Aula 02

L
LAMPSI – Liga Acadêmica de Medicina Psiquiátrica do
                   Rio Grande do Norte
                 Curso de Psicopatologia




PSICOPATOLOGIA – Aula 02



         Palestrante: Rafael Heitor Nunes R. Costa
                    12 de maio de 2012
AVALIAÇÃO DO PACIENTE
AVALIAÇÃO PSICOPATOLÓGICA
• Entrevista: principal instrumento de
  conhecimento da psicopatologia.
• Importância da entrevista:
 Diagnóstico clínico;
 Dinâmica afetiva do paciente;
 Melhor intervenção e planejamento
  terapêuticos;
 Permite realizar os principais aspectos
  da avaliação:
 Anamnese e exame psíquico
AVALIAÇÃO FÍSICA
• Morbidade física mais frequente.
• Doenças físicas subdiagnosticadas.
• Clínico não examina por “não ser seu
  doente” e o psiquiatra não examina por
  ser “especialista”.
• Estigma de “louco” invalida as queixas
  somáticas.
• Exame como forma de aproximação
  afetiva.
AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA
• Identificar possível lesão ou disfunção do SNC
  ou SNP (nem todas alterações
  neuropsiquiátricas produzem sintomas
  localizatórios).
• Observar assimetria de forças, reflexos
  miotáticos profundos e musculocutâneos
  superficiais.
• Sinais e reflexos neurológicos primitivos (lesões
  frontais/cerebrais difusas e encefalopatias):
 Preensão: Se bilateral, indica, no adulto,
  lesão/disfunção frontal ou sofrimento cerebral
  difuso.
AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA
 Sucção: protrusão labial + desvio para o lado estimulado
  + sucção após a estimulação da região perioral. Ex: lesão
  frontal e encefalopatia.
 Orbicular dos lábios: percussão da área acima do lábio
  superior gera projeção para a frente dos lábios (faz um
  “bico”). Ex: Dano cerebral difuso.
 Palmomentual: estímulo cutâneo da eminênia tenar gera
  contração e elevação do músculo mentual e, eventual-
  mente, do lábio inferior ipsilaterais. Ex: idoso, lesão pira-
  midal e encefalopatia difusa.
PSICODIAGNÓSTICO
• Área desenvolvida pela psicologia
  clínica.
• Mais usados na prática: testes de
  personalidade e rastreamentos para
  organicidade.
 Testes projetivos: Rorschach.
 Testes estruturados de
  personalidade: MMPI (Minnesota
  Multiphasic Personality Inventory).
 Alterações orgânicas.
EXAMES COMPLEMENTARES
• Líquor: encefalites, doenças inflamatórias,
  neoplasias, infecções do SNC.
• EEG: diagnóstico diferencial de quadros
  confusionais agudos, classificação das
  diferentes formas de epilepsia e avaliação de
  transtornos do sono (polissonografia).
• Neuroimagem estrutural e funcional (TC,
  RNM, PET, SPECT): diagnóstico diferencial
  em psicopatologia.
ENTREVISTA COM O PACIENTE
INTRODUÇÃO
• Entrevista: um dos elementos mais importantes da prática
  psiquiátrica e da Psicopatologia.
• Particularidades da entrevista e do entrevistador:
 Profissional habilidoso é qualificado pelo capacidade de dominar a
  técnica de entrevista.
 Psiquiatra:“perito do campo das relações interpessoais”.
 Importância da entrevista: informações fornecidas e efeitos
  terapêuticos que gera.
 Habilidade de entrevista: intuitiva + patrimônio da personalidade +
  sensibilidade nas relações interpessoais.
INTRODUÇÃO
• Iniciando a entrevista:
 Apresentar-se para o paciente;
 Atitude de respeito e interesse, sem criticar;
 Iniciar com perguntas mais gerais, menos
  constrangedoras;
 Permitir que o paciente fale livremente;
 A entrevista tem finalidades diagnósticas e
  terapêuticas (mesmo as iniciais).
INTRODUÇÃO
• Variáveis da entrevista:
 Paciente: personalidade, estado
  mental/emocional e capacidades cognitivas.
 Contexto institucional: PS, enfermaria,
  ambulatório...
 Objetivos: diagnóstico clínico, estabelecimento
  de vínculo terapêutico, questão forense.
 Personalidade do entrevistador.
INTRODUÇÃO
• O sigilo
 Esclarecer ao paciente que ele está sendo visto por um
  psiquiatra, que visa ajudá-lo;
 Deve ficar claro aos pacientes que as informações
  fornecidas são sigilosas. Caso perceba dúvidas, explicitar
  isto ao paciente.
 Esclarecer quando necessário que o sigilo poderá ser
  rompido se houver risco para o paciente, seus familiares
  ou a sociedade.
INTRODUÇÃO
• Atitudes inadequadas:
 Posturas rígidas e estereotipadas.
 Atitude excessivamente neutra ou fria.
 Reações exageradamente emotivas.
 Comentários valorativos/emissão de julgamentos.
 Reações emocionais intensas de pena ou compaixão.
 Responder com hostilidade ou agressão.
 Permitir que o paciente seja demasiadamente prolixo.
 Fazer muitas anotações ao longo da entrevista.
INTRODUÇÃO
• Regras “de ouro” da entrevista:
  1a) Organizados, inteligência normal, boa e razoável es-
  colaridade e fora da psicose: entrevista de forma aberta.
  2a) Desorganizados, baixo nível intelectual, estado psi-
  cótico ou paranóide, “travados” por alto nível de ansie-
  dade: forma + estruturada, falando mais e com pergun-
  tas simples e dirigidas.
  3a) Tímidos, ansiosos e paranóides: perguntas neutras e,
  depois, mais profundas.
PRIMEIRAS ENTREVISTAS
• Importância da entrevista inicial:
 Crucial no diagnóstico e tratamento;
 Gerar confiança e esperança no alívio do sofrimento ou
  abortamento do tratamento.
• Sandifer et al. (1970): Primeiros 3 minutos da entrevista
  são significativos e decisivos para a identificação do perfil
  dominante de sintomas do paciente e a formulação da
  hipótese diagnóstica final.
• APRESENTAÇÃO:
PRIMEIRAS ENTREVISTAS
 Sigilo e discrição.
 Colaboração mútua entre profissional e paciente.
 Colher dados sociodemográficos.
 Intervir para melhorar o prosseguimento da fala do pa-
  ciente e evitar posição passiva.
 Evitar pausas e silêncios prolongados: deixa a entrevista
  tensa e improdutiva e  o nível de ansiedade.
• Fases iniciais da entrevista: paciente usa manobras e
  mecanismos defensivos como risos, silêncio, perguntas
  inadequadas e comentários circunstanciais.
PRIMEIRAS ENTREVISTAS
• Procedimentos para facilitar a lide do silêncio do
  paciente:
 Perguntas e colocações breves, demonstrando
  atenção e tranquilidade para ouvi-lo.
 Evitar perguntas fechadas e perguntas
  complexas demais.
 Usar frases tais como: “Como foi isso?”,
  “Explique melhor!”, “Conte um pouco mais sobre
  isso!”.
 Particularizar a interação com o paciente.
PRIMEIRAS ENTREVISTAS
• Importância da fala livre:
 Melhor avaliação da personalidade e avaliação dos
  conflitos do paciente.
 Catarse e desabafo.
PRIMEIRAS ENTREVISTAS
• O sigilo
 Esclarecer ao paciente que ele está sendo visto por um
  psiquiatra, que visa ajudá-lo;
 Deve ficar claro aos pacientes que as informações
  fornecidas são sigilosas. Caso perceba dúvidas, explicitar
  isto ao paciente
 Esclarecer quando necessário que o sigilo poderá ser
  rompido se houver risco para o paciente, seus familiares
  ou a sociedade
TRANSFERÊNCIA E
     CONTRATRANSFERÊNCIA
• TRANSFERÊNCIA:
 Sua compreensão torna a entrevista mais habilidosa e
  facilita abordagem menos ingênua e mais profunda.
 Inclui sentimentos positivos e negativos.
 Freud: repetição inconsciente do passado onde o ana-
  lista ocupa o lugar do pai/mãe, levando a relações emo-
  cionais que não se baseiam na situação real.
TRANSFERÊNCIA E
     CONTRATRANSFERÊNCIA
• CONTRATRANSFERÊNCIA:
 Projeção inconsciente, no paciente,de sentimentos que o
  analista nutria/nutre por pessoas significativas de sua
  vida.
AVALIAÇÃO PSIQUÁTRICA GERAL
• Entrevista inicial com anamnese e coleta de dados socio-
  demográficos, queixa principal, antecedentes mórbidos
  somáticos e psíquicos pessoais (incluindo hábitos e uso
  de substâncias químicas), antecedentes mórbidos famili-
  ares, história de vida (desenvolvimento somático, neuro-
  lógico, psicológico e psicossocial) e avaliação das intera-
  ções familiares e sociais do paciente.
• Exame do estado mental, exame físico geral, neurológico.
• Exames complementares: testes de personalidade e
  cognição.
AVALIAÇÃO PSIQUIÁTRICA GERAL
• EXAMES COMPLEMENTARES:
  - Laboratoriais: bioquímica, citologia, imunologia, hemo-
    grama, eletrólitos, metabólitos, hormônios.
  - Neuroimagem e neurofisiologia.
PONTOS ADICIONAIS
• Avaliar e averigüar os sintomas objetivos e a vivência
  subjetiva deles, com a cronologia dos fenômenos, dados
  pessoais e familiares.
• Alguns pacientes podem não ter nenhuma queixa ou,
  simplesmente, não terem insight sobre o que sentem.
• DADOS DE UM INFORMANTE:
  - Também há o componente subjetivo.
  - Fundamental para pacientes: demenciais, déficits cogni-
    tivos, psicose grave e mutismo.
PONTOS ADICIONAIS
• DISSIMULAÇÃO:
 Esconde ou nega voluntariamente a presença de sinal ou
  sintoma psicopatológico.
 Motivações: evitar internação, medo de ser medicado ou
  medo do rótulo de “louco”.
• SIMULAÇÃO:
 Cria sintoma/sinal inexistente de forma consciente.
 Motivações; dispensa laboral, aposentadoria, esconder-
  se de traficante.
PONTOS ADICIONAIS
• DIMENSÕES DA HISTÓRIA:
 Longitudinal: descrição de relações temporais de forma
  clara e compreensível e observação dos sentimentos e
  reações aos eventos passados.
 Transversal: história atual.
• ESCREVENDO A HISTÓRIA:
 Linguagem simples, precisa e compreensível, detalhada
  no que for essencial e concisa no que for secundário por
  razões clínicas, por razões legais (proteção de possíveis
  acusações futuras) e por razões institucionais.
PONTOS ADICIONAIS
 Evitar tecnicismo exagerado.
 O relato deve ser sempre organizado e coerente, mesmo
  quando descreve fenômenos caóticos e irracionais.
 Deve fornecer compreensão suficientemente ampla da
  personalidade do paciente, da dinâmica de sua família e
  de seu meio sócio-cultural imediato.
 Uso das próprias palavras do paciente e informante
  quando descreve sintomas mais relevantes.
FUNÇÕES PSÍQUICAS
ELEMENTARES E SUAS
    ALTERAÇÕES
ADVERTÊNCIAS
• Separação da vida e da atividade mental em diferentes
  áreas ou funções psíquicas é um procedimento
  essencial-mente artificial.
• Divisão em funções é um construto da psicologia e psi-
  copatologia para permitir uma comunicação mais fácil e
  um melhor entendimento dos fatos.
• Separação em funções é teórica e, não, real.
FUNÇÕES PSÍQUICAS
• Mais afetadas nos transtornos psicorgânicos:
 Consciência, atenção, orientação, memória, inteligência e
  linguagem.
• Mais afetadas nos transtornos afetivos, neuróticos e de
  personalidade:
 Afetividade, vontade, psicomotricidade e personalidade.
• Mais afetadas nos transtornos psicóticos:
 Sensopercepção, pensamento, vivência do tempo e es-
  paço, juízo da realidade e vivência do eu.
• OBRIGADO!!!

rafael_heitor_nunes@yahoo.com.br
1 von 32

Más contenido relacionado

Was ist angesagt?(20)

Psicopatologia geralPsicopatologia geral
Psicopatologia geral
Silvana Eloisa4.4K views
117435947 psicopatologia-ii117435947 psicopatologia-ii
117435947 psicopatologia-ii
Silvana Eloisa7K views
Introdução à psicopatologiaIntrodução à psicopatologia
Introdução à psicopatologia
Caio Maximino21K views
História da psiquiatria   aula 1História da psiquiatria   aula 1
História da psiquiatria aula 1
Shirley Kellen Ferreira93.8K views
ESTUDO DIRIGIDO - PSICOSSOMÁTICAESTUDO DIRIGIDO - PSICOSSOMÁTICA
ESTUDO DIRIGIDO - PSICOSSOMÁTICA
Instituto Ários Clínica e Pesquisa em Psicanálise e Psicologia5.7K views
PsicopatologiaPsicopatologia
Psicopatologia
Elisa Brietzke6.1K views
Introdução psicopatologiaIntrodução psicopatologia
Introdução psicopatologia
lucasvazdelima2.9K views
Afeto e suas alteraçõesAfeto e suas alterações
Afeto e suas alterações
Caio Maximino4.3K views
Esquizofrenia e Neurogenética AssociadaEsquizofrenia e Neurogenética Associada
Esquizofrenia e Neurogenética Associada
Liga Acadêmica de Genética Médica1.6K views
psicologia e psicopatologiapsicologia e psicopatologia
psicologia e psicopatologia
Faculdade Metropolitanas Unidas - FMU1.5K views
Transtornos mentais comuns e somatização Transtornos mentais comuns e somatização
Transtornos mentais comuns e somatização
Inaiara Bragante8.9K views
Transtornos depressivosTranstornos depressivos
Transtornos depressivos
Caio Maximino3.3K views

Destacado(20)

Alterações psiquicas - PsicopatologiaAlterações psiquicas - Psicopatologia
Alterações psiquicas - Psicopatologia
Samara Amaral60.7K views
Anamnese e exame psíquico (Livia Castelo Branco)Anamnese e exame psíquico (Livia Castelo Branco)
Anamnese e exame psíquico (Livia Castelo Branco)
Liga Acadêmica De Saúde Mental30.6K views
O problema no PsicodiagnósticoO problema no Psicodiagnóstico
O problema no Psicodiagnóstico
helogaliza6.9K views
Fundamentos de psicopatologiaFundamentos de psicopatologia
Fundamentos de psicopatologia
UNICEP35.7K views
Funções psíquicasFunções psíquicas
Funções psíquicas
gfolive32.5K views
Slide anamneseSlide anamnese
Slide anamnese
Nana Bikynhu39.1K views
Proceso psicodiagnosticoProceso psicodiagnostico
Proceso psicodiagnostico
ENRIQUE DE JESÚS TAPIA PEREZ17.8K views
AnamneseAnamnese
Anamnese
lacmuam69.3K views
Exame do Estado mental do pacienteExame do Estado mental do paciente
Exame do Estado mental do paciente
Liliane Tissei8.5K views
Anamnese práticaAnamnese prática
Anamnese prática
pauloalambert15.3K views
Aula 1 av.cena na emerg.psiquiátricaAula 1 av.cena na emerg.psiquiátrica
Aula 1 av.cena na emerg.psiquiátrica
Claudio Viegas2.5K views
60439317 psicopatologia-e-psicanalise-pdf60439317 psicopatologia-e-psicanalise-pdf
60439317 psicopatologia-e-psicanalise-pdf
Rosangela Pereira2.4K views
Psicodiagnóstico infantilPsicodiagnóstico infantil
Psicodiagnóstico infantil
Jorge Bombeiro15.1K views
Psicopatologia é DiagnósticoPsicopatologia é Diagnóstico
Psicopatologia é Diagnóstico
Miriam Gorender5K views

Similar a Aula 02(20)

Anamnese psicopatologia diagn psiq   Anamnese psicopatologia diagn psiq
Anamnese psicopatologia diagn psiq
Cláudio Costa8.4K views
Semiologia psiquiátricaSemiologia psiquiátrica
Semiologia psiquiátrica
Isadora Ribeiro4.1K views
apresentação anamnese.pptxapresentação anamnese.pptx
apresentação anamnese.pptx
RafaelReisSenes4 views
EntrevisEntrevis
Entrevis
LuanaLago427 views
 Transtornos mentais Transtornos mentais
Transtornos mentais
Gustavo Henrique245 views
Esquizofrenia e bipolaridadeEsquizofrenia e bipolaridade
Esquizofrenia e bipolaridade
cleytonlopes1.4K views
Um Caso sobre EsquizofreniaUm Caso sobre Esquizofrenia
Um Caso sobre Esquizofrenia
Camila Ferreira21.2K views
Palestra na Residência em Psicologia UNIFESP 2016Palestra na Residência em Psicologia UNIFESP 2016
Palestra na Residência em Psicologia UNIFESP 2016
Marcelo da Rocha Carvalho1.8K views
SemiologiaSemiologia
Semiologia
Nelio Dinis3.9K views
Avaliação  do estado mentalAvaliação  do estado mental
Avaliação do estado mental
Elaine Bedin3.1K views
429008673 apostila-resumos-psiquiatria-pdf429008673 apostila-resumos-psiquiatria-pdf
429008673 apostila-resumos-psiquiatria-pdf
Gabriela Benigno640 views
O paciente difícilO paciente difícil
O paciente difícil
Marcelo Benedet Tournier5.1K views
Aula 1 anameseAula 1 anamese
Aula 1 anamese
Fernanda Francalin6.8K views
ENFERMAGEM ENFERMAGEM
ENFERMAGEM
CHRISLAYNESILVA212 views
CóPia De Curso De Esquizofrenia MóDulo XCóPia De Curso De Esquizofrenia MóDulo X
CóPia De Curso De Esquizofrenia MóDulo X
Antonio Luis Sanfim1.1K views

Aula 02

  • 1. LAMPSI – Liga Acadêmica de Medicina Psiquiátrica do Rio Grande do Norte Curso de Psicopatologia PSICOPATOLOGIA – Aula 02 Palestrante: Rafael Heitor Nunes R. Costa 12 de maio de 2012
  • 3. AVALIAÇÃO PSICOPATOLÓGICA • Entrevista: principal instrumento de conhecimento da psicopatologia. • Importância da entrevista:  Diagnóstico clínico;  Dinâmica afetiva do paciente;  Melhor intervenção e planejamento terapêuticos;  Permite realizar os principais aspectos da avaliação:  Anamnese e exame psíquico
  • 4. AVALIAÇÃO FÍSICA • Morbidade física mais frequente. • Doenças físicas subdiagnosticadas. • Clínico não examina por “não ser seu doente” e o psiquiatra não examina por ser “especialista”. • Estigma de “louco” invalida as queixas somáticas. • Exame como forma de aproximação afetiva.
  • 5. AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA • Identificar possível lesão ou disfunção do SNC ou SNP (nem todas alterações neuropsiquiátricas produzem sintomas localizatórios). • Observar assimetria de forças, reflexos miotáticos profundos e musculocutâneos superficiais. • Sinais e reflexos neurológicos primitivos (lesões frontais/cerebrais difusas e encefalopatias):  Preensão: Se bilateral, indica, no adulto, lesão/disfunção frontal ou sofrimento cerebral difuso.
  • 6. AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA  Sucção: protrusão labial + desvio para o lado estimulado + sucção após a estimulação da região perioral. Ex: lesão frontal e encefalopatia.  Orbicular dos lábios: percussão da área acima do lábio superior gera projeção para a frente dos lábios (faz um “bico”). Ex: Dano cerebral difuso.  Palmomentual: estímulo cutâneo da eminênia tenar gera contração e elevação do músculo mentual e, eventual- mente, do lábio inferior ipsilaterais. Ex: idoso, lesão pira- midal e encefalopatia difusa.
  • 7. PSICODIAGNÓSTICO • Área desenvolvida pela psicologia clínica. • Mais usados na prática: testes de personalidade e rastreamentos para organicidade.  Testes projetivos: Rorschach.  Testes estruturados de personalidade: MMPI (Minnesota Multiphasic Personality Inventory).  Alterações orgânicas.
  • 8. EXAMES COMPLEMENTARES • Líquor: encefalites, doenças inflamatórias, neoplasias, infecções do SNC. • EEG: diagnóstico diferencial de quadros confusionais agudos, classificação das diferentes formas de epilepsia e avaliação de transtornos do sono (polissonografia). • Neuroimagem estrutural e funcional (TC, RNM, PET, SPECT): diagnóstico diferencial em psicopatologia.
  • 9. ENTREVISTA COM O PACIENTE
  • 10. INTRODUÇÃO • Entrevista: um dos elementos mais importantes da prática psiquiátrica e da Psicopatologia. • Particularidades da entrevista e do entrevistador:  Profissional habilidoso é qualificado pelo capacidade de dominar a técnica de entrevista.  Psiquiatra:“perito do campo das relações interpessoais”.  Importância da entrevista: informações fornecidas e efeitos terapêuticos que gera.  Habilidade de entrevista: intuitiva + patrimônio da personalidade + sensibilidade nas relações interpessoais.
  • 11. INTRODUÇÃO • Iniciando a entrevista:  Apresentar-se para o paciente;  Atitude de respeito e interesse, sem criticar;  Iniciar com perguntas mais gerais, menos constrangedoras;  Permitir que o paciente fale livremente;  A entrevista tem finalidades diagnósticas e terapêuticas (mesmo as iniciais).
  • 12. INTRODUÇÃO • Variáveis da entrevista:  Paciente: personalidade, estado mental/emocional e capacidades cognitivas.  Contexto institucional: PS, enfermaria, ambulatório...  Objetivos: diagnóstico clínico, estabelecimento de vínculo terapêutico, questão forense.  Personalidade do entrevistador.
  • 13. INTRODUÇÃO • O sigilo  Esclarecer ao paciente que ele está sendo visto por um psiquiatra, que visa ajudá-lo;  Deve ficar claro aos pacientes que as informações fornecidas são sigilosas. Caso perceba dúvidas, explicitar isto ao paciente.  Esclarecer quando necessário que o sigilo poderá ser rompido se houver risco para o paciente, seus familiares ou a sociedade.
  • 14. INTRODUÇÃO • Atitudes inadequadas:  Posturas rígidas e estereotipadas.  Atitude excessivamente neutra ou fria.  Reações exageradamente emotivas.  Comentários valorativos/emissão de julgamentos.  Reações emocionais intensas de pena ou compaixão.  Responder com hostilidade ou agressão.  Permitir que o paciente seja demasiadamente prolixo.  Fazer muitas anotações ao longo da entrevista.
  • 15. INTRODUÇÃO • Regras “de ouro” da entrevista: 1a) Organizados, inteligência normal, boa e razoável es- colaridade e fora da psicose: entrevista de forma aberta. 2a) Desorganizados, baixo nível intelectual, estado psi- cótico ou paranóide, “travados” por alto nível de ansie- dade: forma + estruturada, falando mais e com pergun- tas simples e dirigidas. 3a) Tímidos, ansiosos e paranóides: perguntas neutras e, depois, mais profundas.
  • 16. PRIMEIRAS ENTREVISTAS • Importância da entrevista inicial:  Crucial no diagnóstico e tratamento;  Gerar confiança e esperança no alívio do sofrimento ou abortamento do tratamento. • Sandifer et al. (1970): Primeiros 3 minutos da entrevista são significativos e decisivos para a identificação do perfil dominante de sintomas do paciente e a formulação da hipótese diagnóstica final. • APRESENTAÇÃO:
  • 17. PRIMEIRAS ENTREVISTAS  Sigilo e discrição.  Colaboração mútua entre profissional e paciente.  Colher dados sociodemográficos.  Intervir para melhorar o prosseguimento da fala do pa- ciente e evitar posição passiva.  Evitar pausas e silêncios prolongados: deixa a entrevista tensa e improdutiva e  o nível de ansiedade. • Fases iniciais da entrevista: paciente usa manobras e mecanismos defensivos como risos, silêncio, perguntas inadequadas e comentários circunstanciais.
  • 18. PRIMEIRAS ENTREVISTAS • Procedimentos para facilitar a lide do silêncio do paciente:  Perguntas e colocações breves, demonstrando atenção e tranquilidade para ouvi-lo.  Evitar perguntas fechadas e perguntas complexas demais.  Usar frases tais como: “Como foi isso?”, “Explique melhor!”, “Conte um pouco mais sobre isso!”.  Particularizar a interação com o paciente.
  • 19. PRIMEIRAS ENTREVISTAS • Importância da fala livre:  Melhor avaliação da personalidade e avaliação dos conflitos do paciente.  Catarse e desabafo.
  • 20. PRIMEIRAS ENTREVISTAS • O sigilo  Esclarecer ao paciente que ele está sendo visto por um psiquiatra, que visa ajudá-lo;  Deve ficar claro aos pacientes que as informações fornecidas são sigilosas. Caso perceba dúvidas, explicitar isto ao paciente  Esclarecer quando necessário que o sigilo poderá ser rompido se houver risco para o paciente, seus familiares ou a sociedade
  • 21. TRANSFERÊNCIA E CONTRATRANSFERÊNCIA • TRANSFERÊNCIA:  Sua compreensão torna a entrevista mais habilidosa e facilita abordagem menos ingênua e mais profunda.  Inclui sentimentos positivos e negativos.  Freud: repetição inconsciente do passado onde o ana- lista ocupa o lugar do pai/mãe, levando a relações emo- cionais que não se baseiam na situação real.
  • 22. TRANSFERÊNCIA E CONTRATRANSFERÊNCIA • CONTRATRANSFERÊNCIA:  Projeção inconsciente, no paciente,de sentimentos que o analista nutria/nutre por pessoas significativas de sua vida.
  • 23. AVALIAÇÃO PSIQUÁTRICA GERAL • Entrevista inicial com anamnese e coleta de dados socio- demográficos, queixa principal, antecedentes mórbidos somáticos e psíquicos pessoais (incluindo hábitos e uso de substâncias químicas), antecedentes mórbidos famili- ares, história de vida (desenvolvimento somático, neuro- lógico, psicológico e psicossocial) e avaliação das intera- ções familiares e sociais do paciente. • Exame do estado mental, exame físico geral, neurológico. • Exames complementares: testes de personalidade e cognição.
  • 24. AVALIAÇÃO PSIQUIÁTRICA GERAL • EXAMES COMPLEMENTARES: - Laboratoriais: bioquímica, citologia, imunologia, hemo- grama, eletrólitos, metabólitos, hormônios. - Neuroimagem e neurofisiologia.
  • 25. PONTOS ADICIONAIS • Avaliar e averigüar os sintomas objetivos e a vivência subjetiva deles, com a cronologia dos fenômenos, dados pessoais e familiares. • Alguns pacientes podem não ter nenhuma queixa ou, simplesmente, não terem insight sobre o que sentem. • DADOS DE UM INFORMANTE: - Também há o componente subjetivo. - Fundamental para pacientes: demenciais, déficits cogni- tivos, psicose grave e mutismo.
  • 26. PONTOS ADICIONAIS • DISSIMULAÇÃO:  Esconde ou nega voluntariamente a presença de sinal ou sintoma psicopatológico.  Motivações: evitar internação, medo de ser medicado ou medo do rótulo de “louco”. • SIMULAÇÃO:  Cria sintoma/sinal inexistente de forma consciente.  Motivações; dispensa laboral, aposentadoria, esconder- se de traficante.
  • 27. PONTOS ADICIONAIS • DIMENSÕES DA HISTÓRIA:  Longitudinal: descrição de relações temporais de forma clara e compreensível e observação dos sentimentos e reações aos eventos passados.  Transversal: história atual. • ESCREVENDO A HISTÓRIA:  Linguagem simples, precisa e compreensível, detalhada no que for essencial e concisa no que for secundário por razões clínicas, por razões legais (proteção de possíveis acusações futuras) e por razões institucionais.
  • 28. PONTOS ADICIONAIS  Evitar tecnicismo exagerado.  O relato deve ser sempre organizado e coerente, mesmo quando descreve fenômenos caóticos e irracionais.  Deve fornecer compreensão suficientemente ampla da personalidade do paciente, da dinâmica de sua família e de seu meio sócio-cultural imediato.  Uso das próprias palavras do paciente e informante quando descreve sintomas mais relevantes.
  • 30. ADVERTÊNCIAS • Separação da vida e da atividade mental em diferentes áreas ou funções psíquicas é um procedimento essencial-mente artificial. • Divisão em funções é um construto da psicologia e psi- copatologia para permitir uma comunicação mais fácil e um melhor entendimento dos fatos. • Separação em funções é teórica e, não, real.
  • 31. FUNÇÕES PSÍQUICAS • Mais afetadas nos transtornos psicorgânicos:  Consciência, atenção, orientação, memória, inteligência e linguagem. • Mais afetadas nos transtornos afetivos, neuróticos e de personalidade:  Afetividade, vontade, psicomotricidade e personalidade. • Mais afetadas nos transtornos psicóticos:  Sensopercepção, pensamento, vivência do tempo e es- paço, juízo da realidade e vivência do eu.