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Educacao Literária

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WILDE Oscar_O príncipe feliz

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WILDE Oscar_O príncipe feliz

  1. 1. (ru 4 nr) Educacao Literária lt-Irura _- r -, |_. _¡ _i1 r. . ZZ"""'°"" ; g- n: 1794;, % É' ' TA¡ »~'7ÍÍÍI_| ,_-ÍÍIK: l? OHú-LWYIIF-Ig; V 4°ano Lokume u 51h M. l Í¡ WIN» â Guíõcs de Exploração e ñchas de Leitura
  2. 2. O PIOUICÍQC FCM¡ I. : 'n1¡n. .«n_nn. nl.1 . _u_'. .nir mmn alt. : HÍHHJ ugu1.¡-~-. .¡ -, .Lmua«›| '!1I1<1po: |Ll¡¡. [mt-ltlwn'x^~lidt<zh nn» ruãlmx m- uuru ç rmhJ ; mr ulhm. duas hnlhqntu um» x1-›¡nunnn~ d. : um . vg-ML. umxãau . nn KHHIIHL rum Ir. : ¡m! (ud-m ! mntu . nlmlrmln -I iu In «amu um < . HA u nt» nnwnun 4HlmInsl11x^HÚWII «lu knnwlhn d. : tl-Lnlz_ qua' [WtlLIhÍLl [LHNII : m: um hnunun m hum ; mtu . nnxlnu ›wr¡. ¡u-'! .1u= .xt| | . nr-w. wnlnn [nun mu¡ Inmn uh ngm- n lwmnxxvlv¡ ; mr hmm-Hr pumu pmluu u qu( Ít I. nt. ›¡1.1--ur. ¡ - | '~›. ~'a¡ux- nu- › cx tu uunu <- Prmupr évhx' ~ ptlikllllul¡ um «| I.I1mmllLk-. nvÚlhuqtla'ÍhcpuímdElm nHHLHhÍc- - U Pnna : pv: Írll/ num. : w Iunhrarn¡ «lr LHWÉJF ¡u-r um. : v1çnl111n¡. ¡ unLn ! um ¡lJr lu nn mxmsln quun »v1.4 Intumnuyzutm- t; hm murmuruu mn hmm m Avuhul1.1-› . m . .nznvxnpnr . z . nhznrax -. 1 Lmm r Ibn-u. nu-xmn um . nun r «QI/ mm : lx n x nmux . Lux «AMM «| -. mrmudr . nn xnrun L1.: t . nlvdml «um . z~, _.¡¡. :~.1~. x LH' nx . w lah v; m. inhu muito hhlllun -1 uma n mhus' ~ nhxcnnnt¡ c¡ ¡vhnmuvz du IJÍUIILIHLJ 7 num. )ntc~r1c¡1!¡ux1x
  3. 3. - Ah! Temo-los visto em sonhos - responderam as crianças. E o professor franzlu o sobrolho e tomou um ar severo, por- que não aprovava que as crianças sonhassem. Uma noite, voou por cima da cidade uma Andorinha. As suas amigas tinham partido para o Egito havia seis sema- nas; ela, porém, deixarzrse ñcar, enamorada como estava de um ¡unco formosa. conhecem-o nos princípios da prí- mavera, no momento em que descia o no atrás de uma grande borboleta amarela, e por tal forma se sentiu atraída pela sua cintura esbelta que parou para lala: com ele. - Queres que eu te ame? - perguntou a Andorinha, que não gostava de perder tempo com rodeios. E o Junco fez-lhe uma profunda vénia. Voou, então, repeti- das vezes ã roda dele. tocando a água com as pontas das asas e produzindo mil ondulações de prata. Era este o seu modo de lhe fazer a corte, e prolongou-se por todo o verão. - Que ligaçao tao ridícula! - chllreavam as outras andorl- nhas. - Ele nao tem dinheiro e tem muitos parentes. E, na realidade, o rlo estava cheio de Juncos. Entao, quando o outono chepu, todas as : Andorinhas se foram embora. Depois de elas partlrem. a Andorinha come- çou a sentimos multo só e a enfastlar-se do seu amado. - O Junco não sabe conversar - disse ela - e receio que seia um pouco leviano, porque está sempre a requestar a brisa. 10 . .., ... ... ..-. -.-. .,. ,.. .a-. .~. .. E, de facto, sempre que a brisa soprava, o Junco fazia-lhe as mais graciosa: corteslas. - Reconheço que e' caseiro - contlnuou -. mas eu adoro as viagens e o meu esposo deve, por consequênda, gostar de vlahr também. - Queres vir comigo? - perguntou-lhe. por tim. Mas o Junco abanou a cabeca; era demasiado apegado ao seu lar para poder segui-la. -Tensarldadonbrlmarcomlgo-dlsseda-Vmpartír panasPlrâmldesJldeus! Ecomeçouavoanvoouodlalmelroeànoitechegouà lacrado_
  4. 4. - 0nd(- hei de instalar-me? - pensou. - . › cidade deve catar preparada para me receber. E viu então a estatua do lhncirw Feliz sobre: a alta coluna. - Vou instalar-me ali - murmurou. - Espléndida situação e muito ar. E to¡ pousar entre os pes do Principe Feliz. - Tenho um quarto dourado - disse baixinho para consigo, enquanto olhava em rcxlor e se ; irc-parava para dormir. Mas no momento preciso em que ia meter a cahccila debaixo da asa. caiu-lhe em cima uma grande gota de água. - F extraordinário! ~ exclamou, - Não há uma ao nuvem no céu, as estrelas cintilam e. contudo, está a chover! O clima do None da Europa o realmente: horrivel. 0 Iunco gostava de chuva, mas era apenas por egoísmo. intao, caiu uma nova gota. - Para que serve uma estátua - disse -, se náo e capa¡ de proteger da chuva! lenho dr procurar uma boa chaminé. l dispunha-se a levantar voo_ Mas. antes de abrir as . nas. uma terceira gota caiu. levantou os olhos e viu. .. Ah! Que viu ela? Os olhos do Pfllldpt' Feliz estavam cheios de lagri- mas, e lagrimas lhe hanhavam as faces do: ouro. 'Tao belo era o seu rosto, batido pelo luar. que a Andorinha sentiu-s(- cheia de compaixão_ ? É - Quem és ru? - perguntou-lhe. - Sou o Príncipe FeliL _ porque choras, então? Encharmste-nle P0¡ CONN? ”- . . Quando eu en vivo e tinha um coração humano - pondeu a estátua - não sabia 0 q"? "am lag-ums' pm? vivia no palácio de 'Sans-Soucí'. onde é VM? ” ° “m” ' dor. De dia brincava com os meus companheiros nO hmm' e à noite dirigia a dança no grande salão de baile. O jardim era cercado por um muro muito alto. !t3 0043311063 Pe": gm guntar o que estava para alem e. em redogcera belo. Os meus cortesàos chamavanrme PnnClPe Feliz. e eu era feliz. de facto, se o prazer e felicidade. Assim vivi e assim morri. E agora. que 6510" m°“°- m¡:1°“m'_'"_° nesta coluna. tão alto que posso ver toda a tea¡ e e mise 'na da minha cidade; e. embora o meu coração sela de não posso deixar de chorar.
  5. 5. - Quéf llle não é de ouro maciço? - disse consigo mesma . i Andorinha. que em suficientemente educada para nim fazer observações ¡x-ssoais em voz alta. - Lá lrsnge - continuou . i estatua numa m¡ luis. : v: musical -, num¡ pequena ma, há um. : (as. : rxwbrc. Um. : janela esta aberta e por ela vein uma mulher sentada a mesa; tem as faces magras e causadas, o . is mãos vermelhas e lendas da agulha, pois (- costureira. Está . i bordar dores de martírio num vestido dc cetim que a mais bela dum. : de honor da rainha ha de xcstir no próximo baile da Corte. Num leito. .l um canto du quarto, est. ; u . seu filho Lim-nte: tem febre c pede Iaranias. A mac nada tem para lhe dar alem de água do rio, o: por isso ele Chora. Anciurinha. Andorinha, querida Andorinha, queres tu lcvqiplht' o rubi du punho da minha espada? Os meus pés estão soldados . i este pedestal c nao posso mover-mu. - ihspemm-me no ! agito - respondeu . i Andorinha. - . s minhas amigas andam a voar pelo Nilo e a conversar com as grandes llorcsAc-loius; em brcx e irão dormir no túmulo do Gnndc Rca. O próprio Rui está la' ainda no seu caixão colorido. envolto cm linho amarelo e embaluimadr) em asspccurias. .o pescoço tem um colar de ¡adc wrdc [LÍHÓO L' as suas mãos são como folhas secas. _ . ~ ~ , rnha - disse o - Andorinha, Àndoflnhd- *Wma* *"*_*°' _ nohcú Princiliv: -. nào queres P°mHn°VÚ '5°'“'S° m “tab . , s 1 o *qucnitn . irdc da: - c- rt. L' J ser . i minha mcnsagura. px mãe está tün M5193 - l-. u não simPülizo com os UNB” ' “Tüícou a 'mdormhlf' - No verão passado, quando om avpelo no, han. : rapazes maluiados, os filhos do moieiro, que estaxarptnêlm Pre : i ; itimr-me pedra*- L da") que "Emíehlf : :na cu pomue mas, as JHÓOFÍDÍIIIS, xoamos muito dkdj_ descendo de uma família famosa pela su. : 4), ' ¡ J *- mdg, cra um. : Lilia de ! espum-
  6. 6. “as o Príncipe ñcnu tão triste que a Andorinha teve pena. - . qui está muito frio - disse ela. « No entanto, pe rmane- cerei contigo uma noite. c se rei . i tua mensageiro. - Muito obrigado. querida Andorinha - disse o hincipe. . Andorinha ; arrancou então da espada do Príncipe o grande rubi, levando-o no bico por cima dos' telhados da cidade. Voou junio da tom- da (Latedral. onde estavam unculpidos anjos brancos de mármore. Passou pelo Palácio u. - ouviu os sons de uma dança. Uma linda rapariga saíu para a varanda com o namorado. - Como são belas as estrelas - disse-lhe ele - c quão forte é o pode: do amorf - Espero que o meu vestido estcia pronto para o baile de gala - respondeu ela. - Mandei que lhe bordassem num¡- rios: mas as rvstureiras são tão preguiçosasf travestsou o rio c viu as lanterna* 61"” Pcndum dos 'mw A . - ~ v ' 'to * observou os ve 05 "os dos navios' Passou wbn o bm dotdinhçim em balan. . - ' n ludüb “cgmundc en": S1 e Pesa Pobre e eíPreitou. 0 _ Por ñm C egou . a (Asa _ cas de sobre 'a 'a se lebrilmcnte no leito e . a mão: tinha pcquenito . agr : n - › b, sob": . , › - - i 'ouo mnduu l "domjmdo dt rddign' En? ?? L c? (foou dfxcmeme ã roda _¡ mesa_ ao Lid0 dO deda . *P05 = › ' do-lhe a fronte com JS da cama do pcquemto, refresc-m J SJS. . , - ' - disse o pequeno. - Dewo esta! , tomo me sinto fresco. muito melhor.
  7. 7. E caiu num sono delicioso. A Andorinha voltou para iunto do Principe Feliz e contou- -lhe o que tinha feito. - É curioso! - observou. - Agora sinto calor, apesar de estar tanto frio. - É porque praticaste uma boa ação - respondeu o Príncipe. EaAndorinhacomeçouapensareadormec-eu. Pensar fazia-a sempre dormir. Ao romper do dia. voou para o rio e tomou um banho_ - ue fenómeno tão ram! - disse o rnlessur de Umitolo- P gia que passava na ponte. - Urna andorinha no inverno! Eescreveuumalongacartaparaagazetalocalsobreo assunto. Toda a gente a citava porque estava cheia de pala- vras que ninguém compreendia. - Esta noite parto para o Egito - disse a Andorinha, muito alegre com essa perspetiva Visitou todos os monumentos públicos e esteve muito tempo pousada no cimo do Campanário da igreia. Por onde quer que passava, chilreavam os pardais uns para os outros: -Queestrangeintãodistintai . nun-Mun -. .. __. ,i, ua. ... .s E isso Va' T ' da lh muito prazer Quando a Lua nasceu. voltou par¡ ¡unto do Príncipe Feliz- Tens algum recado Para 0 58H07 ° Pemlmmu' ' vo" pa'- u¡ agora mesmo. . - - di - Andorinha, Andonnha. qlleñda 'Andonnha i : se o pgmçjpe -, não queres passar mais uma noite com 8°-
  8. 8. - Esperam-me no Egito - respondeu a Andorinha. ~ Ama- nha as minhas amigas voarao para a Segunda (Latarata. É ali que o Hipopótamo se deita entre os ¡uncais e o deus Mcmnon se senta num grande trono de granito. Toda a noite contempla as estrelas e, quando despontar a estreia da manha, .solta um grito de alegria e emudece de novo. Ao meio-dia leões lulvos descem à margem do rio para beber. Os seus olhos : :no verdes como os berilos e o . seu rugido é mais forte que o rugldo das cataratas. - Andorinha. Andorinha. querida Andorinha - disse o Principe -, longe. muito longe, veio um jovem numas . iguas lurtadas. l-Lsti¡ debruçado sobre uma mesa cheia de papeis e num copo. a seu lado, há um ramo de Violetas marchas. O seu cabelo e castanho e ondulado, os seus lábios sao vermelhos como a roma e tem uns olhos grandes e sonhadores. Tenta acabar uma peça para o diretor do tea- tro. mas está muito frio para escrever mais. Nao há lenha no fogao e a fome fà~lo deslalecer. - Ficarei contigo mais uma noite - disse a Andorinha. que tinha realmente um bom coraçao. - Queres que lhe leve outro rubi? - Ai! _lã nao tenho mais ruhis - disse u Principe Feliz. - só me restam os meus olhos. São duas raras satiras hr¡ mil anos trazidas da india. Arranca-me um deles e leva-lho. Ele vendé-lo-á . n um loalheiro, compraria comida e lenha e aca- bará a sua peça. - Querido Principe - disse . u Andorinha -, nao posso fazer semelhante coisa. i F. pós-se a chorar. . « _disse Prin- - Andorinha. Andorinha. atual** ^"°°““"*' ° up. ; -. faz o que le mundo. s _. . _ . 1 i. Estudante. 1 voou cm direçao as aguas-furtadas onde V 1° Ent 'io 'n ndorinha arrancou um dos olhos do Príncipe t' . a I
  9. 9. Era muito fácil entrar lá por um buraco do telhado Passou POr ele e penetrou no quarto. o Estudante tinha . u cabeça enterrada nas mãos e não ouviu o sussuno das asas da ave. QWWÍO ergueu 05 Olhos, encontrou a formosa sam-a ; cpm as Violetas marchas, - Começo a ser apreciado - exclamou. - Isto deve vir de algum grande admirador. Agom já posso acabar a minha peça - e sentiu-sc muito lellz. No dia seguinte. a Andorinha desceu ao porto. ?ousou no mastro de um grande navio e viu os marinheiros tirarem grandes arms do porão por meio de cordas. “Upa acima! " - gritavam eles, .x md: : arca que subia. - Vou para o Egito - dim a Andorinha. Mas ninguétn lhe prestou atenção, e quando a Lua nasceu voltou para junto do Piíncipe Feliz. - Venho dizer-le adeus - exclamou. - Andorinha, Andorinha. querida Andorinha - disse ele -, não queres licar mais uma noite comigo? - É inverno - retorquiu ela - e a Iria neve em breve chegará aqui. No Egito o sol é quente sobre as palmeiras verdes e os crocodilos estendem-sc no lodo, olhando em volta, pregui- çosamenle. As minhas companheiras constroem um ninho no Templo de Banlbec e as pomba: brancas e corda-rosa seguem-ms com a vista e anulham entre si. Tenho dc u: querido Príncipe. mas nunca te esquecerei. Na pró- xima mímavera he¡ de ! nur-le duas lindas joias em lugar daquelas de que te dcsñzeste. O mb¡ será mais mbro que uma rosa vermelha e a safira será am! como o mar imenso. U , x_
  10. 10. - Lá em baixo na praça - disse o Príncipe Feliz - está uma rapariguinha que vende ÍÓSÍOIOS. Deixou-os cair na valer. : e estragarzrm-se: o par bater-lhe-; i sc não lhe levar para casa algum dinheiro, c por isso el. : chora. Não tem sapatos nem meias. Arranca-mc o outro olho e low-lho, e o pa¡ não lhe batera'. - Ficarei contigo mais uma noite - disse . l Andorinha -r mas não posso arrancar-tr- o outro olho. Frcarias completa- mente cego. - Andorinha, Andorinha, querida Andorinha, fa¡ o que te mando - disse o Príncipe. . Andorinha ; irrancrwu-llu- então n outro olho e partiu com ele. .to ¡Lmar ¡unto da rapariga, deixou-lhe cair . i ¡oia na palma da mão. - Que bonito pedaço de cristal! - exclamou ela, e correu para casa. muito contente. A Andorinha voltou para ¡unto do Príncipe - Agora estás cego - disse ela - e ficarei contigo par: sem- pre. - Nao. querida Andorinha - respondeu ele -. tem de partir para o Egito. - Ficarei sempre mntigo - disse . i Andorinha; e adormece-u . ros pés do Príncipe Feliz. w
  11. 11. Todo o dia seguinte esteve pousada no ombro do Príncipe e contou-lhe histórias que tinha visto em terras estranhas. Falou-lhe dos mis-vennelhos que param em longas fileiras pelas margens do Nilo e apanham com o bico peixes encar- nados; da list¡ ngc. que e tào velha como o mundo, que vive solitária no deserto e tudo sabe; dos mercadores que caml~ nham xagarosamente ao lado dos' seus camelos e trazem nas mãos contas de âmbar; falou-lhe do Ret das Montanhas da Lua, que é preto como o éhano e ; idora um enorme cris- tal; da grande serpente verde, que dorme numa palmeira e que vinte sacerdotes alimentam com bolos de mel; e dos pigmeus, que navegam num grande lago, embarcados em largas folhas, e andam sempre em guerra com as borboletas. v Tu contas-me coisas maravilhosas, querida Andorinha! ~ disse o Príncipe Feliz -1 mas ainda mais maravilhoso que tudo ç- o sofrimento dos homens e das mulheres. Não há mistério algum tao grande como a hilseria. Voa sobre a minha cidade. Andorinha, e diz-me o que lá m. Então, a Andorinha sobrevoou a grande cidade c viu os ricos' a divertiram-se nas suas moradias sumpmosas e ns pobres sentados aos portões. Voou até meias escuras e viu as faces pálidas de crianças que morriam de fome, olhando distraidas para as ruas sombrias. Debaixo do arco de uma ponte estavam deitados dois rapazitcis. abraçado: um ao outro pa ra sc aquecerem.
  12. 12. - Temos tanta fome! - diziam eles - Não P°d9m estar aqui! - di; .n, ~ mm para a chuva' se es o Guarda: e eles sar- A Andorinha | ~ . _ que vira. v0 'ou para 'uma '10 prmdP? t* disse-lhe o - EU estou coberto de fino ouro - disse ele Tens de ti á l - ' r › o - a › . folha a folha e da' to sem j os meus pobres_ os ¡wm mudam t re que o ouro pode faze-los ! dizes Folha após folha de ñno ouro arran . A ' - que o Pnncipe ñcou todo feio e negromrolaha : :ZZTJÊÀÊQ ' e ñno v ouro levou aos pobru. e as faces das criancinhas ganhavam cor e elas riam e brincavam nas mas ' Agora 'emm P50 - diziam elas. m. .., um¡ . -y-i naun-nua. .. g , ,, i i É Í É Por tim, chegou a neve e, depois da neve, o gelo. As ruas estavam tao brancas e brilhantes que se diriam feitas de prata. compridos pingente-s. como adagas de cristal, pen- dlam dos beirais dos telhados; toda a gente se vestia de peles, e os rapazinhos. com os seus hanetes escarlates, pati- navam no gelo. A pobre Andorinha tinha cada vez mais frio. mas não queria abandonar o Principe que tanto amava. Apanhava migalhas à porta do padeiro, quando ele não via, e procurava aquecer-se batendo as asas. Por fim. con~ tudo, reconheceu que ia morrer. Mal teve forças para voar mais uma vez para os ombros do híncipe. - Adeus. querido Principe - disse baixinho. - Deixas-me beijar a tua mao? J
  13. 13. Ainda lxsm quc pariu. nnalnu-ntv, para o Fgiin ~ «ll-mc o Príncipc. r l-ístivnir' aqui muitu icmpu, mas r nm labios quo. - tluvcs hcliar-mu, porque lu amu muito. - . Nao à para u lgitn que uu mu ~ wspondci¡ a Andorinha. a Vou para a Laxa da lxlorlc. A Morto ú irma do Sono, nan ü Ycrnladu? ln. (lim-ndo mo, hciluu n Príurlpc nm lahins c caiu muna a wus pm No mnmn inslanlu, um cstranhr) cxlalidr) soou rlcnlnn da cstalua, como w . llguma guisa w llvmw qnt-furado. lí real- mcnu- n ruragnn (lc chumbo tinha-su parlidn em dois. l-. xlava, wm Lluvida, um lrin muito inlcnso. . 'a manha scguinlu n Pn-xidcntn- da ridadc. um mmpanhia dos (hnsclluiros, pavsuava na praça An p. l'. II'L'lI| pula coluna, olhou para . l t'_l. llll. l r cxclaliiull: v Santo Dum! Quo nlisvnivcl ; npclu ! um u Príncipe! › Qur- miss-raw] asp-cio, na VcrdadL' - rxclaniaran¡ m( on› sulhciros, quu cram wmprv da opiniao du lüvsidcntv. l-Í subiram¡ para ohsvrvar a cslalua.
  14. 14. - Caiu-lhe o rubi da espada; perdeu os olhos, e todo o ouro desapareceu - exclamou o Presidvnlc. - Realmente. é pouco mais que um nwndngo. ~ Pouco mais qua: um mendigo - repetiram os (íonselhciros. - L ale com um passam morto aos pés! - LUHÍÍHUOU o Pre- sidente. - lemos' de publicar um decreto proibindo as aves do: viver e morrer aqui. l: u Secretario tomou nota da sugcstíni). i- apcaram : :nuno a estatua do Príncipe Feliz. - Lomo , a nao ú belo, já rtao c útil - disse n professor de Historia da Arte da Fnrvcrsídadc, Lntào tundiram a estatua num tomo e o Presidente como- (uu uma . issi-ntblcia da ("orporaçaia para dcúdirent o que hat ra de lazer-xe (mn o metal. Temos do ronstmir outra estatua, evidentemente - disse ele -. e ser: : a nninha. ~ . minha ~ disseram lndns ns (Íonwlheiros. e (UmUÇJfZlm e discutir. Da ultima vez que ouvi falar (lclcs, discutiam ainda.
  15. 15. - Que coisa (ãu estranha! - dissc o capataz da fundição, - Este coração de chumbo não funde no turno. Temos de dená-Iu fora. E ancvncssaram-no para um montão de lixo onde se encon- trava também a Andnrinha morta. ~ Traz-me as duas coisas mais preciosas que houver na cidade - disse Deus a um dos seus Anios; e O. -l1i0Í›L''0u-H1C^ u cumgàn dc chumbo e a Andorinha marta. - Escolhcste bem - disse Deus. - No meu jardim do Pamíso esta avczinha Lanlará etemamcnte c na minha Cidade: de Ouro u Principe Feliz adomt-me-á. 42

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