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"O Fim da Abundância?"

Minha reportagem para a National Geographic Brasil sobre a crise hídrica em São Paulo. Texto e fotos de minha autoria.

No noroeste paulista, a cidade de Ilha Solteira, projetada em torno de uma usina hidrelétrica na década de 1970, enfrenta a crise gerada pela estiagem dos últimos anos.

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"O Fim da Abundância?"

  1. 1. story name here  3130  national geographic • month 2011 Nonoroestepaulista,acidadedeIlhaSolteira,projetada emtornodeumausinahidrelétricanadécadade1970, enfrentaacrisegeradapelaestiagemdosúltimosanos. Ofimda abundância? Com capacidade para manter uma reserva de água até 328 metros acima do nível do mar, a usina hidrelétrica de Ilha Solteira está operando abaixo do seu nível mínimo, estabelecido em 323 metros. 31 
  2. 2. Alheia à crise hídrica, a prefeitura preparou a cidade para as festas de fim de ano com muita iluminação. A caixa-d´água de 30 metros de altura forma uma árvore de Natal. Ostentação de causar inveja a muitas cidades grandes.
  3. 3. ilha solteira  3534  national geographic • especial água e mudanças do clima E m uma tarde quente de de- zembro, surge de uma viela um homem que grita para os céus: “Obrigado, meu Deus! Está chovendo em Ilha Solteira!”. Ele continua a gritar de alegria até alcançar a Praça dos Paia- guás. Localizada no centro da cidade, a praça recebeu esse nome para homenagear a tribo indígena homônima, conhecida por suas habi- lidades como canoeiros e guerreiros que nunca recuavam diante do inimigo. O homem se deixa molhar e segue caminhando até fugir do alcance dos meus olhos, confundindo-se entre os mi- lhares de luzes que enfeitam a praça e a Avenida Brasil, encantando adultos, crianças e turistas. A caixa-d’água, um monumento funcional com 30 metros de altura, ostenta a iluminação de uma árvore de Natal de dar inveja a muitas capitais do país. Relâmpagos anunciam chuva, enquan- to as crianças encenam o espetáculo O Milagre do Natal. Mas não há graça divina, são apenas alguns pingos d’água e, nos dias seguintes, um calor que supera os 30 °C volta a castigar a região. Chuva em Ilha Solteira, cidade que abriga uma das maiores hidrelétricas do país, é agora um golpe de sorte, quase extinta – como os paiaguás. estamos agora em maio de 2015, e, assim como no último Natal, as águas dos rios Para- ná, Tietê, São Francisco, Uruguai, entre outros, estão passando a toda velocidade, fazendo girar as turbinas das hidrelétricas. Com uma econo- mia abundante em recursos naturais, o Brasil cresceu e se desenvolveu tendo como base para a matriz energética as hidrelétricas, uma fonte limpa e renovável de energia. Em períodos de poucas chuvas, as usinas diminuem a capacidade de geração para que possam reter parte dessas águas no reservatório. É aí que entra em ação o ons (Operador Nacional do Sistema Elétrico), órgão responsável pela coordenação e controle Texto e fotos por Marcio Pimenta Em um dos frigoríficos de Santa Fé do Sul são processadas até 10 toneladas de tilápias por dia. A região atende cerca de 10% do mercado brasileiro. da operação da geração e transmissão de ener- gia elétrica no Sistema Interligado Nacional. O sistema aciona outras fontes de energia, como as termelétricas espalhadas pelo país, para que o abastecimento não seja prejudicado. Tudo au- tomático. As fontes alternativas estão a todo o vapor (inclusive aquelas baseadas em combus- tíveis fósseis, como o carvão, que polui o meio ambiente) para garantir que o país não pare – as indústrias e empresas possam continuar produ- zindo e nós possamos acompanhar pela TV a partida de futebol do nosso time favorito, nave- gar na internet ou que não percamos o que irá acontecer com o personagem da novela ou série. As águas dos reservatórios ajudam a garantir o abastecimento energético do Brasil e são também o modo de vida e fonte de renda para muitas famílias, empresas e o governo local. Quando um reservatório está em seu ponto de equilíbrio, acontece o que os engenheiros chamam de “si- tuação ótima” para todos: irrigação, geração de energia, piscicultura, pesca, transporte, abaste- cimento para consumo humano etc. O problema é que o que antes era abundante agora é alvo de disputa. “A ganância do homem acabou com os peixes”, queixa-se Claudionor Gonçalves Gomes, o Mozinho, pescador durante o dia e proprietário de uma peixaria à noite. Ele chegou à cidade em 1972, quando a usina de Ilha Solteira ainda esta- va em construção. “Eram peixes grandes, bonitos e agora não temos quase nada.” Pergunto a ele se não seria melhor abandonar a pesca e dedicar-se apenas à peixaria. “Eu pagava mil e seiscentos reais na conta de luz aqui da peixaria, agora são mil e novecentos. Não dá, tenho que me virar como posso, essas termelétricas são caras.” Mozinho é mais um personagem em uma das maiores crises hídricas da história recente. Desde 1986, quando iniciou-se o monitoramento na região, não se via algo assim. No noroeste paulista, fronteira com o Mato Grosso do Sul, a usina hidrelétrica de Ilha Solteira está com seu
  4. 4. 36  national geographic • especial água e mudanças do clima um restaurante que fica à margem da represa.  “O trem está feio”, avalia. José se refere à forte queda no movimento. As margens do rio fica- vam próximas ao seu estabelecimento, mas com o recuo das águas os turistas agora precisam se deslocar dezenas de metros. Alguns preferem ignorar o restaurante e estacionar seus carros mais próximos da margem. José volta seus olhos para as águas. “Já atendi até 3 mil pessoas por dia. Hoje são 150. Dependo disto aqui, não tenho nenhuma outra fonte de renda. Tenho mulher e dois filhos. Fazíamos até uma reservinha para a época de baixa temporada. E agora? Como vou fazer?”, resigna-se. Ele me chama para caminhar pela praia como se quisesse me contar um segredo. Paramos a certa distância e então ele volta-se para o res- taurante novamente. Apoia uma das mãos sobre os meus ombros e aponta para um rapaz que está servindo uma porção de peixe à milanesa em uma mesa com três turistas. “Num dia de domingo como este, eu tinha até 15 funcioná- rios. Demiti todo mundo. Agora somos eu, meu filho, minha nora e minha esposa. Veja lá o meu filho, ele está fazendo tudo: atende, faz a porção reservatório na capacidade mínima: 0%. O nível mais baixo do país. “Em função do atual regime hidrológico, o nível do reservatório da usina en- contra-se em cota inferior ao mínimo útil ope- racional, fixado em 323 metros. À meia-noite de 30 de novembro de 2014, o nível do reservatório estava na cota de 319,5 metros”, informa a asses- soria de imprensa da Cesp (Companhia Ener- gética de São Paulo). Sua capacidade máxima, a “situação ótima”, seria 328 metros. Ainda assim, a usina segue em operação, trabalhando com sua capacidade mínima, por ordem e controle do ONS. Essa diferença aparentemente pequena – por volta de 9 metros – é suficiente para fazer grandes estragos na economia. As margens do reservatório recuaram até 100 metros nas praias de Ilha Solteira e municípios vizinhos, como Santa Fé do Sul e Pereira Barreto, prejudicando o turismo – importante atividade econômica da região. E reativar esse setor não é tarefa simples. “Muitos dos turistas que nos visitam são pessoas que já moraram aqui e retornam para ver a famí- lia e matar a saudade”, diz, com o conhecimento de quem é pioneiro na exploração do turismo na região, José Aparecido Trevisoli, proprietário de SP MG PA B R A S I L PARAGUAI BOLÍVIA ARGENTINA GO BA PE RS PR OCEANO ATLANTICO 9 1 2 3 4 56 8 7 20 21 10 11 12 13 1415 16 17 18 19 22 mapas de l.f. martini. fonte: Operador Nacional do Sistema Elétrico Guzolˆandia Jales Dirce Reis Pereira Barreto Ilha Solteira HIDRELETRICA DE ILHA SOLTEIRA E E E E AndradinaE E Nova Cana˜a Paulista Suzan´´apolis E E Santa F´e do SulE ÁREA AMPLIADA BRASIL MG SP MS 0 km 20 SP 463 SP 310 SP 300 SP 320 BR 262 Tietˆe Paran´a Grande 1 Emborcação 23% 2 Nova Ponte 21% 3 Itumbiara 18% 4 São Simão 60% 5 Furnas 23% 6 Mascarenhas de Moraes 25% 7 Marimbondo 44% 8 Água Vermelha 39% 9 Ilha Solteira/3 Irmãos 0% 10 Jurumirim 52% 11 Chavantes 35% 12 Capivara 37% 13 S. Santiago 41% 14 G. B. Munhoz 34% 15 Segredo 57% 16 Passo Real 32% 17 Passo Fundo 72% 18 Sobradinho 20% 19 Três Marias 33% 20 Itaparica 24% 21 Serra da Mesa 32% 22 Tucuruí 84% ilha da fartura Construída nas margens do rio Paraná entre os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, a cidade de Ilha Solteira sofre com a estiagem iniciada em 2012. O rio recuou até 100 metros da margem original (página oposta). A indústria da piscicultura e o turismo regional foram os setores mais prejudicados. 318 320 322 324 326 328 330 1989 1992 1995 1998 2001 2004 2007 2010 20132014 Nível mínimo operacional Nível ótimo Nível médio mensal do montante Nível médio mensal do montante Nível médio do reservatório de Ilha Solteira (em metros, de jan. de 1989 a dez. de 2014) Situação dos reservatórios das hidrelétricas no país (em 5 de abril de 2015)
  5. 5. ilha solteira  3938  national geographic • especial água e mudanças do clima Na Sociedade Esportiva de Ilha Solteira, crianças têm aula de natação. A cidade foi concebida em um modelo de segregação de classes: alguns clubes eram exclusivos para funcionários com salários mais altos. O tempo anuviou as diferenças. de tira-gostos, leva na mesa e fecha a conta. Ele cobra o escanteio e cabeceia para o gol.” Continuamos a caminhada e percebo que os outros estabelecimentos estão ainda mais vazios que o de José. “Estão todos mal. Mas tenho a expectativa de que os turistas ainda vão vir. Se eu vender 50% do que vendi no ano passado, para mim está ótimo.” E se isso não acontecer?, pergunto a ele. “Tem que acontecer.” assim como o turismo, outros setores já sen- tem o impacto. Toneladas de peixes morrem por falta de oxigênio na água das pisciculturas. Residências ficam sem água potável porque as bombas não conseguem puxar com o volume em níveis tão baixos. A irrigação na agricultu- ra é interrompida pelo mesmo motivo. Barca- ças transportadoras de grãos estão paralisadas desde maio de 2014 por falta de profundidade no calado-d’água, o que torna necessário fretar caminhões, elevando os custos. Até mesmo ter- melétricas movidas pela cana-de-açúcar perdem força, pois a cana apresenta baixa produtividade por falta de chuvas. “A cidade que nasceu para iluminar um país”, me diz Mozinho, de forma quase poética. Os moradores de Ilha Solteira têm muito orgulho dela e sabem do papel fundamental que exercem para o Brasil. A cidade foi planejada. Surgiu da necessidade de abrigar o enorme contingente de operários que chegaram para trabalhar na cons- trução da usina. Na década de 1970, era a maior obra de engenharia do país e uma das maiores do mundo. Localizada às margens do rio Paraná, Ilha Solteira foi construída com base em uma hierarquia de moradias que segregava os traba- lhadores de acordo com as categorias funcional e salarial. Os segmentos das residências partiam do nível 1, cerca de 100 m² – destinados a ope- rários não especializados, ajudantes, serventes, vigias e zeladores –, até o nível 6, com 560 m² – reservados a encarregados de nível universitário, profissionais liberais como médicos, engenhei- ros, arquitetos, economistas, assistentes sociais. Havia três clubes sociais para entretenimento dos diversos níveis de trabalhadores. Os que eram classificados como 1 ou 2 não podiam frequen- tar as piscinas destinadas aos trabalhadores do nível 3 e do 4, e assim por diante. Mas o tempo anuviou tais barreiras. Meu interlocutor fala pausadamente. Enquan- to aguardo sua próxima frase, noto a luz do Sol invadindo a janela e inundando a sala de calor. “Meu vizinho perdeu 20 toneladas de peixe no ponto de comercialização”, conta Olair José Ise- pon, secretário do Departamento de Agronegó- cios, Meio Ambiente e Pesca de Ilha Solteira, en- quanto enxuga com um lenço branco o suor que lhe escorre pela testa. “Num dia que esquentou bastante, sol forte, com tempo nublado e abafado, faltou oxigênio na água. Emprestei meu trator para ele soterrar os peixes na vala que a prefeitu- ra fez.” A estiagem que se abate sobre as regiões Sudeste e Centro-Oeste do país desde meados de 2012 não dá sinais de trégua. “Precisamos que chova em Minas Gerais e Goiás, onde ficam as nascentes. Chover aqui não adianta”, explica. o telefone toca. É do gabinete do prefeito. Olair e eu seguimos até a sua sala e somos recep- cionados em um ambiente refrigerado, com suco de néctar de laranja. O prefeito, Bento Carlos Sgarbosa, é engenheiro e trabalhou nas obras de outras usinas. Esteve na Califórnia, onde acom- panhou o drama da seca que atinge a região há quatro anos. Assim como os países que depen- dem dos royalties do petróleo, cidades-sede de hidrelétricas recebem grandes somas das usinas. E da mesma forma sofrem da “maldição dos recursos naturais”, também conhecida como o paradoxo da abundância. A economia de Ilha Solteira depende basicamente das receitas ge- radas pela hidrelétrica. O uso desses recursos permitiu investimentos em setores básicos do desenvolvimento, o que explica o alto IDH (Ín- dice de Desenvolvimento Humano) na cidade – 0,812. Por outro lado, levou a economia do município a uma acomodação e pouco incentivo a outros setores. Com a redução das atividades
  6. 6. ilha solteira  4140  national geographic • especial água e mudanças do clima Moradores e turistas agora são raros nas prainhas de Ilha Solteira. Importante fonte de renda na região, o ciclo diário de visitantes caiu de 4 mil para 150 pessoas por dia. A cana-de-açúcar sofreu bastante com a seca na região. A última safra apresentou produtividade abaixo da média e as usinas termelétricas baseadas nessa fonte de energia terão que aumentar os preços para suprir os prejuízos. da hidrelétrica, o município irá arrecadar me- nos. “As perdas que estamos tendo na arreca- dação hoje só saberemos de fato daqui a dois anos. Se a usina parar, seria uma catástrofe para nós. O município praticamente não teria recei- ta. Educação, saúde, segurança seriam atingidas imediatamente”, analisa Bento Sgarbosa, que é também vice-presidente da Amusuh (Associação dos Municípios Sedes de Usinas Hidrelétricas). Ele me conta que no Brasil existem mais de 700 cidades que foram alagadas para que hidrelétri- cas pudessem existir. A agricultura também sofre com a falta de água. Na cana-de-açúcar – quase uma mono- cultura na região – a perda de produtividade foi significativa. Não se chegou próximo ao valor de referência de 80 t/ha (toneladas de cana por hectare) na última safra. Algumas usinas tra- balharam com uma produtividade de apenas 50 t/ha. É o que explica Fernando Braz Tangeri- no Hernandez, professor e pesquisador do De- partamento de Fitossanidade, Engenharia Rural e Solos da Unesp (Universidade Estadual Paulis- ta), enquanto, na grande tela do monitor, corre o cursor do mouse pelo Google Maps. “A usina de Santa Adélia, uma das maiores da região, é de cogeração, ela produz ao mesmo tempo álcool e energia. Ela queima bagaço e gera energia. Se ela dependesse somente da venda de álcool, certa- mente teria demitido funcionários”, diz, enquan- to analisa os dados nos monitores que estão na parede do laboratório. Quanto mais falamos do tema, mais ele se empolga. “As usinas que não possuem cogeração estão em uma situação críti- ca. Temos 453 usinas de açúcar e álcool no país. Dessas, 83 estão fechadas ou em recuperação.” Como se não fosse o bastante, ele levanta seu corpo de quase 2 metros para enfatizar que “o fato concreto é que os extremos estão cada vez mais frequentes. O seco está cada vez mais seco e as chuvas estão cada vez mais intensas e lo- calizadas”. Ele fala com conhecimento de cau- sa, com base no relatório do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) de 2013. Esse estudo, realizado por 350 cientistas, prevê um cenário alarmante se os níveis de emissões de gases causadores de efeito estufa permanecerem altos. A agricultura e o setor de energia do Brasil poderão ser fortemente impactados, sob risco de queda brusca do Produto Interno Bruto (PIB) e constantes crises no abastecimento energético e até de segurança alimentar. Segundo o docu- mento, a temperatura no Brasil pode aumentar de 3 ºC a 6 ºC até 2100. O país sofreria ainda mais com uma possível escassez de chuvas, como acontece agora. “Temos que desenvolver a resili- ência e aprender a conviver com isso. Recompor as matas ciliares, plantio direto, conservação do solo, interceptação da água das chuvas, proteger nossas nascentes. Precisamos de árvores!”, excla- ma o professor e bate na mesa. Onde há riscos, há também oportunidades. A expressão de tranquilidade de Antonio Ramon do Amaral Neto é de quem soube se preparar para a crise. Sua empresa produz hoje 10 tonela- das por mês de peixe e as obras estão aceleradas para que até o final de 2015 esse valor chegue a 25 toneladas. “Tomamos decisões estratégicas antes da seca”, fala ao se recostar em sua cadeira de couro e buscar o controle do ar-condicionado. “Tive colegas empresários que perderam 70% da produção. Por sorte eu havia transferido minhas instalações para um local novo, com maior pro- fundidade.” Ele é sócio-diretor da Brazilian Fish, empresa que atua desde o cultivo de peixes até a embalagem de filés que chegam às prateleiras dos supermercados. “Há uma forte demanda e pou- ca oferta no mercado de tilápias.” Com a seca, os preços dispararam. Somente entre outubro e novembro houve dois aumentos de preço. “Em breve ficará tão caro que o brasileiro não poderá consumir filé de tilápia”, completa. Sorte que não agraciou o produtor Fabio Bran- dão, da Piscicultura Guanabara. Ele perdeu 60% da sua capacidade de produção e os sócios-in- vestidores cancelaram 450 mil reais que estavam previstos para serem investidos em 2014. Percebo, afinal, essa é a / Pasárgada de Ma- nuel Bandeira / oculta em oito milhões / de metros cúbicos de água / Eis aí meus caros amigos: / a vocês uma boa sorte / e muito progresso e ale- gria. Carlos Drummond de Andrade escreveu em 1973 o poema Os Submersos em homenagem ao município de Rubineia, 80 quilômetros mais ao norte de Ilha Solteira. Alagada pelas águas durante a construção da hidrelétrica, a cidade levava em suas ruas nomes de famosos poetas brasileiros. Menos poético, Brandão me respon- de quando pergunto quais as expectativas para o próximo ano. “Medo.”  j

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