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2. CANHAMO E SAUDE I 31

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6. A CANNABIS NOS ESTADOS UNIDOS I 88
Canabismo na América.  88

As pnmeiras proibiooes da droga,  89

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O Grande Livro da Cannabis

 

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O Grande LlVl’O da Cannabis

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O Grande Livro da Cannabis

 

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O Grande Livro da Cannabis

 

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O Grande Livro da Cannabis

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Guia sobre uso industrial, medicinal, ambiental e espiritual.

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O Grande Livro da Cannabis

  1. 1. , , % L%'pE§§3‘ C’ANNAB1;, Av: M ax»
  2. 2. Rowan Robinson cg/ RANDE - 1 K0 ])Ao CANNABIS Guia completo de seu uso industrial, medicinal e ambiental fiaducéo: Maria Luiza X. de A. Borges Revisso récnica: Rogério Rocco Bacharai um Diraflo. Sub-secrelario do Meta Ambienta, Nirardi/ RJ com a oolaboraqéo de: Denise Baptista Alves Engenheira Flolestat Fitassarunnisla. Diretora do Insmum Esladual dc Fforesms Jorge Zahar Editor Rio de Janeiro
  3. 3. Tilulo original: The Great Book olflomp: me complete guide to the enwhanmenml colmnemial. aridmedrbiiml uses 0/ the world’: most extmardmuryplanl Tmducfio autorizada da primeira edicfio nom: -amcricana publicada em 1996 par Park Strael Poem uma civisoo do Inner Tnadiiiom lntermiioml. dc Rodmster. Vermont. EUA Copyright 0 I996. Pail: Sweet Press Copyright 0 1999 do edioho bmsileim: Jorge Zahar Editor Lida. rua Mexico 31 sobtoiuia 20031-I-M Rio do Janeiro. RJ tel: (021) 240-0226/lax: (021) 262-5123 email: jze@zahamom. br Todos as direitos neservados. A teproducfio nao-autorizada desla pubiicucfio. no todo ou em pane. consmui violaczio do copyright. [Lei 5.988] Cape: (km)! Sal e Sérgio Campante CIP-Brasil. Catalogagao-na-ionic Sindicalo Nadoml dos Ednoms do Liwos. RI. Robinsbn. Bowen 0 grande livro do Cannabis: guia completp dc scu uso industrial medicinal c ambienuailflomn Robinson: maduciso. Maria Luizax deA. Botgcs; misaoiécnica. Rogerio Roooa: oom a oolabomctno do Denise Baptism N-/ cs. — Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. . 1999 Traduqlio do: The great boolc oi hemp: the complete guide to the environmental. commercial. and medicinal uses of the world‘: most cxlraordinary plant lndui apéndiou ISBN 85-7110--Q79-34 1. Maconhu. I. Tiluio.
  4. 4. Prefécio E possivel haver uma relacionamento especial entre Lima pianta e a numanidade? Como se expiica que entre os bilhoes do fomras de vida existentes na Terra so um mimero inlinitamente pequeno tanha um relacionamemo com a hurnanidade? No relno animal temos uma relaoio especial com bois. cachorros. gatos. cavalos e mais um pequeno ndrnero de outros animais que vivem perto de nos. com quern panilhamos nossas vidas e que por sua vez nos prestam benelicios. Seria dificil imaginar a vida sem asses ralacionamentos especiais e intimos que nos aoompanhem desde nossas main remotes lembroneas historicas. Mas e quanto ao reino vegetai? Haverfi reiaoionarnentos too estreita e intima- inenta Iigacios ao nosso proprio reino que o desenvolvlmento humano tal como o oonhecemos nao poderia ler aoontecido sem a sua ajuda? As érvores nos fomecem rnadeira para oonstmir. o aigodao nos veste. 0 uigo. o milho e outros grios nos alirnentam. As piamas medicinais oi estao para nos dar alivio quando eslamos doentes. e muiias ouiras plantas esiao disponiveis para nos susientar e ouxiliar am nosso empreendirnento humano. Contudo. exists apenas um auxiliar vegetal usado no rriundo inteiro. desde a pré-Irisioria. que nos lornece alimenlo. roupas. material de oonsinreao. oombustlvei. medicamemos e mm o poder de afetor nossa consciencia. nossa imaginagfio e o modo como vemos esse mundo. Essa plants 6 o canhamo. (bnnahis sadva. 0 canhamo apareoe na eena mundial na aurora da experioncia humane. Encou- tramos suas sementes, elem de cordas e roupes feiias de cenharno nos tflmulos mais amigos. 0 sou uso medicinal é encontrado em nossos primeiros iextos medicoevamos o oonhamo desempenhando uma luneio-chave em muitos dos grandee momentos do historia. Quando as prensas de Gutenberg comeoararn a luncionar. {oi pope! do oanhamo que recebeu a tinta e disseminou a palavra do Blbila para urna Europa qua desperuwa. Quando is anal: de dsscobrir um novo mundo. uma nova maneira do viver. deu origem a idade das descobenas cerca de 500 anos atrés. foi o oanhamo que a viabilizou. dando aos exploradores as veias e o condame necessérios para cruzar as ooeanos. Quando chegou a hora de deflniresse novo mundo. suas meta: e aspiraobes. ioi em papal do canharno que os rascunhos da Conatituioao e do Deciaraqfio de independencia dos Estodos Unidos ioram escritos. A medida que a jovem nagiio avanoova para o oeste. era canhamo que cobria os carroooes dos colonos. Mesmo depois do declarada iiegal. essa planta proscrita reiornou em moment on especial neoessidde. Durante a Segundo Guerra Mundiai. quando as iomecimen- los de libra cma foram interrompidos pelos japoneses. o conhamo loi reapresentado so agricuiior amerloano para incremanlar os esforoos de guerra. enquanto o Depar- tamento do Agrlouitura dos EUA prodamava o "canhamo para a vitoria" [Hemp for
  5. 5. Sumério Prefécio - ix Agradecimentos I xi Depo/ "memos {J ediczio bms/ ‘le/ ra - xiii lnlrodugtéo - I Tecidos de cénhamo. 5 Papel dc cfinhamo, 7 Moradias feitas de canhamo e produtos industriais, 8 Produlos do oleo da semente, 10 0 future do cimhamo, 11 1. O MEIO AMBIENTE E O CULTWO D0 CANHAMO I 13 Cénhamo: um recurso renovével, 14 Ma/ dtlo 3.'_r}0d§0, I5 I A. ’:er7mI: 'mz‘is . 'in/ o.'r: s, 15 I /1 casa cons! /urda mm c. §/ma/ no, I8 I Papelde cémharno, 17 0 cénhamo como recurso cncrgético. 18 A se-meme de crinhamo oomo fonts (15 energxa, 20 I 0 came dc ca“nham0 Como form: do cnc. rg. I‘zI, 21 0 cianhamo como gerador de energia, 22 A energia como subproduto do cénhamo. 23 0 potencial prético do cénhamo como combustivel, 23 0 cultivo moderno do cfanharno. 21+ Saab 63 : igt. '8, 25 I Cu/ ova, 25 I . 'L4aoc-. 'a; §a, 26 Tecnologia do cénhamo, 27 0 doz: o.'r. ~'wdor Sc/ h’. v‘d7Ien. 27 I De. se: .r: voMrr: en: os racemes, 29
  6. 6. 0 Grande Livro da Cannabis 2. CANHAMO E SAUDE I 31 Usos terapeuticos, 33 Semente de canhamo e nutriqao. 37 Usos vetetinérios. 38 Estudos de sands pablica am todo o mundo. 38 Efeitos flsicos e mentais do canhamo. 42 Efeitos flsioos 42 I Efefiasmenlm 44 ~Neurologia. 47 3. CANHAMO E ESPIRITUALIDADE I 48 Canhamo e consciencia humans. 1&8 "0 Guia Celeste": 0 papal do oanhamo na cultura espiritualista, 52 Hinduaismo. 53 I Budisrno, 55 I Isle, 55 I Zoroasrfismo. 56 I Judaasmo. 57 I Tradipdes africanas 57 I Taotsmo cfiinés 57 I Tradiofies/30008885 58 I Cnwbnsrm. 58 I Ooulnimo. hermeasmo e mismtmo ooiderItaa‘s. 58 I Movimmto rascafan; 59 Cannabis e sexualidade mlstica. 59 Filho da deusa: o canhamo e o oulto da Grande Mae. 60 A perspectiva soculat. 60 Os pros e contra: da esplrltualidade baseada no canhamo, 62 4. UMA HISTORIA GLOBAL oo CANHAMO - 64 China. 64 India e Oriente Médio. 68 Africa. as Europa, 71 A conquista dos mares. 74 5.0 PRODUTO PATRIOTICO - 77 Natives. euplorndores e colonos. 77 03 pais fundadores. 80 0 canhamo nos Estados Unidos do séoulo XIX, 83
  7. 7. 6. A CANNABIS NOS ESTADOS UNIDOS I 88 Canabismo na América. 88 As pnmeiras proibiooes da droga, 89 Propaganda racista. conspiraoao e cannabis, 90 Hany Ansiinger e a Lei da Uniformizaoao de Narooticos. 93 A Lei de Taxaoao da Manhuana. 95 "Canhamo para a Vitoria". 97 Década de 60, 100 Vietna. 100 Década de 70, 101 7. PROIBIR. DESCRIMINALIZAR OU LEGALIZAR? I 103 A génese da proibioéo. 103 Prorb/ céo no Brasil, I05 Leg aiizaqao. 107 A siiuacao alual, i 10 I Legaiizacao para fins médicos, 1 10 A descriminaiizaoéo. 111 A ewe/ zéncra no/ rename/ fcana. i i I -A egper. -‘éncia hoiandesa. 1 13 Apéndice. A CANNABIS NO BRASIL. por Rogério Roooo I 1 14 Origens. lilo Pequeno historico. 114 A cannabis e a medicina brasiieira, 117 Sexo, drogas e rock'n roll. I19 Cannabis e politica. 122 Notes I 124 Bib/ iografla I 129 / ndice remissivo I 131 Sumii ‘in vii
  8. 8. ' 0l3randeLModaCannabia Victory]. Na déoada do 1980. um nwvlmanno da iovans Inspirado por idais de paz e amor aclodiu no oana rnundlal. oontaatando a ordarn social. economics e raiigioaa da época. Essa movlmanto de mllhdas a milhoas nao lava iideras. nam idoologia. nam astralagia para a mudanoa. apanaa uma paroapqao profundamante anralzada da hipocrisia da "vis§o do rnundo rnaterlallata do Slatama" a uma ralaolo especial oom uma planta — uma planta qua tam no cérabro humane racaptores a aspera para recabar sues mansagens bioqulmlcaa. Fez-as ouvir uma mansagam de respeito pela Terra. suas piamas a animals. por nouoa oorpos a palos alimantos qua comamos, pains culturas e povos difarantes dos nouns. a a onda da rnudanoa qua ela provocou ainda persists na alualidada. E extraordlnarlo qua o canhamo reaaurja novamonle. e dasta vaz como proletor do maio ambianta a mataria-prima da madiaamantos. Hoia o canhamo nos olerece uma soiuolo baslanta real a imadiata para o daamatamenlo. os desmandos da indus- itria patroqulrnlca a a destruigao do nosaoa solos. barn oomo para o tratamento de problems; do saada tlo divarsoa quanta o glaucoma e a Mos. so a arroglnoia do mantalldada atual. qua randa culuo peranta o altar da igraia doprograssomodana raiaitaranagara hlatonaeas vlrtudesdooanhamo. Enacassano tamer e proocravar asaa planla? Ou aatamos no vardda tentando proscravar urna mudanoa na oonsciencia? For mals qua tantamoa. uma mudanoa na culture a na oonsciencia la and am curao - uma mudanca qua dignifroa a Terra e abarca as qualidades ourativaa, ambiantaia e espirituals dassa ralaclonarnento especial antre canhamo e humanidade. EHLD C. SPERLING
  9. 9. Ag radecimentos Mais ate que a maioria dos livros. esta prolam nao leria sldo possivel arm a ajuda de algumas passoas Obngado a Alan Radar. Ellen Komp e Chris Conrad por suas oontrlbuicoes, e especialmente a Chris por suas valiosas inlormaooas na discussflo do potencial energétioo do cénhamo. John Blrranbach. Gero Lesor a John McParlland fomeceram imponanta feedback sobre o Iivro e Mari Kane loi uma ajuda constants. Acima de tudo. gostaria de agradecer a Robin Dutcher-Bayer. Mary Elder Jacobson. Janet Jasso. Tim Jones, Wendy Pratt, Virginia Scott. Lea Wood a os demais membros do labulosa equipe da Inner Traditions por sua dedicaoao e confianca neste livro. Foi um prazer trabalhar com todos voces.
  10. 10. Depoimentos a edigao brasileira Ao tratar da questao das drogas, lurlstaa. antropdlogos. medioos. socldlogos a psico— logos tam aprasentado as mais difarentes etiologies e. eventualmente. solucoes para o que chama do ‘problerna das drogas". A socledade conternporanea perdeu a capacidada de ldentilicar nas substancias atiquetadas oomo lilcilas uma posslbiiidade de utilizaoao nao doentia ou criminosa. Mais grave. projetou para as drogas a maior parte da saus males. oomo por example a violoncia. isso, embora num oontexto dilarenta, foi o qua lez corn qua a bruxaria a socladada medieval quando se viu as voltas com a paste. Vale dizer. a sooiedade conternporanea. que se propoe racional. esta tralando a quastao das drogas de manaira amocional a pouco logica Nessa linha de abordagem do assume it freqilenta a Invocaqao do sistema penal para "debelar" o "problems". 0 Iivro que agora se apresenta, dentro de uma perspectiva pluridimensionai. aponta para um novo hortzonte e. o que é mais importante. para a adocéo de novo: paradlgmas com relacao as drogas ALBERTO ZACHARIAS TORON Advogado erirninaista. ax-presidents do Consalho Es-taallal do Emorpacames/ SP A Intansiflcaoao do controle social. com a ampliacao do poder do Estado do punir - ntarca assustadora e perverse deste final do século XX. a que se convenelonou chamar da pas-modamidade -. enoontra seu carnpo ma is iénil na crimlnalizaalo do oondutes aalaclnnarlas a producao, a distribuicao e an consume de determlnadas drones. que. nonnativamenle dilerenciadas. sao qualificadas de illcitas. A posse de drogas para uso pessoal é oonduta privada N80 havendo dastlnacfio a taroairos. existe apenas eventual ameaca da dano a sands do consumldor. oom- lituindo a crirninalizaoao intarvencao indevida do Estado na eslera da privacldado do indivlduo. Se. sob este angulo. a descrlmlnalizaoao 6. portanto. um lmperativo nascido do indlspansavel raspeito e liberdade individual, na venenta da pmduoao e da dlstribuiqao. configuradoras do tmflco. as oontradiodes ambutldas na opcio pela proibicao lgualmante raoomandam o rompimento com a politics ctlminalizadora. Somando—sa s inavltavel inallcacla da intervencao do sisuema penal na oontenclo do mercado. as pesados onus que a ilegalidade traz ravelam toda a irracionalidade dasta lorma da contmla. qua. na realidada. cria os problernas que. enganosamente, anuncia poder rasolver. dentre os quais a violencia. subproduto neoessario de anvi- dadas economlcas clandastinarnanle dasanvolvidas. xiii
  11. 11. 0 Grand: Livm da Cannons Mv Nesmes tempos pas-modernos do hmerla em lomo das ameaoas. mais ou Imaginérios. vlndas da ctiminalldade. talvez estate at o angumento decisive para a nacuperaolo da racionalidade. Basta olhar e soguir o exemplo da histdda: quem derrtnou a vioienoia do Chicago dos ands 30 Mo loram os Intocéveis do Eliot Ness - loi. simplesmenle, o fim do Loi Secs. MARIA LUCIA KARAM Jtdza-Auditotadalustica Mtltardn Unido, mambmda Institute Bnmraim do Cadnc: as' ' Cnknmis e do Associacdo Juizespara 9 Demooraoia A divulgacao do historia dos uoos do cannabis 6 do impartame ajuda para a idemifi— cat, -lo e o desvendamento dos amblgmdades o oonlradlqoes da oonsmuicao da sociedode modomo-oontemporanaa. E panlcularmente vaflosa a perspoctiva do simar ‘o uso de subswnclas capazos do altarar as petoapooes do cotidiano am we dimensao hist6doo—cultural. Com boo eslatemos levando em come a dinamica da vlda social 9 o seu oaniter multlfaoemdo e oomplexo. evnando a banalldade de explloaooos maca- nicas e lineams. . Cumpre entendet as motlvacoes e valotos assoclados ao uso dessas substencias. assim oomo anallsar o Ionics dos acusaodes e disorimlnaoao aclonadas contra os usudrios. por sua voz baseadas em cmngas a interesses espoclflcos. No coso do cannabis. ha que ocompanharos dwersos aspactos e tmnstormagoes do we utilizacao em dlferemes culturas. momantos hlswricos e rneios sociois. para que es anéllses cientllcas e propostas pollllcas atlniam maior ampfitude a proton- didade de conheclmento. Por outro lado. no sociodade brasileira contemporanea é fundamental procurar supetar, a panir dossa peupeclfva. a visao policial e médioo-repressive que lam predomlnado no implememaqao do polflicas pdbllcas. GILBERTO VELHO Professor lituial de anoopologia socml Mtsau Naclonal/ UFRJ Um dos mores qua mais fazem falla an debate brasileira séo pasquisas a estudos some a cannabis O lama chegou a interossar a um grupo de cientislas neste século, e o proprio Ministerio da Saflde publloou uma ooleténea do sous ensaios. difloois de scram encontrados hoje. Os ensaios dos procunoms estavam maroados por uma associacao multo tone entm a maoonha e as oscmvos atrlcanos que se raunlam aos séhados para fumar em conjunto e cantor algumas oanobes sluslvas A erva. Muitas das oonclusoes combine» vam praooncaims sabre a pacldode imeleclual dos negros e sabre a propria cannabis. Na segunda metade do séoulo. destacaram-se as pesquisas realizadas am sad Paulo por Elisaldo Carllnl. pmduzidas num outro clima olentflioo. avanoando o co- nheclmento do tome no Brasil. Durante a Segundo Guerra. a cannabis desempanhou um papal lmpnrtante suscitando a campanha Hemp for Victory, na qual as fazendalros none-amedcanos foram eslimulados a plantar demm do esfotoo de dotar o Exército de uma fibra de mfiniptas utilidades. sobretudo na oonfecqso do uniformes e cordas.
  12. 12. No pos-guerra. os Estados Unidos pressionaram as pulses aliadaa para que nao plantassem a cannabis, agora dantro de uma campanha lntsmacional contra as drogas. Alguns palses, como a Hungria. que estavam fora do even de Influencla none-americana. plantaram em gmnde escala e a trannfonnaram num gmnde recurso eoonotnioo. Hoje. com a produqao maciqa na Eu rope. sobretudo Alemanha. Franqa e Ingmar- ta. a cannabis passou a ser mais oonhacida por suas propriedades indusmais. e jé se lazem exposlcao de sous produtos. oomo a realizada em Berflm. Inaugurada pelo Ministro da Inddsma e Comércio. As imensas possibilidades canomicas que a cannabis apresonta contribufram para o debate. a livros oomo 0 de Jack Heter circularam fmgmentatiamenta. is vezes am copies mimeogmfadas. Na Alemanha, o Iivro foi publicado seguldo de um esmdo sobm a cannabis feito pelo Kalalyse lnslitm. A publicaofio de uma ample pesquisa sobm a cannabis sera um passo decisive a. (in coma forma. vai lacmtar a soflsticar a argumenlaolo dos qua Iutam pan: iegalizé-Ia, alérn dc dasencora/ at as prolblcionlstas. que querem manta-la na clandes- Iinidada. 0 principio que esm por trés do nosso jubilo 6 este: nao ha dnoga pior que a ignorfincia. Diticilmente a debate alcanoaré. naste memento, as camadas mais pobres da populaqéo. mas um trabalho que astaja disponlvel aos educadores, religlosoe e estudantes 34 dare uma nova qualidade a um debate que précisa ser enfocado dentro da concepcbo do desenvolvimenlo sustentdvet 0 pneconceito néo pode fazer com que uma ptanla da mais de 20 mil utilidades seja esquecida num memento em que o petroleo oomeca a ser de lato um rocutso esgotével. e em que 6 precise um cmscimento que. reurando o neoessério do main ambieme, mantenha as posslbilidades do we exploraoao pelos geraqoes luturas. Num ginasio de Ber1im. os alunos do grémio escreveram esla hase: Cannabis. a plants do século xxx. Se isto lor mesmo verdade. o Iivro é uma exceleme inlnoduqso a um século novo, quando a oonsciencia arnbiontai ser: mais lmponante do que nunca. FERNANDO GABEIRA - Doputado federal O Conselho Federal de Entorpecentes [Confern aprovou, em julho do 1988. a lone relatlvo a uma “Propusta para uma polmm nacional a respello da questlo do: drugs”. Essa texto senriu de base, com pequenoe aditamemos e supressbes. i Paflu nncional na queswo das ahogas. publicado pelo Confen em iunho de 1988. Na "| ntrodu9Io' desses textos era enfatizada a urgencia de que se bpenasse “uma verdadelta a necessana muclanoa de mentalldada perunente ao tratamanm do assume”. A expe- rtencia dasses anos mostra. porém. que essa ‘wrdadeim e necessétia mudanca” é quasa impossfvel sob a vlgencia dassa Iimma auto-referenolal que se repmduz ideologica e maleriatmente. do lormn ampla e generalizada. A was da questao peninente an uso de drogas nlo pode ser 0 direito penal. Mullos 380 oz argumemos que demonstram o acarho dasta aflrmacaoz antre eies avultn 0 de que o dlrelto penal nao pods ter por objeto condutas eslrltamenta privadas. DOMNE-108 BERNAHDO SILVA SA Advogado, ex-preurvenra do azn. salbaEsnoIaIdeEImrpaoanIas/ R/ e who-prosldante do Oanaaha Fademlde Emarpecantcs
  13. 13. lntrodugéo T . . ~sl"/ ,4’ . ,. .. 0 cénhamo esté na ordem do dia. Os dltimos anos transformaram rapidamente a ldéia de uma moderna indtlstria do canhamo de fantasia em realidade. A presenca fisica de tecido. papel, materiais de construcélo e produtos de oleo de semente de canhamo produziu enorme impacto no imaginério social. Talvez, mais ainda que a informacao sobre a importancia da planta no passado, essa tenha sido a semente da revitalizacao do canhamo. Desde a década de 1930 tem havido um esforco para doutrinar as pessoas. impondo-lhes a crenga de que o canhamo nao passa de uma "praga maligna com raizes no infemo". Mas quando lhes mostram uma camisa que parece linho e dizem que é feita do caule da mesma planta que produz maconha. uma profunda alteracao de consciéncia tem inicio. Sobrevém a compreensao de que o cénhamo nao é uma "droga" mortal, mas simplesmente uma planta possuidora de uma longa e notével historia de servicos a humanidade. E significativo que essa consciéncia esteja florescendo quando ainda vive uma geracao que se lembra das primeiras décadas do século xx, época em que o cénhamo era cultivado nas terras da familia, uma geracéo que reconhece a textura e o sabor de um velho conhecido, quando o sentem ou o experimentam. Os plantadores de canhamo dos velhos tempos e seus filhos ainda estéo por al para atestar a existéncla ~ e o valor — do canhamo industrial. 0 ressurgimento do uso da maconha no final da década de 1960 e na década de 1970 desencadeou uma torrente de pesquisas sobre todos os aspectos da planta do canhamo. A historia dos tecidos e do papel de canhamo mereceu um capitulo ou dois em Iivros, voltados basicamente para a maconha, de Emest Abel, Alan Haney e Benjamin Kutscheid. Em meados da década de 1980, os pesquisadores Gatewood Galbraith. Barry Stull. Jack Frazier e Jack Herer jé concentravam seus esforcos nos “outros” usos do canhamo. Documentos governamentais, noticias de jornal e testemu- nhos pessoais comecaram a desemaranhar a vasta historia oculta da utilidade do canhamo para a humanidade e a natureza mistenosa da repressao exercida contra ele pelos govemos. Essa informacao sobre o cénhamo logo se disseminou. chegando ao ainda ativo movimento pela legalizacao da cannabis, revitalizando—o com uma nova geracao de ativistas do movimento ambientalista. preocupados sobretudo em por fim ao desmatamento a a0 uso de pesticidas. substituindo-os pelo cultivo sustentével de cénhamo para a produgao de papel e tecidos. Foi so uma questéo de tempo antes que empresérios de diversos parses passes- sem a importar produtos feitos de cénhamo. Nos Estados Unidos, onde esse movi- mento teve muita forca, os flnicos produtos de canhamo disponlveis em meados de 1987 eram cordéo hdngaro. alguns papéis especiais como papéis para cigarros e Sementes. po. perfume. creme. papel e fibra — Ludo feito de cénhamo. Foto de Andre Grossman.
  14. 14. O Grande Livro da Cannabis Cordio de cinhamo. lnalterado ao Iongo de mllénios. Cortesia do lnstitut fiir Angewandte Forschung. sementes esterilizadas para péssaros. No Brasil, nem mesmo esse material an- contra—se disponlvel na atualidade. Em 1989. um grupo chamado Business Al- liance for Commerce in Hemp (BACH) descobriu e publicou nonnas referentes a importaqao do canhamo pela Alfan— dega dos Estados Unidos. que excluem especificamente o caule e a semente es— terilizada, tornando legal 0 comércio desses itens importados. Em meados de 1989, a organlzaqao ja havia produzido varios textos lncentivando empresérios do canhamo a se Iangar nos negocios e dando—lhes as lerramentas para tanto. A educaoéo teve uma grande importancia na estratégia de marketing inicial, e pan- fletos da BACH, como "Os muitos usos do canhamo", foram distribuldos por toda pane por seus representantes. 0 foco recala sobre as vantagens ambientais e economicas do uso do canhamo na pro- duqao de fibra, alimento e combustivel. Muitas vezes alguns itens como cordbes e sementes estéreis eram exibi- dos ou vendidos em barracas comunité— rias de defesa do canhamo. Milhares de braceletes de croché feitos a map, cha- péus e sacolas logo apareceram. A House of Hemp. em Portland, no Oregon. imponou da China Iona 100% canhamo a ser vendida para a fabricacao de teci- dos para estofamento, forros de tapete e similares. Empresérios logo compraram o produto e comeoaram a tecer chapéus. bolsas e roupas com esse resistente te- cido. 0 cantor Willie Nelson entrou em cena em 1991, autorizando o uso de sua assinatura numa camisa de canhamo e algodao e falando sobre a planta em seus shows Farm Aid. Em setembro de 1992. a Tree-Free EcoPaper introduziu nos Es- tados Unidos as primeiras cargas de pa- pel feito de canhamo e palha de cereals. A mobilizacéo pr6—canhamo em al- guns palses passou a repercutir e ganhar espacos na mldia, assegurando uma oportunidade aos empresarios do ramo. que vendiam seus artigos ao mesmo tempo que distribulam material impresso com informagéo sobre o canhamo. A panir do final de 1991 , o Conselho Ame- ricano para o Canhamo. um grupo comu- nitario surgido em Los Angeles. promo- veu comlcios trimestrais que chegaram a atrair até dez mil pessoas. financiando seus esforqos com vendas de panquecas de semente de canhamo. Esse novo tipo de manifestaoao em favor do canhamo somou forgas com manifestacées pela Iegalizaeao da cannabisjé instituidas co- mo 0 Michigan Hash Bash. 0 Madison Harvest Fest e 0 Atlanta Pot Festival, e logo os comerciantes de artigos de ca- nhamo estenderam seus negocios a fei- ras ambientais. feiras de anesanato e festivals de musica. A BACH exibiu seus artigos em 67 eventos promovidos no Dia da Terra em 1991. Em 1992. mais de 20 empresas li- gadas ao cénhamo estavam em ativida- de. Na Conferéncia da Sociedade Civil, evento paralelo a Conferéncia das Na- odes Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. realizada na cidade do Rio de Janeiro em 1992 (Eco 92) — onde reuniram-se representantes de Organi- zacoes N50-Governamentais de mais de 150 palses —, era posslvel encontrar inu- meras informagoes sobre os usos do ca- nhamo, for1alecendo a vinculaoao de sua utilizaoao com o desenvolvimento sus- tentavel. O sucesso, a qualidade e os méritos ecologicos do canhamo come- garam a atrair a atenqao de fabricantes, programadores visuals e varejistas expe- rientes, e o “vlnculo com a maconha" enfraqueceu a medida que um novo pro- O lado sofisticado do cinhamo. Foto de Andre Grossman.
  15. 15. fissionalismo emergiu. Hempworid. uma revista industrial. fez sua estréia em de- zembro de 1993. Sua fundadora. Marl Kane, prometeu que a publicagao sen'a uma "ferramenta capita| ista". isenta de retérica pro-cannabis. “Depois de todos os excessos ideologicos e economioos dos Ultimos 12 anos. o publico esté évido por algo de solido em que acreditar", anunciou Kane em sua declaracao inicial como editora. "O canhamo é uma novi- dade. uma moda, mas ao mesmo tempo é natural. inofensivo ao meio ambiente. mais duravel do que o algodao e possui mlstica suficiente para despertar a curio- sidade do mais embotado cétieo. " A pu- blicacao bimestral de 42 paginas fol um importante instrumento de integracéo e legitimacao para a industria nascente. No final de 1994. 40 empresas se reuniram no Arizona para formar a Asso- ciacao das lnddstrias do Canhamo com a frnalidade de promover o canhamo, es- tabelecer padrées para os pmdutos e trazer o cultivo da planta de volta para os Estados Unidos. A organizaqao, que 6 similar aquelas forrnadas pelos varios ra- mos da industria para promover o algo- dao, a la e o linho, abriu reoentemente um escntorio no coracao do mundo da moda de Nova York. na esquina na ma 42 com a Broadway. Neste memento ha mais de 300 empresas ligadas ao canhamo apenas nos Estados Unidos, importando. fabri- cando. distribuindo ou vendendo a varejo centenas de produtos. de sapatos e san- dalias a lingerie de seda de canhamo: xampus de oleo de semente de canhamo, pomadas e ungiientos para os lébios: papéis feitos a mac e resmas de papel para reprografia. Com base em estimati- vas conservadoras. -o canhamo repre- senta um negocio de 15 milhées de do- lares nos Estados Unidos e de 50 milhoes de dolares em todo o mundo. O canhamo esta ganhando mais respeitabilidade a cada dia. e empresas de vulto e estilistas como Converse. Ralph Lauren e Calvin Klein cornegam a se aventurar nas éguas do cénhamo. Lojas para a venda de arti- est: 4.- _ ‘. C7” / . . / is it lntroducao O inlclo do ressurgimento do cfinhamo. Foto de Jeff Eichen. E - 1 risxggsirfi-t'—* -—*"= —** _ 1 | -‘ x’ O museu itinerante do cinhamo, de Richard Davis. Foto de Bill Bridges. gos de canhamo abriram as portas em cidades espalhadas pelos Estados Uni- dos. Europa. Canada e Australia. Muitas dessas empresas. bem oomo 0 Institute for Hemp. a Coalition for Hemp Aware- ness e o Hemp BC. administram também Iojas virtuais na lntemet. Na América Latina. embora seja posslvel encontrar produtos feitos do cénhamo. pratica- mente nao ha Iojas especializadas, ocor— rendo ainda uma ligacao muito fntima entre canhamo/ maconha e crime orga- nizado. Os Estados Unidos e a Alemanha, onde as restricoes sao crescentes e mais implacaveis, desenvolveram os mais bem-sucedidos negécios ligados ao ca- nha mo. 0 interesse alemao é atribuido a um forte movimento verde. No inlclo de 1995. o canhamo teve uma presenca marcante na Biofach da Alemanha, a maior exposicao comercial de bens de
  16. 16. fl (]'t1ri.1r‘ ‘-. Mr. 11.1 i‘.1riri. i!>l. ‘ Creme para a pele de oleo de semente de canhamo — um dos mars saudavers éleos conhecrdos para uso humnno. Consurilo ecologrcos do mundo. Uma mnleréncia rle quatro riias (le (llif8Q50. ill} que panrciparani crenlrstas e indus- lruirs (lo mundo lodo. ilisculru técnrcas de cultivo, colheita c armazenamento; processarncnlo, niaceracao e acaba- mento para polpa e fibra de papel; se- rnenles do canharno para a alinientacao humane, cosméticos e detergentes: ma- leriais (l() construcao. combustivel e apli- cacoes mcdrcas; e qucstoes legals. Qua- renta illlerenles empresas dedrcadas ao canhamo. de novo paises. estiveram pre- senles na area da exposicao. Alguns dos mais nnvns produtos all moslrados foram tabuas de particulas dc canhamo pren- sado e moldado na lorma de llgelas e painéis deinstrumentos, materialdefibra reticulada. semelhanle a libra de vrdro. para ser usado como acolchoador on lsolante. rendas de canhamo. detergente c cosnreticos de oleo de canhamo o plas- tico feito com a celulose do canhamo a ser vendido para fabricantes de skates. Na Biofach. os empresarios americanos do canhamo finalrnente conseguiram a legitimacéo de suas atlvidades como no- gocio ccologico a que aspiravam havia tempo. No Brasil, 0 deputado federal Fernando Gabeira (PV/ RJ) ientou, em V50. Foto: cortesia da Dupeut Natural lrazer sementes dc canhanro do exterior a firm de submeté—las a experiéncias (2 estudos. Porém. mesmo constalarla a nu- séncla de Tetra—hidrocanabinol (IHC) — princfpio ativo da planta, responsavcl pe las alteracées no slstema nervoso central do usuario —, a Policia Federal apreen deu o produto. Tecidos de cénhamo Pode ser que vocé (, ‘Sl(}]£i usando mais cfmhamo do que sirpoe. Receniemenle n estilista Ralph Lauren revelon que tem
  17. 17. usado a fibra de canhamo em segredo em suas linhas de roupas desde 19811. Num artigo de junho de 1995 intitulado "0 mais antigo tecido do mundo agora é o mais novo", 0 New York Times "esno- bou" Lauren e entrevistou Calvin Klein. que disse: “Acredito que o canhamo vai se tornar a fibra preferida tanto no mobi- Iiarlo de casa quanto nas industrias de moda. " Roupa branca de canhamo foi exibida em edredons, almofadas decora- tivas e travesseiros artificiais na CK Home Collection do outono de 1995. Klein insi- nuou que o canhamo logo figuraria tam- bém em suas colecoes. 0 canhamo foi um produto de gran- de utilidade durante séculos e era natural que roupas confeccionadas com ele es- livessem entre os primeiros produtos a causar impacto no mercado da moda ecologicamente consciente de hoje. Em apenas poucos anos. modas baseadas no canhamo passaram da obscuridade para a notoriedade de maneira vertigino- sa. Muitas revistas mostram modas ba- seadas no canhamo em sua paginas. e a Rolling Stone incluiu 0 canhamo em sua llsta de sucessos de 1993. As redes de lelevisao MTV, CNN. Fox, CBS e ABC foca- lizaram lodas o novo estilo. No entanto, o canhamo nao é ape- nas um novo tecido da moda. Os feixes de fibra de canhamo chegam a medir 4.5m. enquanto as fibras do algodao tém parcos 2cm. o que. segundo consta. da ao canhamo uma resisténcia a tracao oito vezes maior que a do algodao e uma durabilidade quatro vezes maior. 0 ca- nhamo pode ser lavado e secado a ma- quina. Embora va amassar como um li- nho natural. também respira como ele. O canhamo tem um brilho natural e aceita muito bem as tintas em razao de sua excelente absorvéncia. Muita gente imagina que o canhamo parece estopa. Na verdade. a resisténcia e a nrsticidade de um tecido dependem do modo como a fibra é flada e tecida. O canhamo. como 0 linho e outras frbras, pode ser tecido em muitos niveis, da Iona ao tecido lino. Com 0 processamento ade- lntr oducao O cinhamo na moda Foto da esquerda: cortesia de Cannabis in Berlin. Foto da direlca de Bill Bridges. quado. é posslvel tomar o canhamo mais macio que o algodao. Ele é também mais absorvente. o que o toma uma excelente escolha para toalhas. fraldas e cueiros e roupas para bebés. Tecido para estofa- mento. toalhas de mesa, roupas infor- mais e noupa de cama de alta qualidade sao mercados potenciais para o canhamo. Tecidos e roupas industrializados sao produtos de grande importancia no mercado internacional. influenciando di- retamente na economia e na balanca comercial de inumeras nacoes. Ja nao existe a maquinaria para liar fibras lon- gas como as do linho e do canhamo. mas este pode ser modelado em raiom ou encurtado. como algodao. para a maqui- naria existente. O reequipamento permi- tiria mais tipos de tecelagem que tiram proveito do maior comprimento das fi- bras que o canhamo oferece e criaria uma oportunidade econémica que nao deve ser subestimada. Durante a Segun- da Guerra Mundial, o custo do reequipa- mento para o trabalho com o canhamo foi pago em apenas cinco anos com ren- da de aluguéis e lucros. ‘ Por causa do cultivo limitado. os tecidos de canhamo sao hoje um tan- to escassos no mercado. Essa situacao esta melhorando rapidamente. Owen Sercus, professor de aprimoramenro tex- til no lnstituto de Tecnologia da Moda de Nova York, vem trabalhando com a Associacao das industries do Canhamo para estabelecer padroes para o teste e a certificacao do canhamo nos Estados Unidos. Gracas a seus seminarios. em- presarios do canhamo aprenderam a exi- gir maior autenticidade. qualidade e uni- formidade de seus fornecedores. Foi ela- borado um selo de autenticidade com os dizeres "Canhamo genulno" para assegu- rar os cornpradores de que o produto que estao adquirindo é de fato Cannabis sativa de alta qualidade.
  18. 18. O Grande Livro da Cannabis Cannabis é o "canhamo | egltimo". origi- nal e unico. Sobretudo no século pas- sado. varias outras plantas fibrosas as- sumiram o nome genérico "canhamo": o cinhamo-de—manilha é também co- nhecido como abaca (Musa textilis): o canhamo de sisal é henequém (Agave fourcroydes L. ); o cinhamo da Nova Zelandia é Ph_ormium tenax: 0 ca- nhamo de Decan é Hibiscus cannabi- nus; e o cinhamo de suna é Crotolaria juncea. A iuta (Corchoms capsuloris LL) também é conhecida como canhamo indiano — nio devendo ser confun- dida com a Cannabis indica. que outra- ra foi chamada de cinhamo indiano.1 Mesclas de cinhamo e algodao fabricadas no exterior abundam hoje entre as colecées de roupas de ci- nhamo. Embora a mescla sacrifique a resisténcia (em comparacio com aquela oferecida por um produto de puro cinhamo). ela oferece as vanta- gens da maior maciez. melhor trans- misséo da umidade e preco mais baixo. Varias empresas comecaram a usar brins de canhamo e algodio. bem como brim l00% cénhamo em jeans. Recentemente. foram introdu- zidas mesclas de canhamo e seda que combinam maciez e resisténcia. O puro. l00% cinhamo. é no entanto o modo como ele aparece nos modelos hoje. em geral na sua cor na- tural branco-acinzentado (semelhante a do algodao organico). Tecidos finos chi- neses e os mais grossos e escuros teci- dos hungaros e russos abundam no vestuario de homens. mulheres e crian- cas. bem como em acessérios como chapéus. bolsas e sapatos. O canhamo inglés. parte do qual misturada com Ii reciclada ou algodao de blue jeans reci- clado. também esta aparecendo. Uma companhia empreendedora, a Pan World Traders. deslocou-se até a Tran- silvinia para comprar roupa branca anti- Jeans |00% cinhamo. Foto de Andre Grossman. ga de cinhamo. Eles tingiram a mac 0 lino tecido e o aplicaram a bonés. mo- cassins. gravacas e lencos. A industria téxtil de canhamo abrange fabricantes de todos os portes. de pequenas cooperarjvas que confec- cionam um pequeno numero de itens até grande: fabricas que produzem mi- lhares de pecas de roupa por dia. Por exemp| o,a Headcase produz mil bonés de beisebol de canhamo por dia. A maior parte dos itens ainda é vendida por czmilogos ou em Iojas especializadas em canhamo. mas pouco a pouco o canhamo vem sendo conslderado sim- plesmente um tecido a mais em bu- tiques e Iojas de departamentos. Es- sa superacao de um mercado inci- piente é decisiva no setor do ves- tuario. A ampla maioria dos consu- midores compra suas roupas em loias onde podem experimentar os artigos e comparar precos. O preco mais alto do cinhamo pode ser compensado por sua qualidade e estilo superiores e pela promocio do produto como uma opcao am- biencal. Empresas estabelecidas de moda ambiental comecam a fazer uso do cinhamo. A Used Rubber. uma companhia de Sac Francisco que fabrica bolsas. cintos e aces- sérios de borracha reciclada. acres- centou o cinhamo como primeiro tecido a sua linha quando descobriu suas vantagens ecologicas. A Deja Shoe. contemplada com o Prémio lndlistria de Moda e Meio Ambiente das Nacées Unidas por seu sapatos de produtos reciclados. introduziu uma linha de calcados de tecido de cinhamo no inlcio de I955. Bob Faren- tinos. ex-vice-presidente para assuntos ambientais da Deia. declarou que seu pessoal técnico chama o tecido de ca- nhamo de "a prova de bala". ‘'0 ca- nhamo cumpre nossa missao de usar em nossos calcados material vegetal sustentavelmente colhido". disse ele. “E dificil superar o canhamo. tais sao as suas vantagens. "
  19. 19. lntroducllo Calcado de dnhamo. fabrlcado pela Adldas. Tanto a gispea quanto os cadarcos sio feitos com Iona de. clnhamo. Coraesla de Adidas America. Papel de canhamo A maior contribulcao do canhamo para a economia e a eoologia mundiais poderia sem duvlda se oar como parte de um ratomo ao uso do papéis feitos com ar- vaa Melade de todas as arvores der- rubadas é usada no fabrlco de papel. e o deamatamento gera uma séria crise am- biental. debllltando nossos ecossls- temas, a camada superior do solo 6 ba- oias hldrogralicas, bem como aumanian- do 0 afeito estufa. As arvores vem sendo usedaa para a fabricacao de papal so- meme a partir de meados do século xix. Antes diaeo. ele era feito oom lrapos a com plantas de colhelta anual. oomo o papiro a o canhamo. Alam disso. anuaI- mente é produzido um total estimado de 1,5 bilhso de tonelada de residues agri- oolas, e esse 6 um relugo que poderia ser transiormado em papel. em especial me- dlanle a adiqao de uma fibra longa como a do canhamo. com os preqos do papel em alta aoelerada e a ireqcienta escassez do produto, chegou a hora de voltar as olhos para as hole chamadas tomes “al- lernativas" de polpa de oelulose. Os preoos do papel de canhamo na década de 1990 foram bem male altos que os do papel de polpa de celulose. mas comparavels aos do papel feito com outras fibras anuals oomo algodao. A grande dlficuldade 6 que somenle um punhado de manufaluras doméstlcas 6 capaz da manlpular a fibra. Com capital de investimento para custos de desen- volvimento e cooperacao com a indiistria papeleira nao basaada na madelra. for- necedores de papel do oanhamo estao trabalhando para balxar o custo de seu produto e elevar e qualidade. No Brasil. davido a fatoraa favoravels an cultivo do canhamo. sua producao em escala in- dustrial pennitirla o surgimento de um mercado promiaaor, Inclusive e princi- palmente em esoala internacional. me- lhorando o dasempenho da balance co- merclal. Moradias feitas de canhamo e produtos industriais O caule do canhamo cannabis é uma fonts pmllflca e sustenltvel de exce- Ientes materials do conslruqlo e artlgos manulalurados. E posslvel. por exemplo. construlr uma casa usando quase exclu- sivamenla cénhamo e depols usar pro- dutos do dleo da semente da planta para plntar e calafelar os produtos acabados a mover 0 cent). Existe a tecnologia neoesséria para mudar para os composltos de canhamo ou para acrescenlar o canhamo a pm- cassos atuais sem necessidada de ree- quipamento. O desaflo: produzlras 1.500 toneladas diarlas de malaria-prima. Em geral. quanta mais longa a fibra usada. mais resistente é o produto final com relacao a seu peso. Uma planta de cannabis pode passar de 4.5m de aliura, com os feixes de fibra da casca se esten-
  20. 20. O Grande LlVl’O da Cannabis Usina de papel de cinhamo da Living Tree Paper Company. Umas das empresas de canhamo promissoras da década de I990 é a Living Tree Paper Company. em Eu- gene. no Oregon, que vende Tradition Bondm. um papel de canhamo sem polpa de celulose feito nos Estados Unidos. o primeiro papel contendo cinhamo a ser fabricado (a partir do inlcio de I955) nos Estados Unidos em bases comerciais. Usando uma mistura de canhamo. esparto. subprodutos agricolas e refugos pés-consumo. a Li- ving Tree oferece um papel que nio usa arvores. alivia os depésitos de lixo ja sobrecarregados e é signilicativamente melhor para o meio ambiente que o papel reciclado. que em geral contém menos de lO% de refugo pés-consumo. As normas da EPA para a qualifi- cacao de um produto como reciclado exigem que ele use apenas |0% de refugo pré-consumo "recuperados" como fragmentos industriais. os restos de papel que sic aparados na fabrica e reutilizados de todo modo como procedimento operacional padrio. Portanto. um papel "recic| ado" pode conter 90% de polpa de celulose vir- gem. O lixo pés-consumo inclui jar- nais. revistas. papelao etc. , que preci- sam passar por uma destintagem antes de poderem ser reconvertidos em polpa: esse processo sujo envolve na verdade mais poluicio que a manufa- tura de papel virgem. A polpa de celu- lose produz um terco de papel e dois tercos de refugo. Cem toneladas de papel feito de fibra de celulose virgem produzem cerca de cinco toneladas de lama. parte da qual pode ser usada como fertilizante. Cem toneladas de papel feito de lixo pés-consumo ge- ram cerca de 40 toneladas de lama toxica. de que é preciso livrar-se. dendo por praticamente toda a sua anu- ra. lsso da ao llber do canhamo uma resisténcia excepcional quando ele é combinado a aglutinantes resinosos para a manufatura de materiais compensadas de alta densidade. A Ford Motor Compa- ny investigou a possibilidade de user 0 canhamo em 1929 e enviou funcionarios para visitar a bem-sucedida fazenda de canhamo de Albert Fraleigh em Alberta. no Canada, antes de iniciar uma planta- cao de 80 hectares. No ntimero de de- zembro de 1941 do Popular Mechanics, Henry Ford exibiu orgulhosamente. apes 12 anos de pesquisa. 0 primeiro automo- vel “nascido da terra" com uma car- roceria plastica, composta em 70% de canhamo, palha de trigo e sisal e em 30% de aglutinante resinoso de cénhamo. O unico ago presente no corpo do carro era sua estrutura tubular soldada. O veiculo pesava um terco menos que seu corres- pondente de ago mas demonstrava uma resisténcia ao impacto dez vezes maior. A fibra de média densidade (MDF) é um compensado celulotico de resis- téncia comparavel a da madeira de ar- vores. E usada na constmcao civil. na marcenaria. na construcéo de moveis e em outras aplicaqoes da carpintaria e do trabalho em madeira. Protétipos de ta- buas de MDF de canhamo superaram seus correspondentes feitos com madei- ra de arvores. Uma empresa alemé culti- va seu proprio cénhamo e esta comecan— do a produzir tabuas compensadas para a constmcao, além de itens como sala- deiras e relégios de parede. A Isochanvre. uma empresa france- sa. jé construiu cerca de 250 casas de cénhamo. Ela usa um rnétodo patentea- do, nae toxico. para tratar o caule, transformando-o em materiais isolantes e num substiluto leve para 0 Concrete. A polpa usada para seu isolamento é tra- tada com uma substéncia antifogo e usa- da tanto solta quanto ainda no saco para vedar e isolar espacos em paredes e tetos. 0 material de constmcao usa las- cas de canhamo revestidas com uma camada de um aglutinante mineral mis-
  21. 21. turado com agua er (al e pode ser vertldo em moldas on apllcado com urna cube. 0 material organico celcifrca-se e an- dureoe, translormando-se numa massa estsvel que é lsolente ianto do som quanta da temperature. 0 caule los- silizado de cannamo conserva alguma llexlbilidade e. quando seoo. tem apenas um setimo do peso do concrelo conven- cional Um hectare do canhamo produz cerca de 60m“ de lsoehanvre — o bas- tante para construir e isolar uma casa de 135m’. 0 material de construcao custa hoje em lorno de 215 dolares por metro cubico e o isolamento 260 dolares. lsso perfaz cerca de 14 mil dolares para a casa. A empresa poderia reduzlr o custo do produto cultlvando ou encomerrdan- do seu propno canlramo. mas a mono- polio estatal sobre o cultivo da planta o impede. Mais ao norte, na Alemanha, onde nenhum cultivo do canhamo (5 permltido. raules importados sao tratados a carbo- no. transportados ate 0 local e usados oomo base solta para pisos. 0 material betumado é ligelramente viscose e se oomprime para se ajustar aos contomos da superflcle lnlerior. Crla uma superllcie rsolada a plane para o acabamento do plso_ 0 plena potanclal da combinaqao do carries do canhamo com a tecnologia dr: extrusao para a labrlcacao de plastioo permanece em grande parte inexplora do. A Greenhouse. empresa corn sede em Frankfurt. na Alemanha. seleciona as panlculas mais fines da polpa do ca- nhamo para later um composta rlgido que é semelhante ao plastioo. mas bio- deoradével. Ao contato oom a again, a material se decompda. rednzlndo-se a hemleelulnse. A empresa planeja acres- centar um born obturador e fabricar pranchas de skate. Uma lonte viével de ial obturador a o rileo da semente do canhamo. que pode ser pollmerizado ou translormado em poliuretano para uma ampla varledade de ecabamentos. Unl- clades que operam no campo sea ca- pazes também de user 0 oleo para pm- lnrrc¢lur.1o A pionelra Cl: Specialty Buldus Supply, do Harrisburg, no Oregon. produz exce- lente: rabuas compensadas de fibra de cinharno. As tabuas compensarhs de ti- ‘bi-asdedensldaclemédia(MDF)sio250% mais resisnenres que rabuas compensadas MDF do nudeira e 300%mIis llexfvels. 0 produrn fol desenvolvido em oonjunao com o centre de psquisa da madeira da Unlversichde do Estado de Whshlrrgbon. Apos urn longo e detalhado levan- ramenro do reino vegetal e ampla pes- qulsa historlca sobre os usos de ervas na clvlllzacfio. 3 cas Specialty Builders Supply ooncluiu qua I melhor alternative para a nudeira em produtos de cons- trucio era indrbluvelmenae o cinhamo. De fato. acredlra-se que o dnhamo tern 0 potential de super-ar de longea madeira. para qualquer coisa. dc pr-anchas a ubuas aglomeradas. Corrsideram ainda que 0 came do cinhamo tem grande potential para a fabricacio de cola pen produtos compensado: para construcio. “Penso que se nao fizermos me ha uma boa chance do dentro de dez anos nio resrar nenlwma loner: na reglio temperada da Terra". diz o oo-firndador da empresa. David Seber. “A questio priorltaria no manure is florecras nio dlz respelto as arvoras, e nem mesmo s madeira. ela so lip A fibra a so made como a nossa cultura usa a fibra Nlo temos apenas a solucio para as flares- tas. ternos a (mic: concepcio roll- menae vlavel do que vem a ser sus- tentabllldade. Estarrros dlzendo que niosepepurnaplanI: acorn200a500 anos de idade -— lsrn é. uma irvore — para iazer uma casa que dura 50 anos. Pega-so uma planta que lava I00 dias para crescer para construir uma can que dura 50 anos. lsso gar-ante sus- terrtabilidade. " O socio do Saber. Wil- liam Conde, acrescenrz: "A maneira de restaurar a loresra e usar compensa- dos avancados feitos do fibra: annals como o dnhamo. Tudo que 6 posslvel fazer com um: arvore. G posslvel fuer com cinharno. Podernos derxar a lloresraem pazevolrarmastodosan trabalho. " dums plastlflcados. de espuma de bor- racha a poliooncreto — duas vezes mais resistente que o concrato convencional. mas ligelramente flexlvel. Errcanamantos de pldstloo sic mais uma possibilidade. Pode ser que a fibre optlca de canlramo nao esteja tao longe. Produtos do oleo da semente Um outro components aproveilavel a po- tenclalmente lucratlvo da planta do ca- nhemo 6 sun semente. Me 0 inlcio do século xx. 0 éleo de semente de ce- nhamo era usado como oombustivel para Iempades. como also secanta em pinto- ras a coma urn vemlz para madeira. Tin- tas para imprassao também eram usa- das. Pelo menos um editor lrrrprirrriu com uma tinla de canlramo-seja sobre papel de caniramo. 0 died se presta ao labrlco de um exoalanle emollente para a pole is o rabelo. tomando posslvel a industria rle produtos dé culdados possoals a produ- cao de oleo para massagem dc semente de canhamo, unguenlos. pomadas para as labioa, creme pra o corpo xampus creme de enxeguar. Especlallstas em some vem iahndo ha décadas sobre e neceaaidade ringer- duras nao saiuradas em nassa diets. a saber. oa acidos grams chamadas lino- laico (LA, on omega 6) a llnolenlco (LNA, ou omega 3). As sementes de canhamo sflo tesouros desse nutnentes. Elas conlem no mlnlmo 30% de oleo. sobre-
  22. 22. O Grande Livro da Cannabis 10 O recorno da fonte original do papel. Foto de Bill Bridges. Uma casa lsochanvre na Franga. Foto: cortesia de Hempworld. tudo LA e LNA na razéo otima de trés para um. O oleo de Iinhaqa. um produto com- paravel, é uma inddstria de seis milhoes de dolares. Atualmente o oleo de se- mente de canhamo é duas a trés vezes mais caro que ode linhaqa. mas tem mais aplicagoes por causa de seu paladar su- perior. case do queijo e dos burgers de cénhamo. Alguns analistas acreditam que, se 0 cénhamo fosse cultivado em escala industrial. 0 éleo de semente de canhamo seria trio barato quanto o oleo de milho. O maior obstéculo para a comercia- lizagéo de produtos de semente de ce- nhamo é a exigéncia legal de que as sementes sejam esterilizadas. lsso reduz seu frescor e seu potencial nutritlvo. Além dlsso. todas as nozes e sementes devem serfumigadas com metilbrometo. o que néo é apreciado pelos consumi- dores de alimentos saudéveis com cons- ciéncia ecologica. Até hoje néo se en- controu nenhum vestigio em sementes importadas porque 0 produto quimico é muito volétil, mas, na melhor das hipo- teses, ele é um depletivo do ozonio. Al- gumas empresas comeoaram a obter oleo prensando sementes nao esteriliza- das no Chile, mas o custo do transporte refrigerado é exatamente téo elevado quanto 0 de. prensar a semente no pais. O futuro do cénhamo Os produtos atualmente no mercado nao passam de uma pequena demonstraoao do potencial da utilidade do canhamo na fabricaqao de papel, fibra. allmento, combustlvel e intimeros outros produtos. 0 canhamo é recomendado para a recu- peraqéo de terras desmatadas. margi- nais, e contaminadas com metal pesado. e o século vindouro haveré sem ddvida de experimentar enonne necessidade desse tipo de recuperaoao. Como 0 ca- nhamo foi proibido exatamente no mo- mento em que a maquinaria estava pres- tes a introduzi-lo na era industrial. nunca houve oportunidade para seu aproveita—
  23. 23. mento como um recurso natural nos tempos modemos. Algumas pessoas, dentro da indus- tria, tém criticado os produtos de ca- nhamo que estao no mercado como ex- pressao de mero modismo. Temem que, dando-se atencao a modas baseadas no canhamo mais do que a artigos como 0 papel e materiais de construgao. esteja- se expondo a industria ao risco de ser meramente uma grande promessa malo- grada, Outros criticaram alguns mem- bros da indtistria de canhamo dos Esta- dos Unidos por misturar a questao da planta com a da legalizacao da maconha. Muitos dos produtos 2 venda estampam uma folha de "canhamo" que a maioria das pessoas associa a maconha. Na ver- dade. a controvérsia em tomo da planta acabou por favorecer a industria do ca- nhamo ao gerar publicidade para seus produtos. Uma rede de televisao pode naio transmltir historias sobre linho ou al- godao, mas canhamo é um assunto pal- pitante para um noticiéno. Ainda assim, alega-se que a insisténcia em vincular as duas questoes retarda o avanco name a restauraqao do canhamo industrial. 0 principal interesse da maior pane dos ativistas do canhamo volta-se para questoes ecologicas, e eles estao cansa— dos de ser acusados de promover 0 ca- nhamo simplesmente para poder “curtir seu barato". Contudo. com a neces- sidade de reforma das leis relativas as drogas, é diiicil nao falar abertamente sobre a injustica das leis referentes a maconha, panicularmente a luz da cres- cente evidéncia de teorias de cons- plracao industrial ao Iado da lnformacao sobre a funqao da maconha na medicina e na espiritualidade. O mais urgente tal- vez seja a discussao economica. Com as prisoes se tomando uma das industries que mais cresce. os recursos para o des- envolvimento de tecnologias limpas. verdes. provavelmente nao serao encon- lntrodugfio PT? “ i’ Lei de Taxacfio da Marihuana A Lel de Taxacio da Marihuana de I937 foi o golpe mortal para o cultivo legal do cfinhamo nos Estados Unidos. Tendo malogrado em suas tentatlvas de ter 0 canhamo classificado como droga. a Agéncla Federal de Narcoticos recor- reu a uma investida lndireta contra a planta. Conseguiu a aprovacao pelo Congresso de um proleto de lel que cributava o cinhamo 5 taxa de um délar por 30kg para fins industriais e médicos l". trados até que a Guerra as Drogas ter- mlne. Embora sejam uma so e mesma espécie, maconha e canhamo sao total- mente diferentes em caréterquando cul- tivadas para consumo industrial versus consumo médico. recreativo ou social. Com uma melhor compreensao da rela- can da humanidade com alucinogenos vegetais, se estabelecera a atmosfera to- lerante e racional sob a qual a indristria do canhamo podera florescer. Enquanto a Comunidade Economi- ca Européla. 0 Canada. a China e a ex- Uniao Soviética desenvolvem linhagens de sementes de canhamo. além de novas tecnologias e mercados. os forrnuladores dos programas de governo dos EUA con- tinuam a alimentara politi equivocada da "tolerancia zero". No entanto. a coali- zao em prol do canhamo industrial esta se fortalecendo a cada dia. abrangendo agricultores. financistas e industriais multinacionais, bem como jovens em- presarios entusiastas. No inlcio do século xx, 0 Departamento de Agricultura dos Estados Unidos desenvolveu linhagens hlbridas de sementes que, segundo seus re Iatorios. sao mais produtivas que 0 Ca- V. l". e I00 dolares para outros fins. Embora teorlcamente fosse um meio de gerar recelta. a. lei se destinava na realidade a esmagar a indiirscria do canl-ramo ——ima- l glne um taxa de um délar por 30kg . sobre o milho ou o algodio durante a ‘ Grande Depressio. A lei. fe1 com que mulcas empresas cessassem suas ativi- ‘ dades emransferlu o cinhamo da con- dlcio de produto vegetal doméstico le- gal para a de produto importado ilegal. l nhamo cultivado em qualquer outro lu» gar. E apenas uma questao de tempo até que outros palses também se beneficiem do cénhamo, qualificado outrora pelos autores da Constituicao dos Estados Uni- dos, Gouverneur Morris e Thomas Jeffer- son. como “de primeira necessidade para a riqueza e a protecéo do pals". ELLEN KOMP E CHRIS CONRAD cfinhamo. Cortesia da Dupetit Natural. ll
  24. 24. l O meio ambiente e o cultivo do canhamo Dlgamos que voce sale 0 govemo. Esta oonduzlndo um trem de cargo toxica descar- rllado que esta prestes acausar um colapso ambiental. " Um ntlmero cada vez maior dos seus clentlstas esta tocando o alerrne: a forte dependencla de oombustlvels fosseis esté causando nfveis crescentes de poluloao e chuves cada vez mais acldas. Sues llorestes estao desapareoendo num ritmo alarmante para servir as industries da construqao e do papel, deixendo atrés de si vastas areas do solo erodido. Terras cultivadas ou pestos que nao solreram erosao estao a tal ponto exaurldos e contami- nados com pesticides e inseticidas apllcados no algodao e em outros produtos que os fazendelros precisam usar ate 40 vezes mais iertilizantes do que um século atrés para obter a mesma produoao. E a agua da chuva nao absorvlda palo solo esta oontribuindo para a degradacao de seus reservatorlos de agua. Vooe esta em apuros. O que voce precisa 6 de uma lndfrstria nova. uma lndcrstria que seja cepaz de setislazer as necessidades hoje atendldas por combustlvels fosseis e madeira vlrgem; que passa ser operada de modo sustentavel sem polulr o solo. 0 ar ou a égua; que seja auto-suficiente e local. sem depender de palses estrangelros para explore-la. Essa lndtistria preclsaria empregar aqueles cidadéos anteriormente empregados pelos setores petroqulmlco. madeireiro e algodoeiro. Digamos que seja identificada uma erva que preenche mlraculosamente esses requisltos - e até Iimpa o solo contarnlnado. Vocé hesitari em implantar programas para lncentivar o cultivo dessa erva e a industria que o aoornpanha? Nao fol o que os govemos fizaram. Ao oontrarlo. eles puseram a erva na llegallqade. A erve acima descrita. e claro. é o canhamo. Cannabis sstiva. E a situaqao no se apllca apenas a alguns govemos. Todas as naobes industrializados enfrentam a degradaoao ambiental e tem a salvacao potencial a seu alcance na fonna desse erva. Todo canhamo é ilegal nos Estados Unidos e no Brasil, por exemplo. ate aquele cultivado para nao produzir quantidades signilicatlvas de Tetra—hldrocanablnol (THC). a substancla quimlca pslooativa presente na planta. Nas palavras do Andy Kerr, ativista do movimento ambientalista: "Seus pulmoes vlio so estragar antes que seus cérebros atinjem algum barato fumando canhamo industrial. “ Por que alguns palses néo conseguem distinguir entre canhamo industrial e maconha psicoativa quando tantos outros palsosjé estfio cultivando o canharno? Essa é uma questflo astimulante. Porém. quando se subscreve a teorla segundo a qual o govemo é asclarecldo gota a gate. de baixo para clma - de tal modo que so depois que praticamente todo mundo compreende uma questao 6 que ele vai comeqar a percebe-la —. flea clero que o primeiro passe deve ser a difusao da informacao. O que tem o canhamo de I50 maravllhoso? Que bom que voce perguntou. I3
  25. 25. O Grande Livro da Cannabis F””"“s It‘. ~ arr I (I) Copa da planta macho. em flor: (2) Copa da planta fémea. em fruto: (3) Planta nascida de semente; (4) Folhinha de grande folha dividida em I I; (5) Porcio de uma Inflorescéncia estamlnada. com brotos e uma flor macho madura: (6) Flores fémeas. com estigrnas se proletando da bractea peludaz (7) Fruto encerrado em perslstente bréctea peluda: (8) Fruto. vista lateral: (9) Fruto. visto da extremldade; (I0) Pélo glandular com caule mulrjcelular: (I I) Pélo glandular com caule invisivel curto. unice| uIar; ( I2) Pélo nio-glandular contendo um clstolito. Ilustragio de E. VV. Smith. III Canhamo: um recurso renovével Embora o etemo crescimento seja um dos conceitos centrais das naqfies e de suas eoonomias, nosso territério é finito. Assim como as aplicaqdes a Iongo prazo. herdamos uma vasta poupanga de recur- sos naturais desenvolvida ao Iongo de milénios. Essa poupanqa rende somente tanto por ano; se relirarmos demais dos recursos sem depositar nada de volta, comecaremos a corroero capital. Se isso continuar. um dia vamos descobrir que o planeta faliu. No passado, os agricullores ze| a- vam por sua terra. Moravam nela e em muitos casos ela estivera nas macs de suas famllias havia muito. de tal moda que eles tratavam de conserva—Ia para 7 " futuras geragoes, nutn'ndo o soIo em vez de exauri-lo. Essa agricultura sustentavel acabou em grande pane com a moder- nizagao das fazendas e da indiistria. Quando deixamos de morar nas fazen— das ou nas florestas, perdemos 0 es— timulo para preservé-las e teve inlcio uma dissipagao dos recursos naturais sem Igual em um bilhao de anos. que continua até 0 presents. Nosso capital encolhe a cada dia e a necessidade de uma agricullura sustentavel aumenta. Uma agricultura sustentavel, ecolo- gica. requeruma restauraqao do cultivo tradicional de maltiplos produtos com o uso de equipamento e métodos moder- nos de colheita e processamento. E pos- slvel demonstrar que a cultura do ca- nhamo para aproveitamento da fibra é a melhor escolha para esse fim. Sendo o canhamo biodegradavel, a remogao de seu refugo nao apresenta nenhum pro- blema de manejo de residuos. A erva requer relativamente pouco fenilizanle em comparaqéo a outros produtos fibro- sos e, tendo poucos predadores nalurais. precisa de pouco ou nenhum tralamento com pesticidas. Quase todas as panes da planta do cénhamo podem ser utilizadas pela in-
  26. 26. diistria: a semente, semelhante a um grao. a fibra resislente e o cerne lenhoso. oonhecido como hurd. O canhamo é uma planta que exige pouca manutencao e pode ser cultivada na maioria dos climas. néo reduz os nutrientes do solo e seu sistema radicular profundo pode ajudar a evitar a erosao. Fomece oito vezes e rneia mais fibras por hectare que arvores e absorve contaminadores de metal pe- sado do solo, purificando gradualmente a Ierra. Aicanqando de 2 a 5 metros de altura em 110 dias. a planta do canhamo assegura sua prépria protegao; da som- bra as sementes e reduz o uso de herbi- cidas caros. 0 cénhamo produz sete e meio a vime toneladas de caule seco por hectare. dependendo do clima e da va- riedade. Depois que ele é colhido. o cam- po Iica pralicamente Iivre de pragas para o plantio seguinte. Este ultimo fato por si so proporcionara aos agricultores uma economia de. milhares de délares e ao mesmo tempo estaré melhorando a qua- lidade da agua. Produtores que praticam aagricultura sustentavel ou organica po- dem fertilizar suas plantacoes de canha- mo com biofertilizantes como adubo oomposto. esterco e biossolidos, e plan- Iando produtos fixadores de nitrogénio como ervilhas, vagens e trifolios em ro- taoao com o canhamo. As copas e as folhas de canhamo. se devolvidas ao campo. aumentam a fertilidade do solo. 0 canhamo beneficia o meio am- biente e a economia rural ao mesmo tempo em que proporciona uma fonte altemativa sustentével de fibra para pa- pel, téxteis e outras finalidades. MALDITO ALGooAo Grande parte do Ienool freético examina- do em regioes agricolas do mundo todo estava atingida pelo escoamento de aguas contaminadas por pesticidas. her- bicidas e fertilizantes. No mundo inteiro ha milha res de rios e lagos contaminados a tail ponto que nada pode viver neles. Os perigos potenciais para a saude repre- sentados pelos pesticidas nao dizem res- peito apenas a vida silvestre. Em seu Iivro Medicina mundial. Tom Mount diz que os “agricultores do cinturfio do milho tem a maior incidéncia de mortes por leucemia, cancer da prostata e do pancreas", atri- bulveis a “introduqao de pesticidas de hidrocarboneto clorado em 1945". Os agricultores acreditaram nas garantias dadas pelas empresas qulmicas de que os pesticidas eram inofensivos para se- res humanos e perceberam que nao ti- nham escolha senao usar essas substan- cias quimicas em face da necessidade de sustentar suas fazendas e suas famflias. A planta que mais exige pesticidas é o algodao. Ele se adapta a uma ampla variedade de usos e é fécil fia-Io. mas os custos ambientais do seu cultivo sao in- calculaveis. O algodao é cultivado em 3% das melhores terras araveis do planeta e usa Iormidaveis 26% dos pesticidas do mundo. Trata-se de uma cullura exi- gente. que requer irrigacao intensa e consome mais de 7% dos fenilizantes usados anualmente. Ele exaure o solo mas é amplamente cultivado por palses em desenvolvimento ansiosos por um produto comercial para venda direta a fim de saldar dlvidas internacionais. En- quanto isso, os produtos alimentlcios sao negligenciados. as pessoas ficam famin- zas, e os recursos naturais dos paIses sao destruidos. A monocultura em grande escala do algodao em tomo do mar de Aral, no Cazaquistéo, fez 0 mar encolher a medida que aguas de seus afluentes eram desviadas. tendo o clima regional se modificado significativamente. Muitas 0 Meio Ambiente e o Cultivo do Canhamo Fibra de cfinhamo vista ac microscopic eletrénico. Cortesia do Institut for Angewandte Forschung. espécies extinguiram-se nessa area e a popuiacéo humana sofre de desnutricao e apresenta niveis elevados de anomaiias congénitas. Outras areas na Africa. India e nas Americas sofrem da mesma sIna. ’ Com poucos insetos inimigos e pe- quena competigéo por parte de ervas daninhas. o canhamo tem muito mais possibilidades que o aigodéo de produzir uma fibra de alta qualidade. sustentavel e cultivada organicamente. ALTERNATIVA AS ARVORES O desmatamento talvez seja a mais grave ameaca para a saude do planeta a Iongo TABELA I O lugar do cfinhamo numa rotagiio sustencével de culturas 19 ano 29 ano Canhamo Milho. Agflcar Betenaba, Cebola Milho Erviiha. Vagem 39 ano 49 ano 5‘ ano Trigo Trifoiio Capim Batatas Canhamo Cevada. Aveia Trifblio I5
  27. 27. O Grande Livro da Cannabis Pesticides e herbicidas chegaram a niveis crlticos de contzminacio prazo. A cada ano extinguem-se 27 mil espécies de vida. em razao sobretudo dos 120 miihbes de hectares de floresta que destrufmos nos flllimos 20 anos. Na Améri do None. ]a se perderam 97% da floresta madura que saudou os colo- nos europeus no século XVIL3 No Brasil, desde os tempos da ooionizaoao portu- guesa ate a atualidade. ja foram devas- tados mais de 90%da vegetacao de mata allantica. que possui uma diversidade biologica superior a encontrada na Flo- resta Amazbnica. Além de serem o habi- tat principal da maioria das lormas de vida. as florestas sao vitais também para a oonservacao do solo e para a conser- vacao de nosso ar ao remover dioxido de carbono e ratomar oxigenio. A medida que nossas florestas desaparaoem. a de- Iicada leia da vida se esgarca. aproxi- mando-se do ponto de ruptura. A demands dos produtos que hoje oblemos da madeira — sobretudo papel. materiais de oonstrucao e combustlvel — esta aumentando. O uso de madeira nos Estados Unidos. por peso. 6 igual ao de metais. plasticos e cimento combinados. 16 em muita: parte: do mundo. cerca de 100% da arvores que destruimos sao usadas para Iazer produtos de papel oomo papal de embmlho e papel de seda. Algumas empresas papeleiras pianlam arvores de eucalipto. de rapido crescimento. apes Iimpar o terreno e chamam isso de reflorestamento. As fo- Ihas caldas do eucalipto deixam no solo um tnl veneno que nada pode crescer ali por muitos anos depois que as arvores foram abatidas. As praticas de replanlio das empresas madeireiras sao um pobre substitute para a floresta natural porque a biodiversidade é destrulda. Populacoes silvestnes sao muito mais escassas em plantacoes de arvores que em verdadei- ras florestas. E imperativo que substitua- mos a madeira por uma fibra sustentavel. A CASA CONSTRUIDA COM CANHAMO Como qualquer apreciador de moveis amigos ou de casas velhas Ihe dira. ja nao se faz madeira como antigamente. lsso é simplesrnente uma funcao do tem- po: as arvores de 300 anos de idade que retiravamos das florestas originais eram resistentes gracas a competiqao: so po- diam crescer multo Ientamente. a medi- da que competiam por luz e agua. e por isso sua floresta era densa. Comparada a arvores pienamente desenvolvidas. uma espmoe de 12 anos numa area do reflorestamento nao passa de uma erva daninha que sobressai: ela tem Iiberdade para crescer muito rapidamente e sua madeira é fraca. Com a madeira ficando cada vez mais escassa e os preoos subindo veni- ginosamente, ha agora na industria quem acredite que essa se tornara uma merwdoria rara que deveria ser usada somente onde pudesse ser diretamente vista ou tocada. e que é precisa desen- volver um produto altemativo. Para esse fim. a industria de tabuas compensadas tornou-so um dos segmentos de mais rapido crescimento na indtistria de pro- dutos de madeira. As tabuas compensa- das oonsistem em fibra processada agin- tinada com resinas. Quando feitas com arvores as tabuas sao fracas. ja que as fibras individuals das arvores alcancam no maximo 2cm. de modo que essas tabuas so podem substituir madeira on- de nao se exija resistencla. Por outro Iado. as fibras do canhamo. que se es- tendem praticamente por todo o compri- mento da planta — até 4.5m ~. expan- diram os horizontes da industria de la- buas compensadas. Os principals constituintes do caule do canhamo sao a longa fibra primaria do llber, a fibra secundaria. mais cuna (estopa). celulose. hemicelulose e Iigni- na. cada um destes tem um Iugar pani- cular no ciclo da producao. A fibra exte- rior contém de 60 a 78% de celulose. ao passo que a polpa interior, ou hard. 6 composta de 36 a 41% dc celulose e de 31 a 37% de hemicelulose. A fibra, sobre- tudo a do lfber exterior. da resisténcia 8 forms a tabua compensada de canhamo. A celulose dos hurds compbe o grosso. A Iignina é uma cola organics que pode ser extraida e usada como aglutinanle
  28. 28. resinoso em Iugar dos aglutinantes con- vencionais que usam aldefdo fdrmioo. Os beneflcios do uso de compensa- dos baseados no canhamo. em vez de arvores. incluem uma melhor resisténcia ao fogo. a fungos. a roedores, aos cupins e outras pragas. além da preservacéo das florestas, do estfmulo as economias re- gionais e da sustentabilidade agrfoola. Ademais, oomo. desde que apropriada- mente macerado e empilhado. 0 ca- nhamo pode ser armazenado por vérios anos sem sofrer deterioracéo significati- va, 0 produtor pode tlrar pleno proveito de mercados instéveis. Para alcangar uma economia de es- cala lucrativa, uma fabrlca de tabuas compensadas ou de fibra processa 1.500 toneladas de matéria-prima por dia e opera 250 dias por ano. Sua produqéo é de 375 mil toneladas de tabuas por ano. A Istoneladas de caule seco por hectare, isso exige a produgao sazonal de 25.000 hectares de canhamo. (A 62 délares por tonelada, isso paga ao agricultor 1.050 délares por hectare. ) PAPEL DE CANHAMO Desde que o papel de canhamo fol inven- rado pelos chineses, ha cerca de dois mil anos, a planta nunca deixou de ser usada para esse fim. e tecidos de canhamo foram uma Ionte essencial para o papel de trapo. Numa ocorréncia macabra, apos a Segun- da Guerra Mundial. os fabricantes bn'tani- cos de papel Robert Fletcher and Sons compraram todos os unifonnes que res- tavam dos campos de concentraoéo nazls- ras, que eram feiras de canhamo. Desde entao. a empresa tem imponado fibra da Franga. porque é quase impossfvel obter tecidos que nao contenham fibras sintéti- cas que destroem a maquinaria de fabrico do papel. Atualmente. so duas dozias de fa- bricas de papel, sobretudo na China e na India, com duas na Europa. usam 0 ca- nhamo como fonte de fibra. 0 volume estimado da produgfio mundial é de cer- 0 Meio Ambiente e o CUIUVO do Cénhamo “', '-: __l, -51 .1’, A, ' s , . .9,; 'I. "- ‘ Desmatamento. uma prétlca que destrél a terra e o habitat da vida silvestre por séculos. das outras fontes ooncorrentes de polpa de celulose nao obtida da madeira (como bagaqo de cana-de-aqficar. linho mace- rado. jula. bambu e palha de cereais‘]. a fibra de canhamo tem qualidades dife- rentes dos demais materiais que fome- cem polpa. e por isso ela exige processos e equipamento especiais de batedura e refino. Em maroo de 1994. foi anunciado em Frankfurt, na Alemanha, o desenvol- ca de 120 mil toneladas de polpa de fibra de canhamo por ano. Por comparagéo, uma (mi fébrica tlpi de polpa de celulose produz pelo menos 250 mil to- neladas de polpa por ano. A maior parte da polpa de fibra de canhamo é usada para papéis de cigarros. filtros de papel. saquinhos de ché. papéis para fins artfs- ticos e papel-moeda. Embora 0 contendo de fibra da Can- nabrlsseja igual ou maiorqueoda maloria . - r. .[. o Em I993. 228 mil toneladas de pes- dcldas foram usadas no cultivo do algo- dio no mundo todo. Esses pesrjcidas contaminam nachos e r1os. destmindo tos cultivadores de algodso da Asia ecosslstemas e envenenando reserva- usam até sete vezes as quanddades torios de agua para consumo humano. prescriras de pestlcida em suas plan- a O nrfrmero de junho de I994 da Na- tacées. fional Geogmphic afirma que “somente ‘ . Nos Estados Unidos, cerca da mera- na Calif6rnia. cerca de seis miltoneladas de dos pesticidas usados atualmente de pesdcidas e desfolhantes sio usados é vaporizada em algodoeiros. no algodio num finlco ano". Grande parte da fibra para tecidos vem hole doalgodio. Qual éo prob| ema? Veja aqui: 0 Wail Stneetjoumal noticlou que mui- VF"! I7
  29. 29. O Grande Livro da Cannabis ea . _>. t-Iae—-3" Tibuas e reciplentes de hurd: de canhamo. Foto: cortesia do lnstitut fiir Angewandte Forschung. vimento de um processo de polpacao por um ciclo fechado de amonlaco-sull"rto- alcool (ASA). que torna posslvel a produ- céo de polpa de canhamo sem poluicao. [Anteriormente. nao menos de quatro cloracoes eram necessérias para remo- vera Iignina da celulose de canhamo. ) O a'lcooI, a agua e subprodutos do pmces- so podem ser recuperados para recicla- gem ou outras aplicacoes. A seletividade e as condicbes "iéceis" da polpacao ASA permitem que a polpacao da fibra do llber seja separada em flbras Iongas. com baixo teor de Iignina e fibras curtas com alto teor de Iignina. O processo de pol- pacéo ASA toma possivel a manufatura de polpa de hurd de canhamo igual em qualidade, 15% mais ciara e muito supe- rior em producao a polpa de celulose. Uma outra tecnologia para a polpacao do canhamo. desenvolvida na Holanda, com- bina cisalhamento e pequenas quantida- des de alcali e catallsador para remover mais de 75% da Iignina de fibras de ca- nhamo. (Os métodos qulmicos convencio- nais removem apenas 50% da Iignina. ) A polpaeao qulmlco-mecanica torna pos- slvel a manufatura de papel de canhamo 21 um custo muito mais baixo do que a partir da madeira.5 O peroxido de hidro- ‘I8 genio é mais um substituto posslvel para o cloro no processo de branqueamento. O canhamo néo é a dnica fonte nao arborea de fibra. mas é a melhor. Embora o linho prospere bem em ciimas tempe- rados (e tenha um conteudo de celulose semelhante ao do canhamo). a producao por hectare é de cerca de apenas 562,5kg. menos que a metade da produ- qao do canhamo, e o linho requer uma cuidadosa preparagao do solo. O raml perene da Asia produz cerca de 687,5kg por hectare em terras bem drenadas. mas breves periodos secos e quentes ou cndas de frio matam a plantacao. Ajuta tem uma produoao compara- vel a do canhamo. mas requer um clima quente e Limido, solo rioo em argila e grande abundancla de chuvas durante a fase de cresclmento. Além dlsso. a juta exaure o solo. Ela contém menos celu- lose que o canhamo e nab se presta bem a fabricaeao de papel porque nao alveja com facilidade e as fibras branqueadas se desintegram mais depressa A juta é barata. abundante e facil de fiar. mas é a mais fraca e a menos durével entre as principals fibras téxteis. O canhamo como recurso energético Embora seja inegavel que o canhamo foi usado como fonte de energia durante séculos. as discussoes atuais se concen- tram em seu potencial como produto energético. Para entender essa situacao, devemos primeiro oonsiderar as ques- toes técnicas envoividas no uso do ca- nhamo como recurso energético. para depois examinar mais de perto suas apll- cacoes e alcance econbmico. Praticamente qualquer planta ou matéria organlca (biomassa) pode ser convertida em combustlvel. Os combus- tiveis derivados de matéria vegetal sac conhecidos como biocombustlveis. Em 1990, um estudo da Universidade do Ha- val relatou que a gaseificaeao de bio- massa poderia suprir até 90% das neces- sidades energéticas daquele estado. ° Os biocombustlveis apresentam varias van- tagens decisivas sobre outros combus- tlveis fésseis:7 . As plantas nao contém quase nenhum enxofre. tampouoo varios dos demais contaminadores comumente encon- trados no petroleo e geradores de po- iuicao quando queimados como combustlvel. O enxofre é um compo- nente presente na chuva acida. » Producoes agrlcolas locals podem ser convertidas em combustlvel. lsso toma a energia mais acessivel. cria empre- gos comunitarios e ajuda a estimulara independencia e autonomia economi- cas regionais. . A_s plantas usam um processo quimico conhecido como fotosslntese para converter agua e diéxido de carbono (CO2) em carboidratos e oxigénio. Co- mo 0 C02 é produzido pela queima do combustlvel, a produqao de biomassa recicla essenciaimente esse gas, prin- cipal causa do aquecimento global. reconvertendo-o numa fonte de com- bustlvel e limpando com isso a atmos- fera. . Uma vez que a colheita de vegetais néo requer mineragao. em profundi- dade ou superficial. ou perfuracao, e nao provoca derramamentos de oleo. a producao de biomassa é melhor para o meio ambiente. 0 Colheitas anuais de fazendas séo fon- tes sustentéveis de combustlvel; sao renovadas ou reconstituldas por nova colheita a cada ano, em vez de serem constantemente exauridas ou esvazia- das. como os combustlvels fosseis. . E posslvel usar produtos agricolas, in- dustriais e provenientes do lixo como matéria-prima para a produoao de combustlvel. reduzindo assim o lixo solido. cuja remocao de outro moda representaria um problema. Aspectos negativos dos biocombus~ tlveis:
  30. 30. 0 Sairas anuais sac cclhidas sazonal- mente. nao ao longa do ano todo. . A biomassa é relatlvamente volumosa. o que exige compactacao e eleva cus- tos de armazenamento e transporte. . Sena preciso investir um capital consi- deravel na implantacao de equipa- mentos de pirolise e lncineracao. . As plantas requerem um processa- mento adicional para serem concen- tradas de mode a chegar a condicao de combustiveis fosseis Em suma, os beneficios dos bio- combustiveis superam em multo suas desvantagens. E uma vez convertida em combustivel, a matéria-prima se adapta perieitamente a toda a infra-estrutura de distnbuigao e uso hoje existente: navios- tanque, vagfies de carga, oleodutos, ins- talaqoes de armazenamento e assim por diante. Com o passar do tempo. parte cada vez maior da indL'rstn'a energética vem compreendendo que a biomassa nao é apenas uma opgao — ela é o futuro. A biomassa pode ser processada para se converter numa ampla variedade de combustiveis llquldos. solidos e gaso- sos, que por sua vez podem ser usados para produzir eletricidade. Um aspecto que toma a biomassa particularmente arraenle é que a tecnologia necessaria jé existe. A lnfra—estrutura ja lmplantada é capaz de processar. armazenar e trans- portar biocombustiveis com relative- mente pouca adaptaqao ou modifrcacao. A opcao pelos biocombustiveis pro- porciona na verdade um ganho econo- mico signiiicativo de um ponto de vista ecologico, porque a exploracac. perfum- cac, extraeao, processamento e trans- porte de combustiveis fosseis terao sido todos eliminados e o produto final é um combustivel nao poluente. A principal razao por que cs combustiveis iosseis parecem ter uma vantagem de preco é que o custo de reparacao do dano am- biental é ignorado. Por que? Porque cs produtores de. energia petroquimica sa- bem que os custos para consertar os estragos que deixam atras de si seriam proibitivos, e seus aliados no governo simplesmente iecham os olhos. Da mes- ma maneira, 0 use da defesa militar dos campos petroliferos é deixado fora da equacao. Ao mesmo tempo, essas em- presas obtém grandes incentivos fiscais na forma de reducoes de preco para a exploracao de petroleo em tenas parti- culares e acesso subsidiado a reservas priblicas de energia. Resumindo. cs cus- tos reals sac transferidos para os contri- buintes sem seu conhecimento ou con- sentimento. A medida que a disponibilldade e a qualidade dos combustiveis fosseis con- tinuarem se deteriorando nos proxlmos anos, o preco da energia vai subir. A medida que tiverem maiorconhecimento acerca da entrega da riqueza coletiva as empresas multinaclonais de energia, os contribulntes vao exlgir que o governo reduza ou elimine essas esmolas. O efei- to combinado dessas mudancas sera um campo de concorréncia mais eqfiitativo. com maiores incentivos economicos e ambientais para a transicao para os biocombustiveis. E isso nem sequer leva em conta a economia com cuidados pre- ventivos e tratamento de doeneas que seria proporcionada pela vida num am- biente mais limpo. A pesquisa do potencial que apre- senta o uso de enzimas para extrair hl- drogénio de carboidratos vegetais pro- mete um combustivel multo limpo (quan- do o hidrogenio é queimado, seu rinico subproduto é H20 — égual), mas o processo é caro e a infra-estrutura téc- nica para o uso efetivo do hidrogenlo ainda nao esta pronta para a producao em massa. Até que esse obstéculo seja eliminado. a abordagem mais pratica pa- rece ser 3 conversao do canhamo e de outras biomassas em combustiveis con- vencionais. Em 1992. apos estudos numa usina piloto originalmente projetada para a conversac de carvao em gas, a General Electric relatou que a biomassa é uma fonte viavel de combustlvel. Os pesqui- sadores verificaram que a biomassa Ie- O Meio Ambiente e 0 Cultivo do Cénhamo HURDS l Os pedacos quebrados do cerne le- nhoso sic chamadas de hurds. Eles ‘ sio uma mercadoriavaliosmcom mui- i tos usos. inclusive polpa de papel, l“rbra compensada. lsochanvre. substrato para plantacio. usos sem tecedura. biofiltros e leito para animals. Os hurds sio 50% mais absorventes que lascas de madeira e se degradam ra- pidamente num monte de adubo: os hurds podem ser usados para polpa de papel. como matéria-prima para pro- dutos quimlcos como celofane e raiom. e em muitos materiais indus- trials. Foto de Mari Kane. T, 1 , _,, nhosa tinha cerca da metade do valor caloricc de igual peso de carvao e um sexto de igual peso de gas natural. mas conjeturaram que o custo real da elem‘- cidade gerada a partir de biocombus- tiveis seria mais baixo porcausa de eco- nomias nos sistemas de controle da po- luicfio. Gene Kimura. analista da GE. res- salvou que. dadas as preccupacoes em tcmo do desmatamento global. cs bio- combustiveis so poderiam ser economi- camente viaveis em conjuncao com “al- gum tipo de manejo ilorestal". l9
  31. 31. O Grande LN| 'O da Cannabts 300 270 250 210 180 150 120 90 60 30 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 20 Fonte: onu. Ovganzaqbo para Altmentacao e Agriculture (FAD) / $9.. vlrgem Ate: reciclado 1900 1910 1920 1930 1960 1950 1960 1970 1980 1990 2000 Consume mundial de papel. |9|3-9|. e dc papel reciclado. I983-9 I. Gréfico: cortesia do lnstltuto Worldwatch Fonte: om, Ovgaruacbo para Alimentagéo e Agrtcultura (Mo) . V1'l1‘, 'H. t‘t. llt lH1lu)|1_tIl‘L‘ c. mtshuc. m 1950 1955 1960 1965 1970 1975 1980 1985 1990 1995 2000 Consumo mundial de madeira. I950-9| . Griflco: cortesla do lnstituto Worldwatch. Por que néo deixar as florestas fora da equacao e usar um produto agrioola de oolheita anual como fonte de biocom- busttvel? Nesse case, a melhor opcéo é o canhamo. Ha duas importantes fontes de biocombustlvel a serem obtidas do canhamo: o oleo da semente e o caule. Vamos considerar cada um por vez. A SEMENTE DE CANHAMO COMO some or ENERGIA Os oleos vegetais 560 superiores ao pe- troleo sob varios aspectos. e a semente de canhamo produz um dos mais tinos oleos da natureza. Ele pode também ser facilmente convertido em combustlvel diesel. Desde que néo seja para consu- mo humano. o o| eo ranqoso pode ser usado. Processos de extracao qulmica podem elevar a producéo total de oleo para -10% do volume de sementes. Esse oleo combustivel era tradictonalmente refinado e usado em Iampadas. no aque- cimento e para oozinhar. Uma colheita media do sementes de canhamo oorresponde a 50 a 75 al- queires por hectare. cada alqueire pe- sando 20kg. Islo nos deixa com uma variacao de 1 a 15 toneladas por hectare, para uma média de 125 tonelada por hectare. (Estes nflmeros sac conserva~ dores. Um estudo do canhamo silvestre feito no Illinois chegou a uma eslimativa muito mais alta da producéo da semente. dez toneladas por hectare. numero apro- ximadamente oito vezes maior que os apresentados aqui. °) Se 35% desse peso torem men, a producéo sera de 437,5kg. 0 oleo de canhamo pesa cerca de 3.5kg por galéo. lsso significa que um hectare produziria cerca de 120 games de oleo de semente (comparados aos I50 da acafroa on do girassol). mais Bsokg de massa de se- mente. além de varias toneladas de cau- le. (Um hectare de semente de canhamo produzira um menor peso de caules e uma fibra de qualidade inferior que a pm- duzida por uma planta fibrosa. Depen-
  32. 32. dendo da demanda e da qualidade do produto, a massa de semente e o caule podem também ser oomercializados co- mo produtos separados ou convertidos em combustlvel, como descrito a seguir. ) 0 oleo de semente de canhamo tem qualidades combustiveis e nlveis de vis- cosidade semelhantes aos do oleo calo- rlfero numero dois. E substancialmente mais espesso que o combustlvel llquido processado e se beneficia da adicao de uma pequena quantidade de metanol. lsso produz um combustlvel llquldo oxi- genado de qualidade superior. com Ii- mites de variaqao de fervura e uma vis- cosidade semelhantes aos do diesel de petroleo. Sem essa modificacao, o oleo de canhamo. como qualquer outro oleo vegetal. acarretaria excessivos depositos de injetores. Uma vez processada. no entanto. essa fonte hlbrida de combus- tlvel produz plena poténcia do motor com monéxido de carbono reduzido e 75% menos luligem e particulados. A questao crltica aqui nao é decidir se é posslvel ou nao produzir energia dessa maneira, mas se outros usos para a planta nao seriam mais lucrativos. Pelo menos por enquanto. o uso da semente e de seu oleo como nutriente, lubrificante e na industria é mais Iucrativo que a producao de 125 galoes por hectare. Contudo, se tal combustlvel fosse usado por agricultores para mover equipamen- los. essa auto-suficiéncia reduziria os custos globais da producao e elevaria a Iucratividade da plantacao. O CAULE DE CANHAMO COMO FONTE DE ENERGIA Numa base de producao por hectare, incluir os caules de canhamo como com- bustlvel é muito mais produtivo que limi- tar esse desenvolvimento ao oleo da se- mente. As ralzes do canhamo e a matéria folhada ennqueceni, arejam e afrouxam osolo quando nele deixadas para preser- var sua vitalidade. O caule lenhoso do canhamo pode ser removido e enfardado l-“VF O Vale do Cancer, EUA Provavelmente o maior dano causado pelas fabricas de papel decorre do uso de alveiante de cloro para tratar a Iigni- na da madeiraToda fibra contém Iignina. a cola natural que aglutlna as paredes das células da planta. E essenclal remo- ver da celulose seu contetido de Iignina para produzir um papel macio, branca: se houver muita Iignina residual. a fibra fica castanha e de dificil manejo. A re- mocio da Iignina é feita com cloro, um composta extremamente volatil que se combina facilmente com hidrocarbone- to: para produzir organocloridos. uma famllla téxica de substanclas como o DDT e clordane. Como nao se decom- poem facilmente. os organoclorldos se transferem de nossas aguas até a cadela alimentar. acumulando-se em nossos préprlos corpos em quantidade: cada [_. r. Y , O Meio Ambiente e o Cultlvo do Canhamo vez maiores. Dados recentes mos- 7 traram que os organocloridos prova- velmente causam danos genéticos ir- recuperaveis aos nossos sistemas Imu- nolégico e hormonal. ’ A dioxlna. subs- tancia qulmlca presence no agente la- ranja. é um subproduto formado quan- do a polpa é tratada com alveiante de 1 cloro. Ela é produzida continuamente pelas fabricas de papel de todo o mun- 1 do. As comunidades préxlmas as fabri- cas vém relatando nlveis escanda- losamente elevados de doencas. entre as quais cancer. perturbacées nervosas e danos ao flgado. Numa area do Maine conheclda pelos habltantes como "Vale ‘ do Cancer" foram constatadas taxas terrlveis de enfisema. asma. llnfoma. cancer do pulmao. Ieucemia e anemia apléstica. '°
  33. 33. 0 Grande LMO da Cannabis on enlelxado e queimado dlretamente para produzir clor a para alimentar cal- delral geradores do eletrlcldade. A celu- lose a a hemicelulose do oeme podem ser deoompostas enzimatlce ou bacte- riologlcamente em amides que. por sua vez. podem ser translonnados por ter- mentacao em combustiveis alcoolicos ou ainda deslntegrados em metanol. etanol ou gas metano. A plrdllse. do que os antigos egtpclos foram os ploneiros. pode produzir carvlo vegetal. gases nio condensévels. acldo acetico. acetone. metanol e llquldos organicos conden- savels conhecldoscomo oleo combus- tlvel pirolltico. A tecnologia pode {uncla- nar com alga entre tambores de 55 ga- loes grandes usinas processadoras. Produzlndo 12.5 a 25 toneladas de caules secos por hectare. a agriculture voltada para a producao de energia po- deria ser um empreendlmento renlavel. “ Usando B clfra conservadora de 12.5 to- neladas. podemos extrapolar: a conver- sao do 12.5 toneladas de caules produ- zlra 1.250 galdes de Inetanol por hectare. A um custo por atacado de 60 centavos de dolar por gallo. lsso equlvale e um ganho bmto de 750 delete: per hectare. um pouco mais que vegetais cornumente cultlvedos como a trigo on o milho. Por outro Iado, a compra dessas mesmoe 1.250 galoes de combustlvel custarla no lazendelm cerca de 1.500 dolares. Por- tanto. o valor desse combustlvel dobra para o agrlcultor se ale 0 user para contrabalancar as despesas da levoum em vez de vende-lo por atecado para depois comprar combustlvel no mercado varejlsta. Isto parece sugerlr desenvolvimen- to cooperative do unldades roglonals pa- re 8 conversao do biomassa de tamenho pequeno a media. onde as agricultores levariam canhamo cru ou perclalmente processado para seroonvertldo. em troca de um lomeclmemo regular de combus- tivel. lsso poderia ser feito em conjuncao com uma decorticacao ou outro servioo do genera. de tal modo que a oolhelta do canhamo losse selecionada, processado 22 e expedlda oomo material de valor agre- gado para o devido usuerlo final. lsso proporcionada no agricultor seu mais elevado potencial de lucro: fomeoer as lnddstrlas materiais promos para 0 use e baixos custos de transports graces a all- mlnacao do volume inicial e do custos postarlores para o descane de subpro- dutos nao desejados. Uma analise prove retomos energe- tioos mais elevados se for produzido gaso- genio atreves da gaseiflcaoflo dos caules. " outras opqbes sea a hldrollse. a dltragao. ou varies processos de destilacao O canhamo como gerador de energia Para que o canhamo lomecesse toda a energia requerida por um pals come as Estados Unidos (ou mesmo uma grande percentagem dela) seria preclso dedir milhbes de hectares a sua producfio. Em- bora alguns pesquisadores conslderem a escala necesserla de produqlo lnvIe- vel. “ outros aflrmam que o suprlmento das demandas de oleo a gas dos Estados Unidos lriam exlgir o cultivo lntensivo de apenas 6% do territdrlo dos AB estados oontlguos, ou pouco mais de 6.4 mllhoes do hectares. “ Essa extensao de term inclui atualntente 188.8 mllhoes de hec- tares de levoura. 51.6 milhtles do hec- tares de pastagenl a 160.68 milhbes de hectares de campo nberto (foram dedu- zldas todas as terras lederais, as areas do desenvolvimento urbano e 157.6 mllhoes de hectares de tloresta mral). lsso signi- flca que apenas cerca de 21% dessas terras oomblnades leriam que dar Iugar a fazendas produtoras dc energia para lorneoer o combustlvel ltquldo neces- sarlo para qualquer ano dado. lsso sent mltlgado em certs medida pela conversao energetics de subprodutos agrloolas (por exemplo. esterco, palha de trigo ou soro produzido no fabrico de quei- jo) e do lixo urbano solldo (1.8 tonelada de lixo entartlado produz cerca de uma tone- lada de oleo calorifero. mas o lixo tam- bém tern contamlnantes adlclonais a se- rem removldos). 0 Institute for Local Self-Reliance esllma que 347.5 mllhoes da toneladas de lixo reolclevel sao pro- duzldos por ano nos Estados Unidos. o que geraria energia equivalente a cerca de 28 milhtles de hectares de canhamo. ‘-" Se fosse posslvel recuperar cerca de metade dlsso. ainda seria preclso pro- duzir aproximadamente 32,4 mllhoes de hectares de biomassa bruta a code ano. mais ou menos 20% da terra cultivavel dlsponlvel. cerca de 15% da tetra culti- vavel sao hole excluldos do producao. em parte como tetra arada mas nap semes- da para conservar a viabllldade no solo e em parte porque interesse so agrlcultor manter com nwel baixo o abastecimento de alimenlos e assim segurar os preqos num nlvel lucratlvo para 51. O canhamo. no ententq pode ser cultivado para re- consrtituir o solo ou para ellmlnar ervas danlnhas e agentes patogenicos e. 19 que seria usado oomo combustlvel. nan iria oompetir diretamente com outros produ- tos. Assim, se dois tercos dessa tens nao semeada tossem usados para a producéo egrloola de energia. isso darts indepen- dencia energética aos Estados Unidos me- dlanle 0 uso de opens: 10% das terras de levoura atuais para a producao de blo- combustlvels, ou 18.8 mllhoes do hectares Esse total poderia também ser dlvldido entre terras de lavoura e pastegem. de mode a delauar mats tem: dlsponlvel para a producao do alimentos. Nlo esta conside- rado aqui o uso (to areas urbanas pouco deserwolvldas em terrenos desocupados :2 areas industriais. que também poderiam ser lncluldas O ponto essenclal e que lsso pode ser feito, desde que hale vontede politics 6 investlmento economico. mes nao aoontecera da noite para 0 dia. 0 cultivo do canhamo como um produto gerador do energia é uma altematlva vlavel a Iongo prazo para a demanda de combus- tlvel dos Estados Unidos, que consomem cerca de 60% da produqao anual do energia do pleneta. Biocombustlveis de
  34. 34. canhamo sac alnda mais pratlcos para areas geogralicas que demandem me- nos energia que a América do None De uma perspective global, la se afir- mou que o canhamo é a planta por exce- lencla para a geraoao de biomassa (melhor que milho ou arvores, por exemplo] quan- do se apllcam crltérlos eoologicos susten- taveis. Tais crltertos exigirlam o segulnte: o Ellminar todos os pesticidas. herblcidas e lertllimntes qulmloos e outras toxtnas o Limilar o cultivo a processos naturals. nrganlcos. o lnclutr areas marglnals one term bem como terms cultlvavets de prlmelra qualidade. o lnclulra rotaofio de cultures para con- sen/ ar a fertllldade do solo e controlar agentes patogenlcos. o Conslderar a agua oonsumida para o rendlmento da plantaoao. o lnclulr todos os custos energétioos do cultivo e da conversao. o Eliminar todos os subsldlos e lsenobes ambientais. o lncluir todos os custos das reparaqoes ambientais relacionadas com a produ- cflo da energia (como poluloao do ar, esgotamento do solo e vazamento de produtos qulmlcos). '° A energia como subproduto do canhamo Na dltima vez em que 0 canhamo foi cultivado em grande escala nos Estados Unidos. durante a Segundo Guerra Mun- dlal. a combustao local de apenas 20% dos materiais relugados era suficiente para aclonar usinas de processamento do canhamo, sendo que metade da ener- gia produzida era um excedenle reven- dldo para as empresas de energia pela Companhia das Industries do Canhamo para a Guerra. ” Teorlcamente. os 80% restantes também poderiam ter sido convertidos em energia e vendidos. Um desestlmulo ao uso do canha- mo como blocombusllval é seu grande ; 'r;3|l .1. 4 l ‘ valor para outras apllcaooes. Durante o processo de conversao do canhamo em fibra ou polpa do celulose. porém. pro- duz-se slgniflcatlvo volume de relugo que tem valor como matéria-prima gera- dora de energia. Se um fabrtcante pos- suir um sistema integrado que utilize todas as partes da planta. essa objecao se torna lrralevante porque nfio ha des- perdlclo. O potencial prético do canhamo como combustlvel Levando-se tudo em oonta. evidencia-se que o canhamo tem de fato um bom potencial oomo recurso blocombustlvel. Na maior parte dos casos. o valor da fibra e da semente da planta sari maior que o valor da energia que ela pmduzlrla. Mas O Meio Amblente e o Cultrvo do Canhamu tecidos cordame materlals de construcao papel e embalagens movels materlal elétrlco lndustrlas automotlvas tlntas e vedantes plastlcos e polfmeros Iubrlflwntes e combustlvel energia e olomassa adubo alimentos e racoes o refugo gerado em qualquer ponto da cadela de produeao pode ser oonvartido em combustlvel e utlllzado para abater o custo da compra de energla. Usando o canhamo oomo fonte dc combustlvel. empresas do energia po- dem consegulr economlas signllicatlvas na lnstalaoao e operaqao de equipamen- tos de controle da poluioao. Empresas que la operam com outros combustiveis poderiam usar canhamo ou relugo do canhamo como um suplemento sazonal para reduzlr os custos operaclonais glo- bais e ampliar 0 suprimento dlsponlvel de outras fontes de combustlvel. A biomassa de canhamo seria es- pecialmente lmportante para as naobes do Terceiro Mundo e povos que vlvem em areas onde outras tontes de energra sao escassas. ou para comuntdades tfio pobres que o custo do combustlvel limlta a capacldade do desenvolvimento da economia local. 23

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