial
• resultam de uma força medial direta contra a parte
lateral do joelho (força de deformação valga) que
tende a abrir a parte interior do joelho em dança:
o bailarino cai sobre o outro; contato improvisação;
desaceleração de pirueta; “en dehor” forçado do
joelho em relação ao pé, rotação externa da tíbia
• Sintomas: dor no aspecto medial do joelho; palpação
local dolorosa, e edema.
• Evitar 5ª posição, fortalecer quadríceps, evitar
estresse valgo.
Lesões do joelho em bailarinos
Lesão do ligamento cruzado anterior
• lesão grave; acontece com mais freqüência em esportes
que envolvam desaceleração, torção, giro, e saltos. Mais
freqüente em mulheres.
• Pancada direta no aspecto lateral do joelho adicionado de
rotação externa da perna, cair de um salto com joelho
hiperextendido
• Sintomas: joelho instável; sente-se um pop no momento
da lesão; formação rápida de edema;
• Lesões não graves: imobilização inicial, compressão, gelo,
elevação do joelho e fortalecimento dos extensores e
flexores do joelho (isométrico); reabilitação demorada.
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23/1/2011
Lesões do joelho em bailarinos
Lesão do menisco
» os meniscos foram desenhados para se mover com a tíbia em relação ao fêmur
de forma coordenada. Se este mecanismo é comprometido o menisco pode
ficar preso entre as superfícies articulares opostas provocando lesão por
torque, compressão ou tração. O menisco pode ser separado, partido em
pedaços ou afrouxado através ruptura de seu ponto de inserção.
» Lesão do menisco medial ocorre 10 a 20 mais freqüentemente que no
menisco lateral.
» Um dos mecanismos de lesão meniscal mais freqüente é quando há extensão
do joelho de uma posição flexionada, abduzida (estresse valgo) enquanto a
perna está rodada externamente com o pé fixo no chão.
» Em dança, acredita-se que o mecanismo opera cronicamente através de
repetidos “en dhors “ forçados, desgastando ou separando o menisco.
Lesões do joelho em bailarinos
Lesão do menisco
• Em casos de lesão meniscal aguda, uma sensação de “poping”ou
ruptura é experienciada, seguida de dor intensa.
• É comum sentir dor no aspecto medial do joelho, edema acontece
geralmente devagar.
• “Grand pliés” podem ser dolorosos; amplitude de movimento fica
restrita. Apreensão diante do agachamento está geralmente
presente.
• Em dias ou semanas após a lesão inicial , travamento doloroso e
instabilidade são sentidos em movimentos de giro, flexão, torção.
Atrofia do quadríceps geralmente procede rapidamente.
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Lesões do joelho em bailarinos
Lesão do menisco
• Tratamento inicial recomendado: limitar atividade,
gelo, compressão, elevação e anti-inflamatório
seguidos de fortalecimento do quadríceps.
• Em casos graves procedimento cirúrgico é
necessário (artroscopia).
Lesões do joelho em bailarinos
A tríade infeliz
• (lig. Cruzado anterior + lig. Colateral medial +
menisco medial) O mecanismo para esta lesão
ocorre quando uma força lateral (fora) é aplicada ao
joelho quando o pé for fixo na terra e em rotação
externa.
• Lesão grave que exige atendimento especializado
imediato
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Lesões do joelho em bailarinos
• Lesões do mecanismo extensor incluem o
quadríceps, o tendão do quad. ou a patela.
– Síndrome da dor patelo-femoral (Condromalácia
patelar)
– Joelho saltador
– Doença de Osgood Schlatter
Lesões do joelho em bailarinos
Síndrome da dor patelo-femoral :
• se refere a dor no aspecto anterior do joelho relacionada com a patela ou
os retináculos associados a ele. Mais freqüente em homens que em
mulheres.
• Em casos onde o desgaste da grossa cartilagem da parte posterior da
patela é a causa da dor, o problema é classificado de condromalácia
patelar.
• Dor patelo-femoral é mais freqüente em atividades que envolve alto
impacto e flexão repetitiva.
• Survey com 362 bailarinos pré-profissionais e profissionais mostrou 38%
dos participantes com pelo menos 3 ou mais dos sintomas clássicos de dor
patelo-femoral associado à bailarinos em algum período do seu
treinamento.
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Lesões do joelho em bailarinos
Síndrome da dor patelo-femoral :
• Fatores que tendem a aumentar a instabilidade da
patela: genu recurvado, vasto medial fraco.
• Fatores que tendem a interferir no alinhamento da
patela: genu valgo, aumento do ângulo Q, trato iliotibial
curto.
• Sintomas: dor generalizada atrás e ao redor da patela e
principalmente, medial à patela; dor ao flexionar o
joelho (grand plié); dor após longos períodos sentado;
dor ao descer escadas; fraqueza; edema e dor durante
ou depois de atividades.
Lesões do joelho em bailarinos
Síndrome da dor patelo-femoral :
• Tratamento inicial recomendado fisioterapia,
gelo após atividades, modificação das atividades,
anti-inflamatório, fortalecimento do quadríceps,
principalmente do vasto medial.
• Movimentos de dança com alta carga
compressiva tais como pliés, saltos, descidas,
devem ser evitados ou modificados para a
amplitude não dolorosa.
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Lesões do joelho em bailarinos
Joelho saltador:
• é a ruptura ou inflamação dolorosa do tendão patelar (tendinite). É
muito comum afetar pessoas que praticam esportes em geral,
principalmente os atletas que saltam muito: saltadores (distância,
altura, triplo), jogadores de basquetebol e voleibol, praticantes de
aeróbica de alto impacto. É muito comum também nos períodos de
crescimento (puberdade e pós-puberdade).
• A tendinite vem acompanhada simultaneamente de inflamação da
bainha (capa) que protege o tendão (tenossinovite) e
comprometimento articular. Geralmente a inflamação da bainha é
mais intensa que a dos tendões propriamente.
Lesões do joelho em bailarinos
Joelho saltador:
• Sinais e sintomas: Dores durante os exercícios, pouco abaixo da patela;
Dor e rigidez depois de práticas esportivas; Sensibilidade a toque e
edema pouco abaixo da patela; Postura antálgica para se locomover;
dor aparece ao começo da atividade , desaparece ou diminui
sensilvemte com o aquecimento e reaparece depois das atividades. Dor
aumenta com saltos e pode ser reproduzida com extensão do joelho
contra resistência. Sensação de fraquesa pode estar presente.
• Possíveis causas: Aumento excessivo da carga de exercícios; Mudanças
bruscas de estilo; Trabalhar em pisos duros; Fraquesa do quadriceps
• Tratamento: calor ou extra aquecimento antes das atividades, gelo
depois das atividades, anti-inflamatório e fisioterapia.
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Lesões do joelho em bailarinos
Doença de Osgood Schlatter :
• Osgood-Schlatter (OS) constitui uma doença osteo-muscular (e extra –
articular), comum em adolescentes. Caracterizada por uma patologia
inflamatória que ocorre na cartilagem e no osso da tíbia, devido ao esforço
excessivo sobre o tendão patelar.
• Tendo predomínio, no sexo masculino da faixa etária dos 10 aos 15 anos,
praticantes de esportes especialmente os que incluem: grand-pliés,
chutes, saltos e corridas.
• Caracterizado por edema e dor sobre a tuberosidade tibial.
• Recomenda-se gelo após as atividades e anti-inflamatórios. Os
movimentos de dança devem ser modificados para sobrecarga no tendão
(grand-pliés, fondu, e saltos).
Lesões do calcanhar e do pé em
bailarinos
• O complexo calcanhar-pé é lugar de lesões mais frequente em
bailarinos.
• Ballet clássico - 38%, 42.4% e 48.5%; dança moderna 26.6%, 36%, e
38% de todas as lesões acontecem neste complexo.
• Prevenção:
– Executar exercícios suplementares para fortalecer os músculos do
calcanhar-pé,
– alongar frequentemente os flexores dorsais para melhorar absorção de
choque e evitar pronação excessiva;
– posicionar o peso do corpo sobre o eixo do pé e evitar excessiva
inversão/eversão, manter rotação externa no quadril para prevenir
pronação do pé,
– usar profundidade adequada no plié para diminuir impacto proveniente
de saltos.
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Lesões do calcanhar e do pé em bailarinos
• Reabilitação de lesões do calcanhar-pé:
– Recomendação inicial gelo e anti-inflamatório;
– Uso repetitivo de esteróides tem sido relacionado com enfraquecimento e
ruptura dos tecidos moles;
– Banhos de contraste, massagem, ultra-som, fonoforese, são geralmente
usados para reduzir a dor e aumentar amplitude de movimento;
– Tão logo os sintomas permitam, alongamento e exercícios para amplitude
de movimento em amplitude não dolorosa devem ser iniciados.
– Da mesma forma, tão logo sintomas permitam os exercícios para
fortalecimento muscular serão adicionados, desenvolvendo de exercícios
isolados para exercícios funcionais e exercícios proprioceptivos.
– Hidroginástica e exercícios no reformer (pilates) podem ser usados
enquanto o pé não poder receber carga de força compressiva total.
– Exercícios proprioceptivos são de vital importância na reabilitação.
– Por último, assim que sintomas permitam, movimentos de dança devem
ser reintroduzidos no plano de exercícios.
Lesões do calcanhar e do pé em bailarinos
Entorce do tornozelo
• lesão mais comum em bailarinos envolve ligamentos no calcanhar e
articulação subtalar cerca de 85% dos entorces envolvem inversão do pé.
• Tendem a correr em posição instável de relativa flaxão plantar, durante carga
ou descarga do pé tais como retornando de um salto, caindo de um giro ou um
passo mal calculado.
• Grau I torção leve envolvendo ruptura parcial do lig. Talofibular anterior e
ocasionalmente o lig. Tibiofibular anterior com pouca ou nenhuma
instabilidade resultante.
• Grau II geralmente ruptura completa do lig. Talofibular anterior com dano
minimal do lig. Calcaneofibular. (mais comum em bailarinos)
• Grau III raros, ruptura completa dos ligamentos laterais resultando em
compleat instabilidade do calcanhar.
• Edema ocorre imediatamente (maléolo lateral)
• Descanso, gelo, compressão, elevação.
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23/1/2011
Lesões do calcanhar e do pé em bailarinos
Fascite plantar:
• processo inflamatório que envolve a fascia plantar. É ela que
impede que o pé desabe durante o marcha e, por suportar forças
muito grandes, freqüentemente é acometida por pequenas
rupturas junto à sua inserção no osso do calcanhar.
• O sintoma principal é a dor, que caracteristicamente é pior nos
primeiros passos, pela manhã ou após um curto período de
repouso.
• Causas: atividade por tempo prolongado envolvendo salto.
• Gelo, alongamento do flexores plantar do pé, repouso, sola
alcochoada, fortalecimento dos músculos intrínsecos e
extrínsecos.
• Um programa dos exercícios em casa para alongar o tendão de
Aquiles e a fascia plantar são essenciais para a recuperação da
lesão e diminuir a possibilidade do retorno.
Lesões do calcanhar e do pé em bailarinos
Tendinite
• A tendinite é uma síndrome de excesso de uso em resposta a
inflamação local devido a microtraumas repetidos que podem ocorrer
devido a desequilíbrios musculares ou fadiga, alterações nos exercícios
ou nas rotinas funcionais, erros de treinamento ou uma combinação
de vários desses fatores.
• O tendão de aquiles é coberto por um paratendão ao invés de bainha
tendínea.
• Estudo: (em corredores) pé cavo, pronação exacerbada, flexores
plantar fracos e curtos (McCrory et al, 1999)
• Solos duros aumentam a incidencia.
• Sintomas: dor e inchaço na area logo acima do calcanhar, rigidez pela
manhã, amplitude de movimento diminuida. Dor aumenta com
relevés e saltos
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Lesões do calcanhar e do pé em bailarinos
• Tratamento: reduzir a dor e inflamação com descanso, compressão,
elevação e antiinflamatórios. Gelo também pode ser usado em lesões
agudas. ultra-som para aquecer tecidos mais profundos e melhorar o
fluxo sanguíneo. Iontoforese também pode ser usada. Alongamento
suave e exercícios de fortalecimento são adicionados gradualmente.
Massagem do tecido mole também pode ajudar.
• Para prevenir a inflamação e reduzir sua gravidade e recorrência
recomenda-se:
– Realizar aquecimento e alongamento antes de atividades físicas.
– Fortalecer a musculatura ao redor da articulação.
– Fazer paradas freqüentes ao realizar atividades repetitivas.
– Praticar boa postura corporal ao realizar atividades diárias.
– Começar novos exercícios físicos lentamente.
– Aumentar gradualmente a demanda física depois de várias sessões de
exercícios bem tolerados.
Lesões do calcanhar e do pé em bailarinos
• Tendinite do flexor longo do hálux
(alta prevalência em bailarinos
clássicos) papel estabilizador
contra eversão excessiva em ponta e
meia-ponta.
• Tendão passa trás do maleolo
medial, região que pode inchar e
ficar dolorida. Agrava-se com meia
ponta (extensão/flexão do dedão)
• Anti-inflamatório, massagem
transversa profunda, massagem com
gelo, alongamento e fortalecimento
do FLH.
• Evitar temporariamente o relevé ou
trabalho de ponta.
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Lesões do calcanhar e do pé em bailarinos
Síndrome do Estresse Tibial Medial (Canelite)
• é um distúrbio complexo e controverso que pode afetar qualquer
atleta corredor. Ela é definida como uma dor e desconforto na perna
causada por corrida repetitiva numa superfície dura ou por uso
excessivo dos flexores do pé.
• Causas - A STTM é periostite causada por tensão excessiva na borda
medial da tíbia por fatores múltiplos:
– Alterações biomecânicas
– Aumentos súbitos na intensidade do treinamento e duração
– Alterações no calçado e superfície de treinamento
– Lesões de partes moles
– Falta de alongamento (inelasticidade muscular)
– Anormalidades na inserção muscular
– Pronação anormal
Lesões do calcanhar e do pé em bailarinos
• Apresentação clínica:
– Dor contínua, progressiva e prolongada na metade distal na região póstero medial
da tíbia.
– A dor é aliviada com o repouso e piora com a atividade física.
– Queda do desempenho como conseqüência ou limitação.
– Dor na tíbia distal com ou sem leve edema (a área é mais difusa que a fratura por
stress)
– Pode haver dor com elevação dos dedos do pé ou pela flexão plantar resistida
• Tratamento - A maioria STTM é de tratamento conservador. Faz-se necessário repouso
relativo (dois a quatro meses), mantendo o condicionamento físico com atividades sem
impacto e indolores como bicicleta e natação.
• Medidas gerais devem ser tomadas como a diminuição da intensidade e duração do
treino, além de mudar a superfície do terreno da corrida. Pode ser usado:
antiinflamatórios, gelo, fisioterapia analgésica e alongamento do Aquiles. Alguns casos
são necessários à utilização de órteses ou palmilha para correção da pronação.
• O retorno as atividades deve ser gradual não se esquecendo do alongamento e
condicionamento progressivo.
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Lesões do calcanhar e do pé em bailarinos
Síndrome compartimental crônica (perna)
• A síndrome compartimental é caracterizada por dor na região
anterior da perna durante e após a prática esportiva. Geralmente, a
dor é bilateral, pode aumentar de acordo com a intensidade do
exercício e cessar no repouso. Pode haver parestesia.
• Durante o exercício o volume muscular pode aumentar até 20% e
isso pode contribuir com a elevação da pressão intra-
compartimental. Com isso, o fluxo sangüíneo para a musculatura é
reduzido e o atleta tem dor. O diagnóstico pode ser feito através da
medida da pressão intra-compartimental com um cateter.
Lesões do calcanhar e do pé em bailarinos
Fraturas por estresse
• Denomina-se "fratura por estresse" todas as fraturas ósseas
ocorridas em conseqüência de uma sobrecarga de exercícios
repetitivos, com a mesma intensidade, no mesmo local,
promovendo um desgaste ósseo.
• As fraturas por estresse começam como pequeníssimas fraturas
- chamadas micrifraturas ou microtraumas. São de difícil
visualização pois não aparecem no raio X convencional. Só são
visíveis quando evoluem para fraturas maiores.
• O primeiro sinal indicativo é a dor moderada a intensa,
dependendo da articulação atingida, mas estas lesões demoram
a serem diagnosticadas.
• Em bailarinos o local mais comum são os metatarsos e dos
metatarsos o mais comumente afetado é o 2º , em sua base.
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Lesões do calcanhar e do pé em bailarinos
• Em geral, nas fraturas por estresse, na fase inicial do tratamento,
preconiza-se o uso de medidas fisioterapêuticas específicas para reduzir o
quadro álgico : gelo, TENS, Ultra-som para acelerar a produção do tecido
ósseo e o laser como cicatrizante, utilizando-se, também, os
medicamentos anti-inflamatórios para reduzir a síntese das
prostaglandinas, responsáveis por ativar as terminações nervosas livres,
que levam a informação sensorial ao cérebro, aumentando a percepção da
dor. Os exercícios de fortalecimento e alongamentos funcionais devem ser
incluídos tão logo se tenha reduzido o quadro álgico e, assim, utiliza-se, os
exercícios de membros inferiores, inicialmente em cadeia cinética fechada
( pés em contato com o solo ou o aparelho) e depois exercícios em cadeia
cinética aberta ( pés fora do solo) .
Lesões do calcanhar e do pé em bailarinos
• Síndromes de impingimento anterior e
posterior do calcanhar
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Referências Bibliográficas
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Volume 2, Number 1, 2010.
2. SEFCOVIC, Nadia. CRITCHFIELD, Brenda. First Aid for Dancers. “International
Association for Dance Medicine and Science, 2010.
3. ASTON, Glenna. Proprioception. The IADMS Bulletin for Teachers • Volume
2, Number 1, 2010.
4. CLIPPINGER, Karen Sue (2007). Dance Anatomy and Kinesiology. Human
Kinetics, 2007.
5. CARVALHO, Jaciane. Borges, Gustavo A. Exercícios de Alongamento e suas
Implicações no Treinamento de Força. Caderno de Educação Física, Estudos
e Reflexões, v.3, n.2, p.67-78, 2001.
6. KISNER C, COLBY LA. Exercícios terapêuticos. São Paulo: Editora Manole;
2004.
7. FOX EL, BOWERS RW, FOSS ML. Bases fisiológicas da Educação Física e dos
Desportos. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan; 1991.
8. KOUTEDAKIS Y. e JAMURTAS A. The Dancer as a Performing Athlete:
Physiological Considerations. Sports Med; 34 (10): 651-661. 2004.
9. www.DanceMedicine.org
Obrigado pela atenção !!!
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