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Nuestros hermanos bolívia e paraguai fabiana silveira ok

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Nuestros hermanos bolívia e paraguai fabiana silveira ok

  1. 1. 0 SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM COMERCIAL FABIANA SILVEIRA DA SILVA Nuestros Hermanos: Bolívia e Paraguai Campo Grande 2009
  2. 2. 1 FABIANA SILVEIRA DA SILVA NUESTROS HERMANOS: BOLÍVIA E PARAGUAI ORIENTADORA: Profª. Msc. Aline Cerutti Pereira Campo Grande 2009 Trabalho técnico-científico apresentado como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista em Artes Visuais: Cultura e Criação do SENAC/MS.
  3. 3. 2 S586 SILVA, Fabiana Silveira Nuestros Hermanos: Bolívia e Paraguai / Fabiana Silveira da Silva. – Campo Grande, 2009. 40p. Trabalho de Conclusão de Curso de Pós-Graduação a Distância (Especialização em Artes Visuais: Cultura e Criação) – SENAC/MS, 2009. Inclui Referências Bibliográficas. 1. Bolívia. 2. Paraguai. I. Título. CDD 745
  4. 4. 3 FABIANA SILVEIRA DA SILVA NUESTROS HERMANOS: BOLÍVIA E PARAGUAI Aprovada em 22 de janeiro de 2009. BANCA EXAMINADORA _____________________________________________ Profª. Msc. Aline Cerutti Pereira _____________________________________________ Profª. Msc. Magda Maciel de Oliveira _____________________________________________ Profª. Msc. Sara Grubert Trabalho técnico-científico apresentado como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista em Artes Visuais: Cultura e Criação do SENAC/MS.
  5. 5. 4 AGRADECIMENTOS A DEUS Que sempre me deu coragem e saúde para lutar pelos meus objetivos, sem desistir, e com sua inexplicável e infinita compreensão me acompanha. À MINHA FAMÍLIA Mãe, Pai e Fer... Sempre estiveram comigo quando foi preciso. Agradeço o apoio (emocional e financeiro), o incentivo e o carinho. Meu eterno obrigado. AOS MEUS AMIGOS Agradeço aqueles que compartilham momentos inesquecíveis, e sei que estarão sempre presentes em minha vida, mesmo quando a distância insistir em prevalecer. Obrigada por tudo. À MINHA ORIENTADORA Meus agradecimentos especiais à Profª. Msc. Aline Cerutti, pelo conhecimento compartilhado, por sua paciência e maestria com que conduziu a orientação desta monografia.
  6. 6. 5 O cartaz é um escândalo visual. Abraham Moles
  7. 7. 6 RESUMO Este trabalho é resultado de estudos para a obtenção do título de Especialista em Artes Visuais: cultura e criação. Pretende contribuir tanto para a extensão da fundamentação teórica das pesquisas em Artes, como para uma compreensão diferenciada do suporte artístico utilizado. Tem como objetivo desenvolver através da criação de cartazes uma linguagem própria, explorando o uso do desenho, da imagem fotográfica e do texto, para a representação de elementos que sirvam como identificação contemporânea da Bolívia e do Paraguai. Uma identidade que vai além do que é comum, conhecido, para a elaboração de trabalhos que exploram a cor, a montagem e a simplificação da forma; as linhas são simples, mas expressivas buscando uma estética atual e inovadora. Para tanto, são pesquisadas as questões relacionadas à cultura desses países, procurando ressaltar e valorizar suas riquezas. O estudo analisa as obras resultantes a fim de se demonstrar o que foi retratado, considerando-se a complexidade existente em cada composição. Conclui- se ao final deste, que o suporte teórico, aliado à prática, proporcionou grande desenvolvimento da pesquisa, possibilitando inclusive estudos futuros. Palavras-chave: Artes; Cartazes; Identidade; Bolívia; Paraguai.
  8. 8. 7 RESUMEN Este trabajo es el resultado de estudios para la obtención del título de especialista en Artes Visuales: cultura y creación. El intuito es contribuir tanto para la extensión de la fundamentación teórica de las investigaciones en Artes, como para una comprensión distinta del soporte artístico utilizado. Tiene como objetivo desarrollar a través de la creación de carteles un lenguaje proprio, explorando el uso del diseño, de la imagen fotográfica y del texto, para la representación de elementos que sirvan como identificación contemporánea de Bolivia y de Paraguay. Una identidad que ultrapasa lo que es común y conocido para la elaboración de trabajos que exploran el color, el montaje y la simplificación de la forma; las líneas son simples, pero expresivas y buscan una estética actual e innovadora. Por lo tanto, son investigadas las cuestiones relacionadas a la cultura de estos países, procurando resaltar y valorar sus riquezas. El estudio analiza las obras resultantes con el fin de demonstrar lo que fue retratado, considerando la complejidad existente en cada composición. Puede concluirse al final de este que el soporte teórico, aliado a la práctica, ha proporcionado grande desarrollo a esta investigación, posibilitando incluso estudios futuros. Palabras-llave: Artes; Carteles; Identidad; Bolivia; Paraguay.
  9. 9. 8 LISTA DE FIGURAS Figura 01: Mapa da Bolívia............................................................................... 12 Figura 02: Mapa do Paraguai........................................................................... 13 Figura 03: Divan Japonais................................................................................ 15 Figura 04: A estrutura do tipo........................................................................... 17 Figura 05: The Faint......................................................................................... 18 Figura 06: Cartazes - Celeste Prieto ................................................................ 19 Figura 07: Night Club........................................................................................ 20 Figura 08: Ilustração - Eduardo Recife............................................................. 21 Figura 09: Estudos bidimensionais – Bolívia.................................................... 23 Figura 10: Estudos bidimensionais – Paraguai ................................................ 24 Figura 11: Desenhos – Bolívia ......................................................................... 24 Figura 12: Desenhos – Paraguai...................................................................... 25 Figura 13: Edição de Imagem (detalhe) ........................................................... 25 Figura 14: Desenho vetorial (detalhe) .............................................................. 26 Figura 15: Inserção de texto (detalhe).............................................................. 27 Figura 16: Vivir – Fabiana Silveira.................................................................... 29 Figura 17: Todo su colorido – Fabiana Silveira ................................................ 30 Figura 18: Soy más – Fabiana Silveira............................................................. 32 Figura 19: Todo cambia – Fabiana Silveira...................................................... 33 Figura 20: Gracias – Fabiana Silveira .............................................................. 34 Figura 21: La piel – Fabiana Silveira ................................................................ 36
  10. 10. 9 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ............................................................................................. 10 1.1 Bolivia, Paraguai e Hispano-américa: uma questão de cultura .................. 10 1.2 Culturas híbridas: A identidade e as representações construídas.............. 11 1.3 Bolívia......................................................................................................... 12 1.4 Paraguai..................................................................................................... 13 1.5 O Cartaz como linguagem artística: do design-gráfico a obra de arte........ 14 1.5.1 A Cor ....................................................................................................... 16 1.5.2 Tipologia.................................................................................................. 16 1.5.3 A imagem: Fotografia e Ilustração........................................................... 17 1.6 O ressurgimento do cartaz ......................................................................... 18 1.7 A montagem e referências visuais.............................................................. 19 1.8 O processo: gerando idéias........................................................................ 21 2. DESENVOLVIMENTO PRÁTICO E TEÓRICO............................................ 23 2.1 Procedimentos Metodológicos ................................................................... 23 2.2 Nuestros Hermanos: Bolívia e Paraguai..................................................... 28 2.2.1 Vivir ......................................................................................................... 29 2.2.2 Todo su colorido...................................................................................... 30 2.2.3 Soy más .................................................................................................. 32 2.2.4 Todo cambia............................................................................................ 33 2.2.5 Gracias.................................................................................................... 34 2.2.1 La piel...................................................................................................... 36 3. CONCLUSÃO .............................................................................................. 37 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................ 39
  11. 11. 10 1. INTRODUÇÃO 1.1 Bolivia, Paraguai e Hispano-américa: uma questão de cultura O termo Hispano-américa designa os países contidos na América Latina e que foram colonizados pelos espanhóis. Somam um total de dezenove nações, distribuídas nas Américas do Norte, Central e do Sul, e Caribe. A busca em retratar a identidade cultural dos países hispano-americanos foi o principal ponto de partida para esta pesquisa, em vista que, percebe-se a falta de conhecimento entre a sociedade em geral e principalmente a escassez de materiais em nossa literatura a respeito deste assunto. O presente estudo contempla dois países pertencentes a esta região: a Bolívia e o Paraguai. A escolha deve-se primeiramente ao fato da proximidade regional com tais nações e toda a questão social e cultural que os relaciona ao estado de Mato Grosso do Sul. O segundo motivo que instigou esta pesquisa foi a curiosidade pessoal por suas culturas, que vai muito além da região de fronteira. Vázquez (1990) menciona o narcotráfico, a violência, a pobreza, o militarismo, a escassez de trabalho e a dívida externa como alguns dos problemas que a Bolívia e o Paraguai, assim como outras nações hispano-americanas, enfrentam desde o século passado e que desencadearam conseqüências que persistem até os dias atuais. E são esses problemas que infelizmente associamos as identidades destes países, generalizando, sem conhecê-los em sua totalidade. Esta pesquisa busca proporcionar principalmente a sociedade sul-mato- grossense uma nova visão perante nuestros hermanos. Através de levantamento bibliográfico, foi possível elaborar um breve estudo sobre a história destes países, sua situação nos dias atuais, suas culturas nacionais e assim selecionaram-se imagens de pessoas, lugares, objetos, e demais símbolos que servem como forma de identificação destas nações que foram representados na produção prática deste trabalho.
  12. 12. 11 1.2 Culturas híbridas: A identidade e as representações construídas É possível identificar uma sociedade devido ao fato dela possuir um conjunto de características e elementos, predominantes na região, essa é sua identidade. Para tanto, cada país possui sua forma de identificação, sejam através de símbolos, ritos, costumes, língua, entre outros, que nos possibilitam distinguir cada nação. Todas as sociedades possuem culturas e tradições e cada membro destas organizações sociais adquire o estilo de vida de onde vive desde cedo. Este é um processo de aprendizagem cultural, que pode ocorrer de diversas formas (SIGRIST, 2000). As sociedades modernas, impulsionadas por uma globalização, enfrentam já há alguns anos um período de deslocamento de identidade. São constantes mudanças onde várias outras nações influenciam umas as outras. Hall (2005), afirma que: As semelhanças entre as identidades culturais da Bolívia e do Paraguai vão além de uma mesma colonização, partem para particularidades que só se encontram nestes países, com uma situação política e econômica não muito diferente. As influências de outros países/culturas, também estão associadas à modernização. “É inegável que a América Latina efetivamente se modernizou. Como sociedade e como cultura: o modernismo simbólico e a modernização socioeconômica já não estão tão divorciados.” (CANCLINI, 2008, p. 96) A identidade surge não tanto da plenitude da identidade que já está dentro de nós como indivíduos, mas de uma falta de inteireza que é “preenchida” a partir de nosso exterior, pelas formas através das quais nós imaginamos ser vistos pelos outros.
  13. 13. 12 1.3 Bolívia Figura 1: Mapa da Bolívia Fonte: Guia O melhor da América do Sul, p. 112 Com a presença de duas capitais, Sucre (jurídica) e La Paz (administrativa), a Bolívia é um país presidencialista, diversificado, um dos mais pobres economicamente das Américas, mas que encanta por suas riquezas culturais e naturais. É o país mais alto e também, o mais isolado do continente. Envolvido em tradições e crenças que se mantém vivas graças a sua população, constituída por diferentes etnias indígenas, que se orgulham do passado e são sobreviventes da devastadora colonização espanhola. A dificuldade econômica é um ponto marcante em sua contemporaneidade. No Guia O Melhor da América do Sul1 encontram-se registrados mais algumas de suas características que geram uma imagem distorcida do país: Apesar dos problemas, a Bolívia sobrevive mais uma vez, atraindo inúmeros turistas todos os anos, devido os resquícios de sua história, antigos povos, dos 1 MONTEIRO, Bettina. Guia o melhor da América do Sul. São Paulo: Editora Abril, 2007. Pág.113. ...tornou recorrente em nossas mentes a Bolívia dos golpes militares, dos campos de coca, da mendicância, da tecnologia precária, do caos arquitetônico e da atmosfera de camelódromo presente, inclusive, em sua maior cidade, La Paz. ...tornou recorrente em nossas mentes a Bolívia dos golpes militares, dos campos de coca, da mendicância, da tecnologia precária, do caos arquitetônico e da atmosfera de camelódromo presente, inclusive, em sua maior cidade, La Paz.
  14. 14. 13 tempos prósperos de exploração das minas de prata e também por seus atrativos naturais, como o Lago Titicaca, a montanha Chacaltaya e o deserto Salar de Uyuni. Sua cultura e identidade nacional estão intimamente relacionadas às suas origens indígenas, que somam 32 grupos étnicos, ricos em tradições, folclore, crenças e misticismo (UN MOSAICO CULTURAL, 2008). Um colorido único em suas vestimentas, artesanatos e arquitetura. 1.4 Paraguai Figura 2: Mapa do Paraguai Fonte: Guia o melhor da América do Sul, p. 222 Originalidade. Talvez seja esta a palavra que possa melhor descrever um país tão renegado, descriminalizado, sem força política ou econômica2 , mas que assim como a Bolívia, sobrevive, buscando uma forma de valorizar sua cultura e nação. É um país presidencialista, um dos menores da América do Sul, onde oitenta por cento da população é composta por mestiços. Sua capital, Assunção, é conhecida por importantes edifícios históricos, espalhados pela cidade. É o centro político, econômico e cultural do país. Possui dois idiomas oficiais, o guaraní e o 2 MONTEIRO, Bettina. Guia o melhor da América do Sul. São Paulo: Editora Abril, 2007. Pág. 222.
  15. 15. 14 espanhol, convertendo-se assim no único país bilíngüe da América Latina (ABC DIGITAL, 2008). A divulgação de seus costumes, o turismo e inclusive a arte e a culinária do Paraguai tem sido utilizada para atrair mais turistas interessados na cultura do país ao invés do comércio e contrabando. A gastronomia paraguaia, inclusive, avança para os países vizinhos, com pratos tradicionais que possuem a carne, o milho e a mandioca como seus principais ingredientes (SENATUR, 2008). O artesanato paraguaio é um assunto a parte. É rico e abundante. Os primeiros artesãos foram os indígenas, trabalhando com teares de algodão. Artigos de couro, cerâmica e prata, é o grande destaque atualmente e vendidos aos turistas a preços bem baixos. 1.5 O Cartaz como linguagem artística: do design-gráfico a obra de arte Linguagem utilizada para transmitir uma idéia, o design gráfico transmite uma mensagem através da mescla do uso de imagens e sinais alfabéticos. Segundo Hollis (2005), distingue-se de uma obra de arte devido a dois fatores: deve apresentar uma mensagem que possa ser reconhecida e entendida pelo público- alvo; e ser projetada tendo em vista a produção mecânica. Apesar desta “lei” do design gráfico, podemos perceber que no seu início histórico, muitos artistas desempenharam o papel de designer gráfico e hoje, o uso de máquinas para produzir no meio artístico já não nos deixam a certeza de quem é quem ou mesmo de que um artista não possa utilizar dos conceitos do design gráfico para produzir uma obra de arte. O primeiro cartaz conhecido é de Saint-Flour, de 1454, feito em manuscrito e sem imagens (CESAR, 2006), mas os mais conhecidos na história deste veículo são de Toulouse-Lautrec, entre eles Divan Japonais, publicado em 1893 onde o então artista, já utilizava imagens e cores.
  16. 16. 15 Figura 3: “Divan Japonais”, 1893 Henri Toulouse-Lautrec Fonte: BARNICOAT, 1972, p. 11 Grandes artistas do passado estão intimamente relacionados à história do cartaz, mas deve-se a Henri de Toulouse-Lautrec o maior mérito, mesmo tendo concebido apenas trinta e um cartazes (em seus trinta e sete anos de vida), é considerado um marco por representar as vidas interiores dos habitantes das ruas francesas, de forma caricata, irônica, com formas simples semelhantes a um esboço, o que revelou o caráter artístico deste suporte, valorizando-o e servindo de influência para a pintura e seus grandes expoentes, como Pablo Picasso, que também se arriscou em expressar-se com esta linguagem. (BARNICOAT, 1972) O cartaz atingiu seu auge com a publicidade, principalmente de filmes, onde foi uma das primeiras formas de divulgação. No início, enfatizava as novidades técnicas do cinema, como a tela e a projeção, mais do que o próprio conteúdo dos filmes. O avanço tecnológico e o surgimento da televisão, fez com que esses anúncios impressos perdessem sua importância. Os elementos que compõem um cartaz podem ser diversos: às vezes apenas tipologia, com a possibilidade do uso de infinitas fontes; outrora somente ilustrações, que são criadas nos meios tradicionais, com lápis e papel ou então diretamente no
  17. 17. 16 computador, com a utilização de softwares específicos; por vezes fotografias; mas na sua maioria, reúne todo o conjunto essencial do design gráfico em uma única folha, impressa apenas de um lado. Esta pesquisa limitou seu objeto de estudo a três desses elementos: cor, tipologia e imagem. 1.5.1 A Cor Elemento de identificação imediata, que atrai, acalma, estimula e pode até curar, proporciona ao observador, inúmeras possibilidades de reação. A busca do homem por um significado psicológico para as cores vem desde a antiguidade. Seu emprego artístico pode ser relativo; pode estar ligado a preferência, sensações e questões culturais, além disso, suas combinações e contrastes influenciam Farina (1990) comenta a respeito do uso da cor no cartaz: “O valor estético é também um dos elementos da comunicação e, nesse setor, a cor e seu equilíbrio são fundamentais...” A aplicação da cor no design gráfico não está associada somente a questão estética: é necessário pontuar questões como legibilidade e processos de impressão, para que não prejudique a mensagem principal, no caso, do cartaz. 1.5.2 Tipologia A fonte é uma variedade de letras de um mesmo tipo. As variações que ela pode oferecer são denominadas famílias. Além disso, é possível classificar os tipos por categorias: Antigo, Moderno, Com serifa, Sem serifa, Manuscritos, Decorativos. Mas com a massificação da informática e em conseqüência, o surgimento diário de novas fontes a escolha para o seu emprego partindo de seus nomes ou categorias praticamente caiu em desuso. (CESAR, 2006)
  18. 18. 17 Collaro (2004), afirma que: “Trabalhar a tipologia significa muito mais do que simplesmente escolher letras em mostruários. Para esta tarefa, é necessária uma profunda reflexão cultural, social e até ambiental, que influenciam na opção de escolha.” O autor ressalta ainda que a escolha da fonte a ser utilizada é um aspecto de grande importância no resultado final do trabalho. Figura 4: A estrutura do tipo Fonte: COLLARO, 2000, p. 17 1.5.3 A imagem: Fotografia e Ilustração As imagens são uma das mais antigas formas de expressão da cultura humana. E em uma civilização da imagem, marcada pela mídia e pelas artes visuais, o cartaz possui um papel preponderante na formação do espaço urbano. Segundo Moles (1974), “o cartaz comporta um conteúdo funcional (promove a venda de alguma coisa) e outro, estético (é mancha, espaço, cor) que não se liga diretamente ao precedente.” No seu início, as imagens inseridas nos cartazes provinham exclusivamente do desenho. Posteriormente, houve um período onde a fotografia reinou, e hoje comumente emprega-se a mescla de ilustrações e registros fotográficos na composição do cartaz. O exemplo mais evidente do uso da fotografia em parceria com a ilustração é a utilização da colagem ou fotomontagem, e isso já acontecia mesmo antes da chegada das possibilidades e soluções digitais que o computador proporciona (ZEEGEN, 2006).
  19. 19. 18 1.6 O ressurgimento do cartaz Assim como ocorreu com os discos de vinil, que nas últimas décadas foram quase extintos e hoje são considerados objetos de colecionadores, o cartaz desapareceu diante de tantas novas formas de mídia que foram surgindo ao longo dos anos. Foster (2007, p. 05) afirma que foram tristes dias aqueles, durante as décadas de 1980 e 1990, onde o cliente obtinha bons resultados com outros suportes e a sociedade repudiava uma cidade cheia de cartazes, desvalorizando seu uso. O autor prossegue: “Do mesmo modo que o CD substitui o disco, o cartaz se converteu em postal ou em e-mail”. Muitos desenhistas negaram-se em simplesmente aceitar o desaparecimento de um suporte tão expressivo e elegante. Foi o início do uso do cartaz em projetos pessoais, onde o artista sentiu-se livre e aberto a novas experimentações, e com isso, houve um retorno e uma grande valorização por seu emprego. Figura 5: Exemplo de um cartaz atual. The Faint, Jeremy Pruitt Fonte: FOSTER, 2007, p. 222 O que acontece hoje é um ressurgimento do cartaz, sendo explorado por artistas, designers e entusiastas, nas mais diversas formas favorecendo a expressão
  20. 20. 19 criativa e a valorizando o poder desse suporte como ferramenta de comunicação. Considerado o mais simples dos veículos gráficos, ele vai muito além de um meio utilizado para fins publicitários, partindo para o reconhecimento como um suporte de expressão artística. 1.7 A montagem e referências visuais Existe um conceito diretamente associado a esta pesquisa: a Montagem. Ela está presente desde a idéia da linguagem escolhida para desenvolver as criações até a análise do produto final, que seguiu a mesma linha dos trabalhos realizados anteriormente, buscando sempre uma identidade própria, através de artes que misturam desenhos, imagens e textos. Vários artistas, no desenvolver de suas obras procuraram ressaltar, através de formas e cores, a identidade de seu país. Não poderia ser diferente nas artes gráficas. A designer paraguaia Celeste Prieto é um desses exemplos, onde, ao observar seus cartazes é possível perceber a forma que ela transporta toda a cultura de seu país para os seus trabalhos. Fontoura (2005) afirma: “Eles transportam uma carga sígnica de uma cultura capaz de transpirar latinidade.” Figura 6: Cartazes de Celeste Prieto Fonte: www.celesteprieto.com Um segundo exemplo dessa valorização da pátria, da inserção de singularidades de um conjunto identitário em suas obras, é da artista plástica Beatriz Milhazes, que através de um colorido único e vibrante, em suas pinturas e colagens
  21. 21. 20 é visível a identidade brasileira. “As flores e os desenhos cheios de detalhes, tão presentes em suas telas, são freqüentemente associadas à riqueza do barroco.” (KATO, 2007, p. 42). A artista possui também como referência o carnaval, e alguns críticos afirmam a influência do tropicalismo brasileiro em suas obras. Figura 7: Night Club, 2007 Beatriz Milhazes Fonte: Bravo! n. 124, p. 44 Um artista que também serve de influência para este trabalho, é o ilustrador e designer Eduardo Recife. Seus trabalhos apresentam técnicas manuais e uma mistura de elementos, semelhante a trabalhos surrealistas3 . Uma mescla de imagens antigas e tipologia solta (ou através de frases), além de texturas e rabiscos. “Considerado um dos expoentes do design brasileiro.” (ZUPI, 2008) Foi a partir de um trabalho de Eduardo Recife, para o jornal The New York Times, que surgiu a idéia para composição das obras da pesquisa Nuestros Hermanos, com uma figura central envolta por imagens e textos. O ilustrador, 3 Surrealismo foi um movimento artístico de origem francesa no início do século XX. O que estava em jogo era a liberação dos objetos de seus significados habituais.
  22. 22. 21 segundo Grannell (2008), “...acredita que a utilização de técnicas manuais evita a criação de obras digitalizadas exageradamente.” Figura 8: Ilustração - Eduardo Recife. Jornal The New York Times, 2007 Fonte: Computer Arts Brasil, n. 9, p. 42. 1.8 O processo: gerando idéias Vivemos em um tempo de aceleradas mudanças. A possibilidade do uso da tecnologia para a criação artística é cada vez mais presente e constante. Após estudos preliminares, definiram-se os recursos que seriam empregados para a criação visual desta proposta de pesquisa. A linguagem escolhida está inserida no que hoje se denomina como Arte Digital, que diz respeito aos trabalhos gráficos executados por meio computacional, com ou sem a mistura a métodos artísticos convencionais. Neste trabalho, a intenção foi mesclar os dois meios em todas as obras, através de colagens digitais para compor cartazes.
  23. 23. 22 O processo para as criações respeitou um cronograma, que se iniciou com a realização de esboços, para estudo de formas, espaços, sugestões de cores, proporções, entre outros. Em um segundo momento realizou-se os desenhos finais que sofreram interferências depois de digitalizados. Também se fez estudos fotográficos e posteriormente essas imagens foram editadas. Para as imagens dos países, buscaram-se recortes de revistas e guias de viagem, estes últimos integram a pesquisa como um ponto importante no que diz respeito à divulgação dos dois países. Todo o processo envolveu materiais diferentes, mas buscou-se unicidade. A princípio, os materiais utilizados foram: papéis sulfite, lapiseira, caneta nanquim, caneta hidrocor e câmera fotográfica digital. E no meio computacional: scanner; Adobe Photoshop e Corel Draw. Pretendeu-se com este trabalho desenvolver uma identidade própria, com liberdade de expressão, trabalhando formas livres, explorando o uso da cor e de materiais diferentes. A inserção da palavra na obra também foi algo constante, pertencente ao contexto do cartaz, mas aqui também por questões estéticas e culturais. Através deste projeto, buscou-se uma nova forma de representação do que se tem a respeito da Bolívia e do Paraguai. Procurou-se compor imagens retratando suas características sócio-político-culturais, valorizando-os, apresentados dentro de uma estética contemporânea. Mas o que vem a ser a “estética contemporânea”? Segundo Oliveira (2006), durante toda a história, desde o período clássico, a palavra estética tem sido sinônimo de beleza. E até hoje existem muitos equívocos em seu emprego, associando a algo metricamente perfeito. A produção artística contemporânea vai contra tudo isso, uma vez que busca a fuga dos padrões de beleza clássicos e com isso acaba por vezes sendo tachada de antiarte. A autora afirma: “E no tocante às imagens estéticas, a opção aberta pela quebra de paradigmas clássicos na arte abre muitas possibilidades para os criadores pensarem em formas inesperadas, insólitas, inusitadas, quer dizer, originais, para além do óbvio, para além do Clássico.”
  24. 24. 23 2. DESENVOLVIMENTO PRÁTICO E TEÓRICO 2.1 Procedimentos Metodológicos O processo de criação de cada cartaz teve início com pesquisas para verificação de elementos que seriam retratados nas obras. Neste momento o uso de Guias de Viagem foi de grande importância não só para a aquisição de dados, mas também para a verificação e comprovação de este ser um meio que valoriza os países, independente de sua situação econômica ou atrativos turísticos. Fiz um levantamento, através de uma abordagem bibliográfica, de artistas e designers que ao longo da história, executaram cartazes que possuíam como característica principal a utilização da mistura de imagens fotográficas, ilustrações e tipologia, em um mesmo trabalho, ou em uma produção. Características estas, que procurei realçar em minhas obras e tomar como foco para a criação das mesmas. A primeira etapa do trabalho prático foi a realização de croquis, para a definição da quantidade de cartazes a serem produzidos, e a questão da composição: a disposição e os elementos dos países que iriam compor cada obra. Figura 9: Estudos bidimensionais para a composição dos cartazes da Bolívia
  25. 25. 24 Figura 10: Estudos bidimensionais para a composição dos cartazes do Paraguai Estes estudos foram realizados primeiramente com lapiseira grafite 0,5 que foi recoberta com caneta nanquim 0.3, 0.5 e/ou caneta hidrocor preta. O papel utilizado foi sulfite branco, com gramatura de 75g/m². Após este procedimento, seguiu-se para os desenhos que realmente iriam compor os cartazes. Todos seguindo a mesma técnica dos croquis. Em seguida, os desenhos foram digitalizados utilizando um scanner. Neste momento foram reunidas as imagens-recortes retiradas de guias de viagem que seriam inseridas nas composições. Figura 11: Desenhos - Bolívia
  26. 26. 25 Figura 12: Desenhos - Paraguai A próxima etapa consistiu em limpar possíveis impurezas adquiridas na digitalização dos desenhos, utilizando o Adobe Photoshop CS34 , para então transformar os desenhos feitos a mão em vetores, que nada mais são que traços que podem ser editados (alterar formas e colorir) utilizando um programa de computador próprio para isso, neste caso o CorelDraw X35 . Figura 13: Edição de Imagem (detalhe) 4 Programa de computador para tratamento de imagens. 5 Programa de computador para ilustração gráfica.
  27. 27. 26 Figura 14: Desenho vetorial (detalhe) Neste momento iniciou-se a montagem das composições. Criou-se um arquivo no CorelDraw para cada cartaz, foi definido o tamanho e acrescentados os desenhos, as imagens, texturas e a cor. Na finalização de cada cartaz, foram inseridas as palavras e frases escolhidas para cada criação. Durante todo o processo criativo deste estudo, foram de grande importância as canções que acompanhavam o ato de cada criação. A idéia foi construir um ambiente em que a artista pudesse se sentir o mais próximo possível das questões retratadas em cada cartaz. Por fim, sentiu-se a necessidade de compartilhar este momento, através de associações, de palavras soltas e frases inteiras retiradas das músicas. A escolha por canções interpretadas pela argentina Mercedes Sosa, não foram por acaso. Considerada uma das grandes vozes da América Latina, ela sempre lutou pela região, inclusive engajada em questões políticas. Nos últimos anos, porém, o foco de seu trabalho tende a valorização do folclore regional. Em
  28. 28. 27 entrevista a Folha OnLine (2001)6 afirma: “Continuo lutando pela América Latina. Talvez, cantando as coisas daqui (o folclore), a situação fique um pouco melhor". As palavras e frases utilizadas foram retiradas do seu contexto original da música para compor uma nova realidade onde estão inseridas as imagens de cada cartaz pertencente a esta pesquisa. Figura 15: Inserção de texto (detalhe) Refletindo o anseio pessoal pela utilização de novos materiais como suporte artístico, busquei a fuga do papel comum, utilizado durante tantas décadas como base para o cartaz. Após pesquisas e inclusive experiências anteriores, concluiu-se que o adesivo em placas de PVC7 veio ao encontro com a proposta deste trabalho, apresentando um resultado que alia qualidade a contemporaneidade da obra. O uso do computador vem de forma clara, apenas como uma ferramenta para a montagem e finalização dos cartazes, que não deixam de ser colagens, mas agora em um formato digital que pode ser impresso em diversos materiais e tamanhos. 6 Entrevista concedida para o Jornal Folha Online, em 29/08/2001. 7 O Policloreto de vinila, mais conhecido por PVC, é um tipo de plástico.
  29. 29. 28 2.2 Nuestros Hermanos: Bolívia e Paraguai Para compor a estética deste conjunto de cartazes, procurou-se ressaltar alguns pontos importantes de cada sociedade, valorizando estes países, buscando uma nova forma de representação e visualização. Os desenhos são estilizados, buscando a simplificação da forma, e em alguns casos, quase abstraindo, mas teve-se o cuidado em manter traços que sejam importantes para o observador identificar, associar e interpretar cada composição. As linhas sugerem. São expressivas e por vezes sinuosas. As imagens fotográficas que compõem as obras tendem a estilização, foram todas convertidas em preto em branco, para criar um contraste maior e destacar os desenhos. Por vezes, elas perdem em alguns momentos o seu contexto, devido aos recortes, mas são complementadas com as ilustrações. O uso da cor resulta das preferências pessoais por cores fortes e uniformes. A escolha por utilizar apenas os tons das bandeiras de cada nação foi de grande importância, visando a valorização das identidades retratadas. A fonte tipográfica utilizada foi a Dax-Bold. Ela é um exemplo de tipo sem serifa. É reta, grossa, e de fácil leitura. A escolha por sua utilização nos cartazes desta produção foi principalmente por ela ser simples, chama a atenção do observador e, além disso, é impactante. Os cartazes que resultam desta pesquisa possuem as mesmas dimensões: constituem uma forma retangular, vertical, medindo 65cm x 85cm. Foram construídos seguindo um mesmo esquema: se dividido em três partes iguais, horizontalmente, todos possuem uma base, que ocupa menos de um terço da imagem inteira, e também possuem um topo, que é quase que exatamente a parte superior inteira. Em todas as obras a parte de cima é composta por um céu estilizado, colorido, simbolizando o futuro e a esperança; a base é constituída por elementos representativos de cada país. Com esta abordagem, apresento nas páginas seguintes a produção de cartazes artísticos “Nuestros Hermanos: Bolivia e Paraguai.”
  30. 30. 29 2.2.1 Vivir Figura 16: Vivir Fabiana Silveira - 2008 Esta obra tem como figura principal uma imagem representando o atual presidente da Bolívia, Evo Morales, responsável por projetar o país mundialmente, mesmo que seja através de polêmicas. A base do cartaz é composta por ilustrações que remetem as folhas de coca, planta nativa e que possui inúmeros benefícios ao organismo humano, entre eles, funciona como um eficiente analgésico. Atrás da figura principal, estão dispostas duas atrações turísticas desse país: as montanhas cobertas de gelo, ao fundo do lago Titicaca de um lado e as ruínas dos povos pré-colombianos do outro. No topo, como foi dito anteriormente, encontra-
  31. 31. 30 se um céu, estilizado, colorido, simbolizando o horizonte, o futuro e a esperança de algo melhor. As palavras e frases dispostas na obra foram extraídas da canção Razón de vivir (Razão de viver) com a intenção de inseri-las em um novo contexto, provocando novas interpretações que na música original. 2.2.2 Todo su colorido Figura 17: Todo su colorido Fabiana Silveira - 2008 Nesta obra, a figura principal consiste na representação de uma das imensas esculturas de pedra, situadas no povoado de Tiahuanaco (localizado a 72 km de La
  32. 32. 31 Paz), berço da cultura tiahuanacota e que também está impressa na nota de duzentos bolivianos (moeda local). À esquerda da figura principal, os gigantescos cactos, que chegam a possuir mais de dez metros de altura e uma idade estimada em centenas de anos. Uma lhama, animal oriundo desta região dos Andes, complementa a composição. À direita, a cidade rodeada por montanhas, La Paz, capital da Bolívia, apresentada aqui através da junção de desenhos e parte de uma fotografia. A base deste cartaz é composta por um padrão encontrado na arte têxtil boliviana, que atrai a atenção dos turistas e contribui na geração de renda das comunidades locais. As palavras dispostas na imagem enfatizam o colorido desta nação e foram retiradas da canção Volver a los diecisiete (Voltar aos dezessete). 2.2.3 Soy más Com este trabalho procurei ressaltar a mistura que compõe a Bolívia. Nas palavras, deixo clara a mescla: de paisagens contrastantes, de crenças e de cultura. A inspiração para o uso das frases veio da música Soy Pan, Soy Paz, Soy Más (Sou pão, sou paz, sou mais). A base é composta por desenhos que remetem a saltenha, uma das especialidades gastronômicas do país, e que inclusive, é comumente encontrada em cidades do Mato Grosso do Sul. A figura central representa uma chola, mulher nativa, com chapéu e roupas típicos. Seu peculiar modo de vestir é símbolo do orgulho indígena. Atrás dela, o Salar de Uyuni, grande deserto de sal, situado a 3.600 metros de altitude e grande atração turística. Do outro lado, fetos secos de lhama, amostra do misticismo e da medicina tradicional dos nativos aimarás. Ao fundo, complementa a composição, uma cadeia de montanhas, simbolizando as altas altitudes e diferentes vegetações encontradas na Bolívia.
  33. 33. 32 Figura 18: Soy más Fabiana Silveira – 2008 2.2.4 Todo cambia A obra “Todo Cambia” (que significa: tudo muda), concentra em enfatizar que todas as coisas estão passíveis a mudanças, sejam elas pequenas ou grandes. As palavras disposta na composição foram retiradas de uma canção homônima, mas aqui foram inseridas em um novo contexto. A figura central remete a Fernando Lugo, bispo católico que foi eleito em 2008, presidente do Paraguai. A base do cartaz é composta por desenhos que simbolizam as rendas coloridas (conhecidas com ñandutis), importante elemento do
  34. 34. 33 artesanato local. À esquerda, ilustrações que representam ruínas dos povoados das Missões Jesuíticas do século 17. À direita, o chaco, ecossistema que ocupa 60% do território paraguaio e consiste em uma das regiões mais inabitadas do mundo. Figura 19: Todo Cambia Fabiana Silveira - 2008 Ao fundo, à esquerda, traços simbolizam a imensidão do Lago de Ypacaraí (nas proximidades de Assunção), que atrai turistas e é cenário de esportes aquáticos.
  35. 35. 34 2.2.5 Gracias Figura 20: Gracias Fabiana Silveira - 2008 A figura principal deste cartaz representa uma bela mulher paraguaia, delicada, que carrega uma cerâmica e esta envolta por vários elementos que simbolizam a prosperidade do país. Na base da obra, ilustrações remetem ao milho e a mandioca, ingredientes importantes da culinária paraguaia. O contraste das cores da bandeira deste país,
  36. 36. 35 juntamente com o uso do preto e do branco valoriza os elementos desta composição. Recortes sobrepostos dos prédios da capital Assunção juntamente com desenhos, dispostos do lado esquerdo do cartaz simbolizam a modernidade, e os avanços desta sociedade. Do outro lado bois, que remetem aos fazendeiros, inclusive aos Mennonites, um grupo protestante que há anos imigraram da Alemanha, Rússia e Canadá, estabeleceram-se na região do Baixo Chaco paraguaio, formando vilarejos com bancos, escolas, hospitais e cooperativas agrícolas, e somam 15 mil habitantes. A disposição do texto complementa a figura feminina e sua vestimenta. As palavras são oriundas da canção “Gracias a la vida” (Obrigada pela vida) e na obra faz referência a rica cultura que o país possui e que não é muito valorizada por outras nações. 2.2.6 La piel A base deste cartaz é composta por desenhos inspirados no formato da Chipa, o pão de queijo paraguaio. À direita estão dispostos, recorte e desenho do Palacio de Gobierno, que foi inspirado no Versalhes de Luís XIV. À esquerda, canhões, vestígios da guerra que hoje se tornaram atrativos turísticos. Ao fundo, traços que simbolizam o imenso Rio Paraguai atravessam a composição. Ao centro, uma figura masculina em destaque, as linhas e formas sugerem um fazendeiro. O texto complementa a composição, ressaltando que a cultura paraguaia também tem seu valor, e suas particularidades, assim como nos outros países hispano-americanos. As palavras foram extraídas da música “Canción com todos” (Canção com todos). As linhas são grossas, expressivas e apresenta um colorido único, através dos diferentes tons provindos das cores da bandeira do país, assim como nas outras obras desta produção.
  37. 37. 36 Figura 21: La piel Fabiana Silveira - 2008
  38. 38. 37 3. CONCLUSÃO O cartaz evoluiu, adequando-se aos diários avanços tecnológicos. Ele conseguiu manter-se como meio de comunicação e como suporte para uma expressão artística, mesmo frente ao grande desenvolvimento da internet na atualidade. Para a construção das obras deste Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização, pesquisou-se sobre a produção de cartazes feita por artistas e/ou designers que exploram o uso combinado de ilustrações, fotografias e fontes tipográficas. Esses estudos foram de grande importância para a concepção dos elementos que compõem esta pesquisa. A escolha da temática vem de estudos iniciados há alguns anos, durante um curso de extensão em língua espanhola, onde obtive um conhecimento mais aprofundado referente à cultura hispano-americana. A partir dessas pesquisas, procurei aumentar o conhecimento pessoal, direcionando para os países que fazem fronteira com o Mato Grosso do Sul: Bolívia e Paraguai. Em conseqüência, nasceu um trabalho bastante expressivo valorizando as cores que representam essas nações, aliando a arte com a cultura das mesmas. Minhas obras não tentam reproduzir esses países e seus costumes tal como são. Elas tendem à simplificação e estilização das formas, na busca da contemporaneidade e de uma poética própria. Procurei explorar a combinação de processos para obter o resultado estético-artístico desejado: a mistura de materiais, ilustrações feitas manualmente, fotografia e tipologia. Pensando no caráter expressivo do cartaz e em sua linguagem a intenção foi a de proporcionar uma reflexão acerca dos processos criativos que levam a utilização de suportes nem um pouco habituais como forma de linguagem artística. Vale salientar que um dos propósitos foi simbolizar através de uma arte inovadora, a necessidade de se quebrar as barreiras existentes entre os países da América Latina. Os elementos constitutivos de cada cartaz são como uma mensagem para instigar o observador a realmente conhecer a identidade cultural das duas nações.
  39. 39. 38 Ao término deste trabalho, após a análise das obras, percebe-se que o suporte teórico aliado à prática proporcionou a aquisição de uma linguagem própria, possibilitando inclusive que outros estudos possam surgir a partir deste. Afinal, acredito que acima de tudo, o cartaz informa, sugere, anuncia, expõe, surge, destaca, seduz, convence, educa, decora, comunica... O cartaz é arte.
  40. 40. 39 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASÍ ES NUESTRO PARAGUAY. ABC Digital. Assunção, 2008. Disponível em: < www.abc.com.py/paraguay >. Acesso em: 28 set. 2008. BARNICOAT, John. Los carteles – Su historia y lenguaje. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 1972. CANCLINI, Néstor García. Culturas Híbridas. 4ª ed. São Paulo: Edusp, 2008. CESAR, Newton. Direção de Arte em propaganda. 8ª ed. Brasília: Senac, 2006. COLLARO, Antonio Celso. Projeto Gráfico. 4ª ed. São Paulo: Summus, 2000. FARINA, Modesto. Psicodinâmica das cores em comunicação. 4ª ed. São Paulo: Edgard Blücher, 2005. Mercedes Sosa canta o folclore latino-americano. Folha online. 29/08/2001. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u17075.shtml>. Acesso em: 10 dez. 2008. FONTOURA, Ivens. Cartazes e marcas paraguaias. Rede Design Brasil. Curitiba, 02 out. 2005. Disponível em: < www.designbrasil.org.br > Acesso em: 28 set. 2008. FOSTER, John. Carteles – Nuevos Diseñadores. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2007. GRANNELL, Craig; FOLCO, Nathalie. Ilustração hoje e amanhã. Computer Arts Brasil. São Paulo, ano 1, n. 9, p. 38-49, mai. 2008. MONTEIRO, Bettina. Guia o melhor da América do Sul. São Paulo: Editora Abril, 2007. HALL, Stuart. A identidade cultural na Pós-Modernidade. 10ª Ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2005. HOLLIS, Richard. Design gráfico: uma historia concisa. Tradução de: Carlos Daudt. São Paulo: Brasiliense, 2005.
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