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Resumos de História – 1ºtesteAs transformações das primeiras décadas do Seculo XXAs primeiras décadas do século XX foram a...
O fracasso da SDN sucedeu-se com o abandono dos EUA, que não concordavam comalgumas ideias impostas no Tratado de Versalhe...
A Implantação do modelo Marxista-Leninista na Rússia- O modelo SoviéticoA Rússia dos finais do século XIX encontrava-se ai...
Em março dá-se uma manifestação em Petrograd para festejar o Dia Internacional daMulher, que rapidamente se sucumbe numa R...
No entanto, os bolcheviques não foram bem recebidos pelas massas, que continuavamrevoltadas com a ruína económica e com as...
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desencadeará na Segunda Guerra Mundial. Esta necessidade da adesão ao autoritarismoreflete a regressão do Demoliberalismo....
Finalmente, o esforço foi compensado, dado que, após o conflito que provocara tantocaos e destruição, as mulheres adquirem...
O segundo plano quinquenal é desenvolvido de 1933 a 1937 e, apesar de continuar aprivilegiar a indústria pesada, cria meta...
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A imprensa, já existente há séculos, passa a ser direccionada à massa, com a utilizaçãode um vocabulário simples e informa...
Salazar enaltece também a imagem da família portuguesa, onde o papel da mulher sereduz ao papel passivo de submissa à famí...
procurava controlava os tempos livres dos trabalhadores, com atividades “educativas” dotadasde nacionalismo.Entretanto, o ...
condicionamento industrial, entre 1931 e 1937, que impedia qualquer avanço ou criação defábricas que não fosse aprovado pr...
Manter a paz e reprimir os atos de agressão através de meios pacíficos e de acordocom a justiça e com os direitos do Homem...
Deste modo, inicia-se no continente asiático o processo de descolonização. No MédioOriente, tornam-se independentes a Síri...
No entanto, as três potências mantêm “estacionadas” as suas tropas na cidade deBerlim, o que é visto por Estaline como uma...
ideologia a doutrina social da igreja e visavam o bem estar do homem maioritariamente a nívelespiritual.Deste modo, enfati...
Tudo isto motiva a sociedade ao típico consumismo, com a agravante dos progressostecnológicos e da importância dos novos s...
República Popular, após trinta anos de falhadas tentativas. Apesar de não terem contado comum grande apoio por parte da UR...
No entanto, nem todas as competições entre as duas superpotências foram perigosas.A competição mais saudável desenvolveu-s...
siderúrgica, assim como novos sectores, tais como o automóvel, a televisão a cores, osaparelhos de circuito integrado, ent...
do Carvão e do Aço). Esta é criada a partir da assinatura do Tratado de Roma, em 1957, no qualos países que integravam a C...
Esta conferência tem grandes proporções no mundo “colonial” e inspira o Movimentodos Não Alinhados, que é criado na Confer...
No entanto, aquando do decorrer das políticas de Gorbatchov, os países de Leste quese encontravam sob o domínio soviético,...
Além disso, também os novos países, independentes da União Soviética, viram-se emcrise económica. Com o afastamento da naç...
No entanto, o seu elevado estatuto perante o mundo gerou alguma controvérsiaquando, apercebendo-se do seu enorme poderio, ...
Resumos de História 12ºano - Preparação para exame
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Resumos de História 12ºano - Preparação para exame

  1. 1. Resumos de História – 1ºtesteAs transformações das primeiras décadas do Seculo XXAs primeiras décadas do século XX foram alvo de inúmeras mudanças quer a nívelcultural e social, quer a nível político e económico. O mundo estava em constante mutação etudo se desenvolvia a uma velocidade inimaginável - telefones, rádios e televisões começarama aparecer em todas os estabelecimentos e casas e, em poucas décadas, estas tecnologias já seencontravam totalmente globalizadas.A nível político e económico as mudanças foram catastróficas quando, a28 de Junho de 1914, o arquiduque Francisco Fernando, herdeiro ao trono Austro-húngaro, e a sua esposa Sofia de Hohenberg, foram assassinados por um membrode um grupo nacionalista-terrorista de nome Mão Negra. Este facto desencadeouum dos maiores conflitos conhecidos na História, a Primeira Guerra Mundial.Na altura a Inglaterra e a Alemanha encontravam-se num auge de poder.Possuíam prósperas colónias, rotas comerciais abundantes, riquezas e as suas capitais eramgrandes centros culturais que atraíam pessoas de todas as partes do mundo. Contudo, após oincidente Austro-Húngaro a Alemanha aliou-se e rompeu num caos e guerra do qual resultou adestruição de vários territórios franceses e na tentativa de conquista de colónias quepertenciam aos Ingleses e Franceses. Esta guerra durou quatro anos e terminou, finalmente, a11 de Novembro de 1918.Deste modo, medidas tiveram que ser tomadas e após o conflito as nações vencedorasreuniram-se em Paris, no início de janeiro de 1919, para a Conferência de Paz. Neste encontroforam ditadas as condições dos países vencidos, com foco principal na Alemanha, na tentativade impedir definitivamente que outra guerra se estabelecesse.Os resultados reflectiram-se na criação de vários tratados, nomeadamente o Tratadode Versalhes, cuja assinatura decorreu a 28 de Junho de 1919, onde é estruturado o “castigo”das nações vencidas. Deste tratado entra em vigor uma nova geografia política e uma novaordem internacional. Na Europa, a Áustria torna-se um estado independente, surgem aPolónia, a Checoslováquia, a Jugoslávia e a Hungria que se separam da Áustria. A Françarecupera a Alsácia-Lorena, que havia perdido nos finais do século XIX para a Alemanha. NaÁsia, a Arábia torna-se independente.Outras modificações são visíveis e destas a principal perdedora é a Alemanha –considerada como responsável pela guerra. Humilhada, a nação é obrigada a ceder à Françaterritórios e minas para substituir aqueles que destruiu; a reconhecer a independência eaceitar as novas fronteiras ditadas; a renunciar todos os seus direitos sob as colónias; à posede um exército exclusivo que não tenha capacidade de implementar outra guerra; à proibiçãodo fabrico e importação de engenhos militares; à proibição do fabrico de armas que nãotenham sido aprovadas pelas principais potências (EUA, Inglaterra, França e Itália); e aoreconhecimento da sua responsabilidade e danos causados na guerra. Além disso, este paíssofrerá de um juro excêntrico que terá que pagar aos países que sofreram danos e perdas coma guerra, nomeadamente a França.O tratado previa também a criação da Sociedade das Nações. Este projecto, propostopelo presidente Wilson, tinha como objetivo a promoção da paz e a solução para os danos dopós-guerra. Apesar de não ter vingado e se ter dissolvido poucos anos depois da sua criação,esta sociedade foi, mais tarde, uma inspiração para a criação da ONU.
  2. 2. O fracasso da SDN sucedeu-se com o abandono dos EUA, que não concordavam comalgumas ideias impostas no Tratado de Versalhes, tais como os prejuízos e humilhações dospaíses vencidos – que ia contra os ideais de igualdade defendidos pelo presidente Wilson.Assim, a SDN, na qual já não participavam os países vencidos, perdeu uma das suas principaisnações e, com o tempo, foi perdendo também os países que eram considerados como“minorias”, tais como Portugal, e que se sentiam revoltados por não terem qualquer méritonem serem favorecidos.A Europa era, no pós-guerra, ainda um palco de guerra. Os países encontravam-seenfraquecidos com o caos e destruição causados pela guerra e entram numa crise económica,social e cultural, na tentativa de concertarem os danos. Logicamente, isto reflecte-se numenclausuramento dos países e gera uma enorme competição entre eles. A batalha contra acrise e o ambiente de guerra ainda se encontrava nas relações entre as nações.A Primeira Grande Guerra deixou a Europa arruinada. A crise que se abateu sobretodos era complexa e várias medidas tiveram que ser impostas para tentar equilibrar a balançaeconómica, social e comercial. A desvalorização da moeda de modo a estimular o comércio foia principal medida; os produtos ficam mais baratos o que aumenta a exportação para outraspartes do mundo, que preferem os seus preços – o que contribui para o aumento dacompetitividade entre nações).Por outro lado, a guerra deixa também marcas que não têm retorno, tais como adesorganização do comércio e a perda dos mercados para as grandes potências fora daeuropa, os EUA e o Japão. Nisto dá-se a ascensão dos Estados Unidos que, intactos da guerra,tornam-se os credores de uma Europa que procura no exterior um suporte para o seu mercadoe economia.Esta nação sofre, em 1920, uma pequena mas violenta crise da qual resulta o aumentodo desemprego e diminuição dos salários. Neste sentido, como acontece ao longo da história,a conjuntura económica e social com que os Estados Unidos se deparam reflecte-se naformação de um novo modelo económico, baseado nos ideais preconizados por Adam Smith,que assenta na iniciativa privada e na correcção de possíveis falhas no mercado, assim comouma aplicação de métodos de racionalização do trabalho, que tinha como objetivo diminuir oscustos de produção e permitir o aumento dos salários.Neste sentido, nascem dois conceitos mediáticos na história, o Taylorismo e oFordismo. O primeiro, criado por Frederick Taylor (1856-1915), preconiza a divisão do trabalhonas indústrias, baseado na divisão das tarefas e no planeamento prévio do tempo deprodução, que é obtido através da cronometragem. Deste modo, compete aos trabalhadoresuma dada tarefa e um tempo certo para a realizar, gerando, assim, uma maior competiçãoentre as indústrias, que competem pelo alcance de tempos mais reduzidos de produção. Osegundo, criado por Henri Ford, dono da indústria de automóveis Ford, assentava numapolítica de salários mais altos e num aumento (baseado nas teorias de Taylor) da velocidade derealização de tarefas, que estava altamente dependente das máquinas, sendo que otrabalhador teria que alcançar uma eficiência de trabalho semelhante àquela que as máquinasjá alcançavam. Estes ideais podem parecer negativos pois o trabalhador é visto como um mero“objeto”, no entanto, com o aumento dos salários aumenta também o incentivo e um maiorpoder de compra na classe operária, o que a satisfaz e cria a ideia que até o mais pobre podesubir na vida com o esforço, gerando, deste modo, contentamento e aumento da produção eda qualidade.
  3. 3. A Implantação do modelo Marxista-Leninista na Rússia- O modelo SoviéticoA Rússia dos finais do século XIX encontrava-se ainda muito atrasada em relação àsoutras nações. O seu controlo estava sob o poder do Czar, que se assemelhava ao AntigoRegime da Europa, já posto de parte muitos anos antes. A revolução que terminou amonarquia absoluta em todos os cantos do continente ainda não tinha marcas visíveis naRússia, no entanto, os camponeses, que constituíam quase 90% da população, começavam ainteirar-se do seu poder e a contrariar o modo de vida em que eram obrigados a viver, combaixos salários e horas de trabalho extraordinárias – a classe baixa era abusada.No seio deste reino de terror encontrava-se Nicolau II, que apesar da tensão política esocial que se levantava, resistia a abdicar do poder que lhe tinha sido concedido pelahierarquia. Todas as classes se debatiam com o desejo de mudança, os camponeses queriampoder sobre as terras (que estavam, na altura, sob o poder da burguesia e nobreza), oproletariado exigia um aumento dos salários e melhores condições de vida e a burguesia,juntamente com a nobreza mais liberal, ansiavam pela modernização do país e a sua aberturapolítica, como era visível em toda a Europa.Em 1905 dá-se a primeira Revolução do proletariado que, apesar dos esforços,fracassa. No entanto, consegue demonstrar a necessidade de mudança e até gerar medo dopoder desta classe social, dado que, em 9 de janeiro desse ano, o denominado DomingoSangrento, o povo sai à rua para entregar uma petição no palácio de inverno, quando é paradapelas tropas czarinas, que disparam sem piedade deixando no chão mais de 200 mortos,incluindo mulheres e crianças. Assim, o Czar convoca a Duma (que se assemelha à corte) natentativa de evitar uma guerra civil.Neste conselho são abolidos alguns privilégios dos mais ricos e diminuem-se osimpostos dos camponeses. Além disso, dá-se a criação de três partidos que concorrem aoparlamento: o Partido Constitucional Democrático, um grupo de liberais com ideais burgueses;o Partido dos Socialistas Revolucionários, que defendem a colectivização do trabalho; e osSocialistas Democratas, os mais radicais. Estes últimos dividem-se em dois ramos: osmencheviques, a minoria e os bolcheviques, a maioria, que é liderada por Lenine.Os bolcheviques trarão enormes mudanças nas primeiras décadas do século XX, tentoefeitos radicais na Rússia e alterando o curso de quase todas as nações europeias, que nelesencontram o medo. Os seus ideais provêm de Karl Marx e Engels e caracterizam-se pelanecessidade de dar mais poder ao proletariado, pela criação de um Estado liderado pelopartido Comunista, tudo assente pela via da Revolução como único meio de alcançar estasideias.Em 1917 a Rússia encontrava-se no limiar do colapso. A tensão começava a albergar-seem todas as classes e a necessidade de mudança era clara. Todos os partidos que tinham sidocriados com a Duma encontravam-se revoltados com a incompetência do Czar e com a suadecisão de participar na Primeira Guerra Mundial, que trouxera o caos e destruição.Deste modo, entre 22 e 28 de fevereiro a população, principalmente as classes baixas,saem às ruas para manifestarem o seu descontentamento. Iniciam-se as greves doproletariado e criam-se as Sovietes – assembleias lideradas por trabalhadores, desdecamponeses a soldados e marinheiros. Além disso, Lenine, líder dos bolcheviques, regressa doexílio e retoma os seus planos na Rússia, tendo como objetivo primordial derrubar amonarquia.
  4. 4. Em março dá-se uma manifestação em Petrograd para festejar o Dia Internacional daMulher, que rapidamente se sucumbe numa Revolução. A este motim aderiram as forçaspopulares e dos soldados que faziam parte do Soviete. Isto resultou no assalto ao Palácio deInverno onde, desprovido de apoios, Nicolau II vê-se forçado a abdicar do seu poder, que écolocado nas mãos de um Governo Provisório dirigido por Lvov e, mais tarde, por Kerensky,que possuía ideais burgueses e tinha como objetivo a instauração da Democracia e acontinuação da guerra com a Alemanha. No entanto, rapidamente se reconhece que o novogoverno não pode proliferar e com a retoma do poder bolchevique de Lenine iniciam-se osplanos que o irão derrubar.Deste modo, o líder bolchevique publica as famosas “teses de abril”, onde preconiza osideais da revolução, clarificando que o seu objetivo é dar o poder ao proletariado e aoscamponeses, dissolver o Governo Provisório, nacionalizar todas as terras, retirando-as dopoder da nobreza e da burguesia e coloca-las à disposição dos sovietes (principalmente doscamponeses), “introduzir” o socialismo às massas e fazer reconhecer que o futuro está nasmãos do Comunismo.Em 24 e 25 de Outubro a Rússia deparou-se com outra Revolução. Os militaresbolcheviques, conhecidos como Guardas Vermelhos, saíram à rua e assaltaram o Palácio deInverno, derrubando o Governo Provisório. Este acto, que aconteceu da noite para o dia,conduziu os bolcheviques ao poder da Rússia, liderados por Lenine, que ocupou a presidência,juntamente com Trotsky, a quem coube liderar a Pasta de Guerra, e Estaline, com a Pasta dasNacionalidades.Assim, após a Revolução mediática, a história conheceu a primeira nação liderada peloproletariado – o comunismo triunfara. No entanto, Lenine irá encontrar alguma oposiçãoregente nas forças czarinas, nos mencheviques e alguns nacionalistas que se opõem aos ideaiscomunistas, o que gerará alguma instabilidade política e social.O novo governo inicia as suas funções com a criação e publicação dos DecretosRevolucionários. Estes decretos serviram como base ao regimento da nova nação russa. Emprimeiro lugar, o Decreto sobre a Paz tende a pôr fim à sua participação na guerra. O DecretoSobre a Terra preconiza a pose de todas as terras pertencentes à burguesia, que passam para amão dos sovietes, abolindo, deste modo, a propriedade à terra desta classe. O Decreto sobre oControlo Operário atribuía aos operários a possibilidade de gerir a respectiva produção.Finalmente, o Decreto sobre as Nacionalidades visava a igualdade e soberania dos povos daRússia, a abolição dos privilégios religiosos e de classes e a abolição da ideia de sociedade declasses, como estava regente até então.Deste modo, Lenine retira a Rússia da guerra com a assinatura do Tratado de Brest-Litovsk, a 3 de março de 1918, onde fica acordada a cedência de um vasto conjunto deterritórios, tais como a Finlândia, a Polónia, a Estónia e a Ucrânia. Esta perda de territórios nãoé propriamente positiva, principalmente quando parte das terras cultiváveis e minas ali seencontravam, no entanto, é necessária para a paz procurada.Lenine promulga a primeira constituição em Julho de 1918. Além disso, vai tambémorganizar os sovietes em dois organismos: a Assembleia do congresso e o Comité dosComissários (no qual fazem parte Lenine, Trotsky e Estaline). Finalmente, são creditados osideais radicais do comunismo, ou seja, é criado o Partido Único, que impede a criação eimportância de qualquer outro partido; todos os documentos passam a ser alvo de censura;passa a existir uma polícia única soviete; e dá-se a nacionalização de todos os produtos eindustrias russas.
  5. 5. No entanto, os bolcheviques não foram bem recebidos pelas massas, que continuavamrevoltadas com a ruína económica e com as condições deploráveis em que viviam. Assim, naresistência ao bolchevismo, na qual reagem os Brancos – nome dado à guarda que se opõe aobolchevismo - resulta uma guerra civil que dura desde março de 1918 até 1920 e põe termo àvida de inúmeros indivíduos.Apesar das tentativas do exército Branco os Vermelhos, liderados por Trotsky, saemvencedores e inicia-se uma nova política económica e social que se prolongará até 1927.Neste novo modelo, inicia-se o processo de Ditadura do Proletariado, mais uma ideiapreconizada por Karl Marx, que é descrita como essencial à edificação do comunismo e implicaa tomada ao poder do Estado por parte do proletariado, que depressa abolirá todos osprivilégios das restantes classes socias, terminando, assim, com as desigualdades sociais.A resistência do proletariado ao regime bolchevique era imensa e isto gerou algumadificuldade na Ditadura do Proletariado, dado que este mostrou resistência aos DecretosRevolucionários. Além disso, vivia-se ainda um clima de guerra civil pesado e destrutivo. Destemodo, Lenine toma medidas radicais que ficam conhecidas como Comunismo de Guerra.Estas medidas preconizavam a censura da imprensa, a nacionalização de todos osbancos, fábricas e terra, o decreto do trabalho como uma obrigação a todos os povos, arequisição do aumento da produção agrícola, a reforma agrária, a abolição da propriedadeprivada, o congelamento dos salários e o centralismo democrático.Toda a economia foi nacionalizada e passou a competir ao Estado o racionamento e adistribuição dos bens de acordo com os ideais comunistas.A partir de 1922, a Rússia converteu-se na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas(URSS). No entanto, os Sovietes, anteriormente conhecidos como aliados dos bolcheviques,eram agora membros do proletariado que não viam no bolchevismo os resultados queesperavam. Lenine queria, no entanto, que o Estado Soviético tivesse poder, fosse forte edisciplinado. Assim, formula-se o centralismo democrático, cujas ideias se baseiam que todo opoder emana da base, ou seja, pelos sovietes, escolhidos por sufrágio universal.Finalmente, Lenine vê-se obrigado a ceder perante a ruína económica e social em quea nação se encontrava. Assim, o comunismo cede lugar à Nova Política Económica (NEP), querecorre ao capitalismo, com a interrupção da colectivização agrária, com a liberdade decomércio interno, com a privatização de empresas e industrias e com a abertura aoinvestimento estrangeiro.A Regressão do DemoliberalismoA revolução e implantação do comunismo na Rússia tiveram repercussões nos várioscantos da Europa liberal, onde a classe do proletariado se via aflita com a crise económica queos países atravessavam, expondo a sua revolta através de greves e manifestações. Além disso,a Rússia fazia-se notar como uma luz para os trabalhadores, que viam esperança nocomunismo de libertação e abolição das classes sociais.A nação russa via nesses movimentos força para continuar com os seus ideaisMarxistas-Leninistas. Deste modo, deu-se a fundação, em Moscovo, em março de 1919, da IIIInternacional, também conhecida como Komintern.O Komintern propunha coordenar e até incentivar a luta da classe trabalhadora a nívelmundial, com o fim de ver triunfar o marxismo-leninismo, tendo que ser chefiada unicamente
  6. 6. por partidos comunistas que fossem fieis aos ideais russos. Além disso, se o objetivo primordialda III Internacional fosse completo os bolcheviques teriam finalmente a sua vitória, poispassariam a ser aceites por todo o proletariado (em vês de apenas o mais radicais) e todas asclasses que se opunham aos seus ideais seriam sacudidas ao seu poder.Esta Internacional Operária realizou dois congressos, sendo que o 2º teve uma enormeimportância na vida social e política das nações. Neste congresso, realizado em julho de 1920,os partidos socialistas e sociais-democratas são obrigados a abandonar os seus ideais e adefenderem o bolchevismo e o centralismo democrático. Deste modo, convertem-se estespartidos em comunistas.Consequência do declínio económico, político, social e cultural do pós-guerra e dosideais socialistas e revolucionários que se faziam notar, a Europa assiste a uma radicalizaçãosocial e política, minada de greves e manifestações. Países como a Alemanha, a Hungria e aItália viram-se em dificuldades de organizar as multidões enraivecidas e as tentativas de umarevolução bolchevista, resultando na execução dos líderes destes partidos e na resistência dasclasses mais elevadas.O medo da consagração da revolução bolchevique em alguma nação aumentou eproliferou pela Europa, que se via escassa em meios para continuar a resistir. Até a burguesia eas classes médias sucumbiram ao medo de perderem os seus privilégios e poses, o que serevelou num aumento de adeptos de um governo forte, que garantisse a paz social, a riqueza eo conforto destas classes.Deste modo, as soluções apresentadas eram autoritárias e de direita. Partidosconservadores e nacionalistas começaram a ganhar um enorme número de votos no início dosanos 20. Isto sucedeu-se particularmente nos países onde as dificuldades e a destruição forammaiores.Em 1919, é fundado em Itália o partido FasciItalianidiCombattimento, de onde maistarde derivará a expressão Fascismo, por um ex-socialista italiano de nome Benito Mussolini.Este partido defendia a democracia e o socialismo, no entanto, a sua simpatia com osburgueses e industriais de direita torna-o mais aderente aos ideais conservadores etotalitaristas. Deste modo, os fascistas sobem ao poder e tomam posse do Estado italiano,quando em 27 e 30 de Outubro organizam uma greve geral e dá-se a “Marcha Sobre Roma”,na qual participam cerca de 30 000 fascistas, liderados por Mussolini, juntamente com a suaforça militar, os “Camisas Negras”.O rei, perante a situação, convida Mussolini a formar um governo. No entanto, odesejo deste partido não é a parceria com o rei e com o seu governo, mas sim a tomada dopoder absoluto. Conseguem, deste modo, alterar as eleições de 1924, vencendo por maioria.Além disso, continuam os seus atos de “poder” e assassinam o líder do partido socialista,Giacomo Matteoti.Por sua vez, em Espanha é adoptada entre 1947 e 1975, uma ditadura militar, lideradapelo general Miguel Primo de Rivera.Além disso, também a Hungria, a Bulgária, a Lituânia, a Turquia, a Grécia, Portugal eoutros países conheceram o poder dos regimes autoritários.A Europa liberal cai no abismo a partir dos anos 20 e passa a reconhecer em grandeparte das suas nações o caráter nacionalista e extremista dos seus líderes, o que, mais tarde,
  7. 7. desencadeará na Segunda Guerra Mundial. Esta necessidade da adesão ao autoritarismoreflete a regressão do Demoliberalismo.Mutações nos Comportamentos e na CulturaO século XX foi alvo de enormes mudanças a todos os níveis, principalmente na Europae nos Estados Unidos, onde a industrialização provou a sua capacidade acelerada de evoluçãoe povoou as cidades com as suas novidades, tais como o carro e o comboio, que alteraram omodo de mobilidade das populações.O constante crescimento fez-se notar principalmente no meio urbano, onde apopulação se engloba e cresce. Deste modo, é possível verificar-se uma massificação dosindivíduos, que passam a frequentar os mesmos transportes, os meus locais de lazer, asmesmas atividades de ócio e horários de trabalho. Pode-se concluir que se torna visível adespersonalização dos povos, passando estes a ser nada mais que meros números.A convivência entre os sexos torna-se mais livre e ousada, sobretudo após a PrimeiraGrande Guerra, da qual a mulher sai triunfante e adquire mais visibilidade, passando a possuiralguns direitos que eram, até então, exclusivos ao sexo masculino.A entrada no século XX trás a notícia de mudança, sob a qual se previam alterações nosvalores da sociedade burguesa. No entanto, esta classe opta por desprezar as previsões e viverno novo mundo com otimismo e superioridade.Porém, após a Primeira Guerra Mundial as esperanças desmoronam-se e levanta-se opessimismo e o caos. O choque da guerra abale a sociedade e gera contestações, que maistarde se fariam sentir em revoltas. Instala-se, deste modo, um clima de anomia, ou seja, deausência de normas morais e sociais.Esta falta de valores acelera as mudanças que se encontravam em curso. Dá-se, então,uma mudança de paradigma, causada pelos destroços da guerra, que abrem as portas àpossibilidade de um novo recomeço, de um crescimento da cultura e do comércio. Daqui nascea classe média, que integra a pequena e média burguesia.No sentido destas alterações a emancipação feminina é das que mais se faz sentir, coma mudança radical da ideologia da mulher como dona de casa. Esta deixa de possuirdependência total do homem e reivindica os seus direitos. O movimento feminista, queprocura a igualdade jurídica, social, económica, intelectual e política dos sexos, faz-se sentircom a criação das associações das sufragistas, que tinham como primeiro objetivo o direito aovoto.Na Europa, destacaram-se as sufragistas britânicas. Indignadas com a oposição eresistência face aos seus desejos, estes grupos procuraram atrair a atenção recorrendo ameios extremos e violentos, com manifestações, greves e apedrejamentos.Os seus meios não conheceram a cedência do governo. No entanto, com a participaçãona guerra, as mulheres tiveram que assumir o papel do homem no sustento da família,revelando-se capazes de substituir o sexo oposto em quase todas as tarefas.
  8. 8. Finalmente, o esforço foi compensado, dado que, após o conflito que provocara tantocaos e destruição, as mulheres adquirem o direito de intervenção política e abrem-se carreirasprofissionais prestigiadas, tomando a mulher uma nova posição na história.História – 3º testeA morte de Lenine, em 1924, deixou a Rússia sem líder e, desse modo, gerou umaenorme contestação para chefe do Partido Comunista. Neste ambiente de disputa ganha, em1928, o antigo secretário-geral do Estado, Estaline, contrariando as intenções de Lenine queescreve no seu testamento “Estaline é demasiado brutal (…). Proponho, pois, aos camaradasque estudem um meio de demitir Estaline deste cargo”.Até 1953, data da sua morte, Estaline foi chefe da União Soviética. O seu principalobjetivo era transformar a Rússia numa potência mundial e conseguir propagar o comunismopelos vários cantos do mundo, nomeadamente na Europa. Para tal, iniciou um projecto quevisava a melhoria dos sectores do Estado e da economia, entre eles contava-se a colectivizaçãodos campos, a planificação de uma economia equilibrada e sustentável e, para tal, utilizou ummeio de administração que se contava com o totalitarismo e a repressão.Em outono de 1929 iniciou-se o plano de colectivização dos campos. Considerava-seesta medida imprescindível ao avanço da indústria, dado que ao retirar mão de obra doscampos, estes teriam que, inevitavelmente, encontrar emprego nas fábricas. Este projecto,que avançou a ritmo acelerado, foi empreendido com brutalidade sobre os pequenosproprietários (os KULAKS), aos quais confiscaram as terras e o gado – três milhões destesproprietários camponeses foram executados ou deportados para a Sibéria.Criaram-se os KOLKHOZES – cooperativas de produção – constituídas pelas famíliascamponesas. Estas foram obrigadas a entregar as suas terras e instrumentos para acolectividade. Parte da sua produção ficava para o Estado e a restante era distribuída peloscamponeses em função do trabalho exercido – uma medida que não partilhava os ideaiscomunistas de Karl Marx. Em 1930 são criadas as Estações de Máquinas e Tractores quetinham como função assegurar o controlo da produção e dos campos. Este projecto decolectivização rapidamente alcançou resultados satisfatórios, apesar da forte oposição dopovo camponês.Por sua vez, a indústria tinha um atraso ancestral em relação aos restantes países daEuropa e Estados Unidos. Deste modo, Estaline cria os Planos Quinquenais, planeados duranteo período da NEP, pela GOSPLAN (comissão do conselho do trabalho e da defesa). Estestinham como objectivo primordial dar prioridade à indústria e à produção agrícola como meiosde melhoria económica, que visavam o aumento da produção em cinco anos. Estaline tinha emvista continuar a ideia marxista-leninista de que a URSS devia ser auto-suficiente.Implementou, assim, para os cinco anos várias metas que, caso não fossem cumpridas, seriamvistas e punidas como um crime contra o Estado. Deste modo, o objetivo final era conseguircolocar a produção em excesso no mercado e competir com as potências capitalistas, criandouma imagem mais produtiva do comunismo perante a Europa e os EUA.O primeiro plano quinquenal é desenvolvido entre 1928 e 1932 e tinha como objectivoa criação de bases na economia da nação. Deste modo, além da colectivização dos campos,com a criação dos KOLKHOZES, entre outras, implementa-se uma meta que visava o aumentoda indústria pesada, nomeadamente a siderúrgica e a eléctrica. Isto conduziu ao quasedesaparecimento do sector privado da indústria. Além disso, promoveu investimentosmaciços, recorreu à contratação de técnicos estrangeiros e apostou na formação deespecialistas e engenheiros.
  9. 9. O segundo plano quinquenal é desenvolvido de 1933 a 1937 e, apesar de continuar aprivilegiar a indústria pesada, cria metas que visam o desenvolvimento das indústrias ligeiras edos bens de consumo (vestuário e calçado). Além disso, no sector agrícola, dá-se a criação depequenas propriedades privadas.O terceiro plano quinquenal, desenvolvido entre 1938 e 1942, nunca chega a serconcluído, devido ao despontar da II Guerra Mundial.Apesar de nunca ter conseguido terminar o seu plano, o governo de Estaline encontrauma enorme produtividade nas medidas até então tomadas. A indústria do aço aumenta emde 4 a 18 milhões de toneladas; a colectivização tem efeitos positivos, de modo que continua aaumentar e a gerar lucro. Assim, a URSS entra na II Guerra Mundial como a terceira maiorpotência mundial da altura.Tudo isto foi possível devido ao regime que Estaline apresentava. Um estadoomnipotente e totalitário que se regia por meio da repressão. Os cidadãos encontravam-seprivados de liberdade e eram totalmente controlados. Os jovens eram obrigados ainscreverem-se nos Pioneiros e, mais tarde, nas Juventudes Comunistas, sendo este um meiode os direccionar e de lhes incutir os ideais do comunismo de Estaline. A cultura era reduzidaaos métodos de propaganda e qualquer outro meio de exaltar o Estado. A repressão erapossibilitada pelas forças da polícia política, a NKVD. A partir de 1934 a repressão aumentouferozmente, caracterizada por purgas e processos políticos. Os antigos companheirosbolcheviques de Lenine foram executados, assim como a administração e os líderes do ExercitoVermelho. Todos aqueles que falassem contra o Estado foram punidos com a deportação paracampos de trabalho ou com a execução.Entretanto, na outra parte do mundo, os Estados Unidos recuperavam da severa crisede 1929 (o Crash da bolsa de Nova Iorque). Resultante deste “incidente” a economia estavamais frágil do que nunca e começam a ponderar-se soluções para evitar que tal voltasse aacontecer. Deste modo, John Keynes preconiza o intervencionismo do Estado, clarificando queo Estado se deve comprometer perante as empresas e as indústrias, pois, desse modo, épossível o controlo da inflação, o investimento nas indústrias, a luta contra o entesouramento,e o apoio às empresas.Em 1932, as ideias de Keynes são concretizadas graças à eleição de Roosevelt para apresidência. Este propunha-se a tirar os EUA da crise e consegue-o através dointervencionismo do Estado, pondo em prática um conjunto de medidas às quais se deu onome de New Deal.A primeira fase decorreu entre 1933 e 1934. Neste momento estabeleceram-se as suasmetas, do relançamento da economia e da luta contra o desemprego e a miséria. Para tal,tomaram-se rigorosas medidas financeiras, tais como o encerramento temporário de váriasinstituições bancárias para que estas fossem inspeccionadas pelos funcionários federais. Deu-se uma desvalorização da moeda, o que permitiu baixar as dívidas externas e fez subir ospreços, através de uma inflação controlada, aumentando assim o lucro das empresas.No sentido de combater o desemprego, Roosevelt apostou na construção de estradas,vias-férreas, aeroportos, barragens, entre outras, ou seja, edifícios públicos que necessitavamde muita mão-de-obra. Deste modo, aqueles que se encontravam desempregados conseguiamum emprego, mesmo que este não fosse ao encontro das suas habilitações.No que diz respeito à agricultura, foi criada uma lei, a AgriculturalAdjustmentAct(AAA), que visava proteger a agricultura, através de empréstimos aos agricultores e de
  10. 10. indeminizações dadas aos mesmos pela redução das áreas cultivadas (devido à crise deexcesso de produção).Em relação à indústria, foi criada a National Industrial RecoveryAct (NIRA), que tinhacomo objetivo a proteção da indústria e da produção industrial. Visando isto, foram fixadospreços mínimos e máximos de venda, de modo a evitar a concorrência desleal entre produtos;e garantiram aos trabalhadores um salários mínimo e a liberdade sindical. As empresas queseguissem estas medidas à ordem eram premiadas monetariamente – fomentando assim oavanço da produção e motivando para que esta fosse conseguida justamente.Entre 1935 e 1938 deu-se a segunda fase do New Deal, talvez a mais significativa nahistória. Foi criada a lei de Wagner, que reconhecia a liberdade sindical e o direito à greve.Além disso, foi também criado o Social SecurityAct, que regulou a reforma e criou o fundo dedesemprego e auxílio aos pobres. Em 1938, o Fair Labor Standard Act estabeleceu o saláriomínimo e reduziu as horas de trabalho semanal. Deste modo, os EUA conseguiram finalmenteum Estado intervencionista para assegurar a felicidade e o bem estar da sociedade.Entretanto, em França, a crise que se vivia criou um ambiente de disputa entreregimes radicais, cujas esperanças no regime parlamentarista e liberal caíam por não veremqualquer resultado positivo. Deste modo, é criada uma coligação de esquerda de nome FrentePopular, que via na figura de León Blum o seu líder. O seu lema era “pelo pão, pela paz e pelaliberdade” e triunfou em maio de 1936, ganhando as eleições. O seu objetivo prioritário eradeter o avanço fascista, com medo que sucedesse em França o mesmo que na Alemanha.Inicialmente, um vasto movimento grevista ocupara as fábricas em greves alegres quevisavam demonstrar a necessidade de melhoria mas, no entanto, felizes devido aoreconhecimento que o Partido ouvia a sua voz. Seguidamente, os patrões das fábricascomeçaram a denunciar a ameaça bolchevista que se propagava e o Governo interveio pormeio de mediação. Deste modo, criaram-se os contratos de trabalho, em que se aceitava aliberdade de sindicato e se previa o aumento salarial. De seguida, diminuíram-se as horassemanais de trabalho e concederam o direito ao trabalhador de 15 dias de férias pagas porano, até então impensável. Além disso, no sentido de melhorar a qualidade de vida epromover o avanço do país, a Frente Popular tomou outras medidas tais como o aumento daescolaridade obrigatória até aos 14 anos, a criação de albergues da juventude, o incrementodos desportos, do cinema, do teatro, e o controlo pelo Estado do Banco de França, que éfinalmente nacionalizado.Ainda no mesmo ano (1936), em Espanha, é também criada uma Frente Popular,apoiadas por socialistas, comunistas, anarquistas e sindicatos operários. Este partido, maisextremista que o de França, inicia o seu mandato enfrentando as forças conservadoras eseparando a Igreja do Estado. Neste sentido, é criada a Frente Nacional, onde os monárquicos,os conservadores e os falangistas pretendem combater a Frente Popular, dando assim origemà famosa guerra civil espanhola.Dimensão Social, Política e CulturalO principio do século XX trás várias novidades, tanto a nível cultural, como político esocial. Deste modo, emerge a cultura de massas, que se irá propagar estrondosamente até aosdias de hoje.A imprensa, a rádio e o cinema são os protagonistas desta época e englobam os meiosde comunicação de massas, os media, ou mass media. Estes proporcionaram não só apropagação das notícias a ritmo acelerado, mas abriram também um novo mundo do sonho edas fantasias.
  11. 11. A imprensa, já existente há séculos, passa a ser direccionada à massa, com a utilizaçãode um vocabulário simples e informal, capaz de ser compreendido por todos. O livro, por suavez, passa a ser também criado em prol da sociedade. Aparecem os romances cor-de-rosa, abanda desenhada, as histórias políticas e os romances policiais – sendo este último de especialimportância, devido à célebre escritora Agatha Christie, considerada a escritora mais vendidado século XX. Finalmente, os jornais passam a incluir história de guerra e crime, são ilustradoscom fotografias e possuem secções femininas, desportivas, e crónicas para todos lerem.A rádio, criada por Marconi em 1896, é o meio de comunicação mais popular na época.Este é acessível a todos, mesmo aos analfabetos, pois não requer qualquer leitura. Transmitenotícias, música, novelas radiofónicas e anúncios publicitários.O cinema, nascido na França, é considerado uma das maiores invenções do início doséculo XX. Este abre as portas a uma completamente nova indústria, onde se fomenta ossonhos e o imaginário e se criam e divulgam personagem do fantástico.PORTUGAL: O ESTADO NOVOPortugal, que se encontrava desde 1910 sob o regime de uma República parlamentar,é, em 1926, vítima de um golpe de Estado militar que acaba com a democracia, iniciando assimum longo período de ditaduras.Inicialmente, instala-se uma ditadura militar, mantida até 1932, que põe termo à crisesocial e política até então vivida. Após sucessivas mudanças de líder, sem que nenhum tivessea preparação para tomar conta do cargo, o resultado foi desastroso, deixando Portugal cairmais fundo na crise. Em 1928 sobe ao poder o general Óscar Carmona, que conta com Antóniode Oliveira Salazar para o cargo da pasta das Finanças.Salazar, antigo professor de Economia da Universidade de Coimbra, conseguiu grandesfeitos no seu cargo, conseguindo mesmo um saldo positivo no Orçamento do Estado. Destemodo, os seus adeptos cresciam e, em 1932, é nomeado para a chefia do Governo.Salazar empenhou-se na criação de uma nova ordem política em Portugal. Para tal, crianovas instituições que servem de alicerce ao Estado. Entre eles a União Nacional, uma forçapolítica oficial, criada em 1933, que mais tarde se tornará no partido único: o Partido Nacional.Além disso, é também criado o Ato Colonial, aprovado em 1930, onde se reafirmava o poderde Portugal sobre as colónias e a relação de dependência das mesmas. Mais tarde, publica oEstatuto do Trabalho Nacional e cria a que ficou conhecida como Constituição de 1933, ondese põe fim à ditadura militar e onde ficou consagrada a nova ordem política: o Estado Novo.Este era um Estado onde se fomentava maioritariamente o Nacionalismo, de caráterautoritário, corporativo e conservador – ideais inspirados nos modelos totalitários da Europa,nomeadamente do fascismo italiano. Além disso, os seus ideais assentavam nas ideiasconservadores de Deus, Pátria, Família, Austeridade e Paz Social.A administração do Estado Novo residia na manipulação do povo e dos media, demodo a demonstrar que os seus ideais eram os mais acertados. Fortemente inspirado porMussolini e o seu lema “tudo no Estado, nada contra o Estado”, Salazar cria também o seulema “Tudo pela Nação, nada contra a Nação. Os seus métodos passavam por engrandecer oculto da vida no mundo rural, onde as populações agricultoras não tinham acesso ao mundoexterior e, consequentemente, não tinham meios de criticarem ou compreenderem o regimeem que viviam. Além disso, Salazar protege fortemente a Igreja Católica, acabando pordeclará-la mesmo a religião da Nação portuguesa.
  12. 12. Salazar enaltece também a imagem da família portuguesa, onde o papel da mulher sereduz ao papel passivo de submissa à família, esposa carinhosa e mãe atenciosa e sacrificada.A família portuguesa era, de acordo com os seus ideais, uma família católica, respeitadora eaustera.O Estado Novo possuía, além disso, ideais de um nacionalismo exacerbado. Destemodo, Salazar procurava enaltecer os feitos dos portugueses, apresentando-os como heróis,dotados de enormes qualidades e grandiosos nos seus feitos.À semelhança do fascismo italiano, o Estado de Salazar era antiliberal, antidemocráticoe antiparlamentar. Para ele, a Nação representava um todo e, como tal, os interesses doindividuo eram colocados de parte. O interesse principal residia na Nação em si. Deste modo, aideia da existência de vários partidos tornou-se impensável, pois cada partido defendia osinteresses de um grupo de indivíduos, não indo de acordo com o ideal nacionalista salazarista.Assim, Salazar opõe-se à democracia parlamentar e faz existir um Partido Único, comoacontecia na Alemanha e em Itália.Todas estas medidas e ideais só colocadas à prova através do poder administrativo quecabia ao líder. Isto reconhecia a autoridade de Presidente da República como máxima, oprimeiro poder do Estado, completamente independente do Parlamento. O líder tinha, destemodo, a capacidade de fazer reger as leis e as medidas necessárias à condução do país nadirecção pretendida.De modo a fomentar o seu poder, Salazar cria, tal como se vê no fascismo italiano, ascorporações. Estes órgãos agrupavam a população por famílias e funções que estesdesempenhavam. Integravam tanto os trabalhadores como os seus patrões, de modo a quetodos se sentissem iguais. No entanto, estes órgãos tinham como objetivo final o controlo daeconomia e das relações laborais por parte do Estado.Além disso, de modo a concretizar os ideais ditatoriais do Estado salazarista, sãocriadas um grupo de instituições e processos que visam o controlo das massas. Entre eles, oSPN (Secretariado da Propaganda Nacional), em 1933, dirigido por António Ferro, tem o papelde fazer propagar os ideais do Estado e controlar as artes. Em segundo lugar, funda-se em1930 a União Nacional, que iria em 1934 tornar-se no Partido Nacional, ou seja, um PartidoÚnico, concretizado aquando da extinção de todos os partidos políticos.Com a vitória da Frente Popular, em França, e o início da Guerra Civil em Espanha, umambiente de ameaça bolchevique paira sobre o Portugal ditatorial. Deste modo, Salazar obrigaum funcionalismo público, conseguido através de um juramento que provava a fidelidade dasmassas e o repúdio ao comunismo. Além disso, recorre a organizações milicianas, tais como aLegião Portuguesa, destinada a defender o “património espiritual da Nação” e a combater aameaça bolchevista – esta legião era de caráter obrigatório em certos empregos públicos. Domesmo caráter, foi fomentada a Mocidade Portuguesa, também de inscrição obrigatória paraos estudantes, este órgão era fundamental para o Estado e visava incutir os ideais salazaristase os seus valores nacionalistas e patrióticos.Deu-se, do mesmo modo, um vasto controlo no ensino, no qual se adoptaram os“livros únicos” do Estado, que enalteciam o nacionalismo e os ideais do Estado Novo, assimcomo a religião Cristã. Em vista de continuar a propagar os seus ideais, Salazar toma tambémprecauções na vida familiar da população, surgindo, em 1936, a Obra das Mães para aEducação Nacional, que visava criar a imagem da “mãe-modelo” que deveria ser seguida àregra. Finalmente, é criada a Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT), órgão que
  13. 13. procurava controlava os tempos livres dos trabalhadores, com atividades “educativas” dotadasde nacionalismo.Entretanto, o clima de repressão – único modo de impor os ideais do Estado – obriga àcensura prévia de todos os artigos da imprensa, do teatro, do cinema, da rádio e, mais tarde,da televisão. Para tal, foram criados órgãos capazes de intervir e controlar a censura e asmassas, tais como a polícia política, a PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado, ouPolícia de Vigilância e de Defesa do Estado). Esta assegurou-se, a partir de 1945, de prender,torturar e até matar todos os opositores ao regime, focando-se principalmente (mas não só)nos simpatizantes do Partido Comunista.A nível financeiro, que foi para Salazar a prioridade desde que subiu ao poder comoministro da Finanças, tomaram-se várias medidas capazes de aumentar o orçamento do Estadoe conseguir um saldo positivo. Para tal, dá-se uma diminuição das despesas e um aumento dasreceitas, conseguida com a criação de novos impostos e com o aumento das tarifasalfandegárias sobre as importações. Além disso, o papel neutro tomado aquando da II GuerraMundial foi uma atitude bem tomada no Estado Novo, com isto, criaram-se mais receitas anível das exportações, maioritariamente do volfrâmio, e torna possível o aumento das reservasde ouro, permitindo assim a estabilidade monetária.A nível social, além de todas as medidas repressivas tomadas na educação e na família,o Estado Novo fomentou o mundo rural, hostilizando nos seus ideais a cidade industrial, com aintenção de manter o povo analfabeto em relação ao que se encontrava fora das fronteirasportuenses para que, deste modo, os seus ideais se mantivessem incontestados. Para tal sãocriadas medidas que visavam promover o mundo rural e agrícola, tais como a construção denumerosas barragens que, ao melhorarem a irrigação dos solos, promoviam a agricultura,conseguindo assim maior produção, assim como um maior número de produtores. A Junta deColonização Interna, criada em 1936, tinha como objetivo trazer a população para certos locaisdo interior do país, conseguindo assim o crescimento da produção vinícola, de arroz, debatata, azeite, cortiça e das frutas.Entre estas, a mais importante medida foi, sem dúvida, a Campanha do Trigo.Inspirada na batalha do trigo italiana, este projecto procurava alargar a área de cultura dotrigo, principalmente no Alentejo. Entre 1929 e 1937 os seus feitos foram bastantesatisfatórios e permitiram a autosuficiência da Nação.A nível nacional foi implantada uma política de obras públicas, cujo protagonista foi oEng. Duarte Pacheco, Ministro das Obras Públicas. Neste sentido, foi criada a Lei deReconstituição Económica, em 1930, que procurava não só combater o desemprego originadopela crise, mas também criar no país as infraestruturas necessárias ao desenvolvimentoeconómico.Deste modo, foram melhoradas as redes de caminhos-de-ferro e criadas inúmerasestradas, que duplicaram até 1950, e até auto-estradas, seguindo os modelos da Alemanha.Foram também edificadas novas pontes, entre elas a ponte sobre o Tejo, que se tornou a maiscélebre e foi considerada a maior ponte suspensa da Europa. Além disso, expandiram-setambém as redes telegráficas, os portos e os aeroportos, o que permitiu o desenvolvimentocrucial do comércio externo e interno. Finalmente, esta política preocupou-se também emmelhorar as condições de vida da população, com a construção de hospitais, escolas,universidades, bairros de operários, estádios, tribunais e prisões.Entretanto, ao contrário do que foi feito a nível agrícola, a indústria sofreu um enormeatraso durante todo o tempo do Estado Novo. Inicialmente foi criada uma política de
  14. 14. condicionamento industrial, entre 1931 e 1937, que impedia qualquer avanço ou criação defábricas que não fosse aprovado primeiro pelo Estado – ou seja, não se deu qualquer avanço.Este dirigismo económico que se pensava ser temporário, resultante de uma política anticrise,provou-se de caráter definitivo e condicionou o avanço industrial do país.A RECONSTRUÇÃO DO PÓS-GUERRAApós a vitória dos Aliados na II Guerra Mundial, um clima caótico prosperou sobre aEuropa. Não só a Alemanha e o Japão saíam da guerra humilhados e destruídos, mas tambéma França e a Inglaterra apresentavam grandes dificuldades a nível financeiro, social e político.Entre 4 e 11 de fevereiro de 1945, Roosevelt, Estaline e Churchill reúnem-se na queficou conhecida como a Conferência de Ialta. Neste momento, ficaram esclarecidas algumasmedidas a tomar para sustentar a nova ordem mundial, tão dificilmente conseguida.Em primeiro lugar, definiram-se as fronteiras da Polónia e estabeleceu-se a divisãoprovisória da Alemanha em quatro áreas, que seriam administradas separadamente pelasquatro potências (Rússia, Inglaterra, EUA e França). Em segundo lugar, decidiram-se algumasbases essenciais à preparação da ONU (Organização das Nações Unidas) e estabeleceu-se aquantia base de 20 000 milhões de dólares a pagar pela Alemanha, para reparar os estragoscausados pela guerra.Alguns meses mais tarde, os líderes reuniram-se novamente, desta vez com o fim deconsolidar os alicerces da paz. A Conferência de Potsdam foi, no entanto, mal sucedida e foirapidamente encerrada. Isto sucedeu-se devido ao clima tenso liderado pelas divergências deideais entre os liberais capitalistas e o comunismo de Estaline.Neste sentido, inicia-se um período de tensão entre liberais e “Estaline”. Com o papelpreponderante da Rússia para a vitória da II Guerra Mundial, o protagonismo que com ela veiofoi visto por Estaline como oportuno para a propagação dos ideais socialistas. Fomentandoestas ideias veio o poder dado à URSS, a quem coube a libertação dos países da EuropaOriental. Assim, a vantagem no Leste Europeu rompeu-se e, embora contrárias às ideias daConferência de Ialta, todos os países libertados pelo Exército Vermelho tornaram-sesocialistas.Este acelerado processo de sovietização foi fortemente contestado pelos liberaisocidentais. Com isto, Churchill denuncia publicamente no famoso discurso de Fulton os meiosde liderar de Estaline e insere o conceito da “cortina de ferro”.ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDASApós a II Guerra Mundial retoma-se a ideia de criar um organismo capaz de manter apaz, tal como acontecia com a Sociedade da Nações, antes do seu fracasso. Roosevelt baptizao futuro organismo como Organização das Nações Unidas (ONU).Esta fica inicialmente acordada na Conferência de Teerão, realizada em 1943 e, maistarde, é ratificada em Ialta, onde se acorda a convocação de uma conferência que contassecom figuras políticas dos vários países e onde se redigiria a Carta fundadora das NaçõesUnidas.Iniciada a 25 de abril de 1945, esta Conferência contou com representantes dos váriospaíses que afirmava, unanimemente, a vontade de promover a paz e a cooperaçãointernacional.
  15. 15. Manter a paz e reprimir os atos de agressão através de meios pacíficos e de acordocom a justiça e com os direitos do Homem foi, talvez, um dos mais importantes propósitosdeste organismo. Além disso, também o desenvolver de relações amigáveis entre as váriasnações e desenvolver a cooperação internacional, tanto a nível económico, como social ecultural.Maioritariamente, a ONU procurava defender os Direitos do Homem e do cidadão, demodo a impedir que se repetissem as atrocidades do holocausto. Neste sentido, é aprovadaem 1948 a Declaração Universal dos Direitos do Homem, que ultrapassa a Declaração dosDireitos do Homem e do Cidadão criadas em França, em 1789. Esta Declaração não se limitavaaos direitos alienáveis do Homem, mas incluía também grande importância às questõessocioeconómicas, tais como o direito ao ensino e ao trabalho – talvez assim fosse porque, como desenvolvimento da humanidade, já não se podia considerar que apenas os direitos básicosfossem de caráter obrigatório.A ONU encontrava-se organizada em vários órgãos de funcionamento, cada um com oseu propósito. Em primeiro lugar, a Assembleia-Geral, formada pelos estados-membros,funciona como um parlamento mundial e tem por objetivo discutir todo o tipo de questõesabrangidas pela organização. Em segundo lugar, o Conselho de Segurança, composto pelosestados permanentes e mais dez estados rotativos, é o órgão ao qual compete a manutençãoda paz e da segurança; este órgão faz as “recomendações”, atua como mediador, decretasanções e decide a intervenção das forças militares da ONU; todas as decisões deste órgão sãorealizadas através do voto, no entanto, os estados permanentes têm todos que votar a favor,tendo, contrariamente, direito de veto. O Secretariado-Geral possui um mandato de cincoanos que pode ser renovado; neste órgão encontra-se o secretário-geral que, apesar de não tedireito de voto, toma parte em todas as reuniões do Conselho de Segurança.O Conselho Económico e Social, por sua vez, encontra-se encarregue de promover acooperação a nível económico, social e cultural entre as nações. Este é um dos órgãos maisimportantes da ONU e abrange vários pequenos órgãos, criados a partir de 1944 poreconomistas de todo o mundo, que visavam evitar o ciclo da crise e da desvalorização damoeda. Deste modo, além de terem tornado o dólar como a principal moeda na época,criaram também organismos de proteção às nações com problemas financeiros, o FMI, e oBIRD (Banco Mundial), destinado a financiar projectos de longo prazo das várias nações.PRIMEIRA VAGA DE DESCOLONIZAÇÕESA II Guerra Mundial foi um despertar para as novas realidades do mundo, tanto a níveleconómico e social, como político e cultural. Entre todas as “novidades” trazidas com o final daguerra, a perceção das injustiças e até atrocidades cometidas nas colónias levou a umpropagação do sentimento de liberdade e revoltas nestes locais.A guerra mostrara que a Europa não era totalmente invencível e, no momento deruptura, via-se economicamente destruída e incapaz de lidar com conflitos coloniais. Alémdisso, também as duas maiores potências mundiais, os EUA e a URSS, pressionavam o processode descolonização. A primeira potência não gostava de ver refletido no “presente” aquilo quefora no “passado”, ou seja, uma colónia britânica sem liberdade, assim como via os seusinteresses económicos aumentarem, dado que com a ruptura das colónias as matérias-primastornavam-se escassas nas nações que, deste modo, teriam que pedir ajuda externa. A segundavia os ideais marxistas a serem colocados em causa com a repressão colonial e, além disso,viam ouro na possibilidade de estender o socialismo nos países recém criados.
  16. 16. Deste modo, inicia-se no continente asiático o processo de descolonização. No MédioOriente, tornam-se independentes a Síria, o Líbano, entre outros, sendo estes os primeiros. AÍndia apenas em 1947 consegue tornar-se independente, depois dos muitos esforços do líderda “oposição”, Gandhi. Muitos outros estados vão lutando e conseguindo a suaindependência, alguns a grandes custos, como foi o caso da Indochina, onde a ocupaçãojaponesa fomentara os sentimentos antifranceses, resultando numa forte oposição comunistae ditatorial contra a França.Resumos de História – 4º testeApós a derrota alemã na II Guerra Mundial, e tendo em conta o sucedido anos antes,na I Guerra Mundial, os países vencedores sentiram a necessidade de criar medidas capazes deimpedir que uma nova guerra voltasse, jamais, a despontar.Deste modo, a Alemanha foi dividida em quatro partes essenciais e cadauma dessas era administrada por uma das grandes potências vencedoras(Inglaterra, França, URSS e EUA). O país divide-se, assim, em dois núcleoscentrais: os liberais e capitalistas e os comunistas russos. Tendo em conta osmeios administrativos de ambos, a Rússia sentiu-se ameaçada.Enquanto isto sucedia, os países de leste eram também conquistados(sovietizados) pela URSS, dado que fora convocada a esta o poder de libertarestes países do nazismo – que resultou numa oportunidade para os sovietizar.Este facto dá força ao conceito de “cortina de ferro” preconizada por Churchill,que evidenciava o clima de tensão que se vivia entre o comunismo e os liberais.Deste modo, Estaline cria o Kominform (Secretariado de Informação comunista),em 1947, que vinha substituir o antigo Komintern. Era um organismo que visava o controlo e apropagação do comunismo pelo mundo.Entretanto, a 12 de Março do mesmo ano (1947), o presidente norte-americano HarryTruman põe em evidência a necessidade de resistir às tentativas de dominação russa. O queeste pretendia era combater o comunismo soviético através da contenção e ajudar a Europa areerguer-se do caos da guerra – é então lançada a doutrina Truman. Entretanto, o climapolítico permanecia instável e propício à propagação dos ideais soviéticos. Deste modo, osecretário de Estado norte-americano George Marshall propõe um plano de ajuda económicaà Europa que fica conhecido como o Plano Marshall e irá complementar-se na doutrinaTruman. Este projecto concebia fundos monetários aos vários países da Europa, incluindoaqueles que se encontravam sob o domínio soviético. A Rússia vê esta ajuda dos EUA como ummeio de divulgação dos seus ideais liberais e capitalistas e recusa-a em todos os países sob oseu domínio.Neste sentido, a Rússia responde em janeiro de 1949 com a criação do Plano Molotov,que visava estabelecer uma cooperação entre os países de domínio soviético e estipulavam alongo prazo a ajuda técnica e financeira, assim como o fomento das trocas comerciais entrenações. Deste modo, cria-se o COMECON (Conselho de Assistência Económica Mútua), umaorganização de cooperação económica destinada a promover o desenvolvimento financeiro eas atividades comerciais e industriais destes países.Além disso, na Alemanha, Berlim era administrado pelas três potências liberais queviram este território como o campo de batalha ideal a conter o avanço soviético, fazendo dosseus territórios alemães uma república federal, a República Federal Alemã (RFA). Por sua vez, aRússia, após enormes protestos, faz para o seu território semelhante escolha, criando aRepública Democrática Alemã (RDA).
  17. 17. No entanto, as três potências mantêm “estacionadas” as suas tropas na cidade deBerlim, o que é visto por Estaline como uma ameaça. Deste modo inicia-se o Bloqueio deBerlim, no qual os sovietes bloqueiam todos os acessos terrestres à cidade por parte daspotências aliadas. Para tal, a União Soviética bloqueia as linhas ferroviárias e rodoviárias etenta comandar os portos, tendo com isto em vista o bloqueio da produção industrial, paraque, deste modo, estes necessitassem da ajuda soviética e se retirassem da cidade para assimalargar o seu território para a capital.Assim, a 24 de Junho de 1948, Estaline decreta o Bloqueio de Berlim. As potênciasliberais são forçadas a abastecer a cidade através de uma ponte aérea durante 321 dias(Operação Vittle), até que, a 12 de Maio de 1949, Estaline suspende o bloqueio, deixando nacapital um clima caótico de pobreza e fome.Deste modo, inicia-se um período de forte tensão, o qual se deu o nome de GuerraFria. Este prolongou-se até meados dos anos 80, no entanto, foi até meados dos anos 50 que atensão foi mais visível. Os Estados Unidos e a URSS viram-se hostilizados e intimidados um pelooutro ao longo deste tempo, que resultou em enormes mudanças pelo mundo inteiro.Ninguém desejava ou tinha sequer forças para entrar noutro conflito mundial como o ocorridopoucos anos antes com a II Guerra Mundial, no entanto, a ganância, o poder, emaioritariamente as diferenças políticas entre as duas potências despontaram um climaperigoso que se encontrava aliado ao desejo de possuir mais do que o outro, quer emarmamento, como em territórios. Deste modo, o liberalismo e o marxismo-estalinista viram-senum campo de combate no qual nenhum queria sucumbir à guerra, no entanto queriamsuperar o adversário em tudo.Devido a este conflito, os EUA não tardaram a encontrar aliados que os apoiassem nacontenção do comunismo. Neste sentido, dá-se em 1949 a assinatura do Tratado do AtlânticoNorte, entre os EUA, o Canadá e algumas nações europeias. Mais tarde isto viria a dar origem àOrganização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN (ou NATO), uma importante organizaçãomilitar do pós-guerra que visava “regular por meios pacíficos todas as divergênciasinternacionais em que possam encontrar-se envolvidas por forma que não façam perigar a paze segurança internacionais”.A partir desta aliança formada formaram-se inúmeras outras, de modo que, em 1959,já três quartos do mundo se encontravam ligados aos EUA. Estas novas alianças multilateraiscontavam com a Organização dos Estados Americanos (OEA), que ligavam a América; naOceânia (ANZUS); no Sudoeste Asiático (Organização do Tratado da Ásia de Sudoeste –OTASE); Médio Oriente (Pacto de Bagdade).O mundo encontrava-se então dividido. Por um lado, existia o sistema repressivo ecomunista de Estaline, por outro, o sistema liberal e capitalista que representava o resto daEuropa e EUA. Este segundo “mundo” tinha como objetivo travar a expansão do socialismocomunista e assegurar a paz e justiça liberal mundial. Era já dado como certo desde o ocorridona Grande Depressão que o Estado deveria possuir um papel interventivo na sociedade. Estefacto não foi negado, mas sim priorizado durante esta altura. Em 1945 dão-se as eleições emInglaterra que colocam no poder o líder do Partido Trabalhista, ClementAtlee, deixando claroque a necessidade era o socialismo, em vez o conservadorismo até então preconizado pelafigura de Churchill. Por todo o mundo, partidos com idealismos idênticos começaram aproliferar – adeptos da social-democracia, que rejeita os ideais de Marx e evidenciam anecessidade de novas reformas sociais e da melhoria de vida dos trabalhadores. Nisto,encontra-se apenas a exceção de países como a Itália e a RFA (República Federal Alemã), quereceavam os partidos socialista e deram poder aos democratas-cristãos, que tinham na sua
  18. 18. ideologia a doutrina social da igreja e visavam o bem estar do homem maioritariamente a nívelespiritual.Deste modo, enfatiza-se a preocupação do Estado como a nação, fomentam-se osprogramas de nacionalizações dos bancos, das companhias de seguros, da produção deenergia, dos transportes, entre outras. O Estado torna-se, assim, o principal agente daeconomia, nascendo a conceção do Estado como Estado-providência.O Estado-providência nasce no Reino Unido como walfarestate, ou seja, um Estadoque tem na sua totalidade o objetivo de ver melhorar as condições de vida da sua população.Para tal, criam-se medidas, tais como o sistema nacional de saúde (NationalHealthService),que torna gratuitos todos os serviços médicos e que se estende a todos os cidadãos, e umsistema de proteção social que engloba o abono de família, de desemprego, de reforma, e abaixa médica para doentes, assim como alguns subsídios aos mais pobres. Estas medidaspermitem uma estabilização social e económica, tornando as nações mais prósperas.O mundo entrou assim num período que não via fim à sua prosperidade. O governotrabalhava arduamente para obter resultados e, ao longo de 1945 e 1973 não houve qualquercrise ou diminuição da economia e das taxas de crescimento. O capitalismo regressou em alta,maioritariamente na RFA, na França e no Japão, que ficaram denominados como “milagreseconómicos”. Um grande apoio a esta causa foram os acordos de BrettonWoods, feitos entreos EUA e o Japão, nos quais se estabeleceu o dólar como a moeda de maior poder e cujoobjetivo era o de criar instituições monetárias e mecanismos de apoio financeiro quetrouxessem estabilidade económica e facilitassem o câmbio de moedas (deste resultou, entreoutras, a criação do FMI), e a criação da CEE. Estes trinta anos de crescente prosperidadeficaram conhecidos como os “Trinta Gloriosos” – expressão tornada popular pelo economistafrancês Jean Fourastié.Estes anos conheceram inúmeras mudanças, como já vimos. Entre elas ocorreu umenorme progresso tecnológico, fomentado pela aposta das novas grandes empresas e fábricase que atingia todos os sectores. Além disso, é de destacar também a preferência ao petróleoem relação ao carvão (que se mantinha como predilecto desde a Revolução Indústrial), dadoque o primeiro era de tal forma abundante e rico cujos preços se viram reduzidos e óptimospara a sua compra. É também de evidenciar o aumento das grandes empresas e aconcentração industrial, que foi unicamente permitida pela melhoria das condições de vida,que fomentaram a possibilidade de crescimento da classe média e da classe alta parapatamares mais elevados na sociedade. Não só tudo isto, mas deu-se também um aumento dapopulação ativa, que ocorreu não só devido ao “baby-boom”, ou seja, ao aumento geral danatalidade no anos 40 e 50, também devido à maior integração da população feminina nomercado de trabalho, e além disso, também se fez notar um crescimento da população queemigrava de países menos desenvolvidos à procura de melhores condições de vida (entreestes, Portugal estava entre os países com maior taxa de imigrantes). Esta mão-de-obracrescente era também mais qualificada devido ao aumento da escolaridade obrigatória, o quecontribuo para o bom desenvolvimento das nações.Não obstante o que foi referido, adicionou-se ainda a modernização da agricultura nospaíses desenvolvidos, permitindo a autosuficiência dos mesmos, a capacidade não só deimportar como também de exportar produtos alimentares e diminuiu a dependência externa.Finalmente, notou-se um crescimento do sector terciário, ou seja, dos serviços. A este sectordedicava-se maioritariamente a classe média e, deste modo, com o seu aumento, nota-se quese deu um aumento favorável na classe média, diminuindo a pobreza neste países.
  19. 19. Tudo isto motiva a sociedade ao típico consumismo, com a agravante dos progressostecnológicos e da importância dos novos sectores, como é o caso da publicidade, quepermitem também um aumento dos produtos e fomentam a necessidade de os adquirir.Deste modo, a sociedade mundial capitalista abastece-se de um leque de bens, taiscomo automóveis, electrodomésticos, roupas, telefones, televisões, os quais a população temagora dinheiro para adquirir. Inventa-se assim as “tendências”, ou seja, os bens que énecessário adquirir e que, passada uma época, são deitados fora e substituídos por outrosobjectos (“passam de moda”). Nisto vem também a publicidade ajudar, criando uma única“propaganda de consumo” que manipula os indivíduos a adquirirem certos produtos atravésde técnicas psicológicas de persuasão.Entretanto, do outro lado do globo, a URSS divulgava e espalhava a sua palavra e osseus ideais marxistas. Saído da II Guerra Mundial, o comunismo contava apenas com doispartidários: a URSS e a Mongólia. No entanto, o tempo e as eventualidades permitiram apropagação rápida das suas ideias. Entre 1945 e 1949 o comunismo propaga-se até à EuropaOcidental (Coreia do Norte e China). Já nos anos 50 e 60 alastra-se para até à Ásia (Vietname,Camboja e Birmânia) e encontra em Cuba o seu local de eleição, devido à sua proximidade dosEUA.Foi a partir da URSS que todos os ideais marxistas partiram e foi graças à necessidadede libertar certos países dos domínios totalitaristas, trabalho que coube à URSS nos acordos deIalta (dos quais Estaline se iria aproveitar) e à primeira vaga de descolonização que Estaline viua sua oportunidade ser viavelmente conseguida.A primeira vaga comunista propagou-se pela Europa Oriental e foi realizada sobreordem de pressão pela URSS. Em 1948 todos os países de Leste motivados pelo comunismo jápossuíam Partido Único e viviam sob ideais semelhantes aos da União Soviética. Estes novospartidos receberam a designação de Democracias Populares pois viviam soube a égide dosideais comunistas, opunham-se aos regimes liberais, possuíam partido único e tinham umEstado que controlava tudo, desde a economia à cultura.Em 1955 os laços entre a Albânia, a Bulgária, a Hungria e a República DemocrataAlemã, a Polónia, a Roménia, a URSS e a Checoslováquia, ou seja, democracias popularesforam reforçados através do Pacto de Varsóvia. Este pacto militar visava a aliança entre osvários países e a “una” protecção contra qualquer agressão – bastante similar à NATO, nosEUA. Deste modo, tanto os EUA como a URSS possuíam aliados suficientes para se defenderemem caso de nova guerra, comprometendo qualquer tentativa de ambas as potências atacarem.Por sua vez, a segunda vaga deu-se na Ásia. Esta contou apenas com o apoio da URSS enão foi directamente resultado das ordens e tropas militares dirigidas por Estaline, mas simpor vontade própria dos trabalhadores das nações em constituírem os ideais do marxismo.Muitos países assim se revolucionaram, à exceção da Coreia do Norte, que foi resultado diretodas ordens da URSS. Em primeiro lugar, a Coreia fora, na sua totalidade, incumbida de serlibertada do governo japonês após a II Guerra Mundial, por parte da União Soviética e dosEUA. No entanto, as duas potências não pareciam encontrar consenso no modo de dirigir arecém-nação. Deste modo, a Coreia divide-se em duas potências, uma comunista e a outraliberal e capitalista. Apesar de ainda assim se manterem nos dias de hoje, entre 1950 e 1953este facto resultou numa severa guerra entre o norte e o sul, até que por força militar asconseguiram parar.A China, por sua vez, tornou-se socialista a partir de vários movimentosrevolucionários nacionalistas. Em 1949, Mao Tsé-Tung proclama a instauração de uma
  20. 20. República Popular, após trinta anos de falhadas tentativas. Apesar de não terem contado comum grande apoio por parte da URSS, a China assina, em Moscovo, um Tratado de Amizade eAliança entre as duas nações. Assim, a URSS passa a contar com mais uma aliança, apesar deanos mais tarde esta ser quebrada.Além disso, a América Latina é também alvo das tentações comunistas,nomeadamente nos anos 60 e 70. O seu ponto fulcral foi Cuba onde, em 1959, Fidel Castro eChe Guevara derrotam o ditador Fulgêncio Batista. Até então estes comunistas não tinhamqualquer ligação com a URSS, no entanto, após serem hostilizados por parte dos EUA, aceitamo apoio dos soviéticos e transformam Cuba em mais um aliado no comunismo. É devido a estaaliança que a Guerra Fria se torna mais temível aquando de 1962 uns aviões americanosavistam em Cuba armas nucleares capazes de atacar território americano. Kennedy, jápresidente, envia um aviso que acaba por se resolver num acordo, no qual a américa secompromete a não mais tentar derrubar o regime de Cuba.Tal como é já do conhecimento geral, o comunismo soviético sempre dera prioridade àindústria, maioritariamente à indústria pesada e às infraestruturas, tais como os complexossiderúrgicos e as centrais hidroeléctricas. Este factor vai-se propagar para todos os paísesEuropeus sob a alçada comunista. O que trará enormes consequências. Apesar de certospaíses terem visto um crescimento notável na indústria, a vida das suas populações só piorou.As horas de trabalho mantêm-se, os salários sobem bastante lentamente e as carências debens proliferam. Além disso, não demora muito tempo até que os resultados da excessivaindustrialização se mostrem prejudiciais. As empresas vêm-se privadas de quaisquer poder eentusiasmo e fazem apenas o pedido para alcançar as metas dos planos ditados. Na agriculturanão se fazem quaisquer avanços, sendo que algumas nações exportadoras de cereais passam ater que os importar.Na tentativa de solucionar o problema, o novo líder soviético, NikitaKruchtchev,efectua um conjunto de reformas. Este plano inicia-se em 1959 com o reforço das indústriasde consumo e de habitação. Segue-se um aumento das terras cultivadas, no sentido deaumentar a produção agrícola. No entanto, o resultado destas medidas fica muito aquém doque era esperado e a economia colapsa quando, na década de 70, sobe ao poder LeonidasBrejnev, que trás consigo uma era de corrupção e abuso de poder.Entretanto, as potências Americana e Soviética disputavam tudo o que podiam numaguerra de tensão e competição que parecia não ter fim. Não apenas o muro de Berlim expunhaas suas divergências, mas também as competições de armamento que foram realizadas.Em primeiro lugar, os EUA sentiram-se surpreendidos quando, em Setembro de 1949,os Russos fazem explodir a sua primeira bomba atómica, que estes acreditavam serem osúnicos a possuir até então. A necessidade de superar os Russos fê-los procurar uma receitamais potente que a bomba atómica, fazendo em 1952, explodir a primeira bomba dehidrogénio, que no ano seguinte também já se encontrava sob a alçada dos Russos.Assim, o segundo ponto iniciou-se com o aumento gigantesco do orçamento da naçãoamericana para o armamento “convencional”. Este orçamento triplica após a invasão da Coreiado Sul pelos comunistas, e sente-se a necessidade de possuir mais armas e um maior poderterrestre, aéreo e naval. A este plano segue-se, obviamente, um igual por parte da URSS, quegasta 80% do seu orçamento em despesas militares.O mundo encontrava-se, segundo Churchill, resvalado para o “equilíbrio instável doterror”.
  21. 21. No entanto, nem todas as competições entre as duas superpotências foram perigosas.A competição mais saudável desenvolveu-se com os progressos tecnológicos a nível da ciênciae da aeroespacial. Devido à receita deixada pela Alemanha nazi que trabalhava secretamentenum projecto de mísseis criam-se os primeiros foguetes que, na Rússia, se desenvolvem emsatélites e foguetes capazes de sobrevoar o espaço e, até, levar consigo passageiros.Deste modo, em outubro de 1957, a Rússia eleva-se a um nível mais elevado quandoconsegue colocar em órbita o primeiro satélite artificial da História, o Sputnik 1. Após inúmerastentativas falhadas e a morte de alguns cães domésticos, o Sputnik 2 consegue levar a primeirapassageira no espaço que sobrevive, a cadela Laika. Isto destrói os Americanos, querapidamente tentam superar as suas ações, em várias tentativas falhadas. Só em 1958conseguem o lançamento com sucesso do Explorer 1. Por sua vez, mais algumas sondas sãoenviadas até que os Russos conseguem tocar na lua. Assim, continuam a criar-se metas entreas duas potências que conseguem ser superadas, principalmente pela União Soviética, até que,em 1969, os Americanos conseguem colocar dois astronautas na superfície lunar, convocandoassim a sua liderança perante a URSS.Entretanto, no continente asiático, o Japão dava uma reviravolta em relação ao estadocomo havia saída da II guerra mundial, ou seja, humilhado e destruído. O “milagre japonês” foio nome dado ao seu rápido progresso e à sua prosperidade após a guerra. No início sob aalçada dos EUA, até conseguir total independência, em 1952, mantendo a aliança entre ambose favorando dos apoios financeiros e técnicos americanos.No entanto, o que realmente permitiu ao Japão ascender foi a sua tradição e culturaaltamente trabalhadores, assim como um pensamento virado para o progresso. Em primeirolugar, o Partido Liberal-Democrata era o governo acertado para a época, um Estadointerventivo que criou as condições favoráveis ao avanço económico do país. Em segundolugar, dado que na II Guerra Mundial esta nação se encontrava aliada à Alemanha nazi o japãofoi também vítima das condições tratadas que visavam impedir uma nova guerra, ou seja, oJapão viu-se privado de qualquer armamento militar que pudesse ser prejudicial, o queresultou numa junção do orçamento até então utilizado para o armamento, canalizando-opara outros recursos financeiros, dado que promoveu o seu desenvolvimento. Além disso, amentalidade japonesa foi um dos factores decisivos para o progresso deste país, dado que aligação desde sempre criada no Japão visava que o patrão deveria fazer tudo em função dotrabalhador e, por sua vez, o trabalhador devia dedicar a sua vida à empresa onde éfuncionário. Deste modo, ambos cooperavam de modo amigável e favorável, de tal modo que,nos primeiros anos, os funcionários abdicaram dos seus aumentos de salários para os dar àempresa, de modo a promover a renovação tecnológica.Assim, o Japão ganhou um novo objetivo: tornar-se a primeira sociedade consumistaasiática.Esta meta foi atingida devido à criação de medidas e planos de produção vários,bastante similares aos americanos. Em primeiro lugar, deu-se o primeiro “boom” económicoentre 1955 e 1961, devido ao fomento da produção industrial, que triplicou nesse período detempo. Dentro desta medida os sectores que adquiriram maior importância foram os daindústria pesada (construção naval, máquinas, indústria química) e dos bens de consumo, taiscomo os televisores, as rádios, os electrodomésticos, entre outros. Além disso, viu-se tambémum forte aumento no comércio externo, que duplicou.Deste modo, em meados dos anos 60 e inícios dos anos 70 a produção industrialduplicou e criaram-se inúmeros postos de trabalho. Desenvolveu-se também a indústria
  22. 22. siderúrgica, assim como novos sectores, tais como o automóvel, a televisão a cores, osaparelhos de circuito integrado, entre outros.Assim, com o segundo “boom” este colocou-se em terceiro lugar nas potênciasmundiais, tendo à sua frente a URSS e os EUA.Entretanto, na China via-se nos anos 50 uma separação na aliança feita com a UniãoSoviética. Esta separação sucede-se devido às divergências de ideais, pois enquanto ocomunismo via no operariado a “massa”, o líder do Estado, Mao dava esse papel ao camponês,que protegia e admirava como líder da nação. Assim, os dois blocos dividem-se e o comunismochinês passa a ser representado como Maoísmo, devidos aos seus ideais próprios. Além disso,a China adopta, anos passados, um programa de fomento económico ao qual dará o nome de“grande salto em frente”. Este programa visava “apanhar, em 15 anos, a Inglaterra”, semquaisquer ajudas externas.A indústria pesada é, deste modo, posta de parte e o enfase passa para os campos e aspequenas indústrias locais. Para ajudar no enclausuramento da China, Mao faz ferozes críticasao actual líder soviético, Kruchtchev, defendendo Estaline e acusa os “novos soviéticos” de seafastarem do caminho socialista de Marx. A isto, a União Soviética responde com ameaças. Achina Maoísta considera a sua nação como “verdadeiramente socialista”.No entanto, o seu programa do “grande salto em frente” cai no falhanço e éabandonado em 1960, o que afasta Mao Tsé-Tung do poder por breves tempos, enquantotenta eliminar os seus opositores e restabelecer a “paz” que pretendia. No seu regresso, Maolança um novo programa, a “Revolução Cultural” – apoiada pelas suas “Citações”, ou seja,pelas anotações que colocara no seu “livro vermelho”, publicado em 1964. Este livro foidurante anos citado e seguidos por milhares de jovens, que viam nas suas citaçõesmandamentos bíblicos. Alguns jovens criavam até o seu próprio “livro vermelho”, com amesma capa vermelha, mas na qual colocavam a sua imagem e as suas citações (sempreinspiradas nas de Mao). Esta revolução é levada a cabo pelo líder chinês e pelos seus jovensseguidores, o que rapidamente desencadeia na violência, colocando a China à beira daanarquia e da guerra civil. Em 1968 recorre-se às forças militares para impor a ordem eterminar o ambiente caótico e tenso que se vivia.Entretanto, milhões de mortos foram conseguidos, milhões de perseguidos e milhõesde jovens tiveram que ser enviados para campos de reeducação. No entanto, os esforços deMao acabam por dar frutos e, em 1971, o país dá entrada na ONU e recebe o cargo deConselho de Segurança.Anos antes, a Europa do pós-guerra fomenta a necessidade de ascender e voltar a umpatamar aceitável como potência mundial. Esta necessidade de melhorar foi conseguidaatravés da união entre várias nações, ideia preconizada por Churchill, que apela aorenascimento europeu semelhante aos EUA.Criam-se, deste modo, várias organizações europeias que promovem encontros,debates e congressos. Em primeiro lugar, é criada a CECA, devido às ideais de Shuman (1950),que coloca em evidência a necessidade de cooperação entre a Alemanha e a França nodomínio da produção do aço e do carvão. CECA – Comunidade Europeia do Carvão e do Aço –integra, além das nações que Shuman evidenciou, a Bélgica, a Itália, a Holanda e Luxemburgo.Esta comunidade estabeleceu uma zona de minas e siderurgia colectiva que era orientada econtrolada por uma Alta Autoridade.Após a criação desta comunidade segue-se a criação de uma comunidade muito maisvasta e importante, até considerada o início da União Europeia, a CEE (Comunidade Europeia
  23. 23. do Carvão e do Aço). Esta é criada a partir da assinatura do Tratado de Roma, em 1957, no qualos países que integravam a CECA se comprometeram a implementar a livre circulação demercadorias, de capitais e de trabalhadores, bem como a livre prestação de serviços.Basicamente, deu-se um fomento e facilitou-se os acessos e o comércio entre as várias naçõesque assinaram o contrato, de tal modo que, no ano de 1968, se consegue concretizar a uniãoaduaneira, ou seja, a livre circulação de mercadorias, dando assim mais um passo na direcçãoda União Europeia.Finalmente, a CEE torna-se, em 1970, a maior potência comercial do Mundo, gerandoassim o seu alargamento. Deste modo, em 1973 novos países assinavam o Tratado, tais comoo Reino Unido, a Irlanda e a Dinamarca.Anos antes, após a II Guerra que abalou o mundo, dá-se uma nova vaga dedescolonizações, nomeadamente em África e na Ásia, e tem o seu início em 1945.Tem o seu início com a independência da Líbia, que se encontrava sob a proteção daONU, em 1951. Cinco anos mais tarde seguem-se Marrocos e a Tunísia, que se encontravamsob o domínio francês. Além destas, a Argélia era outra colónia de igual importância sob odomínio francês, no entanto, devido à existência de milhares de colonos franceses que serecusaram a sair do território, esta entrou numa guerra e só ganha independência em 1961.O propagar da independência no continente africano resulta na organização demovimentos nacionalistas que promovem a luta contra os colonizadores, ou seja, fomentam aindependência e a identidade das colónias. Este novo processo conta, obviamente, com oapoio da ONU, eterna defensora da igualdade e da justiça. Em 1960, a Assembleia Geralaprova a Resolução 1514, que visa o direito à autodeterminação dos territórios que seencontram sob administração estrangeira, condenando as forças armadas das suasmetrópoles.Entre as décadas de 40 e 70 evidenciam-se cerca de 70 novos países, outrora colónias,que ganham a sua independência. No entanto, apesar de ser direito alienável a suaindependência, este facto não vai retirar as ex-colónias da dependência externa dasmetrópoles. Isto sucede dado que o conjunto de colónias que se separaram dos seus“administradores” constituem o Terceiro Mundo, ou seja, são regiões pobres e altamentepopulosas, a adicionar a falta de recursos e meios que estes têm para se desenvolverem, poissão zonas naturais, fracamente ou nada industrializadas, que passam a depender daexportação de matérias-primas, que lhes são compradas pelos países desenvolvidos que, porsua vez, usufruem destas para as transformarem em bens essenciais, que mais tarde as ex-colónias terão que comprar para sustentarem a sua vida. Isto torna-se um ciclo vicioso, dadoque o preço das matérias-primas é altamente reduzido em comparação ao preço dos produtosindustrializados, permitindo assim o total endividamento destes países. Assim, a dependênciacontinua a ser um problema real, no entanto, é feito de forma indirecta, pois é através decompanhias e acordos mútuos que esta dependência é “oficializada”.Além disto, a descolonização tem outros efeitos sobre o globo, como por exemplo aexistência de novos países que terão que se administrar política e economicamente sozinhos.Este facto revela a possibilidade de estes novos países encontrarem uma nova via, que nãofosse igual à do liberalismo ou do comunismo assente até então. Em via disto, estreitam-se oslaços entre os novos países e dá-se, em 1955, a conferência de Bandung, na Indonésia, onde sepromovem novos princípios: a negação do colonialismo, a rejeição da política de blocos, e aaliança pacífica entre nações.
  24. 24. Esta conferência tem grandes proporções no mundo “colonial” e inspira o Movimentodos Não Alinhados, que é criado na Conferência de Belgrado, em 1961, movimento queestabelece uma nova via política como alternativa ao comunismo e ao liberalismo.Este movimento cria então uma nova política. Em base, esta visava defender asrestantes colónias, propagar a descolonização, defendia “uma política ativa, positiva econstrutiva” e pretendia estabelecer a paz mundial. No entanto, apenas a medida de lutacontra o colonialismo foi realmente levada a cabo.Entretanto, em Portugal vivia-se um período de declínio do Estado Novo. O regimesalazarista fraquejava e avistava-se já um fim. Apesar das campanhas que tinham por objetivoa “revolução agrícola”, na década de 50 a agricultura continuava pobre e pouco produtiva. Aisto culpavam-se as dimensões agrícolas, que se viam no norte divididas em minifúndios, ouseja, pequenas parcelas que não permitiam o uso de novas indústrias e, no sul, os latifúndios,propriedades enormes mas que não eram aproveitadas.Face ao problema de produção elaboraram-se novos planos de reforma, como a mecanizaçãoda exploração agrícola. Assim, dá-se o II Plano de Fomento (1959), que visava aumentar aprodução e a qualidade de vida dos agricultores, no entanto este plano falha.Resumos de História – 5ºtesteEnte 1985 e 1991 dão-se profundas alterações na história mundial traçada até então. AGuerra Fria termina de forma inesperada, a Alemanha une-se novamente, a URSS entra emdeclínio e desmembra-se e, finalmente, os EUA, sem outros concorrentes à altura, tornam-se amaior potência mundial.O início de 1985 na URSS torna-se fundamental para a continuidade da história Russaaté aos tempos de hoje. Em março Mikhail Gorbatchev, um homem novo e de ideais maisliberais que os seus antecessores, é eleito secretário-geral do Partido Comunista.Com a sua entrada no poder, Gorbatchev encara as necessidades e os problemas dosistema soviético que vinham a piorar desde a era de Brejnev. Deste modo, dá início a umapolítica de diálogo e aproximação ao Ocidente, nomeadamente dos EUA, com os quais reiniciaconversações no sentido de dar fim ao enorme conflito da Guerra Fria que vinha já desde1947. Assim, com o desarmamento por parte de ambas as potências, Gorbatchev conseguiucanalizar a economia – que era em grande parte dirigida no sentido do armamento e damilitarização – para a reestruturação interna.No sentido de ganhar o apoio popular para a renovação económica pretendida, aperestroika (que significa reestruturação), o líder inicia, em simultâneo, a glasnost(transparência), ou seja, uma medida que visa a abertura política, reconciliando o socialismocom a democracia.A perestroika tem como função descentralizar a economia, privatizando algumasempresas, dando-lhe apoio e incentivando essa privatização através de enormes subsídios quesuportavam a sua falta de rentabilidade – criando assim uma balança económica pouco viável,sustentada pela necessidade de abertura externa.Por sua vez, a glasnost pretende motivar a população a acreditar na abertura internada nação. Assim, este projecto apelava à denúncia da corrupção e da censura (abolindo-a), e àoportunidade de participação dos cidadãos na vida política. Em março de 1989 dão-se, nestesentido, as primeiras eleições verdadeiramente livres na URSS, que dão poder ao Congressodos Deputados do Povo.
  25. 25. No entanto, aquando do decorrer das políticas de Gorbatchov, os países de Leste quese encontravam sob o domínio soviético, encontraram nesta “liberalização” política o fomentopara a sua contestação independentista que já vinha dos tempos de Brejnev, nomeadamenteporque, ao contrário do que se passara com os antecessores políticos soviéticos, desta vez asua revolta não contava com a intervenção militar russa, que até então era utilizada paranormalizar as situações de revolta popular. Além disso, Gorbatchev considerava que asdemocracias populares eram um peso para a URSS e concordou no afastamento daquelespaíses nos quais proliferavam os ideais liberais, permitindo-os criar fronteiras e escolher o seuregime político.Em 1989 inicia-se um período de democratização das nações que se encontravam sobo domínio soviético. Dá-se, então, a abertura das fronteiras com o Ocidente e, a 9 denovembro, cai o mundo de Berlim, dando descontinuidade à “cortina de ferro”, preconizadapor Churchill após a II Guerra Mundial.Face à queda do muro, que durante quatro décadas dividia a Europa, a divisão daAlemanha deixa de fazer sentido e, assim, esta reunifica-se no final de 1990, trazendo consigoa dissolução do Pacto de Varsóvia e do COMECON, resultando num novo clima de paz para aEuropa já há tanto tempo ansiado.Entretanto, a União Soviética debatia-se com graves problemas políticos e económicos.Em primeiro lugar, a perestroika trouxera problemas que se tornavam incontroláveis e aeconomia entrara, desse modo, num acentuado declínio. Em segundo lugar, odesmembramento dos países de leste, iniciado com a Estónia que, em 1988, se assume comoestado soberano e em 1990 com a Lituânia que se desmembra oficialmente da URSS, e areunificação da Alemanha, impulsionara pela União Soviética os confrontos étnicos e apropagação das ideias liberais.Deste modo, Gorbatchev, que nunca quis a destruição da URSS, tenta parar o seudeclínio pela intervenção militar no Estados Bálticos. Assim, o líder começa a perder os seusapoios mais liberais, nomeadamente de um dos seus ex-colaboradores, Boris Ieltsin, que éeleito presidente da república da Rússia em 1991, marcando o fim a URSS.Em 1991 a maioria das repúblicas da União declara a sua independência e, no finaldesse ano, cria-se a CEI (Comunidade de Estados Independentes) que agrega 12 das 15repúblicas que se tornaram independentes. Gorbatchev abandona finalmente a presidência daURSS, já totalmente desintegrada.A perestroika, que prometera uma melhoria das condições de vida a nível salarial, debens de consumo e de assistência social, tornara-se um fracasso económico. No entanto, o fimdesta política de economia planificada significa, também, o fim dos subsídios às empresas, quenecessitavam dos mesmos para rentabilizar os seus lucros. Por conseguinte, muitas empresasentram em barrota, reunindo cada vez mais condições para o caos económico da nação.O desemprego floresce a um nível inimaginável e a liberalização dos preços contribuipara a inflação dos preços, a qual os salários não acompanham. Assim, muitas famíliassoviéticas perdem o seu sustento e veem-se sem meios de subsistência. Entre estes apenasalgumas pessoas enriquecem, conseguindo acumular grandes fortunas. Estes apoderam-se dasempresas privadas que faliram e, outros, canalizam os seus fundos para investimentos noestrangeiro, fazendo com que, em meados dos anos 90, 45% do rendimento nacional seencontrasse em 5% da população.
  26. 26. Além disso, também os novos países, independentes da União Soviética, viram-se emcrise económica. Com o afastamento da nação perdem também os seus subsídios e o comérciotorna-se, de modo geral, mais caro, criando um certo ambiente de caos económico.Externo à União Soviética, o mundo encontra-se sob a égide dos três polos dedesenvolvimento: os EUA, a União Europeia e a Ásia-Pacífico. Entre estes, é nos Estados Unidosque se encontram as melhores condições políticas, económicas e sociais.Esta superpotência mantém, até aos dias de hoje, a sua filosofia da “livre empresa”,que fomenta toda a sua economia. O Estado-Nação mantém-se intacto, permitindo eincentivando a privatização das empresas, cuja carga fiscal se torna mais baixa, os encargoscom a segurança social são diminutos e as restrições ao despedimento ou deslocação de mão-de-obra são praticamente inexistentes.A sua nação, de carácter pós-industrial, apresenta na sua base o poder do sectorterciário, que ocupa aproximadamente 75% da população ativa e é responsável por 70% doPIB. É também o maior exportador de serviços do Mundo e a sua economia possui momentosescassos de recessão. Além disso, também o sector agrícola e pecuário apresenta níveispositivos para a sua economia, possuindo uma elevadíssima produtividade.Deste modo, a hegemonia dos EUA dá grandes frutos aquando da presidência de BillClinton.O presidente, querendo contrariar a crescente prevalência do comércio na UniãoEuropeia, procura fazer crescer as relações económicas com o Sudeste Asiático, revitalizando aAPEC (Cooperação Económica Ásia-Pacífico). Além disso, nasce nas suas mãos a NAFTA(Acordo de Comércio Livre da América do Norte) que tem como objectivo, semelhante ao daUnião Europeia, a livre circulação de capitais e mercadorias entre os EUA, Canadá e México. Noentanto, a NAFTA acaba por colocar as nações num estado de dependência face aos EstadosUnidos.Além disso, a hegemonia norte-americana deve-se também ao grande avançotecnológico. A sua economia é de tal forma canalizada para a investigação científica que estanação continua a ser aquela que mais investe neste ramo. As novas tecnologias tornam-sedeterminantes para o desenvolvimento de um país a partir de meados do século XX e é tendoconsciência deste facto que os EUA conseguem proliferar em relação ao resto do mundo,sendo que o seu Estado financia 50% da investigação privada e efectua encomendas dos maissofisticados materiais militares e paramilitares. Finalmente, o seu avanço tecnológico tãocrescente deve-se também à criação dos tecnopólos – parques gigantescos, associados às suasmais prestigiadas universidades, onde se encontram laboratórios e fábricas de pesquisa eavanço tecnológico únicas até então -, sendo o mais famoso Silicon Valley, na Califórnia, ondenasceu a internet.Mas em que momento da história é que se pode delimitar o início da hegemoniaamericana pós Guerra Fria? Este momento encontra-se descrito por muitos historiadorescomo o ano de 1991, aquando da Guerra do Golfo, que fora proposta por George Bush (pai) nosentido de iniciar uma nova ordem mundial cuja base se encontrava nos ideais pós II GuerraMundial, os mesmos que tinham sido o berço da ONU. Assim, a Guerra do Golfo é iniciadacomo meio de libertação do Kuwait, um pequeno país petrolífero que havia sido invadido peloIraque, e a supremacia americana torna-se mundialmente conhecida pelo modo como astropas iraquianas (4º maior exército mundial) nada conseguiram contra as sofisticadastecnologias militares da nação rival.
  27. 27. No entanto, o seu elevado estatuto perante o mundo gerou alguma controvérsiaquando, apercebendo-se do seu enorme poderio, o presidente Bush e, mais tarde, o filho queo sucede, ditam algumas modificações da “Nova Ordem Mundial”.Em primeiro lugar, impõe algumas sanções económicas, tais como o bloqueio domercado externo e interno, dos países que violassem os direitos humanos, possuíssem umapolítica repressiva ou suportassem organizações terroristas, fazendo com que, em 1998, 75países se encontrassem sob ou em risco de receber estas “punições”. Em segundo lugar,reforçam o papel da OTAN, que devido ao declínio da URSS perdera as razões para existir, econtrariam o seu papel unicamente defensivo, sendo que após 1991, esta organização passa ater o poder de intervir militarmente na Europa sempre que haja razões para tal. Finalmente, osEUA assumem um papel militar mais ativo, sendo protagonistas de inúmeras intervençõesarmadas de vários motivos, entre elas a do combate ao terrorismo no Afeganistão, em 2001, ea destituição de regimes repressivos.Este último factor conduz à polémica invasão do Iraque que, em 2003, conseguederrubar o regime de Saddam Hussein. No entanto, as verdadeiras razões que levaram a estaguerra levam a inúmeros debates e divergências de opiniões, fazendo com que o regimepolítico americano, na altura encabeçado por Bush (filho) perdesse a maioria do seu apoio ecrença. Deste modo, é em 2008 que se elege como novo presidente Barack Obama, que trásconsigo um clima de crença na mudança e na paz mundial.Anos antes, também a Europa se debatia com a necessidade que vinha desde oTratado de Roma, de se unificar e unir o poder de todas as suas nações no sentido de proliferarcomo uma superpotência e resolver alguns problemas económicos e sociais que vinham aindada II grande guerra.A sua primeira necessidade foi a união aduaneira, ou seja, a livre circulação demercadorias. Neste sentido, a Comunidade Económica Europeia (CEE) cria um conjunto deinstituições que, semelhantes ao que fora feito na ONU, se encarregavam de diferentes ramoseconómicos, sociais e políticos entre nações. Assim, os estados-membros conseguem alcançaralguns resultados e tentam pôr em prática uma política agrícola comum, um projecto decombate ao desemprego e um de ajuda às zonas menos favorecidas do continente.No entanto, as suas ideias e tentativas resultam apenas na perda de apoio e de crença,sendo que no início dos anos 80 a Comunidade começa a colapsar. Felizmente, 5 anos depois,Jacques Delors entra na presidência da Comissão Europeia e faz sua prioridade o renascer daCEE. Deste modo, Delors prende-se na necessidade de um avanço económico como UniãoEuropeia, que se reflete na assinatura, em 1986, do Ato Único Europeu, que previa para 1993 oestabelecimento do tão querido mercado único – adicionando que não seria de livre circulaçãode mercadorias apenas, mas também das pessoas, dos capitais e dos serviços, reunindo assimcondições para uma verdadeira União no continente.Neste sentido, Delors publica o Livro Branco, onde estavam escritas as medidas atomar e os seus prazos, assim como um profundo estudo económico sobre os custos daEuropa se esta não se unisse como planificado. É então, em 1990, que o mercado livre se tornafinalmente uma realidade. Além disso, as nações começam a acreditar que esta União poderádar mais frutos, criando no horizonte novas medidas e ideias, tais como o alargamento damoeda, da política migratória, da política externa e da defesa a nível continental (daqueles quefizessem parte da União).Estas crenças conduzem, em 1992, ao célebre Tratado de Maastricht, assinado nacidade holandesa. Este tratado entra em vigor um ano depois e estabelece a existência da
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