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Amistad analise do filme

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Amistad analise do filme

  1. 1. História da Comunicação Professor: Cau PretoFilme: AMISTADProduzido em 1997, nos Estados Unidos.Diretor: Steven Spilberg.Elenco: Morgan Freeman, Anthony Hopkins, Matthew McConaughey, Nigel Hawthorne, Djmon Housou, David Paymer, Anna Paquin.Análise Crítica por: JURAY NASCIMENTO DE CASTROTEMÁTICA “O filme remonta ao ano de 1839, e retrata a saga de 53 negros africanos, queembora feridos na sua dignidade posto que lhes tirassem o bem maior de um homem, ‘odireito à liberdade’ lutam desesperadamente por reconquistá-la. A tentativa de fuga culminana morte da maior parte da tripulação do navio negreiro ‘La Amistad’ obrigando ossobreviventes a levá-los de volta à África. Enganados, desembarcam na costa leste dosEstados Unidos, onde são acusados de assassinato, e presos, enfrentando um longo epolêmico processo, infligido pela sociedade burguesa Americana num período onde asdivergências internas do país entre o norte abolicionista e o sul escravagista,caracterizavam um processo convulsivo de rompimento com paradigmas sociais.ENRREDO O enredo aborda o processo de julgamento dos negros sobreviventes, pelosTribunais Norte Americanos, 22 anos antes do início da Guerra Civil, num contextomarcado pelos conflitos internos e pelo acirramento das divergências do norte abolicionista,com o sul escravagista. O relato ocorre na passagem do século XVIII para o XIX, quandoos Estados Unidos, recém-independente e ansioso por tornar-se uma nação forte ereconhecida perante o mundo capitalista. O norte americano, abastado pelas riquezasacumuladas durante o período colonial, criou condições favoráveis para o desenvolvimentocalcado na mão-de-obra livre disponibilizada pelo trabalho assalariado.
  2. 2. História da Comunicação Professor: Cau PretoJá o sul, permaneceu estagnado com uma economia agro-exportadora de algodão e tabacobaseada no latifúndio escravista. É neste contexto que se desenrola a historia deCinque que junto com seus companheiros são capturados em sua tribo por traficantes deescravos e vendidos a espanhóis. Durante a viagem a sede pela liberdade levam-nos a uminevitável motim, onde acabam por dominar a tripulação. No entanto, desconhecedores daarte da navegação e sem o domínio do idioma dos seus algozes, é inevitável que sejamenganados, e o ‘Amistad’ acaba sendo interceptado em águas americanas, pela guardacosteira inglesa, nação que se opunha ao tráfico de escravos, e são assim conduzidos aosEstados Unidos, onde sãos acusados de assassinato pelos 2 espanhóis sobreviventes.Inicia-se então uma batalha judicial entre os negros representados por Cinque, defendidospelo jovem e então desconhecido advogado branco Sr. Roger Baldwin, contando com oauxílio de dois abolicionistas. No entanto, esta trama se torna complexa na medida em quediante dos tribunais se revelam os ambiciosos conflitos de interesses. O então Presidente Americano, mais preocupado com o seu “brandy” do que comum punhado de vidas de negros que lhes são indiferentes, procura agradar osescravagistas, que lhes renderão votos oportunos e entra nessa batalha com o propósito deestabelecer uma relação promiscua entre Executivo e Judiciário que lhe permita manter-seno poder. ‘No tribunal quem conta a melhor história vence’, afirma o ex-presidenteamericano e abolicionista John Q. Adams, que mais tarde irá intervir junto à SupremaCorte, em favor de Cinque e seus companheiros com talentoso discurso argumentativo, quelhe confere uma brilhante atuação. O Sr. Roger Baldwin intuitivamente sabe disso, e lutaobstinadamente por desvendar o código da comunicação que possa esclarecer os fatos,elucidar as verdades que forneçam subsídios às suasargumentações de defesa. É espantoso como descobrimos neste filme, o modo como oprocesso de decodificação da comunicação derruba barreiras e desvenda o mundo. E, istose revela na atuação de Cinque, que despe-se da aparente imagem de homem tribal,primitivo, e sob este pretexto é imaginado rude e inferior pelos soberbos lordes dasociedade escravagista americana. Nem mesmo o Sr. Noliburne, na sua zelosainterpretação da promotoria, consegue calar a dignidade e o obstinado grito de liberdade,quando mesmo sem dominar o idioma inglês, Cinque reclama pelo seu povo o direito de sefazer compreender, bradando perante o tribunal: ‘Deixa nós, nós livre! Deixa nós, nós livre!Deixa nós, nós livre!’.
  3. 3. História da Comunicação Professor: Cau Preto Este nobre negro africano se revela culto, quando se permite interpretar as gravurasda Bíblia, e não só demonstrar a compreensão do seu significado, mas também estabelecerparalelos com a sua própria cultura. Revela-se nobre quando compreendendo a torpeza dahumilhação que lhes atinge ao trilhar pelas ruas acorrentados como animais, a caminho dotribunal, insiste junto a um dos seus companheiros que mantenha a cabeçaerguida. À sombra destes argumentos, é inevitável que se reconheça no personagem apessoa de um homem livre. Mas há valores sociais que nem mesmo o mais profundoconhecimento de comunicação permitirá decodificá-lo. No mundo de Cinque caciques sãocaciques e homens têm palavra, e é inconcebível em sua cultura, que aquele a quem seconfira autoridade para fazer justiça não tenha autoridade para manter a sua palavra. Mas ainquietude é mensageira da razão, e Cinque só se tranquilizará diante do discernimentoque lhe devolva a paz. É, então, em John Q. Adams que Cinque aposta suas esperanças ecompreende a necessidade de confiar. O que agora está em jogo não é mais o mérito dasua liberdade, e John sabe disto. O seu argumento de defesa rico e contundente invoca amais alta corte Americana a perceber-se que fosse este negro africano um homem branco,ganharia medalhas e honrarias, escreveriam-se sobre os seus feitos e contaria-se a suahistória nas escolas. Diante de tão densos argumentos mostra-lhes que ao negar aliberdade só lhes restará por dignidade, rasgar as suas próprias leis. Vence assim a razãoàs ignorantes ideologias, vence Cinque e seu povo por não vender sua liberdade edignidade ao preço do medo desesperança e humilhação”.Disponível em: http://pt.scribd.com/doc/46491104/SINTESE-CRITICA-AMISTAD - acessado em: 10/05/2011Análise Crítica por: BRUNO SANCHES RANZANI DA SILVA A indústria cinematográfica é hoje uma das empreitadas artísticas de maioramplitude, e suas imagens carregam aos espectadores as maravilhas do avanço técnico eo entretenimento surreal. As imagens, o texto, as cores, a música, a produção, sãoelementos que vão além do mero apelo à atenção consumista, a imagem vendida comoentretenimento carrega consigo a visão de um produtor, de um sistema engajado nafabricação daquelas imagens e que pretende, através de sua obra prima, dizer-nos algo.Um filme possui um discurso, uma forma de compreender um acontecimento: a
  4. 4. História da Comunicação Professor: Cau Pretoproposição é apresentada desde início, os argumentos desenvolvidos, os personagensjogam seus conflitos e o desfecho conclui a retórica, mas não a discussão. A idéia, se bemdesenvolvida, é capaz de fixar sua preferência na mente da audiência, será levada,pensada, consumida e, como espera a produção, internalizada no campo das práticas (Hall,2006). Por mais que esse seja o final de uma transmissão perfeita, sabemos que,como qualquer discurso, não serão todos que tomarão as imagens como absolutas.Possivelmente haverá uma reflexão cuidadosa e as idéias transmitidas poderãosimplesmente ser descartadas sem qualquer absorção. Poderão também ser ingeridas,digeridas e absorvidas parcialmente, transformadas, reduzidas, ampliadas, re-significadas(Hall, 2006.). A argumentação até esse momento, baseada em idéias desenvolvidas por StuartHall e Roland Barthes (Barthes, 1999; Hall, 2006.) observa a produção cinematográficacomo um meio de transmissão de informações e modelos que sofrerão alterações emdiferentes momentos de codificação e decodificação. O cinema deseja transmitir umconceito e espera que esse seja tomado e dilatado. No entanto o caminho não é tãosimples. De acordo com Stuart Hall, qualquer acontecimento deve ser primeiramentetransformado em narrativa para então se tornar um evento comunicativo. Essa narrativa é oque ele chama de ‘forma/mensagem’, momento que recobre o evento e cuja mutabilidade écaracterística. Em outras palavras, uma vez que o evento é traduzido em narrativa, eletorna-se um discurso que pode ser, e é moldado. Nessa variação, são ativos o orador e aaudiência. Os produtores, de cinema, implicam sua ‘preferência’ no filme e esperam que elaseja compreendida pela audiência em uma transmissão sem interferências. Mas os códigosproduzidos irão atravessar um filtro/molde ideológico (de pertença social ampla) e diversosparticularismos que transformarão a mensagem recebida. Basicamente, trata-se da ‘belezanos olhos de quem vê’. A mensagem será recebida, trabalhada pelo nosso campo cognitivoe internalizada, ou rejeitada, de acordo com nossa preferência. Hall ainda posiciona três possibilidades de decodificação. A primeira seria atransmissão perfeitamente clara, ou seja, a codificação do produtor chegou à audiência namesma forma com que foi produzida, e dessa igualmente reproduzida nas práticas. Asegunda, ‘negociação de significado’, é uma aceitação parcial dos sentidos recebidos. Acomunicação recebe uma resposta crítica do espectador, que legitima o significadoproposto, mas tenta inseri-lo em seus mecanismos. A terceira é a negação. O código
  5. 5. História da Comunicação Professor: Cau Pretorecebido é plenamente compreendido, mas seu receptor se nega a sedimentá-lo, tomandouma posição oposta à proposição, agindo de acordo com a sua preferência. Em sua própria época, o caso do La Amistad provocou comoções, era um eventoque tocava com precisão em questões de acirrado debate na sociedade americana naprimeira metade do século XIX: abolicionismo, humanismo, além dos embates políticosencarados por um período de (re) eleição e defesa de acordos internacionais posicionam ogoverno no centro do conflito. Acatar a Espanha (a imatura Espanha, caracterizada nofilme pela infantilidade da rainha, que insiste na revisão do caso em favor dos fazendeiroscaribenhos) e os interesses econômicos sulistas, ou apoiar as políticas morais quetomavam força com o crescimento da campanha abolicionista e com a pressãointernacional (principalmente inglesa) pela extinção completa do tráfico atlântico. O ‘líder’ da rebelião a bordo, Sengbe Pieh, mas chamado de Cinqué pelosamericanos, foi o foco humano de todas as discussões. Ele dizia ter sido um pacíficoagricultor de arroz antes de ter sido capturado e vendido como escravo; seus inimigos odiziam ter sido um traficante de escravo. Seja qual for o caso, ele claramente possuia ocoração de um guerreiro e o carisma que atingia a todos que o viam. Na arena da opiniãopública americana, ele ganhou personagem complexas e multifacetadas. Para os donos deescravos, ele se tornou um ‘bixo-papão’ sedento de sangue. Para euroamericanospersuadindo-se de que os negros eram racialmente inferiores, ele tornou-se uma bestaselvagem. Para os românticos, um nobre selvagem. Abolicionistas o aclamaram como umícone de liberdade. E, para abolicionistas afro-americanos em particular, ele torou-se umsímbolo de virilidade e herança africana”(Dalzell, 1998, p.129). Podemos observar ainda,como não poderia deixar de faltar na sociologia biológica do século XIX, que o heroísmo ehumanidade do líder negro lhe são naturais. A produção de Spielberg joga com as identidades de abolicionistas e africanos,cenas de impacto, como o grito de Cinqué, e de cooperativismo branco, como a procura porum falante de mende/inglês. O filme parece querer manter o equilíbrio entre um heroísmocru e defensivo e um heroísmo jurídico. O líder dos revoltosos é guarnecido de um statusbruto, mas é suficientemente consciente para entender o sistema jurídico americano,fazendo uma série de perguntas para John Quincy Adams na tentativa de controlar seudestino e de seus companheiros. Ao mesmo tempo o jovem advogado Baldwin porta, nofilme, o caráter de um homem que lida com questões de posse, e desenvolve, ao longo danarrativa, a verdadeira consciência humanista. Da mesma
  6. 6. História da Comunicação Professor: Cau Pretomaneira, a descoberta da Bíblia por um dos africanos, tenta aproximar África e América nacomunhão (sentido até mais que literal) de uma mesma fé na salvação humana, e no direitosagrado à vida. Apesar das diferenças, ambas as raças são frutos da mesma essência. A cena da conversa entre Cinqué e Adams (John Quincy Adams, ex-presidente quese engaja na defesa abolicionista e participa do processo do Amistad no final), com váriascenas em primeiro plano, coloca as duas esferas do heroísmo histórico em acordo. Setrata de buscar uma intimidade maior entre dois líderes sociais. No fundo, ambos evocam aancestralidade como força de consciência para defender uma justiça comum a todos oshomens (que são, em suas raízes, todos iguais). Esses artigos permitiram analisar a construção imagética de um eventohistórico de intensa e diferentes rememorações. O acontecimento gira ente seusobservadores tanto no passado como no presente. A produção fílmica moderna é resultantede um desses giros, produzido por indivíduos conhecedores do evento e que pretendemretorná-lo ao domínio público imprimindo nele, conscientemente ou não (isso no momentonão nos cabe julgar), suas interpretações. Uma vez transmitida a imagem que contempontos comuns relativos à um momento histórico socialmente conhecido, teremos novasinterpretações, tanto às que já haviam sido feitas da fonte primária (evento) quanto de suareprodução (filme). Os heróis, concepções, apreços foram refeitos pelo cinema e serãomais uma vez refeitos pelo público. O fluxo semiológico que percorre os meios decomunicações atuais e atinge um número gigantesco de pessoas (a mass media) não éuma simples via de ida e volta: produção, codificação, delivery e consumo; tal modelo seriasubestimar um corpo social múltiplo e diversificado, massificações a parte. O filme e suahistória, um novo documento-monumento, é talvez, antes de uma objetividade histórica,uma perseverança da memória coletiva em suas diversas formas. Por fim, a construção de um caráter ou de um modelo sancionado pelos eventos dopassado amplia seus horizontes quando feito material. A cultura material (compreendidacomo todos os vestígios físicos de produção humana (Funari, 2003)) ganha importância porser o resquício da tradição. As edificações em ruínas, os artefatos desenterrados, osoriginais comprados, os escombros visitados e as embarcações mergulhadas todos sãoremanescentes de uma era, quando não fantástica, essencial. Segurar um objeto dealgumas centenas de anos nos envolve na retrospectiva de uma época que não vivemos,mas com a qual nos identificamos. Possuir uma pedra de Gizé, uma ânfora do Lácio, uma
  7. 7. História da Comunicação Professor: Cau Pretoporcelana da China ou uma cruz do Atocha é possuir a evidência física de uma imagemremota. Afinal, nas palavras de Mortimer Wheeler, a arqueologia não escava coisas, maspessoas (Wheeler, 1961).Conclusão As apropriações do passado como instrumento étnico do presente é uma relaçãoconflituosa entre medidas e poderes da própria contemporaneidade. O valor que atribuímosà existência de uma anterioridade é somente relevante quanto útil for essa anterioridade,seja por saciar o curioso ou, como no caso, por significar a vida de uma verdade. Não noscoube, nesse trabalho, julgar as apropriações, embora reconheça a subjetividade denossas próprias “críticas analíticas”. Buscamos uma projeção do que foi o tráfico, eobservamos as respostas daqueles que assistiam o mover das sombras no fundo dacaverna, tentando descobrir quem era quem. O que podemos averiguar não foi apenas amultiplicidade interpretativa de um evento histórico-social, mas que o absolutismo sóimporta quando importa sua hipótese, e cada defesa será tão ferrenha quanto for pesada adependência na imagem.Disponível em: http://www.historiaehistoria.com.br/materia.cfm?tb=alunos&id=113 - acessado em: 10/05/2011

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